4. Metodologia
4.3. Resum del procés cronològic
Demonstraremos como o processo de comercialização do açaí é feito pelas comunidades e seus compradores imediatos. O primeiro nó do circuito que é feito para que o açaí seja comercializado em mercados mais diversos.
Inicialmente investigamos sobre a condição que o açaí é vendido pelo produtor. Nessa variável obtivemos resposta homogênea, pois 100% dos entrevistados vendem o açaí de forma in natura, nenhum dos entrevistados faz algum tipo de beneficiamento ou agregação de valor ao produto antes de vender. Ele é repassado em caroço no paneiro direto ao comprador imediato.
A não agregação de valor ao produto limita a ampliação da renda ao produtor, principalmente porque a oferta do produto é bastante abundante na safra. Mas as comunidades ainda não conseguiram formas de agregar valor ao produto, em virtude de limitações tecnológicas, financeiras e organizacionais de beneficiar e armazenar o produto, o que é feito por empresas que atuam no ramo.
Gráfico 16 - Principais atores estão envolvidos no processo de compra do açaí diretamente do produtor em Cametá, Igarapé-Miri e Oeiras do Pará, Anos 2014-2016
Fonte: Pesquisa de Campo, 2014-2016, Org. Rosivanderson Baia Corrêa. Observe que a figura do atravessador ainda exerce papel principal na comercialização do produto, sendo que 53,33% dos entrevistados informaram que vendem toda sua produção exclusivamente aos atravessadores28 que são
os compradores que vão diretamente a casa dos produtores para comprar o produto. Deixando material (paneiro e basqueta) para colocar o produto e as vezes para garantir a compra do produto ocorre o adiantamento em dinheiro para o produtor. Conservando relações tipicamente clientelistas, fazendo com que o produtor assuma um compromisso de entregar a produção ao atravessador.
Contudo alguns produtores demonstram visão bastante crítica em relação ao sistema de negociação com os atravessadores. Conforme podemos evidenciar na fala deste entrevistado:
Porque tem vezes que o atravessador vem só mesmo, só pa avacalhar com o pobre que vive aqui. Porque lá eles ganho mais de que nós. Só vem mesmo, praticamente pegar nosso e levar, uma fonte de renda que fica, que favorece eles e nós não. Porque é uma coisa que açaí é defunto. É ele se estraga né. E a farinha por exemplo não, a farinha leva anos e anos no canto aí não se estraga. E açaí é defunto. Tem vezes que o cara traz de fora no gelo já. E é assim, pro cara não perder ele tem que vender. Não tem outra opção. E é isso, se tivesse outra opção não, não vou te vender, não vai estragar né. O atravessador vem e o cara não tem outra opção, ai se tivesse uma indústria uma fábrica pra vender, o cara humilhava ele também. Não, não vou vender pra ti, vou levar prali, é assim. (produtor pesquisado, pesquisa de campo, 2016, Oeiras do Pará).
Observe que o entrevistado apresenta o seu ponto de vista nessa relação, como refém de um processo, sendo que alguns produtores não têm condições de se deslocar para vender a produção, obrigando-o a vender ali mesmo no seu trapiche e ainda apresenta um comparativo com a farinha de mandioca que não tem um caráter muito perecível como o açaí em caroço. Mas talvez ambos produtores acabem vendendo o produto pela necessidade de sobrevivência. E ainda na mesma fala ele aborda uma das maiores demandas do município dele (Oeiras do Pará) que é a necessidade de despolpamento da produção do açaí no município.
Ainda aponta o aspecto do lucro, onde a margem do atravessador dependendo da oscilação do mercado acaba sendo bastante vantajosa em relação a quem produziu. Sendo que estes atravessadores revendem o açaí ou para as cooperativas ou diretamente para as agroindústrias, no caso de Igarapé-Miri, que já conta com essas empresas operando no próprio município.
Por outro lado, pode ser mais relevante para os atores sociais que têm comandado o circuito espacial da produção do açaí na Amazônia manter a produção da maneira como ela é realizada atualmente, conservando também o pequeno produtor, configurando no que Paulino (2006) chamou de
monopolização do território pelo capital criando, na verdade, territórios descontínuos de grandes empresas, representado nesse caso por
atravessadores. Vejamos como enfocado pela autora:
É nessa forma de produzir no campo que se define a monopolização do território pelo capital: a produção propriamente dita se dá no interior de relações não tipicamente capitalistas, em que os trabalhadores não estão despojados dos meios de produção (PAULINO, 2006, p. 103).
