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3 Hvem kan bli ansett som oppfinner når AI har generert en oppfinnelse?

4.2 AI som oppfinner

4.2.1 Patentretten

Aspecto também algo paradoxal foi o que sentimos a quando das primeiras observações.

Se o nosso intuito era sem dúvida observar os diversos actores nos seus modos de actuação, surpresa das surpresas, facilmente nos apercebemos que rapidamente nos tornámos num observador observado.

Durante alguns bons momentos no início da nossa presença nas salas de aula, a sensação de sermos um “estranho” a “invadir” território que não era “nosso” e de sermos alvo de fortes olhares de curiosidade e “inquirição”, fez-nos sentir que também nós teríamos que passar por um contínuo processo de adaptação organizacional até que não fossemos objecto de olhares inquisitórios.

Alguns alunos (mesmo depois de apresentados pela suas professoras como um professor que está ali também a aprender, à excepção de uma das docentes que nos apresentou como inspector que estava a verificar “quem é que se portava mal”, tentando utilizar-nos estrategicamente, para conseguir maior controlo disciplinar, preocupação forte nesta turma “complicada” nas palavras das professoras) continuaram algo desconfiados, procurando saber o que realmente estava ali um estranho a fazer.

Um deles disse já nos conhecia, que éramos o “director da outra escola” (escola do 3ºciclo do Básico ali ao lado), alguns mais “desinibidos” tentavam espreitar para o bloco de apontamentos no qual registávamos o que íamos observando. Perante este

“assédio” lá íamos sempre respondendo em tom de brincadeira assinalando que éramos

mais um professor que estava ali a aprender a ser professor.

Na segunda semana de observação o “estranho” visitante passou a tornar-se mais familiar e a despertar uma mais fraca curiosidade.

Contudo, é interessante esta sensação de inversão de papéis onde o principal observado em determinado momento passou a ser o suposto observador.

As professoras, se de início nos pareceram algo perturbadas na sua actuação, mais as professoras do regular, (duas professoras de apoio já as tínhamos entrevistado e estabelecido um razoável grau de empatia), também com o desenrolar das observações nos pareceram progressivamente mais tranquilas, chegando inclusive uma delas a brincar frequentemente connosco dizendo que éramos o “seu aluno mais velho”. Com a terceira professora de apoio nunca sentimos o mesmo “à vontade” como com as restantes “colegas”, o facto de não a termos entrevistado antes de observar o seu trabalho poderá ter contribuído para este sentimento de uma maior “estranheza”, assim como alguma fronteira “geracional”, esta docente estava em fim de carreira, à beira da reforma, ao contrário das outras duas com idades próximas das nossas.

Apesar disto pensamos terem sido “boas” condições para a observação do trabalho dos professores.

2.4. Das Entrevistas

A entrevista enquanto técnica metodológica de recolha de “dados” é um instrumento utilizado para provocar informação a que de outro modo seria impossível o investigador aceder.

A relação social entrevistador/entrevistado é assim uma situação social artificial que não pode ser descurada como tal em termos da análise do conteúdo produzido através da mesma.

Como qualquer outra técnica, esta não é “neutral” e implica uma relação de forças, resultante da relação social de investigação, pondo frente a frente inquiridor e inquirido, sendo a análise desta relação social em que os actores em jogo têm estatutos diferenciados e das condições sociais em que a mesma decorre, aspectos que são fundamentais para se atingir a maior “objectividade” possível na recolha e análise do material empírico a constituir.

Tendo em conta o objectivo da investigação e o modo de conceptualização do nosso objecto de estudo, optámos então pela entrevista semi-estruturada.

Foram realizadas 17 entrevistas, com a duração média de uma hora para cada uma delas.

Foram todas feitas no interior das escolas onde as professoras trabalhavam, uma vez que entendemos que sendo este o habitat “natural” das docentes nos seus quotidianos

profissionais, seria o lugar mais apropriado e onde as mesmas se sentiriam mais à vontade.

A maioria foi realizada no interior das salas de aula, em momentos disponíveis que as professoras se encarregaram de estabelecer (este foi um dos critérios que procurámos respeitar), sendo que outras foram realizadas na sala de Apoio Pedagógico Acrescido e apenas uma não se realizou na escola, uma vez que a professora preferiu realizá-la perto de sua casa (assegurámo-nos contudo que as condições fossem adequadas).

No início de cada entrevista, foi informado às entrevistadas o objectivo do estudo, o tema a tratar e claro, como não podia deixar de ser, demos a nossa garantia de anonimato e confidencialidade sobre tudo o que durante as mesmas fosse abordado, procurando tranquilizar as entrevistadas e salvaguardar deste modo os seus interesses pessoais e profissionais, algo a que a deontologia do trabalho sociológico também o recomendava.

Foi pedido autorização para gravar a cada entrevistada, o que veio a suceder, sendo depois o conteúdo das entrevistas literalmente transcrito em computador.

Procurámos sempre ter as melhores condições ambientais e sociais possíveis, procurando não ser interrompidos o que pensamos ter sido conseguido, assim como tentámos proporcionar um ambiente descontraído e agradável para que as nossas inquiridas se sentissem desinibidas e pudessem desta forma expor mais facilmente as profundezas dos seus pensamentos, das suas perspectivas e representações sobre as diferentes dimensões do trabalho de apoio educativo que pretendíamos descodificar.

