KUNNSKAP I TYDINGA FORMAL OG MATERIAL DANNING
PEDAGOGISK FRILUFTSLIV
Segundo Aguiar e Silva (1991, p. 340), o primeiro estudioso a fazer referência à literatura foi Platão, em seu livro III, de A República, que busca fundamentar e caracterizar os gêneros literários, e em face da relevância de sua proposta e de sua repercussão posterior, a obra é considerada um marco fundamental da teoria dos gêneros literários.
O segundo filósofo a refletir sobre esse tema é Aristóteles, que apresenta suas ideias sobre gêneros literários na Poética. Destacamos que no séc. IV a. C., Aristóteles, dividiu em duas obras a literatura e a oratória, respectivamente Arte Poética e Arte Retórica, porém, a separação relativa entre as duas disciplinas se configura no fato do autor ter escrito dois tratados distintos dedicados a cada uma delas, ainda que as remissões recíprocas presentes na Retórica e na Poética apontem também para a sua proximidade.
Considerando o modelo aristotélico, pode-se dizer que, enquanto a retórica se ocupa sobretudo com oratória, raciocínio e persuasão, a poética lida principalmente com poesia, mimesis, verossimilhança e catarse.
Em sua Poética, Aristóteles, invertendo a proposta de Platão, apresenta a poesia como mimética ou representativa, entendendo a mimese como a representação de acontecimentos reais ou fictícios.
Sendo assim, a poesia seria a arte de imitação em verso, na qual é considerado o
objeto imitado, ou seja, os seres humanos em ação que são representados como superiores,
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De acordo com o léxico Liddell-Scott-Jones, o termo téchne possui as seguintes significações fundamentais no grego clássico: (1) Habilidade ou técnica manual. Cf. Homero, Odisséia, 3, 433; 6, 234; 11, 614;Píndaro,
Olímpicas, 7, 50; (2) Habilidade e perícia em sentido negativo, isto é: habilidade de enganar, de fraudar, de ser
malicioso. Cf. Homero, Odisséia, 4, 455; Hesíodo, Teogonia, 160; 770; (3) Modo ou meio pelo qual alguma coisa é obtida, sem qualquer sentido definido de téchne. Cf. Heródoto, 1.112; 9.57; Sófocles, Ájax, 752; (4) Técnica ou habilidade artesanal. Cf. Heródoto, 3. 130; Platão, Protágoras, 317 c; 312 b, 315 a; (5) Conjunto de regras ou método quem objetivam produzir algo. Esse é o sentido que o termo téchne adquire em Aristóteles (Cf.
Ética Nicomaquéia, 1140 a8; Retórica, 1354 a11), aparecendo também em Platão (Cf. Fédon, 89 e; Íon, 532 c; República, 381 b) (6) Tratado de gramática ou de retórica.
iguais ou inferiores ao comum dos mortais (GENETTE, 1986, p. 28) e o modo de imitar, que pode caracterizar-se pelo contar e pelo agir das personagens por meio da fala.
Comparando-se com a classificação platônica, nota-se que o gênero misto desaparece na classificação aristotélica e que para Genette (1986, p. 29) essa diferenciação mostra diferentes situações de enunciação: “no modo narrativo o poeta fala em seu nome próprio, no modo dramático são as próprias personagens, ou mais exactamente, o poeta disfarçado doutras tantas personagens.”.
Essa posição de Genette já aponta para questionamentos futuros que serão feitos sobre os gêneros, sobretudo com base em Bakthin, nos quais o contexto e a interação, elementos da enunciação, serão aspectos essenciais.
Ainda segundo Genette (1986, p. 26), retomando Platão, todo poema é uma narrativa de acontecimentos presentes, passados ou futuros, a qual pode apresentar-se como pura
narrativa, como mimese, tal como ocorre no teatro em que o dizer se concretiza por meio de
diálogos entre as personagens ou como narrativa mista, na qual estão presentes tanto a narrativa quanto o diálogo como se verifica em Homero. A partir desse critério, propõe uma divisão tripartida que abrange o gênero imitativo ou mimético que engloba a tragédia e a comédia, o gênero narrativo puro do qual faz parte prioritariamente o ditirambo e o gênero
misto que se caracteriza pela epopéia.
