Transcrição da entrevista semiestruturada ao entrevistado 1 (TIA1)
Dados da entrevista:
Data: 04/04/2018
Hora de inicio:16h30
Hora de término:16h35 Duração: 0:35:47
Tipo de entrevista: presencial
Entrevistado: (TIA1)
Investigador: (I)
Perfil do entrevistado:
Idade: 54
Género: feminino
Habilitações académicas: Pós-graduação Situação profissional: técnico superior
Região onde exerce atividade profissional: Algarve
Transcrição da gravação áudio:
I: Aceita participar neste estudo?
TIA1: Sim
I: Autoriza a gravação áudio desta entrevista?
127 I: Permite a utilização dos dados recolhidos para fins académicos ou investigativos?
TIA1: Sim
I: Qual a sua idade?
TIA1: Cinquenta e quatro anos.
I: Quais são as suas habilitações académicas?
TIA1: Licenciatura em História e tenho uma pós-graduação em Ciências Documentais, mas não sei se interessa para aí e do curso de IAA tenho apenas pequenas coisas. Tenho um condensado de Terapias Assistidas por Animais no âmbito da EducaCão, um curso da Educa Cão, no Summer Dog Camp, tenho uma pequena formação de fim de semana também com o Aubrey Fine, estou neste momento a fazer uma formação na Universidade Aberta da Holanda, que é uma formação em IAA em Educação Assistida por Animais, tenho em outras formações, mas especificamente sobre Intervenções Assistidas por Animais são estas.
I: E a situação profissional atual?
TIA1: Sou técnica superior da Câmara Municipal de (identifica a cidade) e exerço funções como bibliotecária na Biblioteca Municipal de (identifica a cidade).
I: Trabalhou com IAA em contexto escolar?
TIA1: Sim, no primeiro ciclo.
I: Crianças com necessidades educativas especiais?
TIA1: São alunos referenciados pelos professores, como crianças com dificuldades na aprendizagem neste caso de leitura. De todos eles apenas um estava referenciado com necessidades educativas especiais uma vez que já tinha diagnóstico em dislexia.
I: Em que situações, recorre ou recorreu aos cães de ajuda social em contexto escolar?
TIA1: No primeiro ano, uma vez que era um projeto-piloto e não existiam experiências em Portugal nesta matéria, nós iniciamos o projeto com um grupo voluntário que fazia parte da turma de uma professora (identifica a professora). Era importante fazê-la em contexto de voluntariado uma vez que nós próprias também estávamos a aprender no contexto da realização de intervenção. Uma vez que o projeto arrancou numa parceria entre dois setores da Câmara, setor bibliotecas e o setor psicologia e éramos duas técnicas com alguma formação nesta área, selecionámos uma turma onde ambas pudéssemos fazer intervenções e, portanto… selecionámos não, selecionou a professora meninos com dificuldades de aprendizagem na leitura três crianças e com a minha colega psicóloga ficou uma menina com necessidades educativas especiais que tinha Trissomia
128 21. Portanto isto foi o primeiro ano do projeto, com essa turma de terceiro ano e depois, por acordo de todas as partes demos sequência à intervenção no quarto ano de forma a completar um ciclo dentro da escolaridade das crianças. Portanto acompanhámos no 3º e 4º ano. No 4.º ano já só eu acompanhei as crianças uma vez que a menina com Trissomia 21 saiu, portanto, o projeto ficou só com a biblioteca e só comigo. Portanto os dois primeiros anos acompanham uma turma de 3º e 4º ano e nos anos seguintes, portanto, é feito o acompanhamento nos anos iniciais da leitura, ou seja, primeiro ano. Com duas turmas de primeiro ano, tendo sido possível acompanhar uma delas ao longo do 1º e 2º ano. Portanto, do ponto de vista da intervenção é interessante, sobretudo com as crianças que têm mais dificuldades, fazer uma intervenção continuada uma vez que as competências e o desempenho em leitura levam anos obviamente a desenvolver-se e a criança a sentir-se competente nas suas possibilidades de leitor e a criança que aprende a ler e a escrever com correção.
I: O que é que motivou a mobilizar este recurso e não outro?
