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Chapter 1: Rational Animals

1.5 Conclusion

Quando o Brasil foi escolhido para ser sede da Copa de 2014, em 30 de outubro de 2007, todos os jornais abriram com a mesma novidade. “A Copa é nossa”, dizia a manchete de alguns jornais. “Brasil, 2014”, diziam outros. A notícia era relevante. Pela primeira vez desde 1950 o país seria sede da Copa do Mundo da Fifa. Mas a informação não era nova. Ela já havia sido divulgada mais de 12 horas antes, por TVs, rádios e a

Internet. Qual a novidade, se a imensa maioria dos leitores já sabia dessa informação no dia anterior?

O mesmo ocorreu durante a semana da visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Em 11 de maio de 2007, as capas dos jornais brasileiros tinham manchetes e fotos muito parecidas com o pontífice:

O Estado de S.Paulo– “Papa prega a castidade e quer jovens como pastores” Folha de S.Paulo– “Papa pede a Lula vantagens para a Igreja Católica no país” O Globo– “Brasil rejeita pressão do Papa por ensino religioso”

Jornal do Brasil– “Lula não atende pedidos do Papa”

Correio Braziliense– “Papa pede castidade a casados e solteiros” Zero Hora– “Façam da castidade um baluarte”

A despeito de alguns jornais abordarem o tema da castidade em suas manchetes e outros focarem a relação entre o presidente Lula e a Igreja Católica, todos trouxeram o pontífice em suas capas. Aqui surge a mesma questão: o que há de novo em relatar um fato que todos já souberam no dia anterior?

A situação não é diferente na cobertura feita por jornais estrangeiros. Há assuntos que, de tão relevantes, acabam ganhando a capa de todos os jornais. Porém, nesse movimento conjunto, eles terminam por trazer poucas informações novas aos leitores. Todos já foram informados sobre o fato no dia anterior. Assim, o que os jornais impressos podem trazer são análises, reconfigurações dos acontecimentos, enfim, a contextualização do que aconteceu. O problema é quando eles não conseguem ir além daquilo que já foi divulgado antes. Sempre que isso ocorre, os jornais tornam-se praticamente iguais e os leitores ficam com menos alternativas de informações. São milhares de impressões de edições por diferentes veículos todas para dar a mesma notícia. Esse fenômeno está sendo chamado de “jornalismo clônico”, ou “jornalismo repetitivo”.

Veículos que competem entre si publicam as mesmas manchetes, as mesmas fotos e os textos das reportagens possuem estilos praticamente idênticos. O processo de edição está se tornando igual em veículos diferentes no jornalismo impresso. E isso está ocorrendo num momento em que a Internet possibilita uma diferenciação: a difusão de versões diferentes sobre os fatos, não mais por dois jornais da mesma cidade, ou quatro de um mesmo país, mas sim, por milhares de sites espalhados pela Rede.

Os jornais espanhóis El Mundo e El País, deram capas praticamente idênticas em 4 de novembro de 2007, como podemos ver a seguir.

São jornais que concorrem diariamente no mesmo país, buscam a atenção do mesmo grupo de eleitores. No entanto, se igualaram. A foto principal de ambos era redondamente igual. A manchete e a submanchete tratavam do mesmo assunto. Até o espaço para publicidade está no mesmo local. “Há pouca criatividade nos jornais atuais”, apontou o estrategista de mídia Eduardo Tessler, um crítico deste processo de equalização dos jornais. “Muitos ainda pensam o jornal como fábrica de papel e tinta.”454

Claro que há eventos que literalmente atropelam todas as outras notícias e ganham destaque imediato nas manchetes dos jornais, como os atentados nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, a eleição de um presidente, a vitória da seleção brasileira numa Copa do Mundo. Essas edições tornam-se mais históricas do que fáticas. O objetivo dos jornais passa a ser dar o melhor registro do fato histórico e não o 454A análise de Tessler foi feita durante o XII Seminário de Comunicação Banco do Brasil, realizado em

