Embora, conforme apresentado acima, a indústria de confecção, tenha ganhado relevância e adquirido o status de indústria da moda a partir década de 1990, com a dinamização da economia do estado, estima-se que ela tenha surgido entre as décadas de 1960 e 1970 para suprir uma dificuldade premente na aquisição de artigos de vestuário considerando a distância dos grandes centros de moda país, as dificuldades de acesso e a demora para estes produtos chegarem ao estado (CASTRO; BRITO, 2010). Historicamente, esta movimentação de empreendimentos surgiu com a característica de negócios familiares, como ateliês de costura prêt-à-porter e produtos de alfaiataria, e, embora tenha alterado sua estrutura organizacional
32 N.A: importante observar que o cadastro de estabelecimentos industriais da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás já está agrupando como única atividade segmentos de indústria de transformação de vestuários, calçados e artefatos de tecidos.
para indústrias mais profissionalizadas, ainda preservam em sua grande maioria a característica de empresas familiares e de micro ou pequeno porte. Em termos de crescimento e desenvolvimento econômico, o setor segue a dinâmica da economia do país, no entanto entre 1997 e 2004, com o reconhecimento de algumas localidades como aglomerações produtivas, a presença significativa da governança e a implementação de políticas públicas de apoio ao desenvolvimento destas aglomerações no âmbito federal e estadual, seu crescimento foi significativo (CASTRO, 2004).
Dentre os municípios do estado que se apresentaram ou foram identificados como potenciais aglomerações produtivas, naquele período, destacaram-se os municípios de Jaraguá como produtor de jeans, Região Metropolitana de Goiânia com moda feminina, Taquaral de Goiás como polo produtor de moda íntima e Pontalina com uma produção diversificada. Neste contexto a moda goiana se fortaleceu no mercado, levando o estado de Goiás a despontar como uma das referências nacionais em moda, atraindo compradores de toda parte do Brasil.
A participação de grupos de empresas nas feiras nacionais com o incentivo dos governos, associações e instituições de apoio contribuiu para esta projeção do estado em nível nacional. Esta performance promoveu o crescimento indústria da moda no estado e além dele, conforme mostram Castro e Brito (2010) no período entre 1997 e 2004, “[...] a indústria confeccionista no estado cresceu a taxas sistematicamente superiores à média nacional. ”, os autores afirmam ainda que:
Enquanto o número de empresas na indústria de confecções no Brasil apresenta um crescimento acumulado de apenas 26,53%, entre 1997 e 2004, e o número de empregados de 30%, no mesmo período, em Goiás, o número de empresas e de empregos crescem respectivamente 80,8% e 70,4% no segmento (RAIS-MTE, 1997- 2004).
Embora a presença desta indústria na economia do estado continue marcante, conforme mostram os dados da Secretária da Fazenda de Goiás, apontando que em 2014 foram cadastrados 9.601 estabelecimentos industriais do setor de vestuário em Goiás, sendo que aproximadamente sete mil são de micro e pequeno porte, o que representa em torno de 74% do total de empresas cadastradas; estes números são relativamente menores do que em 2013 quando foram cadastrados 8.572 estabelecimentos do segmento, sendo 8.126 empresas de micro e pequeno porte, um percentual de aproximadamente 95% , segundo dados da mesma fonte. Há que se considerar que o segmento da moda tem uma participação significativa na geração de empregos no estado e nos municípios onde se encontram instalados os principais
polos de moda, tendo apresentado um total de 31.922 pessoas ocupadas em 201333, se
colocando como o quarto maior gerador de empregos diretos da indústria de transformação goiana, conforme mostra a Tabela 5.
Tabela 5 - ESTADO DE GOIÁS – Setores de atividade econômica, número de empregos em 31/12 variação absoluta e relativa – Goiás – 2012-2013
Fonte: RAIS / Ministério do Trabalho e Emprego. Elaboração: Instituto Mauro Borges/Segplan-GO/Gerência de Estudos Socioeconômicos e Especiais.
Entretanto, se por um lado os dados apresentados consolidam a importância da indústria da moda para a economia do Estado de Goiás, por outro lado, enfatiza-se a importância de se prosseguir com ações que busquem manter o fortalecimento do setor e reforcem as condições de garantia das taxas futuras de crescimento das atividades e a ampliação do volume de negócios da cadeia por meio da sua inserção em novos mercados, uma vez que conforme dados do Instituto de Estudos para o Marketing Industrial, sua participação no contexto nacional foi de 3,20% em 2012 e se manteve em torno 3,30% nos anos de 2013 e 2014 de, ou seja, praticamente inalterada nos últimos três anos no que se refere ao percentual de volume de produção.
Considerando as informações apresentadas e, em se falando do desenvolvimento do segmento de moda em Goiás, no sentido de contribuir com uma percepção mais precisa da composição do segmento da indústria da moda em Goiás, traz-se a configuração da Estrutura da Cadeia Produtiva de Moda em Goiás.
Conforme mostra a Figura 12, no que se refere à estrutura da cadeia produtiva da moda em Goiás e sua correlação direta com a estrutura do sistema moda, observa-se que a
33 Fonte: http://www.seplan.go.gov.br/sepin/down/caracteristicas_do_emprego_formal_em_goias_2013.pdf. Acesso em: 20/maio 2015.
ambiência desta cadeia fica incompleta com a ausência dos elos que caracterizam a fiação e tecelagem.
Figura 12 - Estrutura da cadeia produtiva da moda em Goiás
Fonte: Adaptada de Sebrae/GO (2004) e BNDES (2009)
Desta forma, é importante que este processo tenha valor estratégico para a empresa, e que esteja em sintonia com o andamento dos calendários de moda, em sincronicidade com o timing da moda, buscando informações corretas para a escolha do que produzir e quando. Neste aspecto vale considerar que conforme Vincent-Ricard (1989, p. 233) o produto de moda é composto por uma sequência de etapas ou estágios que representam uma necessidade específica que vai desde a complexidade de análise para o desenvolvimento do produto até a sua colocação no mercado, estes estágios passam pelas fases de “análise, elaboração, criação e difusão. ” (VINCENT-RICARD, 1989, p. 233).
Em que pese a existência de todo este aparato e infraestruturas de apoio ao segmento, observou-se que a capacidade de inovação do setor ainda se apresenta incipiente diante do dinamismo e agilidade que o mercado do segmento de moda exige, há que se aprender a atuar com estratégias que incluam a inovação na busca pela competitividade. Neste ambiente sócio econômico dinâmico, sujeito às condições e movimentos de crescimento ou encolhimento
da economia do país e do estado estão inseridas as empresas do segmento de moda de Goiânia, Pontalina e Taquaral de Goiás, objetos deste estudo.