TIA1: Porquê o cão? Para já foi uma hipótese que me colocou nunca antes pensada. Resultou de … O cão porquê? Realmente feito assim, foi uma epifania (risos). Foi engraçado, foi um encontro com uma pessoa que eu não conhecia e que já estava no mundo dos cães há muito tempo, (identifica a pessoa). Que eu não conhecia. Ouvi-o a falar numa conversa num restaurante atrás de mim e foi engraçado que pusemo-nos à conversa e acabamos por falar de cães, eu disse que estava ligada ao mundo das bibliotecas, e ele disse-me: “- Mas já não ouviu falar de cães e leitura? Eu disse, não, nunca ouvi falar nessas coisas. Pesquisei e realmente isto ia ao encontro de uma paixão muito antiga da minha vida, que era o cão. Desde sempre, desde criança que gostava de cães, alimentava cães, não podia ter cães, mas no fundo os cães da rua eram também os meus cães. Depois tive… às vezes os nossos filhos ditam também os nossos percursos. Tenho uma filha que estava no quarto ano e ainda não conseguia ler com proficiência e tivemos que fazer todo um trabalho de acompanhamento, de ir à procura de especialistas que nos ajudassem a ajudá- la a tornar-se uma leitora, uma vez que a escola não tinha resposta para isto. E, portanto, são estes encontros, estes gostos pessoais e as necessidades que no fundo… e o descobrir que outros já estavam a fazê-lo, que permitiu pensar que já que temos tantas crianças com dificuldades na leitura no concelho de (identifica a cidade) porque não apresentarmos um projeto desta natureza, tanto mais que sabemos que lá fora há estudos que nos dizem que é possível ajudar as crianças desta forma. E, portanto, surgiu assim. E resultou também do facto de termos na altura tido chefias que apesar de não conhecerem nada disto confiaram na possibilidade de podermos fazer um trabalho que ainda ninguém tinha feito cá e, portanto, aceitaram os nossos desafios.
I: Na sua opinião, que conhecimento considera que a comunidade educativa detém, acerca das IAA em contexto escolar?
129 TIA1: Eu acho que os professores já ouviram falar, fruto também do que tem saído na comunicação social; o projeto foi amplamente comentado em todos os canais televisivos e foi alvo de uma reportagem. Depois de nós também já outros projetos têm sido alvo de reportagem televisiva, têm saído na comunicação social, nos jornais, nas revistas. Hoje, atualmente, eu diria que mesmo não tendo nenhum conhecimento profundo, uma grande generalidade de professores provavelmente já terá ouvido falar que é possível utilizar o cão em contexto escolar. Mas não sei apontar para percentagens obviamente, porque pode não ser uma área de interesse, pode não ter calhado numa conversa, podem nunca ter visto, mas hoje em dia creio que um número significativo de professores já ouviu falar.
I: Que contributos considera que um cão de ajuda social, neste caso falamos de um cão de intervenções assistidas, possa eventualmente trazer a uma criança com necessidades educativas especiais, no contexto escolar a médio e a longo prazo?
