Com objetivo de obter um fluxo de informação eficaz e eficiente, várias organizações passaram a utilizar tecnologias captação de dados no interior de um armazém em alternativa ao uso de papel como, a leitura de código de barras por radiofrequência (RF), radio-frequency identification (RFID), o Voice, a recolha de produtos em pick-to-light, (Friedman, 2009; Ramanathan, Ramanathan, & Ko, 2014).
2.5.1. Radiofrequência
A leitura por RF há muito que é usada na área da indústria e retalho. O código de barras permite a recolha de informações de modo rápido e preciso.
Um código de barras é uma sequência de linhas pretas, sobre um fundo branco, espaçadas, que representam números. Quando sujeitas a luz de infravermelhos, a zona a branco reflete a luz para o scanner e um leitor converte a luz refletida em impulsos elétricos. De seguida a informação capturada é transmitida via RF para o sistema principal (Friedman, 2008; Erkan et al., 2014).
As principais vantagens referidas para a RF face a outras tecnologias são a alta precisão e facilidade de uso. Este sistema de recolha de dados têm capacidade de identificar erros alertando o operador, por exemplo quanto efetuada a leitura da etiqueta errada (Friedman, 2008).
Contudo esta tecnologia apresenta algumas desvantagens como, a necessidade de interação humana e a fragilidade das etiquetas. Se a o código se encontrar sujo ou parcialmente danificado com simples vincos ou falhas de tinta não é possível efetuar a leitura ótica (Erkan et al., 2014). Outa desvantagem é o preço, porque apesar do baixo custo da impressão dos códigos de barras, os leitores de RF são geralmente caros (Friedman, 2009).
2.5.2. Radio Frequency Identification
A Radio Frequency Identification (RFID) utiliza ondas de radiofrequência transmitidas por uma antena que permitem ler as etiquetas de RFID de um modo automático e sem contacto físico ou visual, ou seja, não necessita da interação do operador. As etiquetas são chips colocados na unidade de carga
12 (Erkan et al., 2014; Ramanathan et al., 2014; Vlachos, 2014). O uso desta tecnologia tem como principais vantagens i) a facilidade de uso, ii) capacidade de manter um maior controlo sobre a mercadoria, iii) fluxo de informação em tempo real e iv) grande resistência e durabilidade das etiquetas RFID, podendo durar mais de 10 anos (Öztayşi et al., 2009; Ramanathan et al., 2014; Vlachos, 2014). Umas das desvantagens apontadas é o facto de ser uma tecnologia dispendiosa face a outras alternativas existentes no mercado, o que tem travado a adesão a esta (Delloite, 2014; Ramanathan et al., 2014).
A tecnologia RFID pode ser aplicada em toda a CA, armazéns, transporte e lojas. RFID e GPS estão a ser aplicados a unidades de carga para identificar a sua localização longo da CA em qualquer momento (LeBlanc, 2014; Vlachos, 2014). Este grau de rastreabilidade permite reduzir o efeito bullwip e, consequentemente, reduzir os stocks de segurança (Zhou, 2011). A capacidade de rastreabilidade desta tecnologia também tem sido usada em estudos sobre os padrões de compra (Vlachos, 2014). Permite ainda aumentar a precisão do inventário reduzindo custos de stock ou eliminar perdas de venda (Dai et al., 2012; Xu et al., 2012). Num estudo realizado por DeHoratius et al. (2008), verificou-se que 65% dos registos de stock não eram precisos.
2.5.3. Voice
Voice Directed Picking ou Voice é uma tecnologia de reconhecimento de voz portátil. As informações são recebidas pelo operador por voz através de um auricular e inseridas informações no sistema através de um microfone com verbalização de comando claros e simples, como dígitos e verificação do tipo “ok”. As informações recebidas e transmitidas através de um pequeno computador, colocado no cinto do operador, retransmite as informações para o sistema de gestão do armazém (Guttke, 2010; McCormick, 2008; René, 2006).
Uma das principais vantagens atribuídas ao Voice em relação às tecnologias de RF é a eliminação de tarefas como ler e inserir dados em ecrãs digitais deixando os olhos e mãos livres para realizar o trabalho de modo mais eficiente.
