4 Presentasjon av resultater - Pepper
4.7 Peppers ulike medieplattformer og innhold
4.7.3 Pepper på Facebook
Estão elencados abaixo os relatos dos participantes agrupados em três subcategorias, a saber: dificuldades na comunicação familiar, comportamentos de omissão e falsidade entre familiares e ausência de suporte familiar.
- Dificuldades na comunicação
“Falta dum diálogo, às vezes o pai tem vergonha de dialogar com a filha, a mãe às vezes nem... Também às vezes não tem uma cabeça como... não pensa como outras pessoas pensam, não conversam, depois acontece e aí é pancada, só pancada.” (Orlando, Maria Casagrande) “A minha mãe não era preparada para responder as perguntas que eu tinha. E hoje em dia também não, porque a criança chega no pai e na mãe e pergunta as coisas. Desconversa, ele não fala.” (Rosa, Vila Tibério)
“O pai fica aí... a mãe, coitada, fica num canto: ‘E agora?’ Olha pro marido: ‘Bem, o quê que eu faço?’ ‘Também não sei.’ ” (Ari, Vila Tibério)
- Omissão e falsidade
“Que eu também não vou dizer que a família do passado era uma família perfeita, porque não era. Havia muita omissão, muita falsidade, muita hipocrisia. Não vou dizer que isso não ocorra hoje.” (Ari, Vila Tibério)
“Todo mundo sofria calado.” (Rosa, Vila Tibério)
- Ausência de suporte familiar
“Tem família que larga pra lá. Não quer nem ver.” (Ana, Vila Tibério)
“Sem apoio familiar a pessoa volta para o vício.” (Luís, Vila Tibério)
“Mas tem que encontrar ajuda é depois que ele saiu do vício. Aí é o pior, porque se ele sair do vicio, ele não tiver um apoio. [...] Então não adianta aquele lá que saiu, ele já foi internado um monte de vez, só que pega ele, leva, trata ele. Quando ele vem, ele não tem
“Ele não tem apoio. Então ele vai procurar o apoio ali (no bar). Porque aonde ele tá ali, na bebida, que é álcool, é o certo dele. Então ele sente bem é ali. Então a família que deve pegar, naquela hora.” (Luís, Vila Tibério)
“Não deixar ele sair sozinho... Senão ele volta [para o vício], sim. Não tem jeito.” (Luís, Vila Tibério)
“Muitas coisas eu vivi, passei, muitas coisas da pessoa que bebe. Eu freqüento boteco, eu sei o quê que é. A pessoa procura e: ‘aqui eu não tenho mais apoio em casa.’ Eu quero falar o que aconteceu comigo, então eu vou lá [bar]. [...] Pra você se soltar.” (Luís, Vila Tibério)
Observa-se que a dificuldade na comunicação entre familiares seria fruto tanto do despreparo dos pais, que não saberiam o que dizer frente a questionamentos dos filhos, como também de sentimentos de “vergonha” de dialogar com os filhos. Pondera-se que a presença desses dois elementos acima apresentados poderia trazer prejuízos à importante tarefa dos pais de orientar e de acolher os filhos. Verifica-se novamente a impossibilidade de comunicação quando Rosa relata um “sofrimento psíquico velado” na família, onde possivelmente valores morais possam influenciar uma postura de falsidade, hipocrisia e omissão entre os familiares.
A ausência de suporte familiar facilitaria a recaída ou a manutenção do uso indevido de drogas. A impossibilidade de contar com o apoio familiar levaria o indivíduo desamparado a procurar apoio em espaços públicos, como no bar. A seguir encontram-se segmentos de fala que compõem categorias nas quais se observa a presença de formas mais agressivas de relacionamentos familiares e a problemática decorrente da utilização indevida de substâncias psicoativas por um membro da família.
“Eu conheço pais também que quando recebem uma reclamação ou uma convocação pra ir [na escola do filho] ... ‘É porque você aprontou, porque não sei o que.’ E bate. Já agride porque... já tira conclusões. [E porque você acha que o pai ou a mãe age às vezes desse jeito, Solange?] “Ignorância, ignorância, machismo, estupidez, falta de... desamor.” (Solange, Maria Casagrande)
“A maioria são assim justamente porque não tem atenção dos pais. Quase todo aluno problema ele tem problema em casa de desatenção ou de agressão. Então é uma forma dele extravasar; ele agride, ele quebra as coisas. Tem aluno que sai chutando cadeira, derrubando, quebrando; é uma forma dele brigar com o mundo que ele não pode fazer em casa. Então é um negócio muito sério.” (Solange, Maria Casagrande)
“O pior de tudo é brigar, querer brigar.” (André, José Sampaio)
“Tem que convencer porque ficar brigando, gritando não consegue nada.” (Adriana, José Sampaio)
“Tentar mostrar o outro lado, entendeu? Porque se não, se você for obrigar ele a fazer o que você... se você obrigar aí vai ser pior mesmo, ele vai querer te enfrentar porque ele acha que ele tá certo, né. Geralmente quando uma pessoa é viciada em alguma coisa, pra ela aquilo é o certo pra ela, aí se você quiser obrigar o contrário você vai arrumar briga pra você, aí... fica difícil.” (André, José Sampaio)
- Desrespeito e rompimento dos laços familiares
“Porque espancar, fazer coisas não adianta, porque depois tem processo, tem isso e aquilo e se torna pior, a pessoa se torna mais revoltada ainda porque não teve apoio de ninguém e aí vai pro mau caminho porque não vai ter apoio, o que pode acontecer?” (Adilson, Maria Casagrande)
