Anikparé: não predador.
Ehemtakaimé: termo que indica troca de coisas, como a reciprocidade entre esposos, pais, filhos ou troca de pessoas não aparentadas. O mesmo termo também nomeia a troca de mulheres (irmãs) e a troca de mortos (em contexto de guerra, o morto tem que ser trocado por um vivo).
Ijan: novo (objeto).
Imakhé: elementos dotados de certas particularidades valorizadas (“ali está o que é meu”). Não constitui um adorno, por si só, mas o componente que ornamenta aquilo que o contém ou que lhe serve de apoio. Esse termo se aplica aos elementos que se adequam às normas técnicas, estéticas, funcionais, pré-estabelecidas. Exemplos de objetos que estão sob este referencial são as edificações, as aldeias, as roças maduras, as epidermes sadias e pintadas e os cabelos penteados dos humanos. A arte wayana também é dita imakhé, ou seja, é própria e apropriada ao uso.
Imirikut: repertório dos seres sobrenaturais; indica a posse não-Wayana do repertório de “pintura corporal”; “pintura deles” (ver: mirikut). Cada imirikut se aloja em um repertório específico e expressa diferenças formais, pois os padrões representam seres individualizados, existentes em diferentes espaços e domínios.
Iolok: categoria de sobrenaturais que conta com numerosos elementos. Dispersos por todo o território wayana, possuem cantos, implementos, adornos e motivos decorativos próprios, sendo associados especialmente às doenças. “(...) os componentes dessa categoria subdividem-se entre
os ipokiorok, ‘apropriados’, e os iorok ipokerá, ‘inapropriados’. Os primeiros auxiliam o xamã
na cura e os outros inoculam enfermidades e assim matam os humanos para poderem devorá- los, pois são antropófagos” (Van Velthem, 2003: 424).
Iolok imirikut: pintura dos sobrenaturais iolok.
Ipó: designa os componentes da sobrenaturalidade, que habitam espaços não ocupados pelos humanos (céu, água, subterrâneo) edificando aldeias onde domesticam seus animais (cativos).
Ipokan: comportamento apropriado aos Wayana; componentes imateriais da cultura wayana: canto, idioma, música, tradição oral, vida social e afetiva.
Irmató: indivíduo que possua objetos dos quais desconhece a tecnologia de fabricação. Esse termo pode ser aplicado no contexto matrimonial, assim como nas relações com a alteridade.
Iwonó: ato de portar determinados adornos.
Kaikuimë: “jaguar descomunal” (ou “onça sobrenatural”); designação genérica para a essência predatória dos grandes felinos amazônicos.
Kamnanaimë: anaconda/arco-íris, indivíduo cuja pintura corporal reproduz as listras horizontais observáveis nesse fenômeno. Sua efígie constitui a forma decorativa tepiatxé, “listrado”.
Kapekom: outros humanos dotados de colorações diferentes daquela dos Wayana, como os descendentes de europeus e africanos.
Koroké: cor branca; revestimento corporal/cosmológico branco.
Kuékekon: os outros índios não-Wayana.
Kuyulitom: os demiurgos.
Maruana: roda-de-teto.
Maruanã: arraia sobrenatural.
Maruanã imirikut: pintura da arraia sobrenatural.
Mirikut: padrão de “materialização pela cor”, que engloba as noções de grafismo, desenho e motivo, considerados em sua essência representativa. Esse termo pode ser empregado no singular para designar um padrão específico, embora o sentido mais correto seja o de repertório – mirikut faz referência à decoração dos sobrenaturais em seu conjunto e enquanto criações inerentes e permanentes desse seres, a sua “pintura corporal” repertório de decoração dos sobrenaturais, sua “pintura corporal”.
Nekparé: predador.
Okaiá: um dos mais importantes demiurgos, que recriou os animais/homens após o dilúvio.
Okomoman: ritual iniciático masculino.
Okoiwuimëi: “cobra descomunal”, serpente arquetípica. Designação genérica para a essência predatória das serpentes constritoras (sucurijú e jibóia) – essência esta denominada anaconda para diferenciá-las das congêneres naturais. Representa a própria sobrenaturalidade e tem como características principais o corpo serpentiforme e suas “pinturas corporais” que conformam padrões.
Olokóimë: quintessência da sobrenaturalidade (o “monstruoso dos monstruosos”), daquele que detém a supremacia sobre seus congêneres e que reúne em si todas as doenças.
Pahié: entalhe; técnica decorativa feita por escarificações com “dente de roedor”.
Piré: cor vermelha; revestimento corporal/cosmológico vermelho.
Pitpë: pele; nome genérico dado aos revestimentos dos elementos corporificados do cosmo.
Tanukhé: processos metamórficos sofridos por objetos rituais.
Tanuktai: “ficar como”; metamorfose; refere-se aos processos de transformação contados nos mitos.
Tariri: cor preta; revestimento corporal/cosmológico negro.
Tepiatxdem: pintura corporal em forma de listras. Representa o arco-íris, manifestação física de
kamnanaimë, anaconda/muçum primordial, além de outros seres sobrenaturais e, ainda, a própria natureza, que se revela através de seus representantes.
Tewatuwanmai: manifestação do poder predatório sobrenatural no espaço social. Domina a vida ritual e cerimonial.
Tihé: fazer; produzir – se refere tanto à ação humana exercida sobre matérias corporais como sangue e sêmen, que vai resultar no filho, quanto à ação humana sobre matérias naturais como penas, pêlos, caniços, folhas, cipós, argila, madeiras, que vai resultar nos objetos.
Timirikem: pintura corporal em forma pontilhada; “com pintas”. Representa iconicamente a pelagem da onça pintada, os demais animais e o espaço no qual vivem, ou seja, a natureza.
Tipumuhé: técnica decorativa da amarração, feita em fios de miçanga ou semente.
Tohophé: pintura corporal, que consiste em untar o corpo.
Tonophem: pintura de urucu.
Tukuxipan: casa cerimonial, “lugar de muitos peixes tukuxi”.
Tuluperê: anaconda/larva, excessivamente pintada com motivos marchetados em vermelho e negro. Sua efígie é constituída por suas pinturas corporais, na totalidade e individualmente, que compõem o elenco decorativo empregado pelos Wayana.
Tuluperê imirikut: pintura de anaconda.
Ukuktop: refere-se à particularidade do objeto relacionada à reprodução imitativa do resultado da atividade dos demiurgos. É a “imagem” requerida para visualização do padrão (mirikut), enquanto mediadora do conhecimento humano sobre a natureza.
Wayanaimë: seres antropomorfos.
Wayanaman: “semelhante à gente”.