Os registros históricos relatam que antigas civilizações, como as dos vales dos rios Tigre e Eufrates e a romana, desenvolveram inicialmente jardins ornamentais nos telhados, sendo os mais famosos os Jardins Suspensos da Babilônia, em 78 a.C (DUNNET e KINGSBURY, 2004) devido ao desempenho térmico proporcionado.
Figura 53 – Ilustração dos Jardins Suspensos da Babilônia.
Fonte: <http://www.moorsmagazine.com/lijstebrij/zevenwereldwonderen.html>. Acesso em 20 ago. 2012.
Segundo Peck (1999), naquela época, as coberturas verdes eram aproveitadas visando a sua eficiência no isolamento térmico da atuação conjunta de solo e vegetação, ajudando a reter calor no interior do edifício em climas frios e, em climas quentes, impedindo a sua penetração.
De acordo com Heneine (2008), há relatos também que na região da Escandinávia (região localizada onde hoje são localizadas a Suécia, Noruega, Islândia e Dinamarca) e também na região do Kurdistão (região localizada próxima de onde hoje são localizados a Turquia, Iraque, Irã e países vizinhos) existia a tradição de telhados verdes extensivos. Esta tradição surgiu devido à utilização da combinação de lama e terra como materiais de construção nessas regiões, onde apartamentos eram cobertos com essa mistura e dela começaram a brotar grama, produzindo o efeito de telhado gramado.
Esse gramado era visto como um material disponível e barato para construção, e junto com cascas, gravetos, palha, funcionava em harmonia com a chuva de fora de pequenas casas e chalés. A casca de mogno funcionava como
membrana selante, as camadas de gravetos como drenos, e o gramado do prado era usado como isolamento para a casa e proteção das outras camadas contra o vento.
Porém, os objetivos da utilização dos telhados verdes eram diferentes. Nas coberturas escandinavas, ajudavam a reduzir a perda de calor durante os invernos rigorosos. Já na cobertura gramada Kurdish servia para conservar o calor no inverno e refrescar no verão. Os imigrantes Escandinavos que foram para os USA e Canadá levaram a ideia a eles e por algum tempo, coberturas gramadas eram usadas em cabines de colonizadores.
Segundo Araújo (2007), posteriormente, os telhados verdes foram amplamente difundidos e aplicados no Império Romano, onde árvores eram cultivadas na cobertura de edifícios, no período renascentista na Itália, pré- colombiano no México, entre os séculos XVI e XVII na Índia e, a partir do século XVIII, em algumas cidades da Espanha e França e, no início do século XIX, na Escandinávia.
Com o desenvolvimento do concreto, assim como material de cobertura, em meados do século XIX, começaram a ser construídas as coberturas planas nas maiores cidades da Europa e América. Começaram a ser realizados projetos experimentais que, a princípio, tinham somente a visão ornamental, como exemplo, a construção de edifícios de apartamentos com terraços planos e jardins em Paris, em 1903; um restaurante com um jardim na cobertura em Chicago, em 1914, desenhado por Frank Lloyd Wright; e um projeto similar de Walter Gropius em Cologne, no mesmo ano. Talvez tenha sido o Arquiteto Le Corbusier o primeiro a usar coberturas verdes mais sistematicamente, a partir dos anos 1920, mas somente no contexto de construções de elite, para clientes ricos3.
3 <http://arqsustentavel.wordpress.com>.
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Na década de 1950, a Alemanha protagonizou as pesquisas científicas sobre o tema, com o objetivo de conservação das águas e energia por meio desse sistema construtivo. Com investimento nesse setor, muitas técnicas de construção foram desenvolvidas e, na década de 1970, novos materiais foram introduzidos nesse sistema – como camadas drenantes, membranas impermeabilizantes, agentes antirraízes, entre outros (Silva, 2011, p. 15). Na década de 1980, ocorreu um aumento nas construções de 15 a 20% ao ano, totalizando dez milhões de metros quadrados de telhados verdes na Alemanha em 1996. Esse crescimento foi possível graças às leis de subsídio municipais, estaduais e federais (Peck, 1999 apud Araújo, 2007).
A combinação entre a consciência pública ambiental e pesquisa científica, produziram não só o desenvolvimento das coberturas verdes, mas também estão encontrando rigor científico e evolução econômica. Empresas começaram a oferecer especialistas em cobertura verde e a estabelecer seus próprios programas de pesquisa, como ZinCo e Optigrün, perto de Stuttgart, sul da Alemanha.
O arquiteto alemão Hans Luz propôs o telhado verde como parte de uma estratégia de melhoramento ambiental urbano. Alemães previram enormes quantidades de folhagens em blocos de torres, todas coberturas de apartamentos plantadas, além de plantas penduradas em sacadas e topos de telhados4.
As coberturas verdes passaram a ser aplicadas por maiores e menores extensões em diversas regiões do mundo, sendo que os fatores de motivação da implementação do sistema variam de acordo com clima, cultura e políticas públicas, assim como os resultados e tipos de incentivos para promovê-los.
Por exemplo, na Alemanha, a motivação que primeiro impulsionou a instalação foi a ambiental, em particular a de atenuar a perda de hábitat ou
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<http://charlestongreenroofs.com>.
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paisagens. Só em 2001, 14% dos telhados planos construídos nas novas construções na Alemanha eram telhados verdes, contando em 13,5 milhões de metros quadrados (Dachbenruenung, 2002 apud Rosenzweig et al., 2006). Na América do Norte, as coberturas verdes têm sido instaladas largamente por razão econômica, com um custo-benefício mais eficaz do que o de técnicas padrões de engenharia.
Na Noruega, os telhados verdes são vistos como parte do patrimônio nacional e são ligados a profundos sentimentos românticos de proximidade com a natureza. Já nos telhados verdes britânicos são vistos mais como tecnologias importadas e diferentes. (Heneine, 2008)
No Brasil, esse sistema construtivo ainda não está sendo muito utilizado. O primeiro projeto de telhado verde no Brasil foi em 1936, no prédio do Ministério de Educação e foi construído por Roberto Burle Marx; depois, em 1988, no Banco Safra, em São Paulo; em 1992, a arquiteta Rosa Grená Kliass e Jamil Kfouri projetaram os jardins do Vale do Anhangabaú em São Paulo (TOMAZ, 2008, p.51). A naturação urbana5 ainda é tímida no Brasil, segundo a arquiteta Sylvia Rola
(apud Vilela, 2005) o sistema de naturação vem como uma alternativa real para sanar não só problemas como as ilhas de calor, mas também de poluição atmosférica. Em São Paulo e no Rio Grande do Sul, já existem empresas especializadas na aplicação e construção de coberturas verdes.
Essas diferenças na aplicação de telhados verdes refletem diferenças nas políticas públicas, na cultura e na estrutura econômica desses países. Há a necessidade de difundir e alinhar as ideias referentes ao assunto para se alcançar os mesmos objetivos, sendo eles ambientais ou econômicos, pois um dos principais benefícios deste tipo de tecnologia, o benefício climático, pode extravasar os limites geográficos de países.
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Naturação ubana: trata de transformar em biótopos os edifícios e espaços urbanos, a fim de que, unidos através de corredores verdes, eles facilitem a circulação atmosférica e melhorem o microclima da cidade
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