• No results found

A tecnologia, em termos de História, ainda é um fator recente na vida da humanidade. Recente sim, mas já completamente inserida e essencial para parte da população, que já não vivem sem computador, internet, redes sociais etc.

Segundo Castells (2006: 17), a tecnologia não determina a sociedade, ela é a sociedade. “A sociedade é que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias”.

Faustino (2005: 174) afirma que as mudanças na imprensa fazem parte de uma nova era, uma terceira revolução, com a primeira sendo a invenção da máquina de impressão à vapor (1814), a segunda a invenção da linotipia, que compunha palavras e justificava linhas (1884), e a terceira revolução a adoção de computadores nas redações e produções, e a chegada da internet, que provoca uma mudança mais que significativa na lógica de produção dos media.

Herbert (2000: 03) cita a definição de Luciano Floridi para definir internet, onde a mesma “lembra uma enorme livraria, onde a cada meia hora uma nova leva de livros é jogada na porta e todo dia se muda a posição dos livros nas prateleiras” 27. Ou seja, há sempre informação, basta saber procurá-la. E cabe ao jornalista saber ser o intermediador dessa procura.

Até a década de 1980, os media sofrem um determinado tipo de controle por parte dos Estados, sendo os mesmos “capazes de influenciar; senão formar, a opinião pública” (CASTELLS, 2007: 374). Cenário esse que se modifica com o surgimento das novas tecnologias; agora são múltiplos os canais de acesso às informações disponíveis a população, além da possibilidade de qualquer indivíduo pode divulgar sua própria notícia.

27

Tradução livre do seguinte excerto: “(…) resembles a huge library were every half hour a new load of books is dumped at the doors and every day they change the position of the books on the shelves”.

“(...) com efeito, o acesso on-line a informações e a comunicação mediada por computador facilitam a difusão e a localização de informações, proporcionando a interacção e a realização de debates em fóruns electrônicos independentes, capazes de escapar a controlo dos media. (...) Mais importante, os cidadãos podem formar, e estão a formar, as suas próprias constelações políticas e ideológicas, contornando as estruturas já estabelecidas, criando desta forma um campus político flexível e adaptável” (CASTELLS, 2007: 495).

Então as tecnologias deixaram de ser um luxo ou algo supérfluo, para fazerem parte e comporem a sociedade, uma sociedade em rede, uma estrutura social baseada em redes produzidas por tecnologia da comunicação e informação, geradas em microeletrônica e em redes digitais, que geram, processam e distribuem informação, “a partir de conhecimento acumulado nos nós dessas redes (CASTELLS, 2006: 20).

Dominique Wolton (1999: 76) relata que “a identificação do progresso com as nosas tecnologias está por todo lado, esmagadora, omnipresente nos discursos dos homens políticos, dos meios de comunicação e das elites”. Uma sociedade hipersocial, onde todos estão em contato constantemente, composta por indivíduos em rede, mas que ainda assim é individualista.

Desde o antes o surgimento da escrita, as pessoas sempre estiveram em busca de informação e conhecimento, portanto, a sociedade em rede acaba por ser um passo natural na busca de cada indivíduo. É uma sociedade na qual a comunicação em rede transcende fronteiras; é global, difundindo capital, bens, serviços, comunicação, informação, ciência e tecnologia. E ainda que tenha por mote principal a integração global e a fim das distâncias geográficas, ainda não é uma sociedade que inclua à todos.

“Aquilo a que chamamos globalização é outra maneira de nos referirmos à sociedade em rede, ainda que de forma mais descritiva e menos analítica do que o conceito de sociedade em rede implica. Porém, como as redes são selectivas de acordo com os seus programas específicos, e porque conseguem, simultaneamente comunicar e não

comunicar, a sociedade em rede difunde-se por todo o mundo, mas não inclui todas as pessoas. De facto, neste início de século, ela exclui a maior parte da humanidade, embora toda a humanidade seja afectada pela sua lógica, e pelas relações de poder que interagem nas redes globais da organização social”. (CASTELLS, 2006: 18).

No que concerne aos meios de comunicação nessa sociedade, o aprimoramento da internet, a criação de novos veículos (PDAs, iPad, Kindle, para citar alguns) e redes sociais, promoveram uma grande mudança em suas estruturas, com a concentração dos negócios em grandes conglomerados e um processo comunicativo contrário ao unificado e unidimensional. As várias sociedades existentes, e em vários casos não só as ocidentais, têm partido de um sistema de comunicação em massa para um sistema especializado e fragmentado, em que as audiências são cada vez mais segmentadas, como dito anteriormente (tópico 2.1). Sendo esse novo sistema flexível e variado, cada vez mais há a inclusão de todas as mensagens enviadas, possibilitando aos novos meios de comunicação uma integração mais abrangente de todas as suas fontes num mesmo canal. Logo, a comunicação digital tornou-se menos organizada centralmente, mas absorve uma parte crescente da comunicação social.

“Com a difusão da sociedade em rede e com a expansão das redes de novas tecnologias de comunicação, dá-se uma explosão de redes horizontais de comunicação, bastante independentes do negócio dos media e dos governos, o que permite a emergência daquilo a que chamei comunicação de massa autocontrolada. É comunicação de massa porque é difundida em toda a internet, podendo potencialmente chegar a todo planeta. É autocomandada, porque geralmente é iniciada por indivíduos ou grupos, para eles próprios, sem a mediação do sistema de media. A explosão de blogues, vlogues (vídeo-blogues), podding, streaming, outras formas de interactividade. A comunicação entre computadores criou um novo sistema de redes de comunicação global e horizontal que, pela primeira vez na história, permite que as pessoas comuniquem umas com as outras sem utilizar os canais criados pelas instituições da sociedade para a comunicação socializante” (CASTELLS, 2006:23;24).

Para Castells (2006: 22), a força de trabalho evolui para a individualização e fragmentação. Os postos de trabalho se modificaram, com a extinção de certos cargos e a criação de outros, a capacidade de trabalhar autonomamente, diminuição do tempo de trabalho de genéricos (aqueles que podem ter os postos de trabalho substituídos por

máquinas) tudo isso influencia o jornalista, esse trabalhador multifuncional pós- moderno.

Em Portugal, esse avanço ainda é mais recente, já que Faustino (2005: 175) demonstra que ela só começou a ocorrer no país há pouco mais de 15 anos, sendo o jornal impresso Público o precursor na informatização da sua produção. O autor também cita o estudo realizado pela Associação Portuguesa de Imprensa, de 2003, que afirma que os leitores portugueses procuram na internet informações especializadas, ou seja, buscam informações mais aprofundadas e específicas sobre determinados temas.

Agora, qualquer pessoa com uma câmera e uma conexão, pode divulgar acontecimentos on line, que rapidamente se espalham e viram notícias. O jornalista tem na internet uma nova fonte, mas também uma nova barreira, onde tem que se mostrar sempre antenado, em conexão com os novos canais, as novas redes sociais, as novas fontes difusoras de conhecimento. Não basta ter conta no Twitter28, Facebook29,

MySpace30, o jornalista precisa ser capaz de manejar programas que criem novas

interfaces e dêem um aspecto mais interativo as suas matérias. Não basta mais apenas fazer críticas e análises de discurso e notícias; os profissionais precisam adaptar as suas matérias a formatos atrativos e que permitam que o público interaja e comente, dê a sua opinião e faça parte assim também da construção da notícia.

28 www.twitter.com 29 www.facebook.com 30

CAPÍTULO III