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Personsentrert sykepleie og mestring

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5 Drøfting

5.2 Personsentrert sykepleie og mestring

A entrada do sistema de rádio na capital mineira se deu em meados dos anos 1920, e ocorreu de forma experimental. A Sociedade Rádio Mineira (PRC-7) é a pioneira de Belo Horizonte29e efetuou a sua primeira transmissão em 16 de dezembro de 1925; a segunda aconteceu somente a 26 de fevereiro de 1926, não ocorrendo novas transmissões nos dois anos seguintes. Em 1929, o governador de Minas, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, procurou fundar a Rádio Mineira como estação oficial do Estado, mas as dissensões políticas para a concessão pelo governo impediram esse processo. Foi, portanto, de forma clandestina que a Rádio Mineira entrou no ar, servindo como meio de propaganda contra o governo federal Washington Luiz (MARTINS, 1999).

Em finais dos anos 1920 o contexto político era de crise, em decorrência da quebra da política dos governadores. O desejo pela criação de uma emissora de rádio oficial pelo governo do estado se deu no clima das divergências políticas entre Minas e São Paulo que antecederam a denominada “Revolução de 30”. Somente em 1931, após o golpe, é que a emissora se constituiu legalmente, mas não como emissora oficial do Estado30. Um dos motivos que acreditamos explicar o fato de a Rádio Mineira não se fundar como emissora oficial do governo do Estado se dá justamente pelo contexto político. Pouco antes do golpe de 1930, Olegário Maciel assume o governo estadual e Antônio Carlos, que havia angariado esforços para a criação da Rádio Mineira como estação oficial, deixa o cargo.

29 Em Minas Gerais, a emissora pioneira foi a Rádio Sociedade de Juiz de Fora, criada em 1926. Conf. Prata (2010).

30Martins (1999) e Moura (2010) informam que, no início da década de 1940, a Rádio Mineira tinha se incorporado aos Diários Associados, em ascensão naquele momento. No entanto, os autores não informam de maneira mais precisa sobre a incorporação da Mineira ao grupo de Assis Chateaubriant.

Desse modo, a mudança de governo, acrescida ao momento de crise política e econômica do estado, explica a não permanência da pauta a respeito da criação de uma emissora de rádio oficial, ante a necessidade de ações mais emergentes do governo na gestão dos gastos públicos.

Criada oficialmente, portanto, em 1931, a Rádio Mineira se manteve como única emissora de Belo Horizonte até agosto de 1936, quando foi criada a Rádio Guarani (PRH- 6) e, no mês seguinte, inaugurou-se a Rádio Inconfidência (PRI-3), para completar o “grupo” das três principais emissoras de Belo Horizonte até os anos de 1950, quando foi criada a Rádio Itatiaia31.

As emissoras de rádio dos anos 1930 e 1940 eram estruturadas para receber o público ouvinte e por isso contavam com auditórios onde eram realizadas as apresentações, sobretudo, de números musicais, programas humorísticos e radioteatro (figura 02). Geralmente possuíam orquestras, conjuntos regionais32 e diversos instrumentistas, que auxiliavam no acompanhamento musical das apresentações. Naquela época, a contratação de artistas famosos dava às emissoras status no cenário artístico-cultural brasileiro, ao mesmo tempo em que esses artistas também procuravam compor o cast das principais emissoras nacionais como modo de promover sua carreira.

As emissoras mineiras, nessas décadas, realizavam contratações temporárias e intercâmbio de artistas que faziam sucesso nas faixas de rádio, principalmente do Rio de Janeiro e de São Paulo. Pela Rádio Inconfidência, por exemplo, passaram artistas de renome nacional como Aracy de Almeida, as irmãs Linda e Dircinha Batista, Aurora e Carmen Miranda, Emilinha Borba, Violeta Cavalcante, Nelson Gonçalves e Silvio Caldas. Além de contar com a presença de cantores reconhecidos no meio artístico nacional e até mesmo internacional, buscava-se promover os artistas locais como modo de valorizar as especificidades mineiras no campo cultural. Assim é que figuras como a normalista

31 Sobre a Itatiaia, ver Martins e Costa (2002).

32Agrupamentos musicais que representavam nada mais do que velhos grupos de choro, acrescidos da percussão exigida a partir da popularização da moderna música de Carnaval (marcha, samba, batucada) e dos muitos gêneros derivados do samba (samba-choro, samba-canção, samba de breque). Conf. Verbete. Radio, Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica e popular, p. 660.