TIA1: E a curto prazo? Eu podia começar já por aí. Eu acho que há benefícios logo de curto prazo; o primeiro é a criança desejar, habitualmente as crianças são selecionadas por dificuldades e não é propriamente nada que deixe o seu autoconceito maravilhado, não é? Portanto as crianças são selecionadas negativamente. Ao poderem ser selecionadas por um projeto que envolve um cão, desde que a criança não seja uma criança que teme o cão, não é, porque temos que ter sempre em conta se a criança tem afinidade com cães, ou mesmo tendo algum receio, não é um receio inibidor, a primeira questão é que a criança se sente selecionada por um privilégio e isso é muito diferente. Logo aí há um grande… há emoções positivas relativamente a esta seleção e ela detém uma informação e um contacto privilegiado que outros colegas não têm. A curto prazo, existe ainda um outro aspeto que eu acho que é interessante que tem a ver com o facto de aquele professor, aquele mediador, aquele terapeuta seja quem for, que se faça acompanhar pelo cão e que vai trabalhar com aquela criança, está automaticamente associado a algo que a criança deseja que aconteça e portanto o cão tem também aqui este aspeto de mediar a simpatia, facilitar o relacionamento da criança com o terapeuta, com o professor de apoio, com o bibliotecário, quem quer que seja. Para além disso, mesmo no curto prazo é altamente motivador. A criança deseja estes encontros. Estes encontros são habitualmente encontros em que é possível trabalhar dificuldades que a criança tem em contexto escolar, mas numa situação emocionalmente positiva, eu diria quase que, em muitas crianças, daquilo que eu vejo, da minha prática, que é num contexto de felicidade na escola. Ou seja, a criança está a trabalhar as suas dificuldades, mas ao mesmo tempo… em circunstâncias que as fazem felizes naquele contexto. Isto assim logo de curto prazo. No curto prazo também me parece que o cão contribui para que as crianças estejam interessadas em viver o momento presente da aprendizagem da leitura. Como se o cão tivesse um papel mindfullness. A médio prazo, eu diria que realmente, pelo menos na área em que eu trabalho, nós não podemos abandonar o percurso muito rapidamente, até porque estamos a falar de questões
130 relacionadas com a leitura. Construir, formar um leitor leva muitos anos… e a leitura é também complexa, os percursos de leitura são percursos lentos, e a leitura tem muitas áreas de intervenção, porque podemos trabalhar a prosódia, a fluência, podemos trabalhar a compreensão, podemos trabalhar a escrita, que é fundamental quando trabalhamos a leitura, portanto não é um caminho que se largue facilmente, muito embora possa ser desenhada uma intervenção… Quase sempre as crianças que têm dificuldades na leitura têm dificuldades em todas estas áreas, ou porque nós podemos trabalhar áreas específicas, em determinados momentos, mas isto funciona como um todo. Os contributos a médio prazo, considero eu, o facto de as crianças à merce deste contexto que é emocionalmente positivo, interessante e onde a aprendizagem, pelo menos nas minhas sessões, se realiza de forma descontraída, em que errar é possível, em que celebramos todas as pequenas vitoriosa, há aqui toda uma série de outros aspetos que não são só cão… o cão é um elemento dentro de um todo. O contributo tem a ver, pelo menos daquilo que eu vejo… tem a ver com sentir que as crianças estão muito mais comprometidas na sua aprendizagem. Estão comprometidas com a aprendizagem e vivem este aspeto da escola como algo que elas desejam. Este contributo não deixa de ser muito importante, porque sem dúvida, ao ajudarmos que fatores como o stress de certa forma desapareçam um bocadinho deste… porque as crianças vivem sempre algum stress…. porque elas sabem que estão a aprender, não é, sabem que estão…têm que responder. Mas tentar baixar o nível elevado de stress que as crianças têm perante tarefas que lhes são difíceis ajudam obviamente, e o cão nesse aspeto é um elemento essencial, ajudam obviamente a que a criança se sinta mais envolvida na sua aprendizagem e vá vendo e celebrando e festejando ao mesmo tempo com o cão, os seus pequenos progressos. O cão, tem participações que são completamente alheiras a mim, portanto há um aspeto em que o meu trabalho técnico é muito importante, mas há muitos aspetos em que é a presença do cão e o que ele faz com as crianças que marca a diferença e em que não lhe são dadas instruções. As crianças procuram-no, ele procura as crianças, conhece já rituais… conhece já rituais da… dinâmica das sessões, antecipa-as, prepara-se, avança, portanto, estabelece relações preferenciais e diferentes com cada criança à merce do que cada criança é com ele, portanto a médio prazo eu acho que conseguimos levar um ano letivo em que gostamos muito de aprender juntos e de socializarmos juntos. A longo prazo… as crianças, o que eu tenho notado a longo prazo é que as crianças têm comigo, fora já dos anos em que estamos a trabalhar, têm comigo uma relação privilegiada… viveram uma experiência que nem todos viveram e isso torna-os também privilegiados a eles, no acesso a mim, no acesso aos cães com quem trabalharam… e têm boas recordações. Eu sou… cada vez que encontro uma destas crianças, eles perguntam logo: “- E o cão (identifica o cão), como é que está? E o que é que ele está a fazer agora?” As aprendizagens realizadas são aprendizagens que depois continuam no contexto escolar normal com a docente. Connosco, a relação, no longo prazo, passa por ser uma relação afetiva, uma relação… em que todos os momentos em que nos encontramos são momentos de alegria, portanto e tem este lado muito positivo. O que eles aprenderam
131 obviamente nós temos que largar… e estou a fazer agora, pela primeira vez, o trabalho de dados para ver que ganhos de longo prazo estas intervenções podem ter tido, ou se até podemos eventualmente ter saído cedo demais da vida destas crianças. Isto ainda são aspetos que estamos a estudar. Agora do ponto de vista da relação, é ótimo. Porque realmente quando nos encontramos é sempre uma festa, comigo e como o cão.
