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Performance Measures and Evaluation Methodology

O trabalho de campo realizado no cotidiano da escola Anísio Teixeira ofereceu evidências de que a equipe pedagógica, ao menos em teoria, dá mostras de defender a participação dos pais no universo escolar. Os excertos abaixo demonstram que idealmente as depoentes acreditam na parceria dos pais com a escola.

... Os pais têm direito e dever de saber como estão sendo realizadas as atividades nos livros didáticos e quais estão sendo os assuntos trabalhados na escola. Por isso, o livro [didático] deve ficar com o aluno e não na escola. (Professora de biblioteca).

... Pedirei sugestões dos pais sobre diversos assuntos, pois, a família tem direito de participar da vida escolar dos filhos. (Diretora Dalva).

... No dever de casa do aluno poderia ter, algumas vezes, um local para o pai opinar sobre a tarefa dada. (Diretora Dalva).

No entanto, na prática, esse discurso parece não ter surtido efeito à época da coleta de dados desta pesquisa. Não percebi no caderno de para casa dos alunos, um local para que os pais opinassem sobre as atividades dadas pelas professoras, assim como não constatei uma grande abertura da instituição Anísio Teixeira para que as famílias, efetivamente, dessem sugestões sobre a vida escolar dos filhos. No mais das vezes, o que se percebeu foi que a escola desejava uma colaboração familiar subordinada aos seus comandos:

Olha, eu acho que a gente precisa caminhar juntos, mas eu acho também que a gente precisa ter a mesma linguagem. Então, se os pais em casa não manterem [sic] a mesma linguagem [da escola], fica complicado. (Diretora Dalva).

A esse respeito Silva (2003) informa que o pólo dominante da relação é a escola. De acordo com o autor, trata-se de uma interação assimétrica na qual apenas um dos lados - no caso, a escola - é detentora de um saber legítimo que procura, sobre a máscara de uma aparente participação, manter intactas as estruturas de poder vigentes. O que ressalta desta perspectiva é o escolacentrismo e o professorocentrismo. Aos pais não lhes é reconhecido o direito de interrogarem o que se passa dentro da escola e dentro da sala de aula. A relação de subordinação é clara (p.56).

Observa-se que o que se espera normalmente dos pais é que eles apóiem os valores da escola. Os pais que desafiam esses valores são, tal como seus filhos, tipificados como “problema”. É, pois, a lógica da instituição escolar que impera. Falar em relação escola-família, em participação ou envolvimento dos pais e em parcerias, significa automaticamente, para a maioria dos agentes educativos, qualificar as famílias como extensão da escola.

Quando a pergunta foi sobre a importância da colaboração família-escola na instituição Anísio Teixeira, algumas entrevistadas revelaram que a colaboração da família é grande, outras alegaram que é pouca e algumas foram ambíguas. No entanto, o

que mais chamou a atenção foi o fato de que certas educadoras enfatizaram apenas as dificuldades e a responsabilidade colaborativa por parte das famílias:

... Eu vejo que eles [os pais] sentem dificuldade em colaborar na questão da aprendizagem e quando eles percebem essa dificuldade, eles nos procuram, eles nos pedem ajuda, às vezes, até marcam reunião, sem que a gente tenha os convocado. (Professora Fátima).

... Olha, é um pequeno número de pais que colabora, mas um pequeno

número significativo e que a escola caminha por causa dele. (Professora Geralda).

... A colaboração da família-escola precisa melhorar bastante ainda. Nós temos muitas famílias que... refugiam, eu diria assim, no ‘ah, eu trabalho, eu não posso olhar, não posso ver caderno, uma vez no mês eu olho mochila. ( Coordenadora Vera).

... Atualmente a escola tem desempenhando um papel educacional muito maior do que a família, ou seja, cada vez mais as responsabilidades recaem sobre nós. (Diretora Dalva).

... Ah! Eu acho que a família, ultimamente está assumindo muito pouco a educação, sabe? A escola tem que assumir tudo! (...) Quando vem um trabalho que era para fazer em casa, sempre tem um bilhete da mãe: ‘precisei sair’. Sabe? Sempre uma desculpa. Então, isso é um descomprometi mento da família. (Professora Olga).

Concordando com o pensamento de Silva (2003), o que se percebeu nas investigações realizadas na escola Anísio Teixeira foi que as famílias pareciam se sentir “forçadas” a participar de um universo - escolar - que tinham “aprendido” não ser o seu; ou seja, não lhes foi “ensinado” como agir no contexto escolar e na escolarização dos filhos. Resultado: as famílias exigem retoricamente, mas dão pouco; os professores

são obrigados a ter um discurso politicamente correto - o do apelo ao envolvimento e participação parental - que contrasta com sua prática (p. 389).

