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PARKGÅRDEN

In document NMBU (TIDLIGERE UMB) (sider 21-32)

Hutchinson e Waters (1987, p. 19) enfatizam que ESP deve ser visto como uma abordagem baseada nas necessidades do aprendiz, e não como um produto:

ESP não é um tipo particular de língua ou metodologia, nem consiste de um tipo

particular de material de ensino. Se compreendido corretamente, é uma abordagem para a aprendizagem de língua baseada na necessidade do aprendiz. [...] ESP, então é uma abordagem para o ensino de línguas no qual todas decisões, assim como o conteúdo e métodos são baseadas no motivo de aprender do aluno.17

Ao se pensar em elaborar cursos, Hutchinson e Waters (1987, p. 53) enfatizam que a primeira pergunta a ser feita é “Por que esses aprendizes precisam aprender Inglês?”18, uma vez que consideram que todo curso é baseado em algum tipo de necessidade percebida.

Hutchinson e Waters (1987, p. 54) ressaltam, também, que o mínimo necessário para a elaboração de um curso baseado em uma Abordagem de Ensino-aprendizagem de Línguas para Fins Específicos é a análise de necessidades. Os autores propõem um outro questionamento – “O que se entende por necessidades?”19 –, cuja possível resposta seria a habilidade de compreender e produzir as características linguísticas da situação-alvo.

Hutchinson e Waters (1987, p.55) fazem uma distinção inicial entre necessidades da situação-alvo e necessidades de aprendizagem. As necessidades da situação-alvo são divididas em necessidades objetivas (necessidades e lacunas) e necessidades de aprendizagem ou subjetivas (desejos). Hutchinson e Waters (1987, p. 55-56) definem:

 necessidades: como sendo o que o aluno tem que saber para desempenhar sua função

17“ESP is not a particular kind of language or methodology, nor does it consist of a particular type of teaching material.

Understood properly, it is an approach to language learning, which is based on learner need. […] ESP, then is an approach to language teaching, in which all decisions as to content and method are based on the learner‟s reason for learning .” (HUTCHINSON e WATERS, 1987, p. 19).

18 “Why do these learners need to learn English? (HUTCHINSON e WATERS, 1987, p. 53). 19 “What do we mean by needs?” (HUTCHINSON e WATERS, 1987, p. 53).

na situação-alvo;

 lacuna: como a necessidade constatada entre o que o aluno já sabe e o que ainda precisa aprender da situação-alvo;

 desejo: como a necessidade que o aluno considera importante para desempenhar sua função na situação-alvo, que pode ser conflitante com a percepção de empregadores ou professores e influenciar na motivação do aluno.

Hutchinson e Waters (1987, p.60) fazem uma analogia da Abordagem Instrumental com uma viagem, definindo as necessidades da situação-alvo e de aprendizagem da seguinte forma:

Utilizando a analogia de cursos de ESP como uma viagem, o que nós fizemos até então, é considerar o ponto de partida (lacunas) e o destino (necessidade), embora tenhamos visto que há alguma disputa de qual deveria ser o destino (desejos). O que não consideramos até então é a rota. Como sairemos do ponto de partida e chegaremos ao nosso destino? Isso indica outro tipo de necessidade: necessidades de aprendizagem.20

Com relação à situação-alvo, Hutchinson e Waters (1987, p.60-1), por meio da pergunta “O que um usuário proficiente precisa saber para participar efetivamente desta situação?21, informam que as respostas a serem obtidas são: itens de linguagem, habilidades, estratégias e conhecimento da disciplina. Todo processo da Abordagem de Ensino- Aprendizagem de Línguas para Fins Específicos está relacionado não com o saber ou o fazer, mas sim com o aprender.

Lembrando a analogia da viagem, Hutchinson e Waters (1987, p.62) reforçam a necessidade de se conhecer as necessidades de aprendizagem e argumentam que:

A análise da situação-alvo pode determinar o destino; pode até funcionar como uma bússola durante a viagem para dar um direcionamento geral, mas nós devemos escolher nossa rota de acordo com o veículo e os guias disponíveis (i.e., as condições da situação de aprendizagem), as estradas existentes dentro da mente do aprendiz (i.e., o conhecimento deles, habilidades e estratégias) e a motivação dos aprendizes para viajar. 22

20 “Using our analogy of the ESP course as a journey, what we have done so far is to consider the starting point (lacks) and

the destination (necessities), although we have also seen that there might be some dispute as to what that destination shoud be (wants). What we have not considered yet is the route. How are we going to get from our starting point to the destination? This indicates another kinf of need: learning needs.” (HUTCHINSON e WATERS, 1987, p. 60).

