Hábitos e costumes estão se universalizando. Isto tem sido uma ló- gica também para os direitos humanos?
Teoricamente, construiu-se uma cidadania universal, porém nosso maior desafio ainda é lidar com a diversidade: étnica, religiosa, políti- ca, econômica, enfim, cultural e, sobretudo, com a desigualdade social e a pobreza crescente.
Texto 5
Nesse mundo, 1 bilhão de pessoas estão na miséria, totalmente fora dos circuitos de variada satis- fação; 2 bilhões são humildes consumidores, outros 2 bilhões são remediados, enquanto somente um bilhão consegue realmente estar em condições de “consumir” os benefícios da “ponta do processo”. Em 1999, a diretoria do Banco Mundial reconheceu que, depois de 50 anos ditando políticas macroe- conômicas, as perspectivas para o século XXI são sombrias. Em 1987 havia 1,2 bilhão de pessoas vi- vendo em pobreza absoluta nos países em desenvolvimento, com o equivalente a um dólar por dia ou menos. Em 2000, esse número atingiu 1,5 bilhão e em 2015 a perspectiva é de que totalize 1,9 bilhão de pessoas. Observando por outro ângulo, em 1950 havia 300 milhões de pobres e miseráveis vivendo nas grandes cidades de países em desenvolvimento. No ano 2000, com a população no mundo duas vezes maior, chegavam a 2 bilhões. (Adaptado de DREIFUSS, 2004, p. 640).
É fundamental que as cidades direcionem constantemente políticas públicas para dar estruturas adequadas aos seus cidadãos: serviços de água, esgoto, saneamento básico, transporte, coleta seletiva e recicla- gem de lixo, projetos de aquisição de moradias, serviços de hospitais, segurança, creches, escolas, áreas de lazer. Enfim, condições de so- brevivência com dignidade e qualidade de vida. Confira algumas das atitudes para sanear uma cidade. São tarefas do poder público e pre- cisam da colaboração de cada cidadão. Devem ser entendidas como conquistas históricas e motivo permanente de reivindicações e organi- zação das comunidades.
Documento 6
• Canalização e limpeza de rios e córregos;
• Desobstrução de bueiros e galerias pluviais;
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• Controle de animais que podem transmitir moléstias;
• Prevenção de doenças;
• Educação sanitária e atendimento médico-hospitalar. (Adaptado de ALVES, 1994, p. 118).
Todos os serviços citados no documento 6 são prioridade para os ci- dadãos; podem ser geridos pelo Estado, mas devem ser acompanha- dos pela sociedade em geral, por meio de: associações de bairros, comunidades de base, conselhos comunitários, ONGs, entre outras formas de organização.
Destacando o problema do lixo urbano, estima-se que quanto maior o consumo, maior a quantidade do lixo produzido.
Veja como a historiografia considera o problema do lixo urbano:
Texto 6
No Brasil, cada um dos sessenta milhões de cidadãos que formam a população economicamente ativa, consome, em média, setenta quilos de embalagens por ano.
Estima-se em cem mil toneladas diárias a quantidade de lixo produzido nas cidades brasileiras, das quais cerca de doze mil toneladas são geradas pela capital paulista. Do lixo urbano brasileiro, cerca de 60% é coletado, geralmente, nos bairros de maior poder aquisitivo, permanecendo o restante junto às casas ou atirados nas ruas, terrenos baldios, encostas, mananciais, córregos e rios. Nesses lugares, popularmente denominados lixeiras, vazadouros ou lixões, são comuns os deslizamentos, as enchen- tes, os focos de doenças, cheiros pestilentos e uma paisagem infernal. Não fosse suficiente, existe tam- bém a calamitosa situação da disposição ilegal de lixo industrial. (Adaptado de WALDMAN apud PINSKY e PINSKY, 2003, p. 551 e 552).
A legislação de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável – Agenda 21, delibera, como estratégia para diminuir os problemas ge- rados pelos depósitos de lixo urbano, a construção de aterros sanitá- rios para o lixo não reciclável e coleta seletiva para o reciclável.
Em algumas cidades, além da coleta seletiva, estão surgindo proje- tos de geração de emprego e renda com o lixo reciclável, organizan- do os trabalhadores deste setor em associações ou cooperativas. São alternativas consideradas inteligentes, porque aliam a solução dos pro- blemas ambientais com os problemas sociais, entre eles, por exemplo, o desemprego.
ALBARI ROSA. Lixão da Cachimba, registrada em
23 out. 2003. Fotografia, Curitiba. n
http://tudoparana.globo
.com
n
Documento 7 Documento 8
SUELI DIAS. Miriam Macha- do, integrante da COCAP (Cooperativa dos Catado- res de Papel de Apucara- na), recolhendo material reci-
clável no Colégio Estadual Nilo Cairo, 2002. Fotografia. Apu- carana.
Como estes dados do IBGE, presentes no gráfico 3, referentes à so- ciedade brasileira, dos últimos anos do século XX, podem indicar as necessidades de organizar políticas públicas que diminuam a exclusão social e os problemas das relações de gênero?
Gráfico 3 – Proporção da População por Grandes Grupos de Idade - 1980-2000
Fonte: IBGE n
1. Discuta com seu professor e sua turma:
a) Quais as maiores necessidades para uma boa qualidade de vida das crianças, dos jovens, e da terceira idade?
b) Quais reivindicações devem ser feitas ao poder público para viabilizar a realização de tais neces- sidades?
c) Façam um painel e exponham-no para a escola com a síntese da discussão.
DEBATE
• Pesquise em nossa Constituição os principais direitos de cidadania do brasileiro. Divulgue-os junto à comunidade.
PESQUISA
% 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1980 1991 1996 2000 0 - 14 15 - 64 65 e mais Documento 9MIGUEL PAIVA, Charge, 05 out. 1988. O Estado de São Paulo – Edição histórica, p. 3.
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Referências Bibliográficas
DREIFUSS, René Armand. Transformações: matrizes do século XXI. Petrópolis: Vozes, 2004. VESENTINI, WILLIAM J. Sociedade e Espaço. São Paulo. Ática, 2000. P. 221.
Obras consultadas
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BEAUD, M História do capitalismo: de 1500 aos nossos dias. São Paulo: Brasiliense, 1987. BRESCIANI, S. Imagens da cidade: séculos XIX e XX. São Paulo: Marco Zero, 1993.
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