Brasília, em 13 de novembro de 2007, e acompanhada pelo autor. Após o evento, Tessler enviou por e- mail as capas dos jornais atendendo gentilmente a pedido feito por este autor.

de trazer a informação nova para o leitor em sua manchete. Esse caráter de “edição histórica” é corroborado pelos leitores que adquirem os jornais em datas relevantes para guardá-los em casa. A edição de 12 de setembro de 2001 do New York Times foi rapidamente esgotada nas bancas dada a sede de informações que as pessoas tiveram a respeito dos ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono e ao caráter histórico dos fatos. O jornal chegou a ser vendido por mais de 20 dólares e claro que trouxe informações relevantes nas 82,5 mil palavras que dedicou à cobertura dos ataques.455

A edição impressa do New York Times um dia após a vitória de Barack Obama, em 5 de novembro de 2008, chegou a ser vendida pelo correio a US$ 14,95. Os pedidos eram feitos no site de vendas do jornal na Internet.456

Após a vitória de Obama praticamente todas as revistas americanas colocaram- no em suas capas sorrindo e ao lado de sua família, como vemos a seguir.

Capas de revistas americanas após a eleição de Obama.457

“Até quando a imprensa moribunda vai conseguir surfar na onda da vitória de Barack Obama?”, perguntou o site Gawker.458 O fato “Obama” mobilizou a mídia de

forma a equalizar as revistas.

Há ocasiões em que as edições dos jornais se igualam até na tentativa de serem criativas no tratamento das informações. Em sua última semana antes de deixar o cargo, o então presidente americano George W. Bush concedeu entrevista em que admitiu erros em sua Administração. As caras e bocas de Bush foram amplamente aproveitadas nas capas dos principais jornais americanos do dia seguinte, como vemos a seguir:

455Seth Mnookin, Hard Times, p. 61.

456 “Jornais impressos revivem”, nota no blog de Fernando Rodrigues, veiculada em 7 de novembro de

2008. Endereço: http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

457 Retirado da nota “A onda” veiculada no blog Toda Mídia, do jornalista Nelson de Sá, em 19 de

novembro de 2008, às 11h32. Endereço: http://todamidia.folha.blog.uol.com.br/

458

As capas de três dos principais jornais americanos repetem estratégias de edição, com a sucessão de fotos de George W. Bush.459

O New York Times resolveu abrir seis fotos para destacar as expressões de Bush em sua capa, o Washington Post abriu nove fotos e o Wall Street Journal abriu duas, comparando Bush quando assumiu a Presidência com os dias que antecederam ao fim de seu mandato. Todos exploraram o uso intenso de fotografias do presidente nas suas primeiras páginas, seguindo estratégias semelhantes de edição.

Tessler identificou esse fenômeno de “jornalismo clônico” na edição de vários jornais após os atentados a Londres, em 7 de julho de 2007. A mesma fotografia foi estampada por vários jornais diferentes no mundo. E com um detalhe importante: a foto não foi feita por um repórter profissional, mas tirada do celular de alguém que estava numa estação de metrô atingida.460

459 As capas são das edições de 13 de janeiro de 2009 e as suas reproduções foram localizadas no site

www.newseum.com.

460A análise de Tessler foi realizada durante o XII Seminário de Comunicação Banco do Brasil, realizado

A foto tirada de um celular após os atentados a Londres foi reproduzida por vários jornais.

Observa-se que a foto não tem boa qualidade. Não há rostos, mas apenas vultos de pessoas. Há luzes ao fundo indicando alguma possibilidade de saída de uma situação incomum de penumbra, mas não sabemos ao certo o que são aquelas luzes. Podem ser “luzes de emergência” do sistema do metrô. Os trilhos também não estão bem identificados, apesar de notarmos que as pessoas estão caminhando no lugar destinado aos trens. A imagem não está focada. Dificilmente seria aprovada pela redação de um jornal se tivesse sido entregue por um fotógrafo profissional.

