Tanto o Projeto Um Computador por Aluno (UCA/Brasil) quanto o
Conectividad Educativa de Informática Básica para el Aprendizaje en Línea (Plano
CEIBAL/Uruguai) possuem suas origens na iniciativa conhecida mundialmente por “One Laptop Per Child” (OLPC), iniciada em 2005 por Nicholas Negroponte, professor e pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O OLPC foi apresentado em 2005 no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) pelo próprio Negroponte e tem como missão disponibilizar um laptop educacional conectado à internet por aluno – modalidade 1:1 (ONE LAPTOP PER CHILD, 2014a).
A iniciativa OLPC tem como parceiros fundadores as instituições: AMD,
Brightstar, Ebay, Google, Marvell, Nortel, Quanta, RedHat e SES Astra. Entre as agências
financiadoras do projeto, figuram: Citigroup, Foley Hoag, Fuse Project, Greenberg
Traurig, Nurun, Pentagram, Underwriters Laboratories e United Nations Development Programme (ONE LAPTOP PER CHILD, 2014b).
A OLPC informa em seu site que seu programa está em funcionamento nos Estados Unidos da América (EUA), Haiti, México, Costa Rica, Guatemala, Colômbia, Peru, Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Mali, Gana, Nigéria, Camarões, Uganda, Etiópia, Ruanda, Quênia, Moçambique, África do Sul, Itália, Gaza, Líbano, Iraque, Irã, Afeganistão, Cisjordânia, Paquistão, Índia, Sri Lanca, Alto Carabaque, Nepal, Tailândia, China, Mongólia, Camboja, Malásia, Filipinas, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão e Austrália, entre outros países (ONE LAPTOP PER CHILD, 2014c).
As ações do OLPC envolvem o desenvolvimento de laptops de custo reduzido para uso educacional, buscando favorecer a inclusão digital pela via escolar em diferentes países do mundo. Do ponto de vista pedagógico, as propostas da OLPC defendem o uso do laptop de maneira a fomentar dinâmicas de aprendizagem colaborativas e que coloquem o aluno como sujeito ativo na construção de seu conhecimento. Esses pressupostos são detalhados no CAPÍTULO III desta pesquisa.
O propósito de cada criança possuir um computador para seus estudos remonta a 1968, quando o cientista da computação Alan Kay – ao visitar o educador e matemático Seymour Papert no MIT – vislumbrou essa perspectiva. Em 1972, Alan Kay concretizou sua ideia ao desenvolver juntamente com o Learning Research Group (LRG), em seu laboratório na Xérox Park nos EUA, o Daynabook. A concepção do cientista estadunidense abrangia um hardware portátil, de fácil utilização, com conexão à rede destinado ao uso pessoal (VALENTE, 2011).
Stager (2003) afirma que uma das primeiras experiências de uso de computadores em ambiente educacional, seguindo a modalidade 1-1 (um computador para cada aluno), aconteceu em 1989 na Austrália. Em Melbourne, a
Methodist Ladies’ College introduziu a ideia em sua turma de 5ª série e,
posteriormente, a experiência abrangeu suas demais turmas até a 12ª série. Nesse sentido, Valente (2011) indica que, a partir da experiência australiana, a Microsoft implementou em 1997 o programa Anytime, Anywhere Learning. Ao longo de cinco
anos, a empresa estadunidense disponibilizou laptops em aproximadamente mil escolas nos EUA. O projeto foi descontinuado devido à insuficiência de recursos das escolas públicas.
Ainda assim, o ano de 2001 inaugurou uma série de novas frentes de programas baseados na modalidade de uso 1-1 de laptops em escolas púbicas e sistemas estaduais de ensino nos EUA. O estado de Maine foi o precursor com o projeto Maine Learning Technology Initiative (MLTI), que disponibilizou computadores para seus alunos de 7ª e 8ª séries. O condado de Henrico, na Virgínia, envolveu quatorze mil alunos de nível médio e onze mil estudantes da 6ª à 8ª série em um projeto da modalidade 1-1. Em 2003, o estado do Texas iniciou o piloto Texas
Technology Immersion Pilot, que implantou laptops em 21 escolas de 6ª, 7ª e 8ª séries.
Situações similares ocorreram nos distritos californianos. Lemon Grove, por exemplo, aderiu ao modelo 1-1 em todas as suas escolas. Já em Orange Country, nos anos de 2003 e 2004, cincos escolas foram aparelhadas com laptops, o que foi expandido para mais três em 2005 e 2006. A maioria dessas experiências envolveu múltiplos financiamentos, tais como: indústria tecnológica, fundações e o próprio governo federal estadunidense (VALENTE, 2011).
Baseando-se em Almeida (2008), Valente (2011, p. 24) ainda indica a experiência proposta em Portugal, um pouco distinta da modalidade 1-1, por intermédio da qual:
A escola interessada e que apresenta ao governo um projeto pedagógico justificando o uso dos laptops recebe 24 computadores portáteis, modelo de mercado, dos quais, dez são para uso dos professores e 14 para atividades pedagógicas em salas de aula com os alunos ou em outros espaços da escola.
E Valente (2011) explica que, recentemente, a expansão da implementação de programas que utilizam o laptop educacional na modalidade 1-1 é favorecida pelo desenvolvimento de tecnologias economicamente menos dispendiosas e adaptadas ao cotidiano das escolas, tais como o modelo XO18(OLPC) ou o ClassMate19 (Fotografia
1).
18 O laptop XO na versão 1.5 tem sistema operacional Linux, possui processador de 1 GHZ, 1 GB de
memória RAM, 4 GB de disco flash, três portas USB, um slot para cartão SD para expansão de espaço de armazenamento, tela de 7.5” e rede wireless. Uma lista completa das especificações do equipamento pode ser encontrada em One Laptop Per Child (2013).
Fotografia 1 – O laptop XO da OLPC ao lado do laptop ClassMate da Intel
Fontes: Wikipedia, 2014b e 2014c
Ainda com Valente (2011), percebemos que as justificativas e os esforços pertinentes às ações de desenvolvimento de projetos de implantação de laptops educacionais na modalidade 1-1 são diversos, podendo ser sumarizados em: melhoria de desempenho acadêmico em avaliações internacionais, maior engajamento discente no aprendizado escolar, desenvolvimento de atividades de aprendizado fora do ambiente escolar, fomento à colaboração entre pares frente às propostas pedagógicas, acesso a conteúdos escolares no momento de sua aprendizagem, promoção da inclusão digital de classes socioeconômicas desfavorecidas e preparação para o mercado de trabalho.
Apesar da abrangência global do OLPC, esta pesquisa enfoca as políticas de inclusão digital no viés escolar desenvolvidas no Brasil (Projeto UCA) e no Uruguai (Plano CEIBAL). Essas duas iniciativas, em particular, consistem-se como contexto geral da pesquisa e serão apresentadas nas seções seguintes. São objetos de interesse específico identificar nas políticas: objetivos, justificativas, sujeitos contemplados e concepção da presença das TDIC no contexto escolar.
19 O laptop Classmate tem sistema operacional Linux, possui processador de 1.6 GHZ, 512 MB de