I: Identificou alterações nos alunos após a introdução do cão de ajuda social em contexto escolar?
TIA1: Alterações nos alunos… eu não os conhecia antes, e a questão é essa. Pela primeira vez está a acontecer-me isso este ano. Ou seja, eu já conhecer os alunos. Este ano estou a fazer um projeto fora da escola, noutra escola em ATL e três das quatro crianças com quem estou a trabalhar já os conhecia no pré-escolar, também porque estive um projeto na sala deles, sem cão. E eles agora, quando souberam que ia haver esta atividade com cão na sua escola inscreveram-se. Uma das crianças inscreveu-se porque gosta muito de animais e de cães, a outra é uma menina com um problema ao nível do espetro do autismo e a mãe inscreveu-a e o outro é um menino que andou a chatear a mãe durante meses para se inscrever e inscreveu-se agora quando estamos quase a terminar. Portanto já os conhecia antes, o que é que eu posso dizer... Uma das crianças, a menina que é búlgara, quando eu a conheci, quando ela tinha cinco anos ela não falava, ela nem se lembra de mim, e ela hoje tem uma relação de extraordinária felicidade quando está nas sessões porque gosta muito do cão. A menina com autismo também quase não falava comigo, tem uma relação mais comigo do que com o cão, ela com o cão preocupa-se e interessa-se à distância, tem menos interesse em tocar-lhe. O outro miúdo já tínhamos uma relação tão boa, agora foi só acrescentar o cão.
I: Quando há interrupção das sessões e se retoma o grupo, se considera que existe regressão das conquistas alcançadas e das competências trabalhadas.
TIA1: Na leitura isso pode ser flagrante, porque nós temos de um ano para outro uma interrupção longuíssima de três meses. Sim, e isso pode acontecer. Esse ato de três meses nas práticas leitoras pode acontecer que quando retomamos, as crianças, porque não praticaram, estou a falar sobretudo dos meninos que passaram do primeiro para o segundo ano, poderemos não ver retrocessos, mas também não vimos avanços, porque em leitura isto é dramático. Uma escola ter três meses sem aulas, no princípio, nos primeiros anos em que se está a aprender a ler e a escrever, é uma coisa que eu acho que não deveria acontecer. É tempo demais para quem ainda está a dar os primeiros passos. Eu não digo que há um retrocesso, mas também não houve avanço nenhum. Mas também aquilo que as crianças ganharam não perdem.
I: Considera que a presença do cão de ajuda social facilita o trabalho dos professores e dos técnicos com os alunos?
132 TIA1: Facilita e muito…facilita e muito. Traz mais complexidade à gestão dos momentos, porque temos que gerir várias dinâmicas não é. Traz desafios, mas que facilita e muito, facilita. Muitas das vezes as crianças pedem mais silêncio ou pedem mais tranquilidade, não por elas, mas pelo cão… e divertem-se (sorri) é a grande vantagem aprender de forma divertida.
I: Que importância atribui ao trabalho colaborativo, com o binómio, em equipas multidisciplinares, no processo de desenvolvimento integral dos alunos?