Por outro lado, a foto nos coloca diretamente na situação incerta de seu autor, que, pessoa-repórter, nos deu uma dimensão mais próxima da realidade daquilo que foi vivenciado por quem estava no metrô naquele dia. O autor é mais um que está andando pelos trilhos em busca da saída do metrô. Ele também caminha em direção às luzes e vive a incerteza dos demais personagens “desfocados”. O caráter inédito de revelação dessa foto fez com ela fosse publicada por vários jornais. Todos repetiram a imagem tirada por um celular e divulgada através da Internet.

A Internet ampliou o processo de equalização dos jornais iniciado nas redações com o uso das agências de notícias e, nas ruas, com a formação de pools461 entre os

jornalistas que cobrem um mesmo assunto. Esse processo tornou-se mais gradativo já

461 No jargão jornalístico, pool é a palavra utilizada para designar grupos de jornalistas que trabalham

para empresas diferentes, porém combinam de noticiar os mesmos fatos de modo a evitar que um “fure” o outro.

que a Rede é de mais fácil consulta. Uma prática bastante comum é a de chefes de Redação dos jornais impressos monitorarem as agências de notícias para cobrarem, imediatamente, o material aos repórteres que estão na rua. Com isso, os jornais impressos acabam publicando no dia seguinte o que estava disponível um dia antes na Internet.

Esse fenômeno de repetição da mesma informação na edição de jornais diferentes tornou-se constante também em diferentes meios, como os jornais impressos e a televisão. “A Copa de 2006 confirmou que, sem surpreender, jornais amanhecem enrugados”, constatou o então ombudsman da Folha, Mário Magalhães. Ele concluiu que o jornal errou ao não dar manchete para as vais recebidas pelo presidente Lula na abertura dos Jogos Panamericanos, no Rio de Janeiro, em julho de 2007. Para Magalhães, o jornal adotou uma postura quase promocional, com caderno especial diário, com resultados de jogos que passaram no dia anterior. Dessa forma, a Folha estaria se compondo com a overdose informativa da TV. O jornal, ao agir dessa maneira, não se diferenciou. Ficou igual a outros meios – particularmente à televisão. Por esse motivo, não teria cumprido o seu papel. “As surpresas se dão com ‘furos’, opinião, tratamento da informação e narrativas saborosas”, disse Magalhães.462

Lins da Silva também é um crítico da repetição pelos jornais impressos de notícias que foram amplamente divulgadas por outros meios no dia anterior.

O leitor teve todo o direito de perguntar se fez bem ao gastar R$ 2,50 na segunda-feira para ‘ficar sabendo’ que Felipe Massa ganhou o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, mas perdeu o título mundial de pilotos. Ou na terça, quando pegou o seu jornal e ‘descobriu’ que os bancos Itaú e Unibanco haviam se fundido. Esses fatos eram do conhecimento de praticamente todos os brasileiros minimamente interessados por informação muitas horas antes de a Folha chegar às bancas ou à casa de seus assinantes. Rádio, TV, Internet já os haviam martelado por horas e horas. Qual o sentido, então, de as manchetes se repetirem sem tirar pôr? Registro histórico, dirão alguns. Se o jornal impresso precisa mesmo reafirmar o sabido para que daqui a décadas os historiadores o compilem ordenadamente, tenho certeza de que a competente Editoria de Arte do jornal será capaz de criar uma seção atraente, mas pequena, até mesmo na primeira página, em que os assuntos principais da véspera fiquem registrados.463

462 “Nem oba-oba, nem cricri; valia manchete”, coluna de Mário Magalhães, publicada na Folha de S.Paulo, em 15 de julho de 2007, p. A6.

463“Notícia velha para embrulhar peixe”, coluna de Carlos Eduardo Lins da Silva, publicada na Folha de S.Paulo, em 9 de novembro de 2008, p. A8.