Efigeninha Queiroz- intérprete de sambas e marchinhas33, o médico Vicente Vono- humorista e o compositor Elias Salomé34 integravam o cast da emissora oficial.

Figura 2- Auditório da Rádio Guarani

33 EFIGENINHA Queiroz; o nosso broadcasting já principia a ter “estrellas”- O começo da fama- A Rádio Inconfidência está revelando os valores da música mineira. Folha de Minas, Belo Horizonte, 10. out. 1936,

p.12.

34 O RADIO empolgando a cidade: Mára e Elias Salomé obtiveram um grande successo, no restaurant da Feira. Folha de Minas, Belo Horizonte, 12 jan. 1937, p. 4.

“A Radio Guarani promoveu este ano uma programação digna de louvores, na preparação do Carnaval de 1944. Dentre os grandes valores que animaram esse programas, merece destaque o grande Francisco Alves que aque esteve especialmente para esse fim. Hervê Cordovil, também contratado para essa temporada, além de Romulo Pais, que brilhou com a petizada de “Gurilandia”, apresentando audições que marcaram um dos mais nítidos sucessos do Carnaval radiofônico deste ano. O cliché acima mostra um aspecto colhido no auditório da PRH-6 quando das apresentações de Francisco Alves, que também se vê na fotografia.”

Figura 3- Efigeninha Queiroz

Fonte: Folha de Minas, 10 out. 1936, s/p.

Figura 4- Emilinha Borba

Fonte: Folha de Minas, 14 dez. 1943, p.7 Fonte: Revista Alterosa, n. 14, abr.1941, s/p35

35 Descrição da foto: “Dircinha falando ao redator de radio de ALTEROSA”. Conf. DIRCINHA Batista na PRI-3, Revista Alterosa, n. 14, abr. 1941, s/p.

Os artistas de rádio também se apresentavam em outros espaços da cidade, atendendo à expectativa e curiosidade do público ouvinte em conhecê-los. O Teatro Municipal36 recebia, nos anos 1930, o entusiasmo da popularidade conferida aos artistas do rádio belorizontino. Em 07 de setembro de 1936, o compositor brasileiro Edgard Cardoso organizou um festival com a participação dos artistas que figuravam no meio radiofônico da capital37. “A Noite do Radio”, como foi chamado o evento, “constituiu um authentico sucesso a primeira apparição pessoal das estrellas e astros do radio mineiro38.

Nesse princípio de uma época fortemente marcada pelo ouvir o rádio, não somente em Belo Horizonte, mas no mundo de um modo geral, é imprescindível perceber a dinâmica social que se estabeleceu em torno desse aparato tecnológico. Essa vivacidade pode ser percebida não somente em um sentido cultural e artístico, mas igualmente por uma dinâmica econômica que se explica pela existência de um considerável mercado de aparelhos39. Ao mesmo tempo em que cantores, músicos e artistas desse período se tornaram reconhecidos viram-se ascender a oferta e a procura por aparelhos bem como o aumento do número de ouvintes.

No ano de 193740 contabilizava-se a existência de 15.262 aparelhos de rádio em Belo Horizonte, estimando-se a proporção de 9 rádio-ouvintes da população urbana para cada aparelho41. Isso totaliza um público ouvinte de aproximadamente 137.360 pessoas em uma população que alcançava a cifra de 193.706 pessoas42. No Rio de Janeiro, capital federal, registrava-se o número de 35.677 aparelhos de radiodifusão em 1936, o que

36 O Teatro Municipal foi construído alguns anos depois da inauguração da capital (1906) se localizava à Rua Goiás com Bahia. In: OS ANOS 1940: uma moderna metrópole no Horizonte. Disponível em: <http://curraldelrei.blogspot.com.br/2010/11/os-anos-1940-uma-moderna-metropole-no.html> Acesso em ago. 2015; HÁ 30anos, Belo Horizonte perdia o tradicional Cine Metrópole. Disponível em: http://www.hojeemdia.com.br/almanaque/ha-30-anos-belo-horizonte-perdia-o-tradicional-cine-<metropole- 1.122515> O Cine Metróle era o mesmo Teatro Municipal construído no início do século XX em Belo Horizonte.