TIA1: Eu acho que pode ser extraordinariamente vantajoso. Eu tenho pouca experiência nessa área porque eu só trabalhei em parceria com a professora, com a própria professora, nunca trabalhei em parceria com a professora de educação especial com as crianças e noto que…, pelo menos na minha experiência, temos poucas práticas colaborativas nesse sentido, o que não é desejável. Mas tem a ver muito com a nossa falta de cultura de colaboração. Os professores estão sempre ocupados e as vezes não há… depende das pessoas. As pessoas que tem interesse disponibilizam-se e acham que é interessante e encontramos também pessoas que tudo lhes custa, qualquer minutinho para uma reunião… pode às vezes não haver essa disponibilidade. Eu tenho tido a sorte de trabalhar com professoras que têm apreciado o projeto, mas não temos tido assim tanto trabalho colaborativo, ou seja, trabalhamos com as várias autonomias. E isso é também um aspeto que caracteriza o projeto é que nós trabalhamos com várias autonomias. Trabalhamos com a autonomia dos pais, com a autonomia da professora e com a autonomia, no fundo deste… do cão e minha. Delineámos um projeto, fazemos um contrato no princípio do ano, depois encontramo-nos nos vários períodos para avaliar e dar feedback do trabalho feito, mas se dissermos que há um trabalho todo ele desenhado de forma colaborativa desde o princípio, em que agíamos, desenhámos o projeto juntos, não. Mas ao mesmo tempo é interessante, porque os resultados que temos da intervenção, vêm validar a autonomia dos vários intervenientes. Ou seja, não interferindo nas esferas de cada um, estamos todos a conseguir colaborar para objetivos comuns. Esse é um dos resultados que nós temos do projeto. Ou seja, os pais fazem o seu trabalho ao nível da literacia familiar, lendo para e com as crianças, com regularidade e por isso nós estabelecemos um contrato de leitura. A professora permite que haja momentos de leitura em sala de aula, promove os empréstimos, é uma parte ainda muito pesada ainda dentro do trabalho da docente em sala de aula, gerir esta questão dos empréstimos. A biblioteca e eu como bibliotecária tenho a minha outra parte e depois ainda há outra parte toda ela que é a de ajudar a ultrapassar as dificuldades nas competências leitoras. Em que aí faço um trabalho mais acompanhado com a professora. Vamos dando feedback, às vezes vamos falando nos momentos em que eu recolho as crianças e levo as crianças ou no intervalo do almoço, às vezes vamos falando. Mas dizer que até agora temos tido grandes reuniões de colaboração, às vezes menos do que seria desejável.
133 TIA1: Não é tão informal, porque nós damos-lhe formalidade, fazemos reuniões, fazemos atas e tudo mais, mas poderia ser uma intervenção desenhada em conjunto e não é, ou seja, estabelecemos um plano, o plano é apresentado à professora, ela concorda… até agora ela tem concordado sempre, vamos trabalhar isto com as crianças e depois apresentamos resultados à professora. Muitas vezes o que acontece é que, através do projeto, a professora tem acesso e conhecimento de outras metodologias de trabalho. E que acabam por enriquecer e complementar obviamente o trabalho que ela dá em sala de aula, porque não é às vezes mais do mesmo. Eu tenho tido oportunidade através do projeto, por exemplo, de pôr a professora em contacto com outras metodologias, com outras formas de poder trabalhar com os seus alunos, procurando também ajudar e contribuir para enriquecer as suas práticas pedagógicas.
I: Considera que os contributos que a presença do cão de ajuda social nas escolas, podem ser extensíveis a outros elementos da comunidade escolar?
TIA1: Sem dúvida. Sim.
I: A quais?
TIA1: Para já acho que a utilização do cão é extensível à grande maioria das situações que podem ocorrer em escola, tendo obviamente que ser adaptada a cada circunstância. Para além disso, ao nível por exemplo, dos assistentes operacionais e auxiliares. Obviamente se uma escola estiver o seu próprio cão, e se for por exemplo tratado por um auxiliar, sem dúvida, eu tenho a certeza, que a presença de cão ou cães em contexto escolar, desde que seja… de forma bem definida e em contextos que visam melhorar quer a vida do animal quer dos próprios alunos, poderemos encontrar imensas situações diferenciadas que… obviamente melhorarão… o ambiente escolar. Para além de o cão poder ser utilizado nas mais variadas circunstâncias para a aprendizagens até de matérias, pronto. Tudo depende da forma como conseguirmos desenhar estas participações. Desde os alunos poderem ver com outros olhos um professor que sabem que gosta de cães ou que integra o cão nas suas aulas, portanto… acho que pode ajudar a melhorar o ambiente escolar e a aprendizagem mais comprometida dos miúdos. Da própria biblioteca escolar, acho que seria um