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2. Teoretisk bakgrunn

2.6 Ysteprosessen

2.6.3 Pasteurisering

Blodgett (2004a) conduziu dois experimentos de cross-modal naming para investigar a interação entre fronteiras de sintagmas entoacionais, a transitividade verbal e efeitos de plausibilidade durante a resolução de ambiguidades temporárias do tipo Garden-Path, como nos exemplos abaixo:

(12) Whenever the lady checks/ the room is empty. (fronteira early) (13) Whenever the lady checks the room/ it’s empty. (fronteira late)

No primeiro experimento, os fragmentos iniciais das frases foram apresentados em duas condições prosódicas, com uma fronteira early que acontecia após o verbo (exemplo 12) e com uma fronteira late que acontecia após o NP ambíguo (exemplo 13). Foram testados, ainda, três grupos de verbos: verbos que podem ser igualmente transitivos ou intransitivos (equi- bias), verbos que possuem um viés transitivo (transitive-bias) e verbos que possuem um viés intransitivo (intransitive-bias). Imediatamente após a parte auditiva, aparecia na tela do computador uma palavra-alvo que deveria ser lida o mais rapidamente possível e usada na tarefa de completação da frase, ou seja, o informante deveria integrar a parte ouvida com a palavra-alvo criando uma continuação que fizesse sentido para a frase. As palavras-alvo eram de dois tipos: “is” que é congruente com a fronteira early e incongruente com a fronteira late, e “it’s” que é congruente com a fronteira late mas incongruente com a fronteira early.

O tempo gasto na “nomeação” das palavras-alvo foi subtraído da duração da leitura dessas mesmas palavras em condições neutras, feitas pelos informantes no final da tarefa. A diferença foi então considerada como o tempo de reação (TR) à tarefa de nomeação e foi analisado em uma anova fatorial 2x3x2 (2 condições prosódicas: fronteiras early e late X 3 condições verbais: equi-bias, transitive-bias e intransitive-bias X 2 palavras-alvo: is e it’s). A interação entre as condições prosódicas e as palavras-alvo foi significante

tanto na análise por sujeitos como por itens. O tempo de reação para “it’s” foi significativamente mais rápido do que para “is” na fronteira prosódica late e mais lento na fronteira prosódica early. Este resultado sugere que a localização da fronteira prosódica determina a análise sintática inicial do parser independentemente da transitividade do verbo. Análises de regressão e correlações foram conduzidas para investigar possíveis efeitos de interação entre a condição prosódica e a transitividade verbal. Como era esperado, o tempo de reação na palavra-alvo “is” na fronteira late com verbos transitivos foi maior e a reanálise para estruturas intransitivas levou mais tempo com verbos que ocorrem mais frequentemente com objetos diretos. Surpreendentemente, não foi encontrada uma correlação comparável para os verbos intransitivos. Apesar dos verbos transitivos e intransitivos demonstrarem o efeito “garden-path” na tarefa de nomeação, apenas os verbos transitivos demonstraram evidências para a reanálise na palavra-alvo. Assim, o processo de reanálise para as estruturas intransitivas parece ter ocorrido pós-nomeação.

Esses resultados são consistentes com as afirmações de que uma fronteira de sintagma entoacional desencadeia a seleção de qualquer proeminência semântica ou processamento pragmático. Enquanto a fronteira late desencadeia a seleção para uma interpretação transitiva, ela desencadeia a seleção para um significado dominante dos verbos preferencialmente transitivos e um significado subordinado de verbos preferencialmente intransitivos. Por sua vez, os resultados sugerem que a reanálise é mais difícil quando envolve o comprometimento com um significado subordinado.

Inesperadamente, não houve evidências de reanálise para a estrutura transitiva na fronteira early quando a palavra-alvo foi “it’s”. Além disso, os resultados de correlações entre os verbos de viés transitivo na condição prosódica de fronteira early e medidas de aceitabilidade obtidas em pré-testes sugerem que os verbos de viés transitivo sofreram reanálises semânticas para interpretações intransitivas em todas as condições de fronteira early.

As correlações com os verbos de viés transitivo sugerem que fronteiras de I antecipadas (early) desencadeiam a seleção semântica do significado dominante do verbo e a seleção sintática da uma estrutura intransitiva, o que gera o efeito Garden-Path. A palavra-alvo “is” foi facilmente incorporada em NP´s estruturalmente ambíguos dentro da oração principal. Para os verbos de viés intransitivo não foi requerida nenhuma reanálise. Os verbos de viés

transitivo, por sua vez, requereram a reanálise semântica para uma interpretação intransitiva. A palavra-alvo “it’s” também foi incorporada a estrutura do NP dentro da oração principal, mas essa incorporação gerou uma topicalização do NP, como no exemplo:

(14) Whenever the kid cleans, THE TRACK – it’s….