21 “What does the expert commmunicator need to know in order to function effectively in this situation?” (HUTCHINSON e

WATERS, 1987, p. 60-1).

22 “The target situation analysis can determine the destination; it can also act as a compass on the journey to give general

direction, but we must choose our route according to the vehicles and guides available (i.e. the conditions of the learning situation), the existing roads within the learner‟s mind (i.e. their knowledge, skills and strategies) and the learners‟ motivation for travelling.” (HUTCHINSON e WATERS, 1987, p.62).

Segundo Berwick (1989, p. 52-53), a definição de necessidades é primordial e ressalta que o problema ao definir necessidades é especificar quem necessita do que e quem define isso. O autor ressalta que, a cada análise de necessidades, é fundamental que se defina uma nova estrutura operacional, pois elementos podem sofrer alterações dependendo dos valores do avaliador e da influência de um sistema educacional. Complementando essa concepção, voltando-se mais para o foco pedagógico, explica:

A definição de necessidade é a base de qualquer análise de necessidades. [...] a espinha dorsal do esqueleto de uma definição é frequentemente expresso como uma lacuna ou discrepância mensurável entre o estado corrente dos assuntos e um estado futuro desejado. 23

Berwick (1989, p. 53) afirma que, devido à subjetividade do conceito de necessidade, a elaboração de cursos é norteada por filosofias de aprendizagem alternativas, como comenta:

A subjetividade da definição de necessidades é deste modo provavelmente a principal condutora pela qual filosofias alternativas de aprendizagem são capazes de encontrar seu curso em currículos baseados em necessidades.24

Por sua vez, Duddley-Evans e St John (1998, p. 121) consideram a análise de necessidades um processo e, mais especificamente, um processo de estabelecer o quê e o

como de um curso, visando sua eficiência. Com isso concorda Graves (2000, p. 98):

Essencialmente, a análise de necessidades é um processo sistemático contínuo de obtenção de informação sobre as necessidades e preferências dos estudantes, interpretando a informação e, então, decidindo sobre cursos com o objetivo de atender às necessidades. 25

Long (2005, p.1) comenta sobre cursos de Inglês Geral, que utilizam materiais para fins gerais não desenhados para um fim específico, afirmando que eles não serão eficientes e ainda serão inadequados, fazendo a seguinte analogia:

Assim como nenhuma intervenção médica seria prescrita antes de um diagnóstico cuidadoso do que aflige o paciente, então, nenhum programa de ensino de idiomas deveria ser desenvolvido sem uma completa análise de necessidades. Todo curso de línguas deveria ser considerado um curso para fins específicos, variando somente (e consideravelmente, com certeza) na precisão em que as necessidades

23“The definition of need is the basis of any needs assessment. […] the skeletal structure of a definition is most often

expressed as a gap or measurable discrepancy between a current state of affairs and a desired future state.” (BERWICK, 1989, p. 52-53).

24 “The subjectivity of needs definition is thus probably the main conduit by which alternative philosophies of learning are

able to find their way into needs-based syllabuses.” (BERWICK, 1989, p. 53)

25 “Essentially, needs assessment is a systematic and ongoing process of gathering information about students‟ needs and

preferences, interpreting the information, and then making course decisions based on the interpretation in order to meet the needs.” (GRAVES, 2000, p. 98).

do aprendiz podem ser especificadas.26

Este trabalho de pesquisa será orientado pela análise de necessidades específica com vistas para uma situação-alvo com o intuito de fazer um mapeamento das necessidades do uso do Inglês nos diversos departamentos de uma empresa multinacional na realização de tarefas. Com base nos resultados obtidos na análise de necessidades, será possível obter subsídios para elaborar propostas de cursos que possam atender especificamente a esse contexto.

Brindley (1989, p.65) lembra que o estabelecimento de necessidades é influenciada por julgamento de valores e define necessidade da seguinte forma:

[…] necessidades são convencionalmente negadas como sendo algo como uma lacuna entre o que é e o que deveria ser. O que é importante notar é que alguém tem que decidir o que deveria ser. Em outras palavras, as declarações de necessidades são abertas a interpretações contextuais e contém julgamento de valores. 27

Brindley (1989, p.63) afirma também que os princípios que norteiam um sistema de ensino-aprendizagem de línguas centrado no aprendiz deveria ser focado nas necessidades do aprendiz, e acrescenta que, para o desenho de cursos, a análise de necessidades é um pré- requisito vital na especificação de objetivos no ensino-aprendizagem de línguas. Esse autor expõe duas orientações para a análise de necessidades: a primeira delas, mais restrita e voltada para o produto, é a de obter antecipadamente o máximo de informações possíveis acerca do corrente e futuro uso da Língua Inglesa; a segunda orientação é mais ampla e focada no processo, ou seja, nas necessidades de aprendizagem do aluno. Brindley (1989, p.63) identifica que as necessidades focadas no processo contemplam o aluno como um indivíduo na situação de aprendizagem. Na análise de necessidades, então, deve ser levada em consideração a multiplicidade de variáveis afetivas e cognitivas que afetam a aprendizagem, tais como: atitude do aprendiz, motivação, consciência, personalidade, desejos, expectativas e estilo de aprendizagem.

