A configuração geométrica inicial verificada para os corpos rochosos da área teria sido imposta por uma tectônica compressiva no sentido de sudoeste para nordeste, a qual produziu o dobramento isoclinal de mega - escala das supracrustais.
Esta tectônica foi acompanhada de atividade ígnea com consequente colocação de corpos de granitóides em núcleos de anticlinais.
A continuidade deste processo foi responsável pelo redobramento destas estruturas (anti-clinais e sinclinais); gerou deslocamentos direcionais e transcorrências dextrais nos flancos destas estruturas (bordas dos corpos graníticos e metassedimentos dobrados) e imbricamento tectônico de metassedimentos sobre os corpos graníticos.
Este regime culminou com discretas transcorrências dextrais de direções W - E.
A estes regime tectonico compressivo estão associados os empurrões responsáveis pelos empilhamentos de escamas tectônicas (nappes de cavalgamentos).
Os estágios deformacionais posteriores estão caracterizados por um regime transcorrente. O primeiro estágio inflexionou as estruturas anteriores como respostas a movimentações trasncorrentes sinistrais de direções NW.
O segundo estágio, produziu transcorrencias sinistrais de direção norte - sul e respondeu pelo imbricamento de escamas tectônicas na direção norte - sul.
VI. RELAÇÕES ESTRATIGRÁFICAS E COMPARTIMENTAÇÃO PROPOSTA
GRANITOS SINTECTÔNICOS
Nesta Unidade foram reunidos os Granitos Tipo Aragoiânia (Lacerda Filho, 1989 apud Lacerda Filho et al. 1999), os Ortognaisses do Oeste de Goiás (Pimentel et al. 1991; Pimentel & Fuck, 1992 apud Lacerda Filho et al. 1999) e a Suite Rio Caiapó (sin- a tarditectônicos) (Pimentel & Fuck, 1987, 1992 apud Lacerda Filho et al. 1999).
O pequeno corpo granítico que ocorre na área encaixado nos metassedimentos do Grupo Araxá, junto ao contato tectônico com o metatonalito foi tomado como referência (Lacerda Filho, 1989 apud Lacerda Filho et al. 1999) para denominar um conjunto de corpos graníticos sintectônicos como Granitos Tipo Aragoiânia.
apresentam características típicas às descritas para os Ortognaisses do Oeste de Goiás: são bandados, com bandas máficas à base de biotita e hornblenda, localmente migmatizado e alojam (tectonicamente) fragmentos de gnaisses arqueanos (Gnaisse Ribeirão).
O granitóide encontrado na região de Varjão, apresentam elementos estruturais e características petrográficas típicas daquelas relatadas para granitóides da Suite Rio Caiapó, com foliação magmática e cristais centimétricos de microclínio alinhados à direções aproximadamente norte - sul.
O conjunto de corpos granitóides que ocorrem na área e reunidos sob a designação de Granitos Sintectônicos apresentam características estruturais que sugerem um estilo de ascensão e colocação sintectônicos: similaridades entre as estruturas internas (foliações, lineamentos estruturais) dos corpos e das encaixantes, formas e alinhamentos dos corpos rochosos, contatos tectônicos transcorrentes e por empurrões entre granitóides e metassedimentos. Estas colocações provavelmente aproveitaram núcleos de estruturas antiformais.
Os conjuntos também apresentam características microtexturais, composições mineralógicas (à base de microclínio com mais ou menos micropertitas) e tipos composicionais similares (sienogranitos e monzogranitos). Portanto, estes conjuntos podem ser reunidos como granitos tipo “S” sin-colisionais. As idades relatadas para essas várias unidades são relativamente próximas: 900 Ma (Granitos Tipo Aragoiânia); 899 Ma (Ortognaisses do Oeste de Goiás); e 585 Ma à 759 (granitóides da Suite Rio Caiapó). Os Ortognaisses do Oeste de Goiás e a Suíte Rio Caiapó (Seer, 1985; Pimentel et al., 1985; Pimentel & Fuck 1986, 1992, apud Lacerda Filho et al., 1999; Pimentel & Fuck, 1987), são também interpretados e reunidos como pertencentes ao Arco Magmático de Goiás (Pimentel, Fuck & Del’Rey Silva, 1996; Pimentel et al., 2000a).