Um percentual de apenas 2,2% dos entrevistados vendem o açaí diretamente para as cooperativas, o que demonstra um baixo grau de cooperativismo entre os informantes, sendo ainda bastante incipiente essa prática, uma vez que quem faz essa intermediação entre o produtor e a cooperativa é o atravessador. 3,3% preferem vender o açaí na feira da cidade sede do município, pretendendo vender num preço melhor que aquele pago pelos atravessadores. 23,33% vendem tanto para atravessadores como levam o açaí para ser vendido na cidade sede do município. 15,6% vendem tanto para cooperativas como em feira da cidade. Ainda 2,2% vendem tanto para atravessadores como diretamente para cooperativas.
Se procedermos a somatória das faixas onde apareceu a participação do atravessador no processo de intermediação teremos um total 78,8%, o que reforça que esse é o ator principal do processo de comercialização do açaí, assumindo um papel de preponderância. E por outro lado temos um baixo grau de cooperativismo dos entrevistados, ainda com pouca venda direta para as cooperativas. É preciso haver mais senso de cooperativismo e associativismo entre os produtores para que possam se organizar e barganhar melhores preço e agregação de valor ao produto.
No que concerne à comercialização de açaí também investigamos sobre o preço de venda, que é repassado do produtor ao seu comprador imediato seja atravessador, cooperativa ou nas feiras. E obtivemos preços muito variados na negociação deste produto na região.
A maior influência se dá pela questão da sazonalidade deste produto, o período de safra e entressafra influencia diretamente no preço, ou seja, a lei da oferta e da procura de Adam Smith (1776) provocando uma grande oscilação dos preços. Apresentamos em dois gráficos referentes o preço do açaí compreendendo o período da safra e entressafra. O gráfico 17 demonstra o preço do açaí no período da safra:
Gráfico 17 – Percentual do preço do açaí vendido pelo produtor (em lata) no período da safra nos municípios de Cametá, Igarapé-Miri e Oeiras do Pará, anos 2014-2016
Fonte: Pesquisa de Campo, 2014-2016, Org. Rosivanderson Baia Corrêa
Os valores referem-se ao preço de uma lata de açaí, que é a medida utilizada para a venda pelo produtor que tem como parâmetro de referência quinze quilogramas.
Observe que obtivemos valores bastante variados mesmo no período da safra, ficando o valor mínimo em R$ 5,00 e o valor máximo R$ 20,00, estando a maior concentração entre R$ 15,00 e R$ 20,00 onde se concentraram as respostas de 68,89% dos produtores de açaí pesquisados, a média de preço obtida foi de R$ 15,53 o desvio padrão foi de R$4,21. Além da oscilação entre oferta e procura investigamos outras variáveis que pudessem justificar tal diferenciação de preço num mesmo período nas respostas dadas pelos
entrevistados e observamos que a distância do produtor em relação a cidade e em relação aos pontos de embarque influencia diretamente no preço, quanto mais distante o produtor estiver menor será o preço pago pelos atravessadores.
Gráfico 18 - Percentual do preço do açaí vendido pelo produtor (em lata) no período da entressafra nos municípios de Cametá, Igarapé-Miri e Oeiras do Pará, anos 2014-2016
Fonte: Pesquisa de Campo, 2014-2016, Org. Rosivanderson Baia Corrêa
Assim como no gráfico anterior os valores referem-se ao preço vendido de uma lata. Também apresenta alto grau de discrepância de preços sendo o valor mínimo obtido de R$ 50,00 e o valor máximo de R$ 200,00, a média obtida foi de R$ 105,83 e o desvio padrão de R$ 58,95. Esse é o período de maior escassez do produto na região, onerando bastante o preço em relação à safra. Nesse período a qualidade do produto vendido nas batedeiras locais diminui com acréscimo de mais água e menos polpa acrescentado na formação do suco (vinho).
Isso torna difícil o consumo pela população de baixa renda, mesmo o preço do açaí popular (fino) torna-se muito caro, custando em torno de R$ 10,00. Para os consumidores ávidos do açaí que o consideram indispensável e fazem esforço extremo para continuar consumindo, alguns preferem substituir por suco ou refrigerante, mas importante destacar que a qualidade do produto vendido diminui bastante.
Nesse período da entressafra parte do açaí produzido já foi exportado para fora do município e, embora que tivesse a opção de comprar polpa congelada como é vendida para fora da região, a maioria dos consumidores da região ainda oferece resistência ao consumo de açaí congelado entre outras questões pela perda do gosto característico do produto quando consumido logo após o seu processamento.
Apesar de que experiência e o conhecimento acumulados dos produtores também têm permitido uma produção maior no período de entressafra, a partir do manejo dos açaizais, seleção de cultivares que melhor estão se adaptando a produzir neste período, escolha de áreas mais baixas, as quais apresentam uma maior concentração de água por estar constantemente submergidas pelas marés, escolha de outras árvores que propiciam o sombreamento adequado e até uma técnica de retirada dos cachos ao nascerem para forçar uma mudança no ciclo da planta. Mesmo assim não passa nem perto de suprir a demanda e o preço se torna exorbitante.