Indagando às profissionais do estabelecimento investigado, sobre como elas percebem o entendimento dos pais a respeito da organização em ciclos na escola Anísio Teixeira, verificou-se uma oscilação e mesmo uma contradição na fala das educadoras. Umas opinam que os pais compreendem bem o novo sistema, outras alegam o mesmo em alguns momentos e se contradizem em outros e há, ainda, quem diga que a família não compreende a nova política educacional:

... Não há mais muitas dúvidas por parte dos pais da Fase IV... elas são mais comuns nas fases iniciais (...) Eu posso dizer que a grande maioria compreende (...) Os pais questionam, eles conhecem o pedagógico e eles sabem acompanhar. Eles questionam até assim: mas esse conteúdo é dessa fase?(...) Se eles não acompanham às vezes, é por causa da própria estruturação da família, é o pai que está fora o dia todo, é a criança que não tem ninguém que acompanha. É... falta de preparo dos pais, às vezes, falta conhecimento dos pais também, do quê que o professor quer (...) Nós temos pais que nem são letrados. (...) Sabe, eu sinto os pais, meio perdidos. (Professora Fabiana).

... Eu nem sei se os pais sabem da proposta. Eles são muito distantes, não participam. A gente ainda tem que aprender como trazer esse pessoal pra dentro da escola. (Professora Geralda).

... Os pais só sabem que na época deles era melhor. Eles dizem assim: ‘ - na minha época, estudou um ano, deu conta, vai. Não deu, faz de Novo [repetia o ano]. (Coordenadora Vera).

... Eu acho que eles [os pais] compreendem sim. Eles compreendem e agora, aqui na escola, eu tenho visto que mudou bastante. Antes eles achavam que a gente ia passar [o filho] de qualquer jeito. Hoje, quando chega no final do ano e eu chamo e converso, falo que [o filho] vai ficar

[retido] porque não venceu...é tranqüilo, não tem problema nenhum. (Diretora Dalva).

Note-se que, por mais que a professora Fabiana defenda que os pais compreendem a proposta de ciclos e que acompanham os filhos, não passa despercebido seu julgamento sobre a “omissão parental”, como fruto de incompreensão ou despreparo das famílias, o que também pode ser percebido na fala da professora Geralda. Já em relação à diretora, percebe-se novamente que a prática da retenção não é incomum na escola Anísio Teixeira, contradizendo, como já visto no capítulo I, a posição da SEE/MG sobre essa questão.

Ao perguntar se a participação da família é maior no sistema de ciclos ou na organização seriada, recebi as seguintes respostas:

... O interesse do pai hoje cresceu sim (...) Numa escola de 500 alunos, uma média de 380 a 400 pais são presentes, eles estão dentro da escola, eles participam das reuniões. Quando convocados, vêm. Nas apresentações dos filhos, eles gostam de vir, estão presentes, mas a dificuldade deles, em acompanhar a vida escolar do filho, também aumentou, porque eles têm dificuldades. A gente percebe isso claramente, mas eles estão procurando aprender para acompanhar. (Professora Fabiana).

... Os pais participavam mais na série, mas não porque era série, e sim, porque o conceito de família mudou, entendeu? Os valores mudaram, os pais mudaram. Os pais são mais jovens, são cada vez mais jovens, né? Então, a gente tem que ir aceitando mãe de 20, mãe de 21... é um despreparo mesmo da família. Não é nada de série nem de ciclo não. (Professora Olga).

... Nós temos aquele pai [pouco participativo], ainda tá? Numa porcentagem média, porque nós temos pais com uma evolução grande. Mas, temos uns ainda ‘paradinhos’... ‘paradinhos’... esperando que a

escola tome providências em favor do filho dele. ‘Faça o que vocês acharem que deve ser feito... ( Coordenadora Vera).

Como se vê, a visão das educadoras sobre a atuação dos pais na escolarização dos filhos, não constituem um bloco homogêneo. Há educadoras que notam um crescimento do interesse e participação familiar e outras que percebem os pais somente em suas condutas de delegação da função da educação à instituição escolar.

Ao se ouvir as famílias, pôde-se constatar igualmente, diferentes manifestações que vão do elogio explícito à críticas severas de certas práticas de escolarização efetuadas pelo estabelecimento de ensino, como se verá a seguir.