Porque o operador possui as duas mãos livres, o esforço nas atividades de carga, movimentação e descarga de produtos é reduzido. O número de acidentes com os equipamentos são drasticamente reduzidos, dado que os equipamentos voice se encontram fixos à cintura do operador e não nas mãos ao mesmo tempo que estes desempenham outras tarefas. Outra vantagem referida na literatura é a fácil formação que os operadores necessitam e a eliminação de barreiras linguísticas, uma vez que o Voice tem capacidade para operar em diversos idiomas. Outro benefício da utilização do Voice é o aumento do nível de serviço ao cliente com o aumento de precisão do picking, porque existe maior concentração na execução de produtos (Cirilio, 2011; Gerrard, 2010; Guttke, 2010; Koster et al., 2007; McCormick, 2008; René, 2006; Ruriani, 2013).
A existência de ruído dificulta a interpretação do sistema da informação transmitida pelos operadores. Contudo, estes equipamentos têm sido melhorados através do aumento da sua robustez e da inserção de um microfone extra para anular o efeito do ruído (Boretz, 2009; Landi, 2013). Equipamentos voice possibilitam o ajuste da velocidade de diálogo e permitem aos supervisores entrarem em contacto com os operadores quando efetuam o picking (Luedde et al., 2010; Sowinski, 2012).
Para o sucesso de implementação do Voice é importante saber gerir as preocupações dos utilizadores finais, geralmente relacionadas com a segurança do emprego, isolamento e tédio. Para isso é necessário analisar cuidadosamente o impacto nos operadores e desenvolver planos de mitigação. O stress dos operadores é uma reação à mudança, o importante é ajudá-los a compreender as vantagens para o negócio e sobretudo a vantagem para as suas tarefas diárias. Por exemplo medo do isolamento pode ser dissolvido explicando que o sistema possui comandos de voz que permite rapidamente suspender e reativar o sistema. No início os operadores mostraram-se apreensivos, mas após a adaptação já não se imaginam executar a tarefa sem Voice (Boretz, 2009; Luedde et al., 2010).
Voice proporciona índices de precisão na ordem dos 99,5% a 99,9% conseguida através das verificações à prova de erro, como por exemplo a confirmação do local de picking através de um
13 código específico de localização (Boretz, 2009; Cirilio, 2011; Guttke, 2010; Landi, 2013; René, 2006; Rogers, 2012). Na literatura são referidos aumentos de produtividade entre 14% a 34%, mas poucos referem qual o anterior método adotado (Cirilio, 2011; Gerrard, 2010; Landi, 2013; Sowinski, 2012). Rogers (2012) afirma que o Voice permite aumentar a produtividade em 25% face a RF e mais e 50% face ao uso de papel. Na literatura são referidos vários casos onde a implementação da tecnologia Voice mostrou ser mais vantajosa face à RF (Boretz, 2009; Guttke, 2010). McCormick, 2008 refere um caso de estudo onde a passagem de um sistema RF para Voice proporcionou um aumento de 20% da produtividade em apenas seis meses. Landi (2013) relata a utilização do Voice integrado com um terminal de scanner que proporcionou aumentos de produtividade até 34% e o aumento de precisão de 97,0% para 99,5%, com apenas uma semana de formação.
A execução com Voice, voice picking, requer menos formação (McCormick, 2008) e é mais económica face à tecnologia RF (Boretz, 2009; Guttke, 2010; Rogers, 2012). O baixo custo da implementação da tecnologia Voice permite o retorno do investimento em apenas alguns meses (Landi, 2013; Sowinski, 2012).
O sucesso tem sido tal que vários empresários pretendem expandir a tecnologia voice para outras funções como, arrumação, controlo de qualidade e montagem de Kits, inclusive tarefas administrativas (Boretz, 2009; McMahon, 2011; Sowinski, 2012).
2.5.4. Pick-to-light
Para além da RF e do Voice, o pick-to-light tem sido outra tecnologia muito adotada no processo de separação dos pedidos. Neste método de execução o operador limita-se a colocar/retirar os produtos da localização que apresente a luz acesa na quantidade indicada no monitor portátil correspondente a essa localização (Friedman, 2009; McMahon, 2011). Apesar de ser uma tecnologia dispendiosa, Friedman (2009) afirma que esta tecnologia pode reduzir a força de trabalho em cerca de 50%.