Segundo Duddley-Evans e St John (1998, p. 123-124), as necessidades baseadas no produto são derivadas dos objetivos ou situação-alvo e é conhecida como análise da situação- alvo, enquanto que as necessidades baseadas no processo são derivadas da situação de

26 “[...] Just as no medical intervention would prescribe before a thorough diagnosis of what ails the patient, so no language

teaching program should be designed without a thorough needs analysis. Every language course should be considered a course for specific purposes, varying only (and considerably, to be sure) in the precision with which the learner needs can be specified […].”(LONG, 2005, p. 98).

27“[...] needs are conventionally denied as being something like „the gap between what is and what should be‟. What is

important to note is that someone has to decide what should be. In other words, needs statements are open to contextual interpretations and contain value judgement.” (BRINDLEY, 1989, p.65).

aprendizagem e é conhecida como análise da situação de aprendizagem. Há ainda uma terceira necessidade que é a que se refere ao que o aprendiz já sabe, chamada de análise da situação presente ou atual, em que podem ser identificadas as lacunas. Ainda, uma quarta necessidade é sugerida para se estabelecer um desenho de curso funcional que tem função adjunta na análise de necessidades que é a análise do meio, que estabelece as características do ambiente em que o curso será ministrado. Na figura 1.2, temos a concepção do que a análise de necessidades deve identificar:

Figura 1.2 – Esquema das informações que a análise de necessidades deve identificar (traduzido

de Duddley-Evans e St John, 1998, p. 123).

De acordo com Duddley-Evans e St John (1998, p. 125), esse esquema mostra que a análise de necessidades deve identificar:

a) informação profissional dos aprendizes: tarefas e atividades em que os aprendizes utilizam o Inglês – análise da situação-alvo e necessidades objetivas;

b) informação pessoal dos aprendizes: fatores que afetam na aprendizagem e experiência prévia de aprendizagem, informação cultural, razões para frequentar um curso, suas expectativas e atitudes em relação ao Inglês – desejos, ambiente de aprendizagem e

necessidades subjetivas;

c) informação sobre o Inglês dos aprendizes: quais as habilidades e o uso corrente da língua – análise da situação presente ou atual;

d) as lacunas dos aprendizes, a partir da análise da situação atual e a análise da situação- alvo – lacunas;

e) informação sobre a aprendizagem da língua: forma efetivas de aprendizagem das habilidades e da língua na análise da situação atual – necessidades de aprendizagem;

f) informação sobre a comunicação profissional na situação-alvo: conhecimento de como

a língua e habilidades são utilizadas na situação-alvo – análise linguística, análise do

g) o que se quer de um curso;

h) informação sobre o ambiente no qual o curso será ministrado – análise do meio.

Duddley-Evans e St John (1998, p. 126) explicam que os objetivos da análise de necessidades são conhecer os aprendizes como pessoas, como usuários e como aprendizes da língua; saber como a aprendizagem de uma língua e suas habilidades podem ser maximizadas para um determinado grupo; e, finalmente, conhecer a situação-alvo e o ambiente de aprendizagem para que os dados possam ser analisados apropriadamente.

Conforme descrito até o presente, a análise de necessidades é o eixo central da teoria que norteará a análise dos resultados deste trabalho, que tem como um dos objetivos identificar as tarefas executadas nos departamentos. Os resultados poderão ser utilizados como subsídios para a elaboração de um curso de línguas para fins específicos, no caso do contexto deste estudo, Inglês para Fins de Negócios. Utilizarei nesta pesquisa as definições e termos propostos por Duddley-Evans e St John (1998).

No próximo item, apresento as principais formas de realizar a análise de necessidades.

1.2.2.1 Principais formas de realizar a análise de necessidades

Hutchinson e Waters (1987, p. 58) destacam que a análise de necessidades envolve mais que simples identificação das características linguísticas de uma situação-alvo e consideram que há várias maneiras de obter informações sobre necessidades, citando como as mais utilizadas:

 questionários;  entrevistas;  observação;

 coleta de dados (p.ex., textos).

 consulta informal com financiadores, aprendizes, entre outros.

