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In document N ORSK L OVTIDEND (sider 95-100)

A palavra adolescência tem sua origem na palavra adelesco, da língua latina e significa crescer. Registros históricos e mesmo comparações entre culturas diferentes evidenciam características que em nossa contemporaneidade são percebidas em um grupo específico, em uma fase específica da vida humana e que, de vários modos, perpassam as sociedades humanas.

Em alguns recortes histórico-cronológicos, percebe-se, muitas vezes, a escassez de referências à adolescência. Quando analisamos o mito da esfinge, por exemplo, a descrição das fases da idade humana não inclui a adolescência. Se ampliarmos a complexidade dessa representação, argumentaríamos acerca das possíveis descrições para essa fase da idade humana: a infância representa a dependência e impossibilidade de agir (pelo engatinhar), a idade adulta é a síntese da força, vigor e independência, e a velhice, por síntese, seria a consciência do declínio (representação metafórica da bengala). Então surge a pergunta: como se daria a representação dessa fase Intermediária? Que fase seria a adolescência? Estaria o sujeito pronto — logo após a infância — para ser encarado como adulto?

Em The Universal Experience of Adolescence, Norman Kiell faz menção à Aristóteles como uma referência ao mundo dos adolescentes na antiguidade clássica e analisa que o grande filósofo os considerava “apaixonados, irritáveis e capazes de serem

conduzidos por seus impulsos.. se consideram (os adolescentes) oniscientes e extremamente crédulos em suas verdades, por isso vão tão longe”(KIELL, 1964, pp. 18-

19).

Em algumas culturas, entretanto, essa fase é marcada por celebrações e indica uma passagem, transição da infância para a vida adulta e carrega a responsabilidade da identidade social ao permitir aos sujeitos responsabilidades, prazeres e oportunidades até então distantes de seu mundo movediço.

O que representa, por exemplo, para nós, um baile de debutantes? O que representa a lei que possibilita ao menor, ao completar 16 anos, ter o direito de votar? O que dizer de casamentos entre homens mais velhos com garotas de 14, 15 ou 16 anos?

A partir de uma perspectiva histórica, poderíamos afirmar que a adolescência é inventada ou percebida na tentativa de decifrar o sujeito que não é mais criança e, também, ainda não é adulto. Isso porque, ao considerar as questões levantadas anteriormente percebemos que as respostas não estão inscritas em âmbitos únicos: não há como tentar responder às questões levantadas a partir de um único ângulo.

Há que se considerar as inter-relações entre a subjetividade humana, a identidade — individual e coletiva — a força da interação social e a importância e influência dos códigos sócio-culturais em todos os momentos (fases) da vida.

No primeiro capítulo do livro Adolescence, Kathleen White e Joseph Speisman disparam a pergunta “adolescentes: quem ou o que são eles?” e, antes de começarem a responder, disparam novas perguntas:

° Seria a idade dos conflitos, da rebeldia, do sofrimento e das diferenças

entre gerações?

° É a idade da alegria, das surpresas e da autoconsciência? ° É a idade da introspecção?

° Ou essas não seriam as perguntas a serem feitas? (WHITE & SPEISMAN, 1977, p. 1)

A conceituação de adolescência, por parte desses autores, se dá no desdobramento das possíveis respostas para as perguntas e concluem que não se trata de uma fase com características únicas ou lineares. Esta fase é marcadamente envolvida em ordens — e desordens — nos âmbitos social, cultural, psicológico, patológico, afetivo.

Outro autor, David Levisky, em Adolescência: reflexões psicanalíticas, de forma mais objetiva, infere que “a adolescência é um processo que ocorre durante o

desenvolvimento evolutivo do indivíduo, caracterizado por uma revolução biopsicossocial”

(LEVISKY, 1998, p. 21). A ênfase dada pelo autor, nesse capítulo, busca estabelecer diálogos entre o individual e o coletivo, o social e o psicológico e, muito importante: ele defende que a puberdade é marcada pelas transformações biológicas e a adolescência, pelas transformações psicossociais.

Importante, portanto, nessa abordagem, reconhecer que buscar entendimento da abertura que o termo adolescência toma para si adquire novos sentidos se entendida como processo. Esse processo, por sua vez, adquire nuances decorrentes das influências frente aos recortes espaciais, temporais, culturais, filosóficos, históricos...

Já Arminda Aberastury, em Adolescência, concebe esta fase como “(...) um

momento crucial na vida do homem e constitui a etapa decisiva de um processo de desprendimento” (ABERASTURY, 1986, p.15). Crucial, se entendido como essencial,

pode ser interpretado como momento que permite a transição de uma fase marcada pela insegurança e inquietação para outra fase marcada pela estabilidade — a fase adulta.

Entretanto, como veremos nos desdobramentos conceituais, insegurança e inquietação fazem parte de todo processo humano.

Do nascimento à morte, ora somos, ora estamos. Problemas com as relações sociais, a afetividade, a autoimagem, a agressividade, a tristeza, a euforia ou a inquietação são comuns em todos os momentos de nossa vida: da infância à velhice, somos humanos.

Infelizmente, por questões culturais, sociais e até geográficas, a adolescência traz consigo uma visão que transmite muito mais aspectos negativos que positivos. Em

Assim como a criança, o adolescente é uma figura mítica do imaginário. Tal figura permite que nos distanciemos de algumas de nossas falhas, clivagens, desmentidos, ou simplesmente desejos. Ela no-los dá para ver, entender, ler, reificando-os na figura de alguém que ainda não cresceu. (KRISTEVA, 2001, p. 145)

Desse modo, há o reconhecimento de um complexo e emaranhado jogo na tentativa de relacionar transformações internas (tensões, decisões, dúvidas, medo...) às transformações assimiladas do meio externo, advindas de relações com a família, os amigos, os colegas de sala de aula, companheiros de trabalho. Essa complexidade se amplia mais com as transformações do corpo em detrimento da aquisição de novos olhares frente ao novo eu que emerge dessas inter-relações.

Dentre os importantes teóricos que abordam a adolescência, selecionamos para esta pesquisa, Granville Stanley Hall, Anna Freud e Erik Erikson. Não por similaridade, não por diferença, não por validade, mas por consistência e possibilidades de adequarem aos desdobramentos de nossos procedimentos e, principalmente, pelo fato de trazerem em seus bojos conceituais um ponto em comum: aspectos relevantes dispensados à construção da identidade.

Isso porque, a partir do momento que consideramos o contexto da produção do aluno, a identidade perpassa por todos os momentos da pesquisa e, na necessidade de considerarmos aspectos como aceitação, autoimagem, construção da autoimagem, pertencimento e exclusão, por exemplo, os autores apontados apresentam considerações importantes ao nosso trabalho.

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