• No results found

1. Material and methods

1.4 Parameters studied

Devido ao cansaço do dia a dia, a sensação de erro, as culpas, os conflitos, bem como as frustrações, as decepções, rixas, perturba e esgota, levando a necessidade de constante renovação. E no ato de oferecer, que é o que se faz na adoração a Deus quando as pessoas se reúnem em comunidade, demonstra, “uma

atitude de dar alguma coisa de valor a alguém, e este dar é um valor em si mesmo (JOHNSON, 1964, p. 174)”. Este doar-se faz torna a vida mais digna de ser vivida. Recitar um credo é declarar uma fé com convicção, como um código pelo qual se vive e se morre. Ler as Escrituras em comunidade é descobrir novas visões interiores e recuperar um tesouro perdido. É fácil esquecer e até mesmo as maiores experiências enfraquecem com o tempo. “Somente as introspecções renovadas sobrevivem (JOHNSON, 1964, p. 175)”.

A oração diária constante compõe a melhor preparação psicológica para a adoração pública. Por conseguinte a adoração transforma -se num crescendo de finalidades supremas, originando-se genuína experiência interna do encontro com o Tu. As atitudes mais profundas da fé religiosa, esperança e amor, que procuram a reação responsiva do Tu, são causas e efeitos básicos do culto. Quando tais atitudes impregnam a personalidade integral, existe coragem serena para as experiências ásperas da crise ou para a rotina cansativa da lida (JOHNSON, 1964, p. 184).

Há de se considerar também que diante das experiências ásperas e cansativas do viver de cada ser humano, o mesmo busca em Deus sentido e forças para vencer e viver com esperança. Por muitas vezes as relações interpessoais são grande motivos de ansiedades emocionais, temores, culpas, sentimentos de inferioridade que influem em grande variedade de doenças, e para que haja cura a pessoa precisa ter suas relações múltiplas funcionando de forma harmoniosa. Têm extrema significação, neste mundo, as pessoas com as quais encontramos, em relações interpessoais. Nenhum ser humano pode tornar-se mais pessoa sem a relação com o outro. As pessoas precisam viver em associação e cooperação, em comunidade para a realização de suas potencialidades.

Segundo Baumann (2003, p. 21) “comunidade é o tipo de mundo que não está ao nosso alcance, é nos dias de hoje o outro nome do Paraíso Perdido”. Na necessidade de viver em comunidade, o ser humano pode ser motivado à procura religiosa.

O que observamos nessa tendência social é a reunião das pessoas em grupos religiosos. Podem voltar para uma congregação negligenciada ou tentar uma nova igreja em que as relações pareçam ser mais adequadas e vitais. Quando se sentem indesejadas ou desconfortáveis, em igrejas estabelecidas, formam novas seitas, para possuir uma comunidade religiosa (JOHNSON, 1964, p. 287).

O cristianismo segundo Johnson (1964, p.257) “contribui para a saúde do corpo e da mente, pois valoriza cada pessoa de forma peculiar”, fazendo cada um

sentir-se aceito, compreendendo o valor pessoal, bem como o valor de sua existência; inclusive na oportunidade em fazer parte de uma comunidade onde deve ser cultivada a sua integridade pessoal e coletiva, com devoção leal recíproca, agindo como organismo terapêutico. No presente caso, a comunidade “igreja”. Toda pessoa precisa tomar parte numa convivência em que seja bem conhecida e amada, e onde se espera que faça o que lhe for possível para todos (JOHNSON, 1964, p. 257).

O corpo é o nosso modo de ser no mundo, nos conferindo uma identidade no lugar e no tempo, é vontade livre, é capacidade de amar, revelando nossas energias, emoções e capacidades, pulsa a vida. Toda espiritualidade e mística passam pelo corpo, um não está completo sem o outro, é preciso haver harmonia entre a mente, corpo e espírito. Requerendo aceitação de nós mesmos como somos e com as diferenças que temos, pois, quando um ser humano é acolhido e amado por outro ser humano é desenvolvida uma capacidade extraordinária de superar seus próprios limites.

