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O sistema do controlo postural é altamente complexo, consistindo num processo multissensorial, no qual o SNC integra muitas informações aferentes que advêm dos mais variados sistemas sensoriais, particularmente do vestibular, visual e somatossensorial (Chiari et al., 2000; Maurer et al., 2001;Tjernström et al., 2002; Dault et al., 2003; Sasaki et al., 2002; Lafond et al., 2004). No entanto, na opinião de Dault et al. (2003), a informação depende da condição, pelo que em alguns casos há maior necessidade de recorrer a um determinado tipo de informação sensorial que noutros.

Dada a complexidade do sistema do controlo postural, alguns autores defendem que uma alteração da informação a nível de um sistema, conduzirá a um ajuste e a um contributo distinto dos restantes sistemas sensoriais (Gatev et al., 1999; Sasaki et al., 2002). Por outro lado, Chiari et al. (2000) sugerem que a informação por feedback dos diferentes sistemas é redundante, mas complementar, contribuindo para a estabilidade e equilíbrio corporal. Contudo, na opinião dos autores supracitados a interacção entre os diferentes sistemas ainda não se encontra totalmente esclarecida.

2.1.2.2.1. Sistema Visual

A importância da visão no controlo postural encontra-se bem evidenciada na literatura. Alguns autores defendem que da visão provém uma importante informação por feedback acerca do ambiente físico, no qual o indivíduo se encontra, da sua relação no espaço e da oscilação do corpo, complementando a informação que advém dos outros receptores (Chiari et al., 2000; Tjernström et al., 2002).

Vários estudos têm constatado que a oscilação corporal aumenta em situações em que a informação visual é reduzida ou mesmo suprimida, quer se trate de indivíduos saudáveis ou com patologia (Rubino, 2002; Riley e Clark, 2003; Prioli et al, 2006).

Já em 1946, um estudo elaborado por Edward (cit. por Sasaki et al., 2002) foi demonstrado que, na posição de pé em condições estáticas, a amplitude de oscilação espontânea do corpo aumentou cerca de 50% quando os indivíduos fechavam os olhos, em comparação com os resultados obtidos quando permaneciam com os olhos abertos. Mais tarde, Fransson et al. (2000) reforçaram a mesma ideia, já que referiram que o controlo postural recorre a poucas correcções motoras nos casos em que o input visual é utilizado. Assim, estes resultados parecem mostrar evidências da grande dependência da visão para o controlo postural. Para Gauchard et al. (2004), o aumento da contribuição da visão no controlo postural, no caso particular dos idosos, resulta das alterações posturais e dos défices dos sistemas vestibular e proprioceptivo evidenciados por estes.

2.1.2.2.2. Sistema somatossensorial

Na posição de pé, a capacidade para avaliar a posição articular, a direcção e a velocidade do movimento é de extrema importância para manter o equilíbrio. Assim, em situações normais, a propriocepção é crucial para estabelecer uma referência interna, no sentido de conferir estabilidade no equilíbrio do corpo (Vuillerme et al., 2002). O sistema somatossensorial é capaz de fornecer essa informação proprioceptiva, que poderá ser usada para determinar as alterações na posição corporal (Mille e Mouchino, 1998; Chiari et al., 2000).

Para Hosoda et al. (1998), os pés constituem órgãos sensores e receptores, na medida em que suportam o peso corporal e recebem informações através da pele, músculos e tendões, que possibilitam o ajustamento postural equilibrado.

É consensual que os inputs somatossensoriais que advêm dos mecanorreceptores da região do corpo que sofre forças de impacto, como a superfície plantar, apresentam um papel crucial no controlo postural, tal como evidenciou o estudo de Magnusson et al. (1990, cit. por Robert et al., 2004), que após a anestesia da superfície plantar, os indivíduos aumentaram a

oscilação postural, traduzindo um défice de equilíbrio. Resultados similares observaram Perry et al. (2000) com 10 jovens adultos, aos quais foi induzida uma anestesia por hipotermia, por imersão em água fria, a nível da superfície plantar. Estes autores verificaram um aumento da oscilação do CM após a imersão, defendendo a ideia de que os mecanorreceptores podem contribuir para uma representação interna dos limites de estabilidade, assumindo um papel importante na regulação do passo durante a marcha. Neste contexto, também Fiolkowski et al. (2002) realizaram um estudo, no qual induziram um bloqueio do nervo tibial anterior, com consequente perda sensorial da superfície plantar e diminuição da força dos músculos intrínsecos destes, tendo observado uma instabilidade postural após o bloqueio. Estes estudos sugerem, assim, que as aferências cutâneas dos mecanorreceptores plantares podem fornecer informação espacial e temporal das zonas de pressão do pé, pelo que poderá constituir a base para confirmar a hipótese de que uma atenuação da sensação cutânea plantar induz alterações no movimento do passo, como o atraso na elevação do pé e uma menor duração da fase oscilante. Nesta linha de pensamento, Lepers et al. (1999) sugerem que o CP pode ser identificado fisiologicamente por um trabalho em rede dos receptores cutâneos das superfícies plantares, os quais enviam informações às estruturas do SNC relacionadas com as modificações na distribuição da pressão plantar. Por esta razão, uma diminuição do peso corporal aplicado num determinado ponto da base de suporte poderá alterar a actividade destes receptores e, consequentemente, a qualidade da resposta motora, tal como sugerem Maurer et al. (2001), que referem que diferentes pressões exercidas nos pontos de suporte na superfície plantar modificam as respostas posturais. Da mesma forma, Gatev et al. (1999) defendem que, na posição de pé, o input aferente dos receptores de gravidade é extremamente importante para indicar a projecção do CM dentro da base de suporte.

2.1.2.2.3. Sistema vestibular

O sistema vestibular fornece informações relacionadas com a velocidade angular e a aceleração linear da cabeça, com a detecção da orientação relativa da cabeça em relação ao eixo gravitacional e com a compensação da oscilação corporal através de reflexos vestibuloespinais (Latash, 1998; Chiari et al., 2000; Rubino, 2002).

Comparativamente aos dois sistemas anteriores, o sistema vestibular apresenta uma menor sensibilidade ao movimento de oscilação corporal, dado que a sua principal função se encontra dirigida essencialmente para os movimentos da cabeça. Contudo, na opinião de Hobeika (1999) e Rubino (2002), este sistema é essencial para manter o equilíbrio durante a marcha, ou quando há uma diminuição ou mesmo uma abolição de outras informações aferentes, como a visão e a propriocepção.

No que concerne à sua função motora, o sistema vestíbulo-espinal controla a actividade muscular. Na posição ortostática, este sistema é responsável pela monitorização do início das contracções musculares, assim como pelo controlo do tónus muscular (Hobeika, 1999). Segundo Mackey et al. (2005), défices a nível do sistema vestibular afectam a magnitude das respostas posturais sem, contudo, atingir o seu timing.