37 RADIO, Minas Gerais, 07 nov. 1936, p. 13.

38 A NOITE do Radio no Theatro Municipal, Revista Bello Horizonte, n. 73, Outubro de 1936.

39 Ao tomar por base o circuito do rádio que produzimos na Introdução deste trabalho as abordagens a seguir são correspondentes à indústria de aparelhos, importadores, distribuidores, etc e procura relacionar ao contexto de produção de bens de consumo que conduziriam para um estilo de vida moderno.

40 Conf. Secretaria da Agricultura, Indústria Comércio e Trabalho (1937).

41O Relatório Municipal traz a quantia de 22.000 aparelhos existentes como estimativa, o que não mostra confiabilidade no dado, mesmo porque o número apresentado pelo serviço de estatística é inferior. Assim, considerei somente o número apresentado pela estatística expedida pela Secretaria de Agricultura.

42INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSICA. Estado da População: População absoluta e relativa do Brasil, das suas Unidades Federadas e dos municípios das respectivas Capitais, calculada para 31 de dezembro- 1937/1939.

significou um aumento de 57,62% comparado ao ano anterior na mesma capital, que era de 20.558 aparelhos43.

O crescimento na venda de aparelhos marca a importância que a mídia radiofônica assumia na sociedade de então. Na capital mineira, essa dinâmica econômica revelou-se pela existência de um mercado de aparelhos de rádio nacionais e importados, oferta de peças para manutenção e serviços de conserto. Existiam 623 marcas à venda em Belo Horizonte, sendo que quatro eram nacionais (Cacique, Ipê, Metrotone, Cruzeiro), 22 eram americanas (Airline, American Bosch, Andréa, Atwater, Belmont, Cadete, Clarion, Colonial, Crosley, Delco, Emerson, General Eletric, Hamilton Lloyd, Midwest, Motorola, Philco, Pilot, Polyglota, RCA Vitor, Zenith, Wells-Gardner, Westinghouse), duas alemãs (Telefunken, Blaupunket) e uma holandesa (Philips). Outras marcas não discriminadas totalizam 59444.

Nos periódicos circulantes à época eram anunciados distribuidores autorizados, casas comerciais e importadores responsáveis por oferecer aos consumidores uma gama variada de marcas e modelos. Registram-se também anúncios em busca de vendedores de rádio: “Procura-se vendedor competente para rádios”, dizia o anúncio direcionado para “senhores com grande experiência no ramo, desejando um emprego em boas condições e de grande futuro”45. Em um clichê do representante da americana Pilot, os “Pilot boys”, garotos de pouca idade (entre 10 e 12 anos), vestidos com uma indumentária característica, pareciam assumir o posto de pequenos ajudantes da agência Pilot na Capital. Outra notícia interessante trata de um concurso promovido por esse fabricante, em que o prêmio foi um “luxuoso” rádio46. Inaugurações e aniversários de agências e comércios, lançamentos de novos modelos e passagens pelo Dia do Rádio (comemorado no dia 25 de setembro) dinamizavam as sociabilidades na capital e em cidades pólo do interior47. Esses eventos ofereciam à imprensa, às radiodifusoras e aos comerciantes coquetéis com chopp e sanduíches48. Elegia-se em Belo Horizonte, tal como na capital federal, a rainha do rádio, geralmente uma artista de destaque no meio radiofônico mineiro.

43 Relatório da Diretoria Regional dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal – 1936. p. 113 . 44 Conf. Secretaria da Agricultura, Indústria Comércio e Trabalho (1937).

45 Procura-se vendedor competente para rádios. Folha de Minas, 07 nov. 1936, p.4. Conf. também as edições de 08 e 09 nov. 1936 do mesmo jornal.

46 Conf. Folha de Minas, 06 dez. 1936, p.5; Concurso Pilot, Revista Bello Horizonte, n. 75, dez. 1936 s/p. 47 INAUGURAÇÃO da Philips em Juiz de Fora, Revista Belo Horizonte, n. 73, out. 1936 s/p.

In document 706.pdf (380.1Kb) (sider 22-25)