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4. STRATEGISK ANALYSE

4.2 E KSTERN BRANSJEORIENTERT ANALYSE

4.2.1 PESTEL – analyse

Para situar melhor o leitor sobre a maneira como consideramos o parâmetro respiratório, partimos de uma apresentação das principais estruturas anatômicas e processos envolvidos no seu funcionamento7. Em seguida, complementa-se esta apresentação com o destacamento de alguns tópicos sobre a importância da função respiratória no contexto da produção vocal aplicada ao canto.

Aspectos funcionais do parâmetro respiratório

No que diz respeito à produção vocal, o funcionamento dos órgãos que atu- am no parâmetro respiratório pode ser descrito da seguinte maneira:

7 Para informações mais detalhadas remetemos o leitor às referências de NETTER (1989), SUNDBERG (1987) e TITZE (1994).

• Inicia-se com o processo inspiratório, a partir da transmissão de estímulos neuroló- gicos aos músculos respiratórios, mais especificamente, o estímulo à contração do diafragma e dos músculos intercostais;

• Esta contração que, em linhas gerais, corresponde ao abaixamento do centro ten- díneo do diafragma e à abertura/elevação da caixa torácica pelos músculos intercos- tais, tem como principais consequências a ampliação do espaço interno da caixa to- rácica e uma diminuição da pressão do ar no interior dos pulmões em relação à pressão do ar no ambiente externo ao corpo humano, razão pela qual o ar deste meio ambiente é inalado até que se estabeleça uma condição de equilíbrio de pres- são em decorrência dos limites voluntários ou involuntários da nossa capacidade pulmonar;

• Novos estímulos neurológicos são orientados à distensão dos músculos inspirató- rios que, em conjunto com a elasticidade do tecido pulmonar, promove o aumento da pressão do ar no interior dos pulmões em relação ao ambiente externo, razão pela qual o ar dos pulmões é exalado;

• Além da distensão dos músculos inspiratórios, os impulsos neurológicos relaciona- dos à expiração estimulam também a contração dos chamados músculos expirató- rios, tais como os músculos abdominais e músculos do assoalho pélvico que podem desempenhar papeis importantes em relação ao controle da produção vocal;

• Com a expiração, sobretudo no contexto de uma ação bem controlada das funções musculares, é gerado então um fluxo que percorre todo o circuito das vias respirató- rias, dos pulmões até as cavidades oral e nasal;

• A passagem deste fluxo aéreo pressurizado pelas pregas vocais que se localizam na laringe é fundamental para o desenvolvimento dos processos aerodinâmicos que estão na base da produção dos sons vocais;

• O fluxo de ar expiratório, após a produção dos sons vocais pela fonte laríngea, con- tinua a desempenhar um papel importante no desenvolvimento dos processos que caracterizam o parâmetro articulatório da produção vocal uma vez que constitui, em

conjunto com as estruturas do trato vocal, o meio de propagação e transformações acústicas dos sons da voz (dentre os quais, aqueles que consideramos no âmbito da dicção aplicada ao canto).

O parâmetro respiratório e a produção vocal aplicada ao canto

Os estudos recentes confirmam a importância dada pelas teorias tradicionais aos papeis desempenhados pelo parâmetro respiratório na prática do canto. Nesse contexto, destacam-se como fundamentos as ideias de que:

• O aparelho respiratório atua como um sistema capaz de permitir o controle acurado sobre o fluxo aéreo necessário à produção da fonte glótica (fonação);

• Este fluxo aéreo se projeta como meio de propagação da energia acústica pelo tra- to vocal, caracterizando os processos articulatórios de ressonância;

• É também este fluxo aéreo que se estabelece como fonte de energia aerodinâmica para a articulação dos sons vocais cuja fonte seja produzida pela ação dos órgãos do trato vocal. Por exemplo, enquanto a fonte sonora das vogais é produzida exclu- sivamente pela interação das pregas vocais com o fluxo expiratório, as consoantes têm como mecanismo de produção de total ou parcial de suas fontes sonoras as in- terações entre o fluxo de ar e os articuladores do trato vocal. As consoantes produ- zidas exclusivamente pela ação dos articuladores do trato vocal são chamadas de não-vozeadas; as consoantes que além da ação dos articuladores do trato vocal são produzidas pela ação das pregas vocais, são chamadas de vozeadas8.