“Ele falou: ‘Ah, o velho (pai) lá não dá. [...] ele não me dá dinheiro. Só pega dinheiro e não me dá dinheiro. Então eu resolvi vir embora.’ Então é uma das coisas que acontece. Tem
- Vício
Vício e danos psicológicos aos familiares
“Ah, porque desestrutura totalmente a família se você tem um filho que vai pro caminho errado usando droga...” (Regina, José Sampaio)
“O meu tio, ele era alcoólatra de cair na sarjeta e da minha tia ter que sair lá fora, pegar e levar ele pra dentro. Sei dos problemas que aconteceram decorrentes disso, terríveis dentro de casa. Terríveis, terríveis. Minha prima mais velha simplesmente engravidou do namorado. Eu falei ‘Você não tem juízo. Você foi engravidar do namorado, da sua idade, que não tem nem onde cair morto, [...] que não tem nenhum responsabilidade igual a você.’ Porque ela queria sair de casa. Ela não queria mais ficar ali. Foi uma situação terrível.” (Rosa, Vila Tibério)
“Quem tá com problema é ele. Mas não é mais só ele. Começa nele, mas acaba ocorrendo problemas pra família toda.” (Rosa, Vila Tibério)
“Minha prima mais nova tinha um ano e via o meu tio caído lá na calçada. Imagina como a criança pensava, como a criança vê, ela cresceu vendo aquilo. Isso gera um problema psicológico na criança muito grande, né? Pra ela, a mais velha era sete anos mais velha que ela. Meu tio bêbado e xingava ela de tudo. Ela era uma criança, mas xingava ela de tudo quanto era coisa. Avançava nela, falava que ia bater nela, sabe? Você não sabe nem o que fazer numa situação dessa.” (Rosa, Vila Tibério)
“Mas isso [alcoolismo] aconteceu com o meu pai. Papai era uma pessoa que quando saia de casa, ia ao bar, ele era uma pessoa. Quando ele voltava a personalidade dele era outra. Completamente diferente. Quantas vezes eu também, eu peguei ele no chão pra levar ele pra casa.” (Ari, Vila Tibério)
Vício, preconceito e isolamento social
“Porque quando você tá tendo um problema desses, você não tem consciência que não é [...], que tem trocentas pessoas que têm o mesmo problema. Você acha que é só com você.” (Rosa, Vila Tibério)
“Ela não quer que as colegas, os amigos da escola, que ninguém saiba que o pai dela é alcoólatra.” (Rosa, Vila Tibério)
“Ela não vai contar pra ninguém que o pai, que a mãe, que o irmão é alcoólatra, é drogada, alguma coisa. Ela não vai. A mãe, a esposa, ninguém quer que ninguém fique sabendo. Todo mundo fica com vergonha, fica com medo.” (Rosa, Vila Tibério)
“A minha mãe era alcoólatra... bebia, eu tinha que ir buscar ela. Eu já passei por isso também. Então não pode abandonar. Era muito pequeno. Era um tempo muito antigo, né? Então você não podia falar nada. Tinha que respeitar a mãe.” (Luís, Vila Tibério)
Resumindo os achados, os participantes retratam com sentimentos de intensa desvalorização e condenação moral o “brigar”. Relatam que empregar formas agressivas de ação na resolução de situações-problema geraria comportamentos agressivos nos membros agredidos e agravariam e ampliariam os focos dos problemas. Ainda segundo os relatos, um usuário de drogas causaria problemas a todos os membros da família, afetando o desenvolvimento de crianças e adolescentes, prejudicando o relacionamento familiar, como também expondo os familiares a constrangimentos sociais.
Na subcategoria abaixo, o elemento negativo à vida familiar refere-se aos problemas advindos da dificuldade com o sustento familiar.
[ Mas de maneira geral o que vocês acham que são os problemas mais importantes que as famílias estão enfrentando?] “Eu acredito que seja o financeiro. É porque os salários não tão acompanhando a inflação, os aumentos. Na televisão fala que a inflação foi só de zero, zero, zero e não sei quanto, mas isso não bate com a realidade, é muito mais do que isso. A gente sente no supermercado, a gente sente nas tarifas, então é isso. Então é essa a maior dificuldade eu acho. E isso traz até uma certa... um desequilíbrio até na família. Porque o pai fica irritado, estressa, estressa todo mundo, todo mundo fica estressado.” (Celina, José Sampaio)
“Quando você tem o dinheiro é as mil maravilhas, tudo vai bem, tudo corre uma beleza, acabou o dinheiro pronto; aí entra as briga em casa, o desaforo.” (Marcos, José Sampaio) “Você comprou coisa que não precisava.” (Adriana, José Sampaio)
“Numa família é pai, mãe e três filhos, é um que trabalha, dois tão desempregados. Um trabalha e o outro tá desempregado e... aí é que gera confusão, briga. ‘Você não trabalha. Você é vagabundo’.” (Ernesto, Vila Tibério)
A dificuldade em prover financeiramente a unidade familiar gera estresse e desarmonia entre os familiares, favorecendo os desentendimentos.
Inicia-se a seguir o segundo bloco de categorias de análise das verbalizações dos participantes. No bloco “Valores, funcionamentos e organização familiar” serão retratados desde os valores e a organização familiar, como as novas configurações na organização familiar provenientes de recentes transformações sociais, sendo ao final reportada as formas de enfrentamento utilizadas pelos familiares na resolução de impasses e problemas.