• No results found

Pedagogiske tradisjon

In document Asperger syndrom og vennskap (sider 45-54)

3 Tradisjoner

3.4 Pedagogiske tradisjon

Sem retirar às aulas de língua materna o objetivo de trabalhar as modalidades ouvir/falar, ler/escrever, sustentamos que (...) é necessário dar aos alunos, nas aulas de Português, múltiplas ocasiões para um trabalho «laboratorial» sobre a língua, desligado dos objetivos comunicativos com que a utilizamos como falantes. (Duarte, 1992: 167).

Embora numa primeira abordagem nos pareça, quiçá, mais difícil utilizar imagens a fim de desenvolver o domínio da Gramática numa aula de língua materna, a realidade é que elas podem tornar-se extremamente úteis neste âmbito, especialmente pela motivação quase automática que incitam. Mas como podemos aliar a imagem e o estudo da Gramática? De seguida, descrever-se-á uma oficina de gramática que tem como base uma série de ilustrações de banda desenhada. Antes importa, no entanto, esclarecer o que se entende por oficina de gramática.

Segundo Inês Duarte (1992), a reflexão sobre a estrutura e o funcionamento da língua em aulas de português deve ser concebida como uma oficina de gramática onde os alunos são confrontados com dados da língua, selecionados pelo professor, e devem detetar as suas regularidades e idiossincrasias, resolvendo, posteriormente, exercícios que permitam treinar e consolidar os conhecimentos adquiridos. Para a autora, uma oficina de gramática deve ser composta por quatro etapas: apresentação de dados, descrição e compreensão dos mesmos, exercícios de treino e avaliação. O professor deve, pois, elaborar ou selecionar dados da língua para apresentar aos alunos, com o intuito de orientar e facilitar a identificação e análise dos ditos dados. A partir desta análise, os alunos deverão ser capazes de verificar as regularidades da língua e deduzir conceitos. Adquiridos os conhecimentos necessários, passa- -se à etapa de resolução de exercícios. Uns realizados individualmente, outros em pares, outros ainda em grande grupo, os exercícios de prática ajudam à consolidação dos conceitos previamente introduzidos. Por fim, segundo a autora, é importante um momento de avaliação dos conhecimentos adquiridos sobre o tópico gramatical estudado.

O conceito de oficina gramatical de Inês Duarte foi colocado em prática durante o estágio pedagógico de português numa atividade que inclui a imagem e que se passará a descrever.

88

Exemplo X

Numa oficina de gramática31 sobre a subordinação substantiva, lecionada ao 8ºE, a 20 de maio de 2015, recorreu-se à atividade «Completar com completivas», que proporcionou ao aluno, simultaneamente, o trabalho laboratorial com a língua e o contacto com ilustrações de banda desenhada.

Imagem 15 – Arkas (2005). Primeiros Voos - Olha Papá, estou a voar. (adaptado)

Os dados da língua observados nesta oficina de gramática foram frases criadas pela professora a partir de adaptações das falas de imagens do ilustrador grego Arkas. De início, observou-se uma imagem na qual dois pássaros, em conversa, produzem uma frase incompleta (vd. diapositivo 1 do anexo XXV.i e imagem 15). O objetivo da análise de tal imagem foi fazer com que o aluno sentisse a falta da oração subordinada substantiva completiva que havia sido ocultada, chegando, assim, à conclusão de que seria necessário adicionar algo à frase para que o seu sentido se completasse. A turma estranhou, efetivamente, a imagem projetada e frases como «Professora, a frase está incompleta!» foram, um pouco a medo, proferidas. Era o resultado esperado. A partir deste momento o aluno estava apto à

31 Na oficina de gramática que ora se descreve foram levadas a cabo, de forma concreta, as três primeiras etapas propostas por Inês Duarte ao descrever o seu conceito. Contudo, a quarta etapa, que consiste na avaliação dos conhecimentos aprendidos sobre o tópico gramatical estudado, foi apenas feita por parte da professora através da observação direta.

89

compreensão do conceito de oração subordinada substantiva completiva, entendendo que a sua terminologia está intimamente relacionada com a sua funcionalidade – completar o sentido da oração subordinante. Ele estava, também, apto a deduzir, com a orientação da professora, algumas características deste tipo de oração (vd. diapositivos 2 e 3 do anexo XXV.i). Uma vez adquiridos os novos conhecimentos, foi chegado o momento de colocá-los em prática. O tempo e espaço de prática são, aliás, indispensáveis «a que o essencial das generalizações descritivas atingidas na fase anterior do trabalho fique armazenado na memória de longo prazo» (Duarte, 1992: 171). Utilizando a Ficha de Trabalho Completar com Completivas (vd. anexo XXV.iii), os alunos trabalharam, dois a dois, preenchendo os balões de fala das ilustrações de Arkas com frases que possuíam orações subordinadas substantivas completivas (vd. exercício 1 do anexo XXV.iii). Depois, os diferentes grupos trocaram de ficha e cada par dividiu e classificou as orações das frases criadas pelos seus colegas (que haviam sido corrigidas pela professora), destacando as conjunções subordinativas completivas nelas utilizadas (vd. exercício 2 do anexo XXV.iii). À medida que os alunos iam terminando a tarefa, a professora ia corrigindo, grupo a grupo, o exercício. Cabe ainda referir que se criaram duas versões da ficha de trabalho para que as frases dos distintos grupos fossem diferentes e para que o segundo contacto com a ficha, no momento de dividir e classificar orações, fosse novo e motivador. Foi possível observar o interesse dos grupos durante a realização desta etapa da oficina gramatical, tanto pelos comentários positivos que foram fazendo relativamente às imagens, que se mostraram bastante adequadas aos gostos da turma, como pela curiosidade que revelaram em ler as frases criadas pelos colegas (algumas das quais se encontram na secção iv do anexo XXV). Para pôr termo à atividade, analisaram-se, no quadro e a título de exemplo, duas das frases criadas.

A oficina de gramática sobre a subordinação substantiva apresentou-se como uma mescla entre o trabalho lúdico e o trabalho laboratorial com as regularidades da língua, tendo estes sido inseridos na aula através da imagem. Os recursos visuais serviram para conduzir o aluno à tomada de consciência de que a língua é, como constata Inês Duarte (1992), uma realidade complexa, passível de ser observada, descrita nos elementos que a constituem e compreendida no modo regular como eles se combinam para nos permitir comunicar. É, portanto, possível organizar uma oficina de gramática em torno deles.

90

In document Asperger syndrom og vennskap (sider 45-54)