O desenvolvimento de software através da metodologia Agile, segundo a Optimus Information (Optimus Information, 2016), é um novo método de desenvolvimento que pretende ser mais flexível, mais barato e com uma maior interação por parte do utilizador do que os tradicionais métodos de desenvolvimento, uma vez que este participa em todas as fases da conceção (Optimus Information, 2016). O objetivo desta metodologia é desenvolver um projeto de forma gradual, dividindo-o em pequenas tarefas e funcionalidades que se vão incrementando desde o início do desenvolvimento até ao produto final. No início do projeto é feita uma lista de funcionalidades que o software deverá ter atendendo ao que é pretendido pelo cliente. A estas funcionalidades é dado o nome de user stories, e definem as tarefas a realizar durante o desenvolvimento. De seguida deverá ser atribuída uma linha temporal para cada user story e definidas prioridades. Importa referir que ao longo do tempo a lista é variável, atendendo ao tempo de desenvolvimento (Rasmusson, n.d.).
As user stories são, assim, pequenas descrições de uma funcionalidade sob a perspetiva do utilizador, focando-se na capacidade desejada e na sua finalidade (Mountain Goat Software, n.d.). A ideia é serem o mais claro e precisas possível, e ajudarem a atingir um nível de detalhe no projeto desenvolvido (Mike Cohn, 2004), podendo ser necessário transformar uma user story em várias, caso se queira uma especificação mais detalhada (Mountain Goat Software, n.d.).
Atendendo ao projeto a desenvolver e ao ponto de vista do utilizador final, que neste caso são o profissional de saúde e o doente, foram listadas algumas user stories. O objetivo é não só definir as características do software como auxiliar também no seu desenvolvimento; deverão ainda ser tidas em conta para a escolha do hardware a utilizar, para que este seja o mais adequado possível à finalidade pretendida.
De seguida serão, assim, analisadas todas as user stories sob o ponto de vista do doente e do profissional de saúde. Algumas destas user stories surgem de sugestões dadas
Capítulo 3 – Requisitos do sistema e arquitetura para este sistema em especial pela Glintt, uma empresa com bastante experiência em software de saúde e que contacta frequentemente com a classe médica.
3.2.1 Funcionalidades sob a perspetiva do doente
A lista abaixo reflete quais as funcionalidades que o sistema deverá ter sob o ponto de vista do doente como utilizador final.
1. Como doente, quero usar um sistema de monitorização pequeno, confortável e não invasivo para que a minha experiência nas urgências não se torne ainda mais penosa; 2. Como doente, quero que os meus sinais vitais sejam monitorizados para que possa ser
detetada atempadamente uma alteração do meu estado de saúde;
3. Como doente, quero que o profissional de saúde responsável tenha acesso à minha localização para que me possa ajudar em caso de necessidade.
3.2.2 Funcionalidades sob a perspetiva do profissional de saúde
De forma análoga, foram listadas as funcionalidades do sistema sob o ponto de vista do profissional de saúde.
1. Como profissional de saúde, quero poder aceder à plataforma do sistema em qualquer local dentro da unidade de saúde para poder ter mobilidade;
2. Como profissional de saúde, quero que o dispositivo de monitorização seja reutilizável e durável, para que esteja sempre disponível quando necessário;
3. Como profissional de saúde, quero que o dispositivo de monitorização a utilizar seja fácil de colocar em funcionamento para não haver demora ou dificuldades no processo;
4. Como profissional de saúde, quero poder inserir um doente no sistema de forma fácil e rápida para acelerar o início da sua monitorização;
5. Como profissional de saúde, quero que a conexão com o dispositivo de monitorização seja simples e rápida para que o sistema entre rapidamente em pleno funcionamento; 6. Como profissional de saúde, quero poder ter acesso a dados do doente, como a idade e
o sexo, para poder traçar um perfil;
7. Como profissional de saúde, quero saber qual a situação clínica do doente e qual a sua prioridade, para poder inferir acerca de qual o doente mais suscetível a apresentar alterações nas condições de saúde;
8. Como profissional de saúde, quero ter autonomia para ajustar os parâmetros de alerta dependendo da condição de cada doente individualmente, para que estes sejam adaptados a situações anormais (por exemplo, no caso de o doente ser um atleta ou um idoso, os níveis de alerta não devem ser iguais);
9. Como profissional de saúde, quero ter acesso a uma lista de todos os doentes do sistema para saber, de uma forma geral, quantos doentes estão no sistema e quais necessitam de uma maior atenção;
34 Mestrado em Instrumentação Biomédica
10. Como profissional de saúde, quero poder ver um mapa da sala com a informação da localização de todos os doentes para poder estar atento à saída de algum doente; 11. Como profissional de saúde, quero ter acesso aos dados de cada doente
individualmente para poder verificar a evolução dos seus parâmetros vitais caso ache que o doente em questão precisa de atenção;
12. Como profissional de saúde, quero ter acesso aos parâmetros vitais do doente em tempo real e de forma gráfica para poder verificar o seu estado de saúde e a sua evolução;
13. Como profissional de saúde, quero receber um alerta sempre que um doente apresente alterações notáveis nos seus parâmetros vitais para o poder auxiliar e medicar atempadamente, prevenindo situações de degradação acentuada do estado de saúde ou de morte súbita;
14. Como profissional de saúde, quero que o sistema me alerte quando um doente sai da sala, para detetar que o doente em questão não está a ser devidamente monitorizado e eventualmente possa estar a necessitar de ajuda;
15. Como profissional de saúde, quero poder excluir um doente da lista sempre que a sua passagem pelas urgências termina, para não ter na lista um doente não ativo;
16. Como profissional de saúde, quero poder guardar os dados de um doente que é excluído para poder efetuar uma posterior análise ou simplesmente para registo do episódio clínico.
Tendo em vista as funcionalidades enumeradas anteriormente, prossegue-se, assim, para a definição das especificações técnicas do software a implementar.