Existem, no entanto, tentativas de diferenciação. Em 13 de maio de 2008, um terremoto matou milhares de pessoas na China. Vários jornais destacaram a tragédia em suas manchetes principais. Curiosamente, o Valor Econômico optou por outra manchete com relação àquele país. Era uma reportagem sobre a economia chinesa e os riscos de inflação da alta nos produtos locais para o resto do mundo. Ao decidir por essa manchete, o Valor se diferenciou, mas, ao mesmo tempo, mostrou-se, de certa forma, cego à tragédia chinesa do dia anterior.

Segue um quadro com as manchetes de alguns jornais naquele 13 de maio: The New York Times– “Powerful Quake Ravages China, Killing Thousands” The Washington Post– “Quake in China Kills Thousands”

Herald Tribune– “Thousands die in China quake” The Guardian – “Thousands die in China quake”

O Público(Portugal) – “Violento sismo mata milhares na China” O Estado de S.Paulo – “Terremoto mata pelo menos 10 mil na China” Folha de S.Paulo– “Terremoto mata quase 10 mil na China”

Valor Econômico– “China aumenta preços em 13% e já 'exporta' inflação”

O Valor se diferenciou dos demais jornais naquele dia, buscou o foco junto a seu público, voltou-se para a economia e trouxe uma notícia nova. Por outro lado, ficou distante das notícias correntes do mundo. O jornal ficou meio que “desdatado”, afinal, aquela não era uma notícia do dia. Ela poderia ter sido publicada em outras datas ao longo da semana. O jornal se desumanizou ao dar às costas à tragédia chinesa. Porém, atendeu o seu público específico composto por empresários, industriais, economistas, analistas, as classes A e B. Produziu uma reportagem econômica relevante sobre a China, algo que o seu leitor certamente esperava encontrar.

O caso da manchete “na contramão” do Valor explicita um desafio que os jornais impressos têm de enfrentar hoje: dar a notícia geral e relevante e, com isso, arriscar-se a ficar no mesmo tema que os concorrentes, ou buscar uma notícia diferente e, assim, parecer-se distante do que está acontecendo no mundo? Focar-se num público mais específico ou buscar o aumento de tiragem com informações mais gerais? Como se destacar: com a manchete sobre a tragédia do dia que todos têm ou com a análise exclusiva sobre o que está acontecendo no país e no mundo?

Os jornais precisam, na medida do possível, em algum grau, abandonar a cultura do ‘aconteceu ontem’, e investir mais em histórias próprias, na medida das suas possibilidades, em histórias exclusivas, dar mais dimensão para a contextualização da notícia, dar mais visibilidade para aquilo no que os jornais são muito bons que é análise, opinião, crítica.464

De fato, há uma espécie de consenso em torno da visão de que os jornais devem buscar a contextualização e a análise dos fatos. Porém, torna-se difícil, na agilidade de produção cotidiana dos meios impressos, abandonar a função de revelar assuntos mesmo que notoriamente divulgados no dia anterior.

Quando trabalhei na Folha de S.Paulo, em 1997, recordo que o jornal foi o único no Brasil a dar como manchete principal de sua edição a morte da princesa Diana. A morte só foi confirmada na madrugada de sábado para domingo.465 Assim, muitos

leitores que foram dormir antes da meia-noite souberam da morte da princesa ao ler a manchete da Folha na manhã seguinte. Lembro-me que as notícias sobre o acidente foram chegando passo a passo na Redação, em São Paulo, através de agências internacionais e de telefonemas dos correspondentes em Londres e Paris. Primeiro, havia apenas um acidente. Em seguida, informações de que Diana poderia estar gravemente ferida. Depois, notas indicavam que ela corria risco de morte. Até a confirmação da morte de Diana, no meio da madrugada, o jornal conseguiu trocar a sua edição a tempo e mudou a sua manchete apostando num fato de impacto que já estava sendo reverberado em outros meios de comunicação. A jornalista Lílian Witte Fibe, na época, âncora do Jornal Nacional – o telejornal de maior audiência no Brasil – enviou uma carta à Folha no dia seguinte parabenizando-a por ter sido informada de um acontecimento relevante pelo jornal impresso, em pleno advento da Internet.

