Na vida da estudante Melissa, o contato com os meios de comunicação foi mudando com o passar dos anos, na medida em que ela foi crescendo. Na infância e na adolescência, ela teve uma relação forte com os meios de comunicação. No caso dela, o contato era com a televisão e o rádio. Com a televisão, o contato era menor em relação ao rádio, pois a televisão de Cabo Verde começava a transmissão às 18 horas e finalizava poucas horas depois e o rádio ficava ligada, na casa dela, o dia inteiro. No caso da internet, ela não tinha nenhum contato, nem sabia direito como utilizá-la. Cinema, revista, jornal eram coisas raras, o hábito de utilizar os outros meios de comunicação foi cultivado depois, quando ela chegou ao Brasil, começando a se envolver nesse mundo que era desconhecido, atualmente, ela já se interessa e vai atrás.
A Stephanie também partilha da mesma experiência, pois o contato foi aumentando com o passar dos anos. Segundo ela, na infância, não havia essa noção da importância dos meios de comunicação e, foi assim, com o passar do tempo e, principalmente, com a mudança de país de residência (de Cabo Verde para o Brasil) que ela iniciou esse contato. Antes, não havia a necessidade de acessar os meios para ver alguma notícia, pois as informações acabavam chegando nela, sem ter que se preocupar em ir atrás, tendo acesso às notícias de uma forma passiva. Hoje, as coisas são diferentes, longe de casa, em um meio diferente, há a necessidade de uma busca pessoal para saber o que está acontecendo nos países pelo mundo afora.
O meu pai comenta uma notícia, aí eu vou atrás [...] eu já tenho mais essa preocupação de acessar, de sei lá, eu já tenho mais essa necessidade dos meios de comunicação para me aproximar do meu país, para saber das notícias [...]. Por que antes eu não tinha muito isso. (Entrevista com a Stephanie Monteiro, 24 anos, curso de Medicina, realizada no dia 01/08/12).
Com o jornal, o contato era frequente, pois o pai de Stephanie comprava para ler e depois ela acabava lendo também, já hoje, ela não tem mais o contato com jornal, por não o encontrar em casa, justifica a Stephanie. Onde ela sentiu muito a mudança foi na internet, que agora passou a usar com muito mais frequência. Ela comenta que acabou se prendendo à internet, pois ali é possível ter acesso a tudo quanto necessita a qualquer momento. O acesso ao rádio tem sido mais para a estudante ouvir um programa em específico, acessando do celular, diferente da casa em Cabo Verde, onde o rádio estava sempre ligada, e com isso o contato era inevitável.
No caso do Andy, ele teve contato com o rádio e a televisão até a adolescência, era um costume na casa dele, o primeiro que acordava ligava logo o rádio. Quando o estudante chegou à fase da adolescência, o interesse se voltou somente para a televisão, onde ele procurava filmes. Assim, houve uma perda de interesse total pelo rádio. Depois dessa fase, o interesse pela rádio voltou, pois ele tocava alguns instrumentos musicais e precisava estar sempre escutando as músicas que passavam. A internet era utilizada, na maioria das vezes, para acessar o messenger. Apesar de acessar os meios de comunicação, Andy os critica, principalmente, quando percebe casos em que “muita gente pensa, tem uma forma de pensar muito idêntica ao que se passa na televisão, ou seja, não têm nada na cabeça, é uma coincidência infeliz.” Portanto, ele não gosta de se restringir a um único meio de comunicação.
A mudança no consumo dos meios de comunicação foi drástica segundo o que nos falou o Danilson, pois ele não tinha acesso frequente como tem hoje. Isso pode também ser justificado pelas mudanças que ocorreram nos últimos anos em relação à acessibilidade e ao custo dos meios. Hoje, é possível ter acesso de forma fácil e saber utilizá-los. Segundo o estudante entrevistado: “O uso que eu faço hoje, digamos que teve um incremento de mais de 200%, porque, na medida que a gente cresce, sente-se mais necessidade de lidar com esses meios de comunicação, porque se tornam indispensáveis, ou você usa, ou você usa!”
De acordo com estes estudantes, não há dúvida nenhuma que o consumo dos meios de comunicação tem aumentado nas suas vidas, com o passar dos anos. Eles comentam também que o consumo, por vezes, acaba se concentrando, majoritariamente, em um único meio. No entanto, os estudantes conseguem ter acesso aos outros através da internet. Eles
consideram os meios de comunicação incríveis, pois você pode estar na cadeira da sua casa assistindo coisas que estão acontecendo na França, África do Sul ou nos Estados Unidos. Nas conversas, um dos acontecimentos apontados pelos estudantes como aquele que marcou, sendo acompanhado por todos, nos meios de comunicação, foi o ataque terrorista do dia 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos.
A mídia oferece essa aparente proximidade, ou seja, vivências que talvez você nunca tenha pessoalmente, mas que você consegue ter aquela experiência, aproximando o distante e, muitas vezes, o impossível. Sem sair de casa, em poucos minutos, podemos navegar na internet e ter a impressão de que estamos viajando por diversos países, encontrando informações de acontecimentos em cada um deles.
Outro fato marcante foi a morte do cantor Michael Jackson, segundo um dos estudantes, ele se sentiu presente no velório, acompanhando tudo como se estivesse no local, isso tudo possibilitado pela rapidez dos meios de comunicação, acompanhando também a última homenagem que o fizeram, considerando tudo muito emocionante, impossível de conter o choro. Nas palavras da Melissa: “foi algo que me marcou muito, eu chorei muito, assisti chorando, parecia que eu estava lá.”
Outro fato apontado é a inovação tecnológica, principalmente, o wi-fi, os
smartphones e o touch screen. Na compreensão dos estudantes, essas inovações tornaram o acesso aos meios de comunicação muito mais prazeroso.