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Perceptions of Teaching Sexuality at an Early Stage

7 Findings: Norwegian Uke 6

7.2 Norwegian Teachers’ Perceptions of Uke 6

7.2.3 Perceptions of Teaching Sexuality at an Early Stage

Se, no capítulo anterior, abordámos a influência de Quinhentos em Álvaro de Campos, no que toca à forma fixa do soneto, abordemos, agora, o maior poeta português renascentista, Luís Vaz de Camões, não no sentido de temas e de formas, mas a nível da construção de uma essência nacional que catapulte Portugal para um futuro melhor, visão esta partilhada, ainda que de forma sui generis, por Fernando Pessoa, e saibamos qual é o contributo da perspectiva de Álvaro de Campos.

No Ultimatum e Páginas de Sociologia Política Pessoa aproxima Portugal da Grécia Antiga, sob o signo da universalidade:

Só duas nações – a Grécia passada e o Portugal futuro – receberam dos deuses a concessão de serem não só elas mas todas as outras.252

Esta universalidade é corroborada ainda pelo próprio, nos seus apontamentos Para a Compreensão da Mensagem, quando refere que há três realidades sociais – o indivíduo, a Nação e a Humanidade:

O indivíduo é a realidade suprema porque tem um contorno material e mental – é um corpo vivo e uma alma viva.

A Nação é também uma realidade, pois define o território, ou o idioma, ou a continuidade histórica [...]

A Humanidade é outra realidade social, tão forte como o indivíduo, mais forte ainda que a Nação, porque mais definida do que ela. O indivíduo é, no fundo, um conceito biológico; a Humanidade é, no fundo, um conceito zoológico – nem mais nem menos do que a espécie animal formada por todos os indivíduos de forma humana.

[...] Ser intensamente patriota é três coisas. É, primeiro, valorizar em nós o indivíduo que somos, e fazer o possível por que valorizem os nossos

252 Vd. Fernando Pessoa, Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, Lisboa, Ática, 1.ª ed., 1980, p.

compatriotas, para que a Nação, que é uma suma viva dos indivíduos que a compõem [...] possa orgulhar-se de nós [...].253

Isto explica a visão pessoana do Quinto Império enquanto um império espiritual, que se consubstancia num imperialismo da cultura e universalismo da língua portuguesa.

Para almejar este objectivo, Pessoa recorre ainda a outra forma de explorar as potencialidades da língua pátria, fazendo-a ascender a uma empresa de escrita: a obra dos heterónimos.

Começando pela primeira, a Mensagem, Pessoa subalterniza Camões para reconstruir o novo mito camoniano: Portugal emergirá das sombras através do renascimento da língua mãe.

Se a Camões devemos a maior obra do Renascimento português, Pessoa tenta ir mais longe, pois a Mensagem não é apenas uma obra épica, na medida em que contempla as formas poéticas da Renascença: lirismo, epopeia e drama. Assim, Pessoa granjeia para si o título de «Supra-Camões».

Relativamente à segunda forma de superar o épico – a obra heteronímica -, podemos afirmar que esta é a expressão cabal da exploração das potencialidades da língua portuguesa, fazendo-a ascender de empresa poética, à glória de poder ser considerada uma empresa de escrita.

Se Camões projecta na descoberta da Índia o espírito empreendedor e pioneiro português, Pessoa vai mais longe ao almejar para o povo luso uma nova Índia por descobrir, no plano espiritual e cultural, o que suplantaria o império geográfico, real e concreto das conquistas marítimas portuguesas no século XVI. Deste modo, encontramos no Opiário, de Álvaro de Campos, o mesmo ensejo. O que é o «Oriente ao Oriente do Oriente» senão essa «Índia Nova»? Vejamos, pois, mais alguns versos disso ilustrativos, do poema Opiário:

Fumo. Canso. Ah uma terra aonde, enfim, Muito a leste não fosse o oeste já!

Pra que fui visitar a Índia que há

Se não há Índia senão a alma em mim?254

253 Vd. Fernando Pessoa, Páginas íntimas e de auto-interpretação, p. 435-437 254 Vd. Álvaro de Campos., Opiário, v. 57-60.

Pessoa serve-se, então, da obra dos heterónimos, e em particular daquele que mais se pareceu consigo, para perscrutar, sondar, potenciar, mas não esgotar, as virtualidades da língua materna, assumindo-se, assim, como arauto do Supra-Portugal de amanhã:

Há quanto tempo, Portugal, há quanto Vivemos separados! Ah, mas a alma, Esta alma incerta, nunca forte ou calma, Não se distrai de ti, nem bem tanto.255

Este confronto entre a perspectiva de Pessoa e de Camões leva-nos a identificar o entendimento clássico de fundo em que se gera a obra pessoana.

A poesia Álvaro de Campos é exemplificativa disso mesmo, visto que o poeta não só valoriza figuras clássicas, como se verifica na Ode triunfal, como coloca a nação portuguesa na linha da frente das civilizações destinadas a guiar a Humanidade, como é possível constatar na Ode marítima. Atentemos nos excertos:

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro, O presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão, E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Esquilo do século cem [...]256

Piratas do tempo de Roma! Navegadores da Grécia! Fenícios! Cartaginenses! Portugueses atirados de Sagres

Para a aventura indefinida, para o Mar Absoluto, para realizar o Impossível!257

Para explicar, em Álvaro de Campos, este diálogo entre o sincrónico e o diacrónico, em que a modernidade se enlaça com a tradição, num eterno retorno de

255 Vd. idem, Barrow-on-Furness,V, v. 1-4. 256 Vd. idem, Ode triunfal, v. 17-22.

repetição e diferença, e o passado com o futuro, José Augusto Seabra utiliza as metáforas do «volante poético» e a do «vaivém intertextual»258.

Não há, portanto, um hiato entre o classicismo e o modernismo, mas sim relações profundas que descortinam um sebastianismo poético e messiânico que Pessoa reflecte no heterotexto.