A despeito da importância dada pelos estudos científicos sobre a produção vocal aplicada ao canto, observa-se uma tendência na pedagogia moderna a inver- ter o cenário da tradição – no qual a respiração era considerada como o principal re- curso para o desenvolvimento da técnica vocal – e passar a tratar as questões rela- tivas aos processos respiratórios no contexto dos parâmetros de fonação e da articu- lação.

8 Um exemplo de consoantes não vozeadas são os fonemas [p,t,k,f,s,ʃ], e um exemplo de consoantes vozeadas são os fonemas [b,d,g,v,z,ʒ], entre tantos outros, como veremos mais adiante.

Entretanto, alguns tópicos permanecem constantemente referenciados nos trabalhos sobre as teorias e práticas do canto, tais como:

• O fato de que a geração de um nível de pressão subglótica adequado ao bom fun- cionamento da fonação pode ser tratada a partir de dois aspectos conjuntos: a reali- zação de uma plena porém equilibrada fase de inspiração9, e o controle estratégico das diversas possibilidades de atuação dos músculos que atuam sobre o movimento expiratório dos pulmões10;

• O fato de que o controle do fluxo expiratório e da consequente geração de pressão subglótica pode se beneficiar do equilíbrio entre a ação da musculatura expiratória e o acionamento dos músculos inspiratórios, recurso que está na base do conceito tradicional de lotta vocale 11 (expressão alusiva à ‘luta’ que se estabelece entre estes dois procedimentos antagônicos);

• O fato de que este controle, com base nos mecanismos antagônicos mencionados acima, pode contribuir para coordenar o parâmetro respiratório com os parâmetros fonatório e articulatório, recurso que remonta à ideia mais ampla do conceito tradici- onal de appoggio conforme formalizado por Francesco LAMPERTI (1864)12;

E é com a referência deste último aspecto - que compreende aplicação técnica do parâmetro respiração desde o princípio dos ajustes das forças antagônicas entre o ‘gesto inspiratório’ e o ‘gesto expiratório’ (para utilizar os termos de MILLER,1996, p.77, tradução nossa) até a coordenação dos resultados destas forças com o parâ-

9 Uma vez que se faz necessário o armazenamento de um certo volume de ar nos pulmões sem que um armazenamento exagerado possa causar tensões excessivas dos músculos respiratórios entre outros músculos relacionados à respiração ou ao funcionamento do aparelho fonador.

10 SUNDBERG (1897, p. 39) chama atenção para o fato de que o aumento na pressão subglótica po- de interferir em aspectos tais como a intensidade e até a frequência dos sinais sonoros produzidos na fonação; TITZE (2008, p. 2739) chama a atenção para a influência que a pressão subglótica pode ter sobre a fase de abertura das pregas vocais e, consequentemente, sobre os padrões de vibração das pregas vocais.

11 Este conceito corresponde a um dos pontos relacionados ao conceito tradicional de appoggio for- mulado por LAMPERTI (1864, 1884). Entretanto, é remanescente nas pedagogias modernas a com- preensão de que os desequilíbrios decorrentes da predominância da ação de um ou outro mecanismo respiratório se refletem sobre as características finais da produção vocal.

12 Sobre o conceito de appoggio e as proposições de LAMPERTI (1864, 1884) são relevantes as con- siderações apresentadas por JUVARRA (2006), MILLER (2004, 1996, 1986), STARK (1999), além das ideias de DUARTE (1994).

metro articulatório - que seguiremos falando sobre as relações entre o parâmetro ar- ticulatório e a dicção.