De acordo com Genette (1986), verifica-se que toda forma de literatura – lírica ou prosa - que não seja representação é excluída da classificação do filósofo, fato que será o ponto fundamental das discussões posteriores da poética.
Relacionando os dois tipos de objetos com os dois modos de expressão, teremos quatro classes de imitação, que correspondem ao que tradicionalmente é chamado de gêneros literários.
Desse modo, tem-se assim a tragédia, em que o poeta conta ou coloca em cena personagens superiores, a comédia, em que o poeta conta ou coloca em cena personagens inferiores. A primeira caracteriza o dramático superior e a segunda, o inferior. Ao lado desses dois gêneros, tem-se a epopeia ou narrativo superior e a paródia ou narrativo inferior, centrados no narrar.
É conveniente destacar que o modo dramático é o mais privilegiado por Aristóteles, sendo destacada na Poética a superioridade dele em relação ao modo narrativo, sobretudo a
“imitação de uma ação de caráter completo, de uma certa extensão, em uma linguagem assinalada por temperos de uma espécie particular conforme com as diversas partes, imitação que é realizada por personagens em ação e não por meio de uma narrativa e que, suscitando piedade e temor, opera a purgação própria a emoções semelhantes.” (apud Costa Lima, 2002:255). A comédia, em contraposição, consiste na imitação de pessoas inferiores; ela focaliza o feio sem atingir, porém, a vilania, resultando de uma falha da personagem, tal como ocorre na tragédia, sem contudo causar dor ou destruição, não possibilitando, portanto, a catarse. Seu objetivo é expor a personagem ao ridículo.
Dessa forma, no entender de Costa Lima (2002, p. 256), esses dois gêneros diferenciam-se pelo tratamento diverso que é dado à falha da personagem: hamartia para a tragédia e hamartema para a comédia.
Na tragédia, a hamartia é tomada literalmente e a sua punição é ampliada; na comédia, a hamartia é distorcida pela caricatura e a punição é marcada pelo malogro e pela mortificação, sendo, portanto, a ridicularização.
A épica, modo narrativo superior, por seu turno, apresenta estreita relação com a tragédia, uma vez que suas partes são praticamente as mesmas, diferenciando-se dela, porém, pelo metro e pela extensão.
Apesar de caracterizar esse gênero como narrativo, Aristóteles, reconhece e destaca o seu caráter misto, já que, na epopeia, há palavras introdutórias proferidas pelo poeta que, em seguida, cede a palavra ou a cena às personagens. Quanto à paródia, o narrativo inferior caracteriza o narrativo cômico, concretizando-se na imitação / cópia de epopeias e esse gênero não sobrevive até os dias atuais.
Aristóteles, acrescenta ainda, um terceiro critério para sua classificação, os meios, representando a expressão por meio de gestos ou palavras ou ainda em verso ou em prosa; entretanto esse aspecto, segundo Genette (1986, p. 29), não foi aprofundado na Poética.
Na reflexão grega sobre os gêneros, partindo da literatura, apresentamos ou uma tripartição platônica (gênero narrativo, misto e dramático) ou o par aristotélico (gênero
narrativo e gênero dramático), apresentado na Poética, e tais propostas, ao longo de dois
mil anos, têm sofrido inúmeras discussões no que diz respeito ao tema gêneros. Nas duas classificações de que falamos, não parece estar explicitamente contemplado o gênero lírico31 e que não será abordado por nós na presente pesquisa.
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O narrativo puro que, para Platão era representado pelo ditirambo, forma narrativa de poesia, não parece estar claramente relacionado à poesia lírica nA República; entretanto Aguiar e Silva (1991:341) aponta que “a diegese
Como vimos, na Grécia antiga, houve uma decorrência natural entre a relação democracia e gêneros textuais e entre produção artística e gêneros textuais, onde foram concebidas, nesse período, modalidades genéricas e que ao longo dos tempos sofrerão modificações dando origem a novos gêneros de textos. A seguir, veremos a origem das tragédias e seu contexto sócio-histórico mais amplo.