2.5 Luminance perception
2.5.3 Perception of luminance and depth
Conhecida como Hospedaria Japonesa pelos contemporâneos, a Hospedaria dos Imigrantes foi construída pela Companhia Nipônica na Praça da Penitenciária125, na Avenida São João126 com Travessa do Curro127. Como a referida “Praça” era propriedade do Estado, ela foi cedida por ele à companhia, conforme previsto no Artigo 13, da lei n.º 2.746.128 Para erguer o prédio da hospedaria, a companhia contratou os serviços da firma construtora S.R. Oliveira & V. Palumbo, que entregou a edificação no dia 15 de setembro de 1929, logo na véspera da chegada dos primeiros imigrantes colonos. Como a construção constituiu, “pelo seu caráter, uma novidade” para o meio dos paraenses, a firma construtora solicitou
125 Atualmente no local está instalada a Escola Técnica Estadual do Pará. Na década de 1930, este local era
conhecido como Praça da Penitenciária em virtude do terreno ficar situado nos fundos da penitenciária da guarnição militar.
126 Atual Rua Municipalidade, no bairro de Telégrafo. 127 Atual Travessa Djalma Dutra, no Bairro do telégrafo.
128 Lei 2.746 de 13 de novembro de 1928. Leis do Estado do Pará do ano de 1928. Pará-Brasil: Oficinas gráficas
autorização da companhia “para expor as edificações, à visitação pública”. 129 A hospedaria ficava situada na esquina da Avenida São João com Travessa do Curro, e como pode ser visto na foto 8 deste trabalho, possuía uma edificação central de dois pavimentos onde ficava o escritório e o refeitório. Ao redor da mesma ladeavam várias casas térreos que ocupavam a Praça da Penitenciária até a Travessa José Pio (informação verbal).130 Em frente à hospedaria passava o bonde Linha do Curro, vindo da Avenida São João em direção à Travessa do Curro, indo até o Curro Velho, onde era o fim da linha. Uma das arquiteturas da atual Fundação Curro Velho era a sua estação. Como o embarque e desembarque dos imigrantes era feito pelo Curro Velho, utilizava-se essa linha de bonde como meio de transporte entre o local do desembarque e a hospedaria. Provavelmente, a escolha do local da construção da hospedaria esteja relacionada com a questão de transporte, pois era um dos facilitadores.
Na foto 8, vê-se a Hospedaria dos Imigrantes de Belém, construída na Praça da Penitenciária, na Avenida São João, na esquina com Travessa do Curro. No primeiro plano, o trilho do bonde Linha do Curro. Ao fundo, o prédio da penitenciária da Polícia Estadual do Pará. A hospedaria foi, durante a década de 1930, alojamento para todos os imigrantes que chegavam. Em média, depois de cinco dias de descanso, eles eram transportados para os seus respectivos núcleos coloniais. A Hospedaria Japonesa, como era conhecida popularmente, não abrigava apenas imigrantes de origem asiática. Muitos imigrantes nacionais procedentes do Nordeste eram também alojados nessa hospedaria.131
129 MARANHÃO, Paulo. Os japoneses no Pará – Inauguração da hospedaria dos imigrantes. Folha do Norte,
Belém, 15 set. 1929, p.1.
130 Vanilda Araújo Ribeiro, “Dona Nilda”. Entrevista Concedida ao autor. Belém-PA, 3 dez. 2005.
131 MARANHÃO, Paulo. Como estão passando os imigrantes do Nordeste e o que tem sido feito em favor deles
Foto 8: Hospedaria dos Imigrantes de Belém, construído na Praça da Penitenciária Fonte: OHASHI, Belém, 2003, p. 6
No Curro Velho, situado na confluência da Travessa do Curro com a Rua de Belém132, a Companhia Nipônica construiu uma ponte de 140 metros de extensão, estendida sobre a baía do Guajará. O desembarque e embarque dos imigrantes eram realizados por essa ponte que se popularizou como Ponte do Japonês. 133 A Hospedaria dos Imigrantes ficava numa distância de um quilômetro e meio dessa ponte e o caminho era (e até hoje é) íngreme, e a ela se chegava pela Travessa do Curro. No local do desembarque, onde se achava a Ponte do Japonês, a companhia também construiu uma espécie de anexo da hospedaria da Avenida São João. Na época, os imigrantes chegavam com grande volume de bagagem, como se estivessem de mudança. Desse modo, esse anexo servia para guardar as suas bagagens, no momento do desembarque.
A iconografia da Ponte do Japonês e a Hospedaria dos Imigrantes de Belém fazem parte do acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil de São Paulo. Essas iconografias, sobre outro ângulo, encontram-se nas páginas do jornal Folha do Norte, do dia 18 de setembro de 1929, apesar de a qualidade das imagens no jornal encontrar-se um pouco comprometida. Na foto 9, vê-se a Ponte do Japonês, com 140 metros construídos sobre a baía do Guajará, no Curro Velho, no final da Travessa do Curro. Na imagem, o desembarque dos
132 Atual Rua Professor Nelson Ribeiro.
133 MARANHÃO, Paulo. Companhia Nipônica de Plantações do Brasil, S.A. – O que é a colonização japonesa
no Pará, através dessa importante empresa industrial e agrícola ‘PRODUZIR EM GRANDE ESCALA E DA MILHOR QUALIDADE’, é o sugestivo lema da Companhia Nipônica. Folha do Norte, Belém, 1º jan. 1932, p. 3.
imigrantes que chegaram em 16 de setembro de 1929, sendo assistido por multidões de curiosos que acorreram ao local.134
Foto 9: Ponte do Japonês sobre a baía do Guajará, no Curro Velho. Na foto, desembarque dos imigrantes japoneses (1929)
Fonte: Jornal Folha do Norte, 18 set. 1929, p. 4
Com o fim da corrente migratória da companhia para o Pará, em 1937, a Hospedaria dos Imigrantes foi abandonada. Atualmente, no local, está edificada a instalação da Escola Técnica Estadual do Pará – ETPA. Daquela época, restaram apenas o anexo da Hospedaria dos Imigrantes, na Rua Professor Nelson Ribeiro com Travessa Djalma Dutra. Atualmente é parte das instalações da Fundação Curro Velho.