Em meio a uma tensão de valores onde é necessário avaliar as oportunidades e perigos de experiências passadas para que de alguma forma encontre-se a resposta a esta busca. Busca esta, por comunidade num mundo que se encontra em grande crise entre individualismo e comunitarismo. A auto-suficiência e a valorização do outro reconhecendo o limite próprio e do outro. A Igreja Metodista (1998, p. 25) afirma:

A consideração e valorização do outro significa o reconhecimento da incompletude. Significa a consciência plena da necessidade do outro, envolvendo sentimentos de reconhecimento e gratidão. Somente em um contexto assim é possível o desenvolvimento das relações que proporcionam companheirismo e possibilitam o clima de segurança e intimidade que levam ao enriquecimento da relação.

Somos todos interdependentes neste mundo que rapidamente se globaliza, e devido a essa interdependência nenhum de nós pode ser senhor de seu destino por si mesmo, pois, há tarefas que cada indivíduo enfrenta, mas com as quais não se pode lidar individualmente. Sendo que tudo o que nos separa e nos leva a manter distância uns dos outros, acaba por estabelecer limites e barricadas, tornando a administração dessas tarefas mais difíceis. Conforme Bauman (2003, p. 134):

Se vier a existir uma comunidade no mundo dos indivíduos, só poderá ser (e precisa sê-lo) uma comunidade tecida em conjunto a partir do compartilhamento e do cuidado mútuo; uma comunidade de interesse e

responsabilidade em relação aos direitos iguais de sermos humanos e termos igual capacidade de agirmos em defesa desses direitos. Precisamos ganhar controle sobre as condições e desafios que enfrentamos na vida, mas, muitos deles se tornam necessário o enfrentamento coletivo, acima das diferenças.

É no acolhimento e na misericórdia que se encontra a nova possibilidade de vida, a ênfase do amor de Deus apresentada por Jesus o Cristo. E neste ato acolhedor é que se vive a suma de toda a Lei, porque amando a Deus há o compromisso com sua causa, e se busca vivenciar o amor ao próximo como se o Tu fosse Eu. “A vida desafortunada dos pobres é contrária aos propósitos de Deus, e Jesus veio para pôr fim à sua miséria (BOSCH, 2002, p. 48).

Todo o ser humano é membro do corpo social, faz parte do mundo, é um ser único, possui direitos que precisam ser respeitados. Mas, possui deveres no limite em que inicia os direitos do próximo. Há uma correlação, cada ser humano sendo membro da sociedade se torna agente e sujeito na mesma em igualdades com os demais semelhantes. Tem o direito de ter os recursos e os valores da sociedade convergidos para si e de ter vida comunitária onde possa desempenhar sua solidariedade e responsabilidade social. A Declaração Universal dos Direitos Humanos demonstra que as pessoas possuem o direito de terem vida comunitária, inclusive, a personalidade desenvolve-se nas relações pessoais também. No entanto mesmo que cada ser humano possua este direito, cada um possui deveres para com a sociedade, comunidade, com seus semelhantes.

Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, na qual é possível o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade. No exerc ício de seus direitos e liberdades, toda pessoa está sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da mo ral, da ordem pública e do bem- estar de uma sociedade democrática. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas (CESE, 2003, p. 47).

Exclusão, massificação são contrários aos valores do Evangelho, pois despersonalizam e destroem a capacidade de desenvolver as potencialidades humanas. Cada cristão (ã) deve cooperar com a pessoa e a comunidade “a se libertarem de tudo que as escraviza” (CÂNONES, 2007, p. 90). Desenvolver através da educação conscientizadora a realidade de uma comunidade de dons e ministérios inseridos na sociedade; conscientizar o ser humano de que a sua responsabilidade é

“participar da construção do reino de Deus, promovendo a vida”, num estilo que seja acessível a todas as pessoas (2007, p. 90). A Igreja Metodista no Brasil não só rejeita qualquer tipo de massificação originada de problemas sociais, como orienta seus “membros quanto ao tratamento dos problemas que destroem a vida em comunidade. Ensina também a propugnar por mudanças estruturais da sociedade que permitam a desmarginalização social dos indivíduos, grupos e das populações” (CÂNONES, 2007, p. 60).

A Igreja Metodista cumpre parte de sua missão na conscientização da responsabilidade social de cada pessoa, recomenda a Declaração Universal dos Direitos Humanos, prezando por cuidar da vida. Assume o compromisso de preservar o direito de se ter uma vida livre, digna, de igualdade de acordo com os valores do Evangelho, valorizando cada ser humano como criado à imagem e semelhança de Deus.

CAPÍTULO 3 - A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA METODISTA E A