A formação deste arco magmático está associada a um magmatismo ocorrido durante o período 600 Ma a 900 M (Pimentel et al. 2000a, 200b).
As similaridades entre os Granitos Tipo Aragoiânia e os demais conjuntos de granitóides que ocorrem na área (Ortognaisses do Oeste de Goiás e Suite Rio Caiapó); e com base nas definições do Arco Magmático de Goiás (Pimentel et al., vários artigos), todos estes granitóides podem ser reunidos como parte dessa unidade lito-tectônica (Arco Magmático de Goiás).
O limite oeste da quadrícula é marcado por uma faixa transcorrente de direção norte-sul, de expressão regional, que no esquema de estruturação de Lacerda Filho (1999) representaria o limite do Arco Magmático de Goiás (Pimentel et al., vários artigos). A região à leste desta megaestrutura (área deste trabalho) está ocupada pelos Terrenos Granito - Gnáissicos, naquela cartografia.
GRUPO ARAXÁ
Neste trabalho esta unidade está representada pelos metassedimentos que ocupam quase toda a porção leste da quadrícula e a região no entorno do núcleo urbano de Jandaia, na porção oeste da área. Além dos quartzitos e quartzo - moscovita xisto, são encontrados naquela região quartzo - granada mica xisto com estaurolita, intercalados aos primeiros. Este litotipo, com estaurolita, é referido como pertencente ao Grupo Araxá (Leonardos et al. 1990). Deste modo, admite-se aquela sequência como equivalentes estratigráficos dos quartzitos e quartzo mica xistos que ocorrem na parte leste da área.
Estes metassedimentos que ocorrem na região de Jandaia são admitidos como pertencentes à Seqüência Vulcanossedimentar Anicuns-Itaberaí (Lacerda Filho et al., 1999).
Os quartzitos ocupam núcleos de estruturas sinclinais na área (perfis no mapa anexo ). Neste esquema de estruturação, estes quartzitos ocupam o topo da sequência, na porção intermediária encontra- se o quartzo - moscovita xisto, branco, de granulometria fina; e na base encontram-se os quartzo - granada - mica xistos. Na região de Jandaia não se observou a ocorrência do quartzo - moscovita xisto, branco, fino, intercalado entre o quartzito e quartzo - granada mica xisto.
Na parte leste da área, predominam os quartzitos e quartzo granada mica xistos. Nessa parte da quadrícula, o quartzo - granada - biotita - clorita xisto ocupa quase toda a porção leste, enquanto que o quartzo - granada - biotita xisto aparece mais a oeste.
Nesta estreita faixa, em contato tectônico com o metonalito, observou-se a seguinte sequência, do topo para base: quartzito / quartzo - moscovita xisto, quartzo - granada - biotita xisto e quartzo - granada - biotita - anfibólio xisto (perfis no mapa anexo).
Observa-se um sequenciamento destes litotipos, de topo para base, de leste para oeste, até a porção central da área (metatonalito). No extremo oeste deste sequenciamento (porção central da área), ocorre o granada - biotita - cianita/silimanita gnaisse.
Deste modo, o empilhamento estratigráfico dos litotipos que compoem o Grupo Araxá na área, é admitido neste trabalho como sendo o seguinte (do topo para a base):
- quartzitos e quartzo - moscovita xistos; - quartzo - moscovita xisto, fino, branco; - quartzo - granada - clorita xistos; - quartzo - granada - biotita xistos;
- quartzo - granada - biotita - anfibólio xistos; - granada - biotita - cianita/silimanita gnaisse.
Os quartzo-mica xistos que ocorrem na parte leste da área, estão reunidos nas Unidades A e B, de Lacerda Filho (1999).