3.1. Delineamento
Tratou-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa.
3.2. Amostra
A população foi composta por homens do estado da Paraíba com idade acima de 18 anos que compartilharam uma experiência de aborto com sua parceira, seja ele espontâneo ou provocado. O termo parceira foi utilizado para referir-se as mulheres com quem os homens compartilharam a experiência de aborto, sem importar a relação estabelecida com elas. Os homens foram encontrados por meio da técnica Bola de Neve. A amostra foi constituída por 20 participantes, determinado pelo ponto de saturação.
Tal técnica é um tipo de amostragem não-probabilística, em que os primeiros participantes indicam outros participantes e assim continua até que seja atingido o ponto de saturação, que acontece quando a fala dos que já responderam começam a coincidir com o que os participantes novos falam (Wha, citado por Baldin & Munhoz, 2011).
Os critérios de inclusão para pesquisa são: homens com 18 anos ou mais, que tenham compartilhado com suas parceiras pelo menos uma experiência de aborto, seja ele espontâneo ou provocado e que seja residente do estado da Paraíba. Os critérios de exclusão são: homens com menos de 18 anos, aqueles que nunca passaram por experiência de aborto e os que não moram no estado da Paraíba.
Selecionou-se tal amostra devido à falta de inclusão desse público em pesquisas.
3.3. Procedimentos
Em um momento inicial, o pesquisador entrou em contato com os homens que fazem parte do público alvo, a fim de esclarecer os objetivos da pesquisa, de verificar a disponibilidade de tempo para participar da pesquisa e agendar dia, horário e local
convenientes para se realizar a entrevista. Neste momento, era solicitado aos participantes a autorização para gravação das entrevistas.
Pessoalmente, apresentou-se o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) ao participante, onde constava que a participação era voluntária, que poderia ser interrompida a qualquer momento, que a pesquisa não residiria em nenhum dano físico ou psicológico ao participante, que o sigilo seria assegurado (o participantes da pesquisa não será identificado) e que os dados da pesquisa seriam usados para publicações científicas, como estabelece a Resolução 466/2012 versão 2012. Além disso, a presente pesquisa zelou pelo que é estabelecido em tal resolução de que o pesquisador deve prestar socorro ao participante da pesquisa caso alguma contingência coloque em risco a integralidade e dignidade deste. Após concordar em participar, pediu-se ao participante que assinasse o TCLE. Na entrevista semiestruturada em profundidade e no questionário sócio demográfico (que serão detalhados logo abaixo) não constou identificação do participante. Em publicações científicas, características que possam identificar os participantes não serão reveladas, nem muito menos o nome deste; neste trabalho foi atribuído um nome fictício para resguardar a não identificação.
A pesquisa apenas foi iniciada quando o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa, a fim de resguardar todos os aspectos éticos que regem a realização da mesma.
3.4. Instrumentos
Os dados foram coletados através da entrevista de evocação, enunciação e averiguação, sendo esta uma técnica de pesquisa qualitativa; e do questionário sócio demográfico.
A entrevista que foi realizada é semiestruturada e tem por finalidade a evocação, enunciação e averiguação (Figueiredo, 1998) em relação às questões do aborto. Tal entrevista é realizada em três fases, segundo (Figueiredo & Fiorini, 1996):
1ª Fase: A primeira fase é a de Evocação, em que os participantes são convidados a pensarem acerca do aborto;
2ª Fase: Essa é a etapa de Enunciação, nela pede-se que o sujeito fale três palavras que considerou mais importantes sobre o aborto;
3ª Fase: É a fase final da entrevista, denominada de Averiguação, tenta-se investigar mais a fundo as palavras que foram enunciadas pelo participante, para que este possa completar as respostas dadas na fase de Enunciação.
Bem como a análise da narrativa que enfatiza a fala do entrevistado (Rodrigues & Hoga, 2006), tal entrevista tem por finalidade pôr em destaque a perspectiva dos homens que compuseram a amostra do estudo, partindo dos pontos que são mais importantes para eles.
3.4.2. Questionário Sociodemográfico
Para fazer um levantamento das características sociodemográficas dos participantes da pesquisa, utilizou-se um questionário sociodemográfico composto com perguntas acerca da renda mensal da pessoa, escolaridade, idade, nível de religiosidade, estado civil, se a pessoa tem outros filhos, qual a época da primeira gestação, se a pessoa era casada com a parceira na época, se o aborto que ele vivenciou foi com a parceira atual e qual a religião.
3.5. Análise dos Dados
A análise foi baseada nas informações disponibilizadas pelos participantes que foram gravadas e detalhadamente transcritas. A análise categorial temática tem o objetivo de
identificar o conteúdo comum nas falas dos participantes. Após a transcrição integral das entrevistas, foram identificadas categorias à posteriori de acordo com a proposta de Figueiredo (1993), procedimento que abrange duas fases (Monteiro & Figueiredo, 2009; Figueiredo, 1993):
Primeira Fase
Na primeira fase é onde acontece a primeira junção, onde são identificados os conteúdos comuns dentro de uma mesma entrevista. Cada entrevista é analisada de forma individual, procurando-se por significados comuns. Nessa fase as entrevistas são transcritas e leva-se em consideração as singularidades de cada participante. Tal fase é dividida nas seguintes etapas:
1. Leitura Inicial: aqui faz-se uma série de leituras em profundidade tentando identificar trechos preliminares relacionados as Categorias;
2. Marcação: selecionou-se alguns trechos das entrevistas relacionados às Categorias; 3. Corte: os trechos selecionados foram retirados do texto.
4. Primeira Junção: todos os trechos selecionados de uma entrevista foram agrupados por pessoa e organizadas em protocolos de análise.
5. Notação: observações marginais foram feitas acerca dos trechos com a finalidade de comentar e localizar na literatura e no contexto do grupo.
6. Organização/Discussão: as observações embasaram a segunda junção. Sendo assim, discutiu-se as observações a fim de agrupar os trechos de diferentes entrevistas em uma mesma Categoria Temática.
Segunda Fase
Na segunda fase é onde ocorre a segunda junção, sendo nela que identifica-se os conteúdos comuns entre as entrevistas realizadas. Nela busca-se os significados que todas as
entrevistas têm em comum, agrupadas a partir da proximidade de significado e agrupando os significados comuns dentro de cada categoria. Tal fase abrange algumas etapas:
1. Leitura Inicial: realiza-se diversas leituras em profundidade para verificar quais os trechos possuem comunhão de significado, agrupando-os na mesma categoria. 2. Organização: nessa etapa agrupou-se os trechos em subcategorias, ou seja trechos
com conteúdos específicos dentre de uma Categoria Temática.
3. Notação: As primeiras notações foram ampliadas e relacionadas entre si dentro da Categoria Temática.
4. Discussão Final e Redação: nessa etapa foi elaborada o texto final baseando-se na segunda notação, aprofundando-se a discussão em relação às Categorias Temáticas.