Mais uma vez, somente a reanálise semântica foi requerida para o verbo de viés transitivo. Por que motivo os informantes preferiram um estrutura de topicalização, que é mais complexa, a reestruturar sintaticamente a cadeia e optar pela estrutura de objeto direto que é mais simples e mais frequente? A condição prosódica parece ter um papel importante nessa questão. Na condição de fronteira early, o NP é pronunciado em um “meio-sintagma”, ou seja, o NP fica em uma estrutura prosódica aberta e a posição de tópico combina com a estrutura prosódica de início de novo sintagma entoacional em que o NP se encontra. Para optar pela estrutura de objeto direto o informante teria que desconsiderar a estrutura prosódica para privilegiar a estrutura sintática, o que parece ser mais custoso.

No experimento 2, os fragmentos auditivos apareciam em três condições prosódicas: fronteira de sintagma entoacional (I), fronteira de sintagma fonológico () e não-fronteira, mas apenas na posição early (após o verbo). A condição de transitividade verbal foi mantida e acrescentou-se a condição de plausibilidade da palavra-alvo. Imediatamente após a audição do fragmento, os informantes deveriam “nomear” uma palavra-alvo que podia ser plausível ou implausível com a posição de OD do verbo precedente e usá-la na tarefa de completação da frase.

As 3 condições experimentais foram avaliadas em uma anova fatorial 3x3x2 (3 condições prosódicas X 3 condições de transitividade verbal X 2 condições de plausibilidade da palavra-alvo). Os resultados apontam para a contribuição dos três fatores na interpretação final da sentença. A proporção de completação da frase com o objeto direto caiu da condição plausível para implausível, do verbo de viés transitivo para o verbo de viés intransitivo e da condição prosódica de não-fronteira para a de fronteira de I. Consistente com os achados do experimento 1, a condição prosódica de fronteira de I somada ao verbo de viés transitivo gerou completações transitivas e intransitivas para a sentença. Este resultado é esperado se as fronteiras de sintagmas

entoacionais forem avaliadas no parsing e desencadearem a seleção semântica do significado dominante e a seleção sintática da estrutura intransitiva.

Baseando-se nos resultados encontrados nesses experimentos e em outros conduzidos posteriormente, Blodgett (2004b) propõe um novo modelo de processador mental, chamado Phon-Concurrent Model, que é composto por 3 analisadores independentes: o analisador sintático, o semântico e o fonológico. Para a criação deste novo modelo, Blodgett baseou-se não só em seus próprios resultados experimentais, mas também nos achados de Schafer (1997) e Kjelgaard & Speer (1999) e no modelo lexicalista baseado em restrições de Boland (1997). Blodgett (2004b) afirma que, com a adição do analisador fonológico (ao modelo Concurrent Model de Boland (1997) que já previa os analisadores sintático e semântico), o processador mental passa a ter três analisadores autônomos que, embora sejam responsáveis por representações independentes, compartilham informações entre si. O analisador sintático envia alternativas de estruturas para o analisador semântico e os dois acessam as informações do fraseamento prosódico disponibilizadas pelo analisador fonológico. Uma vez que o analisador fonológico faz constantes atualizações da representação prosódica abstrata e as envia para os processadores sintático e semântico, o fraseamento prosódico pode atuar rapidamente no processamento. Blodgett determina que as fronteiras de sintagmas entoacionais formadas por seus acentos tonais e tons fronteira atuam inicialmente no processamento, desencadeando no analisador semântico a seleção de qualquer proeminência semântica ou processamento pragmático e desencadeando no analisador sintático a alternativa que melhor se alinhar à fronteira prosódica. Dessa maneira, o efeito garden-path é explicado nos casos em que temos uma estrutura sintática late closure com o verbo de viés transitivo e uma fronteira prosódica early closure, pois os processadores semântico e sintático entram em conflito. Para as fronteiras de sintagmas fonológicos, Blodgett prevê que as mesmas conferem pesos às alternativas sintáticas que melhor se alinharem a elas. As fronteiras de  atuariam nas etapas iniciais do parsing somente quando as duas alternativas early closure e late closure tivessem o mesmo peso no processador sintático, e ajudaria nos casos de reanálise quando a alternativa de late closure fosse a mais “pesada”. O efeito da plausibilidade atuaria no parser da mesma forma que as fronteiras de , conferindo peso a estruturas concorrentes, mas não influenciando nas etapas iniciais do processamento.

No próximo capítulo apresentaremos um conjunto de trabalhos que seguem a linha de Blodgett (2004a e 2004b). Apesar de não chegarem a propor um modelo de processador que contraponha-se ao clássico modelo serial, todos os estudos incluídos no capítulo apontam para evidências da influência das informações prosódicas nas etapas iniciais do parsing.