Segundo Ceci (2010, p. 20) a área da Gestão do Conhecimento surge para auxiliar as organizações nos processos de criação, aquisição, representação, armazenamento, manipulação e distribuição do conhecimento organizacional, enquanto que a Engenharia do Conhecimento promove o ferramental para sistematizar e apoiar tais processos que culminam na concepção de sistemas de conhecimento (SCHREIBER et al., 2002).
A aquisição do conhecimento para Calhoun e Starbuck (2005) é um processo que acessa o conhecimento existente. Essas informações e conhecimentos estão nas bases dos sistemas de informação, nas redes sociais e nos documentos da organização.
Para Hauck (2011) um dos principais processos da Engenharia do Conhecimento é a aquisição de conhecimento, pois consiste em extrair o conhecimento necessário a partir de suas diversas fontes, de modo a poder codificá-lo e reutilizá-lo.
Hauck (2011) cita Hua (2008), quando fala da abrangência do processo de aquisição do conhecimento, afirmando que ele inclui a identificação, a coleta e análise até a modelagem e validação do conhecimento.
Sabe-se que o processo de aquisição busca obter o conhecimento necessário sobre um determinado domínio, e que isso não acontece de uma só vez, mas sim em todo o processo. Ele é construído a partir de um de seus subprocessos, denominado, elicitação.
Em geral, as técnicas de elicitação de conhecimento são capazes de prover informações ricas em relação aos conceitos, relações, fatos, regras e estratégias relevantes para o domínio que está sendo analisado.
As técnicas, métodos e metodologias diferem em termos de seus procedimentos. Porém, entende-se que para o presente trabalho a análise proporcionada pelo seu emprego ajudará no entendimento dos requisitos necessários para se propor um modelo. Mesmo sabendo que nenhuma técnica tem garantia de resultar em uma representação precisa do conhecimento de um especialista, procurar-se-á, pelo processo de elicitação do conhecimento, obter os dados necessários para a modelagem do conhecimento (COOKE, 2007).
Diaper (1989) afirma que o processo de aquisição de conhecimento é usualmente dividido em três estágios: decisão de qual conhecimento é necessário (equivalente à definição ou análise inicial), obtenção de conhecimento predominantemente vindo de especialistas
humanos e interpretação deste conhecimento (usualmente chamada elicitação do conhecimento) e, por fim, codificação do conhecimento na linguagem interna do sistema (usualmente chamada representação).
Já para Hua (2008) e Schreiber et al. (2002) a aquisição de conhecimento consiste em extrair o conhecimento necessário a partir de fontes (estruturadas ou não) de modo a poder codificá-lo e reutilizá-lo.
No capítulo 8 do livro “Knowledge Engineering and Management”, que aborda a metodologia CommonKADS, Schreiber et al. (2002) discutem a ampla gama de técnicas de aquisição de conhecimento, que faz parte do nível de conceito. Dentre as possíveis técnicas incluem-se entrevistas, análise de protocolo, laddering (análise grafológica), classificação de termos/conceitos, ferramentas de análise de grades, que são úteis para as diferentes naturezas de conhecimento.
Hua (2008) propõe uma classificação para estas técnicas em: a) Técnicas de geração de protocolo;
b) Técnicas de análise de protocolo; c) Técnicas baseadas em matriz; d) Técnicas de ordenação.
Dentre estas técnicas destaca-se a de geração de protocolo, pois permite que as informações possam ser coletadas com o auxílio de um maior número de ferramentas como gravadores, filmadoras, questionários, entrevistas (não estruturadas, semiestruturadas e estruturadas), comentários, observação ou qualquer outro meio possível. Destaca-se, também, a entrevista não estruturada, pelos seguintes motivos:
- a entrevista aumenta sensivelmente a taxa de resposta, em relação ao questionário;
- tem caráter exploratório;
- utilizada para obter do entrevistado o que ele considera de mais relevante sobre determinado problema;
- a convergência dela originou a técnica de análise de conteúdo (MATTOS, 2005);
- dentre os objetivos da entrevista está a obtenção da visão geral do domínio em questão (COSTA e SILVA, 2005);
- o especialista poderá dar a sua descrição do que ele conhece do domínio, discutindo os tópicos importantes e ignorando aqueles que ele considera não tão interessantes (Schreiber, 2002);
- a entrevista é um dos instrumentos tradicionais mais simples de utilizar e que produz bons resultados na fase inicial de obtenção de dados;
- a entrevista não estruturada, segundo Mattos (2005), é uma forma especial de conversação.
Frente a todas estas definições, pode-se concluir que a entrevista atende aos propósitos do presente trabalho e que juntamente com as ferramentas e técnicas da Engenharia do Conhecimento ajudará a proporcionar a análise de um conhecimento além do tecnológico. Desta forma a Engenharia do Conhecimento tem como sua maior atribuição o apoio às organizações no desafio de identificar quais os conhecimentos são estratégicos, definir quais os que necessitam de formalização e onde estes conhecimentos estão localizados no processo de negócio.
Também considera-se, portanto, que a modelagem segundo a Engenharia do Conhecimento (EC), deve ser baseada:
a) em modelos e seu reuso;
b) na construção de Sistemas Baseados em Conhecimento com uma visão sistêmica;
Para isso há a necessidade de metodologias e modelos que possibilitem a visão sistêmica para a construção de Sistemas Baseados em Conhecimento.
Probst (2002) afirma que, há necessidade de uma linguagem comum que proporcione o mapeamento do conhecimento, cobrindo os diferentes campos de conhecimento e que possua um vocabulário controlado, garantindo, desta forma, o uso consciente de termos e classificação de informações junto às diferentes dimensões do conhecimento.
A Engenharia do Conhecimento possui, neste sentido, diversas ferramentas, técnicas e metodologias que atendem ao propósito do desenvolvimento de sistemas de conhecimento, como VITAL, proposto por MESEGUER e PREECE (1995), MIKE proposto por ANGELE et al. (1998) e o CommonKADS proposto por SCHREIBER et al. (2002), que definem os diversos passos que devem ser seguidos para se chegar a um Sistema Baseado em Conhecimento.
Para este trabalho, escolheu-se a metodologia CommonKADS por definir uma separação mais clara de seus modelos, por fornecer uma visão multidisciplinar, por ter base tecnológica e diretrizes na gestão e por possibilitar a explicitação, modelagem e emulação do conhecimento.
Para agregar à modelagem uma visão sistêmica em paralelo aos modelos da metodologia CommonKADS, propõe-se o uso do modelo CESM, de Mário Bunge (2003), por entender que a análise proporcionada pela junção dos modelos permite uma harmoniza entre conceitos do sistema social e técnico. Ambos serão descritos nas subseções que seguem.