Elaborámos um guião de entrevista pré-estruturado que nos serviu de referência para ir introduzindo as questões, tentando contudo não fechar demasiado o caminho a percorrer às reflexões elaboradas pelas entrevistadas.

As primeiras duas entrevistas, que foram a duas professoras especializadas que considerámos entrevistadas-chave, foram mais abertas, pretendíamos explorar terrenos ainda desconhecidos em grande parte, facetas do nosso objecto que permanecessem ocultas e que não tivéssemos conhecimento. Procurámos então dar uma forte margem de liberdade ao discurso das entrevistadas procurando não estruturar em demasia as suas categorias de pensamento.

O mesmo fizemos já no terreno onde iriam decorrer as futuras observações, na escola onde realizámos o estudo, quando realizámos duas entrevistas iniciais com duas professoras de apoio educativo das quais viemos posteriormente a observar o seu trabalho quotidiano.

Estas duas professoras foram posteriormente objecto de nova entrevista após observação directa das suas práticas sociais, agora contudo, já com o guião de entrevista mais estruturado pelos nossos interesses, pois que a observação serviu também para orientar o nosso olhar em direcção às várias dimensões do objecto que viríamos a apreender.

Contudo, tivemos sempre o cuidado de não impor as nossas categorias de pensamento às entrevistadas e de não fechar demasiado o seu discurso, tentando para isso não seguir dogmaticamente as questões preparadas do nosso guião pré-estruturado, mas sim introduzi-las nos momentos que nos parecem mais adequadas.

No que toca ainda às duas professoras de apoio educativo que entrevistámos duas vezes, tratou-se de nas primeiras entrevistas tentar obter o máximo de acesso às suas perspectivas, representações e crenças sobre o trabalho de apoio educativo, quer do trabalho escolar com as suas colegas do ensino “regular”, quer com os alunos, quer ainda sobre o modo como as mesmas perspectivavam o trabalho realizado pelas suas colegas de “Apoio”.

Aproveitámos ainda para recolher informações sobre o meio escolar em causa. Foi também a partir do contacto com estas docentes que constituímos a amostra das salas de aula a observar, em negociação com as mesmas, depois de efectuadas as entrevistas, servindo ainda estes contactos para nos levarem ao conhecimento das professoras das "turmas" com quem trabalhavam.

Antes de irmos para observação entrevistámos ainda o Director do Conselho Executivo da escola, actor social que considerámos também central para um melhor conhecimento do funcionamento da organização e até porque foi dos raros professores

“especializados” que encontrámos no espaço escolar, para além da característica de ter

uma visão do mundo mais “masculina”, aspecto importante a não descurar.

Em relação à reacção à situação de entrevista, algumas entrevistadas denunciaram alguma falta de hábito à situação de entrevista, denotando algum receio inicial perante o gravador, pelo que tratámos de esclarecer que era importante a gravação afim de não perdermos informação que depois seria necessário analisar e que de outro modo seria difícil de reter.

Esta nossa justificação em geral pareceu-nos bem aceite, pois que no decorrer das entrevistas o gravador pareceu-nos ir caindo no esquecimento, já que à medida que a conversa se ia desenrolando o receio foi diminuindo mostrando-se as entrevistadas bastante à vontade.

Outras docentes, em menor número, revelaram pelo contrário uma extrema descontracção perante o gravador e a situação de entrevista, parecendo inclusive terem aproveitado para falar de aspectos do seu quotidiano que habitualmente não têm oportunidade de reflectir. Para três delas a entrevista assumiu quase a forma de desabafo a um confidente, tendo quase um objectivo terapêutico, o que em termos de análise sociológica nos pareceu dar óptimas garantias da fidedignidade dos seus discursos.

Apenas uma das professoras entrevistadas (a mais velha que entrevistamos, de apoio educativo, encontrava-se à beira da reforma) nos pareceu bastante reticente perante a entrevista, jogando numa estratégia mais defensiva e evitando expor claramente o seu raciocínio.

Aspecto sociológico extremamente revelador ainda é que a maioria das professoras expressou-se com bastante maior à vontade sobre os seus alunos do que sobre as suas próprias colegas, neste último caso denotou-se um maior cuidado no julgamento do trabalho de cooperação com as mesmas.

Desta forma e para terminar, podemos assinalar que as entrevistas para além do acesso às perspectivas dos actores sobre o trabalho de apoio, antes da entrada no terreno, serviram ainda como estratégia de acesso ao campo e de constituição da amostra, assim como também para estabelecer laços de sociabilidade e de confiança com as professoras. As entrevistas finais após observação serviram ainda de verificação das práticas sociais observadas e para apanhar o modo como os actores racionalizavam as mesmas, uma vez que todos os professores observados foram depois entrevistados.

Por fim, entrevistámos também 6 professoras (4 de apoio educativo e 2 do ensino

“regular”) numa escola primária que fica nas proximidades daquela onde fizemos a

observação, podendo desta forma ter acesso a elementos de comparação com os elementos recolhidos.

Pretendíamos desta maneira ter possibilidade de analisar até que ponto poderíamos ou não “generalizar” as nossas conclusões a casos tidos como semelhantes, tendo em conta que cada construído social é uma ordem local sempre contingente e que em cada escola ocorrem processos sociais muito próprios à mesma, procurámos contudo tentar verificar até que ponto haveria alguma regularidade ou não no comportamento dos actores, nas suas práticas de apoio educativo.

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