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No começo deste projeto, o IKEA Industry Portugal já havia implementado a ferramenta 5S. Os colaboradores estavam inteirados sobre o assunto, e obtinham formação sobre a ferramenta e suas vantagens. Associado a este processo, efetuavam-se auditorias 5S à área. Era atribuída uma pontuação quantitativa de 0 a 100 para perceber qual o nível em que se situavam. Esta avaliação tinha como intuito perceber se o conceito 5S estava interiorizado por todos os colaboradores. Contudo, a área mostrava limitações na limpeza e arrumação, como se comprova na avaliação da área, Figura 70, nos meses de Setembro de 2013 a Janeiro de 2014.

Figura 70 - Classificação 5S das linhas Biele e Lamek

A área no geral tem vindo a melhorar o conceito de 5S, apesar de não estar inteiramente assimilado. A linha Biele encontra-se mais arrumada e organizada em relação à Lamek, como se apura na pontuação obtida na Figura 70.

4.3.5.1 Falta de identificação e organização da área

Verificou-se a existência de locais e zonas de passagem que não estavam devidamente delimitados, inexistência de locais para colocação de materiais e sucata, desarrumação de ferramentas necessárias às rotinas de execução e setup, materiais não assinalados de forma devida, sistemas andon não identificados, falta de proteção dos constituintes das máquinas que evitem sujidade e facilitem a limpeza e inexistência de suportes para organização das ferramentas/acessórios.

Esta desorganização refletia-se em perdas de tempo na procura/troca de ferramentas, acessórios, limpeza, setups e execução, insegurança dos colaboradores e ineficiência do processo produtivo. Estes fatores contribuíram para a perda na eficiência geral da área e demonstrava que os operadores ainda não interiorizaram o conceito e as vantagens da implementação dos 5S+1S.

4.3.5.1.1 Desordem nos buffers da área

Os buffers de entrada e as linhas de retorno não se encontravam devidamente organizados e delimitados. Os colaboradores colocavam a matéria-prima, ou o produto final indiscriminadamente, o que criava uma desorganização, e esta era maior quando ambas as linhas estavam em funcionamento. Nos buffers, sempre que

Descrição e análise crítica da situação atual da área BOS 73 estavam à frente, o que implicava perdas de tempo. Nas linhas de retorno eram colocados painéis produzidos da Biele e da Lamek aleatoriamente nas linhas conforme saiam de produção. Esta desorganização desencadeava o não cumprimento do tempo de cura dos painéis. Também quando os colaboradores do PT5 tinham que executar o teste de verificação de aberturas nos painéis perdiam tempo à procura dos books de painéis da sua linha. Uma organização e delimitação da área é essencial uma vez que este PT requer bastante concentração e quanto menos tempo o colaborador estiver a verificar o espaço disponível e o ocupado melhor, porque terá mais tempo para a deteção atempada de defeitos e resolução de problemas mais eficiente e menos demorada.

4.3.5.1.2 Falta de definição de limites para as baseboards

Em todos os books de HDF e ripado, que chegam do corte, uma baseboard serve de base de sustentação da matéria-prima para que esta não fique em contacto direto com os tapetes/rolos/carros de transporte. Aquando o seu término, as baseboards são colocadas ao lado da linha de entrada de matéria-prima, ou em linhas devidamente delimitadas para numa fase posterior regressar à área de corte.

Na Biele no PT1 também existe uma linha de colocação de baseboards só para o ripado. No que respeita ao HDF como não existem locais apropriados nesta linha devido à falta de espaço, são colocados numa das duas mesas de alimentação. Sempre que se está a alimentar o PT numa mesa a baseboard é colocada na contrária. No caso da Lamek nos PT1/PT2 e PT3 existem linhas de rolos automáticos apropriadas para a colocação das baseboards. Muitas das vezes, a Biele coloca as suas baseboards nas linhas da Lamek, originando um empilhamento excessivo. Como não existe uma limitação do seu número, os colaboradores retiram-nas quando querem. Podem retirar muitas de uma vez, o que causa problemas com a sua segurança e esforço físico exercido para retirar um número excessivo de baseboards. Se retirarem poucas de uma vez, causam movimentação desnecessária, implicando retornarem à área do corte. Tal facto envolve disponibilidade das linhas de retorno ou das linhas de alimentação de matéria-prima, o que não sucede se a área produzir a uma cadência normal.