A dificuldade dos meios impressos não está somente na rapidez em que as trocas nas edições devem ser feitas, mas também no fato de que, em alguns episódios de impacto, torna-se difícil não dar a imagem ou a informação que muitos já viram ou souberam no dia anterior através de outros meios, como o rádio, a TV e a Internet. O episódio da manchete da Folha sobre a morte da princesa Diana foi uma exceção, pois, se o fato tivesse ocorrido mais cedo, os outros jornais impressos certamente também teriam dado a informação com destaque em suas capas. Trata-se de um movimento geral dos meios impressos de veicular os fatos de impacto do dia anterior. Foi o que 464A citação é de Otávio Frias Filho, diretor de Redação da Folha de S.Paulo, em entrevista a Lourival

Sant´Anna, in L. Sant’Anna, O Destino do Jornal, p. 215.

465 Diana, a princesa de Gales, morreu em 31 de agosto de 1997 num acidente de carro em Paris. A

aconteceu, por exemplo, quando um avião teve de fazer um pouso de emergência no rio Hudson em Nova York, em 15 de janeiro de 2009. Os principais jornais dos Estados Unidos deram fotos muito parecidas, como podemos notar a seguir.

Os principais jornais americanos deram o mesmo fato e fotos semelhantes em suas edições. Novamente, os jornais se parecem.466

Vê-se que algumas fotos eram idênticas, como no caso do New York Times e do Washington Post. O Times, aliás, optou por destacar duas fotos sobre o acidente, mesmo considerando que a informação já havia sido amplamente divulgada no dia anterior devido ao impacto da notícia.

O desafio dos meios impressos está, portanto, em trazer análises relevantes sobre fatos que estão sob ampla divulgação. A alternativa seria divulgar a real causa de um acidente dessa proporção no momento em que as autoridades ainda discutem as suas razões. Ou propiciar boas análises a respeito da necessidade de aperfeiçoamento nos mecanismos de segurança do tráfego aéreo. Ou obter depoimentos exclusivos sobre o acidente. Essas são alternativas mais trabalhosas e de mais difícil realização.

Outro problema aos meios impressos está na possibilidade de, com a Internet, o leitor buscar a edição que melhor lhe convém. Hoje, o leitor não precisa mais ficar 466 As capas são das edições de 16 de janeiro de 2009 e as suas reproduções foram localizadas no site

sujeito à manchete dos principais jornais de sua cidade. Em 2007, o instituto US Pew Research fez uma pesquisa e comparou manchetes dadas pela imprensa tradicional, com as escolhas feitas por três diferentes canais controlados por usuários de Internet. De um lado, 48 veículos de grande mídia, incluindo TV, rádio, jornais impressos e jornais online; de outro, três canais feitos por leitores (Reddit, Digg e Del.icio.us). A conclusão: o interesse dos usuários foi totalmente diferente do hierarquizado pelos jornalistas tradicionais. Sete de cada dez notícias selecionadas pelos usuários vieram de blogs ou sites não-jornalísticos. Apenas 5% dos artigos estavam entre as dez notícias mais divulgadas pela grande imprensa. Por outro lado, o estudo mostrou que as agências de notícias tradicionais ainda representam um quarto do conteúdo de sites feitos por usuários. Ou seja, os usuários vão buscar os assuntos na mídia tradicional. Apenas 1% das notícias selecionadas veio de conteúdo originalmente produzido pelos usuários.467

“Isso sugere que as pessoas estão reorganizando as notícias de acordo com o estilo do jornalismo participativo, em vez da hierarquia dada por editores”, afirmou Tom Rosenstiel. “Esses sites oferecem uma nova visão sobre as reportagens, mas não quer dizer que o jornalismo tradicional tenha se tornado irrelevante. Está em formação na sociedade um segundo nível de conversa sobre as notícias.”468

Outra tendência importante com relação à edição nos jornais impressos em comparação com a Internet: a primazia dada às notícias envolvendo denúncias de corrupção contra governos e a classe política. Alguns autores argumentam que os jornais impressos têm se caracterizado por privilegiar a cobertura de denúncias de modo