De acordo com Hutchinson e Waters (1987, p. 59), devido à complexidade de necessidades, é aconselhável que se use mais de um dos métodos citados. Os autores afirmam que a análise de necessidades não é um processo definitivo, mas um processo em contínua mudança, no qual as necessidades devem ser constantemente reavaliadas. Com relação à análise da situação-alvo, Hutchinson e Waters (1987, p. 59) assim se posicionam:

A análise de necessidades da situação-alvo é em essência uma questão de fazer perguntas sobre a situação-alvo e as atitudes com relação a essas situações dos

vários informantes no processo de aprendizagem. 28

Hutchinson e Waters (1987, p.59-60) oferecem um roteiro para fazer a análise de necessidades de uma situação-alvo (necessidades e lacuna). Segundo os autores, para delinear o currículo de um curso é necessário que se respondam as seguintes perguntas:

 Por que a língua é necessária?  Como a língua será utilizada?  Qual será o conteúdo de área?

 Com quem o aprendiz utilizará a língua?  Onde a língua será utilizada?

 Quando a língua será utilizada?

Para fazer a análise de necessidades de aprendizagem, Hutchinson e Waters (1987, p.62-63) sugerem um roteiro similar ao anterior. Segundo os autores, para se identificarem as necessidades de aprendizagem e se delinear o currículo de um curso é necessário que se respondam as seguintes perguntas:

 Por que os aprendizes estão fazendo o curso?  Como os alunos aprendem?

 Quais são os recursos disponíveis?  Quem são os alunos?

Onde o curso de ESP acontecerá? Quando o curso de ESP acontecerá?

Duddley-Evans e St John (1998, p. 131-2) consideram importante que as pessoas envolvidas na análise de necessidades sejam tanto as que participam diretamente do processo (insiders) quanto as que participam indiretamente do processo (outsiders). Os autores mencionados apontam para o fato de que os outsiders são importantes por oferecerem uma visão objetiva do processo, entretanto, lembram que eles não conhecem a situação e o ambiente e esse fato pode causar perda ou interpretação errônea dos dados.

Por outro lado, Duddley-Evans e St John (1998, p. 131) indicam que os insiders podem ter um conhecimento mais apurado da situação, porém, podem também estar próximos ou envolvidos demais, comprometendo a análise dos dados. Por esses motivos, o sistema proposto contempla ambas perspectivas.

Para Duddley-Evans e St John (1998, p. 132), os dados podem ser obtidos conforme

28“The analysis of target situation needs is in essence a matter of asking questions about the target situation and the

indicado em cada um dos tópicos a seguir.

 Para a Análise de Necessidades, as principais fontes são: - os aprendizes;

- pessoas trabalhando ou estudando na área; - ex-alunos;

- documentos relevantes à área; - clientes;

- funcionários; - colegas;

- pesquisas na área de ESP.

 Os principais métodos de coleta de dados para a análise de necessidades são: - questionários;

- análise de textos autênticos falados ou escritos; - discussões;

- entrevistas estruturadas; - observações;

- avaliações.

Ellis e Johnson (1994, p. 71-72) sugerem que algumas informações devem ser obtidas quando se quer estabelecer as necessidades de um contexto de negócios. Dentre elas, os autores destacam:

 informações sobre o aprendiz:

- dados pessoais gerais: idade, sexo, nacionalidade e língua materna; - base educacional: acadêmica, profissional e vocacional;

- conhecimento e experiências de aprendizagem de outra língua; - atitudes e suposições a respeito de aprendizagem de línguas; - estilo de aprendizagem.

 definição do propósito de aprendizagem:

- atividades e tarefas: o que o aprendiz tem que realizar em Inglês;

- interação: com quem o aprendiz se comunica, o papel de cada um, a relação entre os interlocutores;

- tópico: sobre o que os interlocutores se comunicam; - atitude e grau de formalidade: formal, educado; - forma de interação: carta, telefone, face a face;

a interação.

 informações sobre a situação de aprendizagem:

- quem decidiu que o aprendiz deveria frequentar o curso? - quais necessidades de treinamento o aprendiz percebe? - quais necessidades de treinamento o contratante percebe?

- quais são as limitações da situação de aprendizagem: tempo, orçamento, tamanho do grupo, associação no grupo, procedimentos de testagem e avaliação, objetivos estabelecidos?

Segundo Ellis e Johnson (1994, p. 71-72), as formas para obter dados antes de um curso se iniciar dependerá de algumas condições físicas; por exemplo, se a distância entre o instrutor e o aprendiz for grande, haverá dificuldades no momento da coleta de dados. Os autores citados sugerem alguns métodos de coleta, por exemplo:

 questionários para contratante e aprendizes;  entrevistas com contratante e aprendizes;

 leitura de artigos e informações sobre a empresa;  análise de documentos da empresa.

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