4.3.5.1.3 Desorganização do armário de filmes

No PT5 de ambas as linhas, que visa o acondicionamento do book de painéis existe um armário para armazenar filme e cones de identificação do produto/linha de produção. Quando o book de painéis não é filmado de imediato gera painéis empenados. Muitas vezes, o colaborador não executava uma filmagem imediata pois desleixava-se e o filme acabava. Como a sua reposição é demorada devido ao empilhadorista ter que ir buscar filme ao armazém a 523 metros de distância da BOS, os painéis acabavam por empenar, o que se refletia em sucata de painéis.

4.3.5.1.4 Desorganização das ripas para aproveitamento

No PT1 de ambas as linhas, quando se dá um mau posicionamento, segunda maior parcela de sucata, constatado na secção 4.3.3, ripas mais curtas ou compridas, ou mesmo a sua troca, após serem colocadas no HDF, o colaborador se avistar o problema a tempo, retira o HDF com as ripas coladas e descola-as. As ripas finas e largas são assim colocadas para aproveitamento existindo um local para a colocação misturada destas.

Perante a existência de uma ou mais ripas partidas, empenadas ou danificadas, o colaborador caso tenha ripas em aproveitamento do mesmo produto, aproveita-as colocando-as em produção de modo a substituir a/s que exibem defeito/s. Devido a esta mistura de ripas, o colaborador demora demasiado tempo a encontrar a/s ripa/s do produto a produzir e a distinguir se se trata de uma ripa fina ou de uma larga.

4.3.5.1.5 Ausência de suporte adequado para a cola PVAC

No fecho da máquina da cola FAMAD, PT1 e PT3 da Biele e PT1/PT2 e PT3 da Lamek, a electroválvula é fechada para não deixar passar mais cola. Porém, a cola que ainda se encontra na tubagem continua a cair numa média de 35,6 gr sempre que a máquina é desligada, quer por paragens de produção que justifiquem, quer ao final da semana com o fecho da produção. O sistema encontrado pela BOS foi a colocação de sacos de plástico com fita adesiva, Figura 71. Contudo, não é considerada uma medida viável, porque coloca em causa a segurança dos colaboradores para além de poder danificar os constituintes das máquinas.

Figura 71 - Suporte da cola PVAC usado nas máquinas FAMAD

4.3.6.2 Falta de limpeza da área

No que respeita à limpeza, em ambas as linhas existia sujidade sendo difícil mantê-la limpa devido ao uso das matérias-primas (HC, HDF e ripado) e das colas. A existência de pó dos HDF, ripado e HC nas plataformas envolventes às máquinas e das próprias máquinas e seus componentes é visível, como se constata na Figura 72.

Figura 72 - Sujidade visível na área

Esta sujidade repercute-se no correto funcionamento dos sensores por perderem a sensibilidade ótica; na segurança dos colaboradores; numa colagem não eficaz que gera defeitos no processo e sucata. Para tal os colaboradores recorriam a pistolas de ar comprimido. Em observação destas atividades, foi detetada a existência de limitações no comprimento das pistolas. Estas possuíam um comprimento entre 3 a 5 metros nos PT. Em alguns PT existiam mangueiras. Porém, nos PT2 na Biele e o PT3 na Lamek que englobam a Wikoma, não existiam. Estes PT são críticos em termos de limpeza, por se tratar do local onde se dá a alimentação do PT com HC e era limpo com o auxílio de uma vassoura. Várias zonas da máquina não eram limpas.

Descrição e análise crítica da situação atual da área BOS 75 Também era observável a falta de limpeza das zonas onde se dá corte do HC. Verificou-se existência de aparas de HC espalhadas pela área e redondezas desta, Figura 73, o que exige o aumento do tempo de limpeza por parte dos colaboradores. Em média, o colaborador demorava 10 minutos a apanhar as aparas do chão, valor que dependia da área envolvente às máquinas do PT.

Figura 73 - Aparas de HC espalhadas no chão

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