A TV é o veículo de comunicação mais importante até o momento, mas com a evolução da Internet sua liderança vem sendo deposta, isso caso pensemos na televisão apenas como um meio de transmissão de imagens e conteúdos. No entanto este meio se atualiza e o ecrã de tubo e com poucas opções de tamanhos transforma-se, agora possui outras funcionalidades e formatos diversos. No filme de animação Wall-e (Andrew Stanton, 2008), o planeta Terra é abandonado e a humanidade passa a viver a deriva no espaço, em um estilo de vida sedentário, onde as pessoas veem o mundo quase que exclusivamente através de um ecrã pessoal, praticamente sem nenhum contato visual com outros indivíduos, o mundo acontece nas imagens projetadas nos seus ecrãs particulares que os acompanham por todo lado. Ainda não chegamos a tal extremo, apesar do telemóvel isolar por alguns momentos seus utilizadores. “Mas você já observou quanto ecrã ligado nos acompanha nos nossos cotidianos?” Em casa, no trabalho, pelas ruas que caminhamos, nos restaurantes, nos cafés, nos bares, no transporte coletivo, na visita ao dentista, no salão de beleza e em vários outros lugares que costumamos frequentar, geralmente tem uma TV ligada e se ela não existe, o telemóvel pode fazer a vez, nós dando acesso a algum tipo de informação.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil em 2012 o aparelho de televisão está em mais de 95% dos lares. Nada mal para algo que começou como um experimento sem muito crédito. A TV teve a primeira apresentação pública em 1939 na Feira Internacional de Nova Iorque. Em 1941 a NBC (National Broadcasting Company) e a CBS (Columbia Broadcasting System), iniciaram algumas transmissões antes da II Grande Guerra. Mesmo sendo uma tecnologia com muitas desconfianças, a TV se alicerça de fato, após o fim da II Guerra, entre os questionamentos da época, havia o pensamento de que ela se destina somente a grupos sociais de classes mais altas, tornando-a, talvez, pouco viável economicamente, é o que explica Briggs e Burke (2004, p. 234) quando argumentam que, na época, pensava-se que somente os mais ricos poderiam ser atraídos pela TV. Mesmo os mais empolgados com a possibilidade de transmitir vídeo e áudio ao mesmo tempo, não imaginariam que aquele aparelho conquistasse tanto a atenção das pessoas, superando a audiência do Rádio em poucos anos.
Briggs e Burke (2004, p, 236) relatam que eventos grandiosos em audiência e em importância fazem parte da história da televisão, como a coroação da Rainha Elizabete em 1953, vista por cerca de 20 milhões de pessoas.
Acompanhando a revolução tecnológica, a TV encontra novas perspectivas com a Internet. A Banda Larga e os aparelhos móveis deram novos recursos, a produção amadora e independente ganha força, se a Televisão foi a evolução do Rádio por juntar imagem e som, o Computador trouxe a Interatividade a qual Internet ampliou, acrescentando ainda, arquivamento e continuidade aos conteúdos. Quando falamos na Convergência também podemos citar esses conceitos, os telespectadores podem interagir com os conteúdos, voltar a vê-los quando desejam e, em alguns casos, as informações que são iniciadas na TV podem se estender a um sítio, como já nos referimos. Hoje em dia pode-se assistir televisão em qualquer lugar. Canais de vídeos surgem na Internet, produtores da Web foram contratados pela TV, matérias jornalísticas podem ser revistas nos sítios de veículos de comunicação, Jenkins (2006) cita um discurso de 2003, feito por Ashley Highfield, uma diretora da BBC (British Broadcasting Corporation), onde ela fala como a Banda Larga e as novas tecnologias teriam impacto na TV.
O futuro da Televisão pode ser irreconhecível a partir de hoje, definido não apenas por canais de TV lineares, embalados e programados por executivos da emissora, mas em vez disso, se assemelhará mais a um caleidoscópio, com milhares de fluxos de conteúdos, alguns muito diferentes dos canais atuais. Em um extremo vai haver uma mistura do fluxo de informações, conteúdos e contribuições dos telespectadores com a programação das emissoras. De forma mais simples — o público vai querer organizar e reorganizar o conteúdo do jeito que eles quiserem. Eles vão adicionar comentários aos nossos programas, votar neles e geralmente brincar com eles. Mas em outro extremo, o público vai querer criar fluxos de vídeos próprios a partir do zero, vai querer divulgar pacotes desses conteúdos, com ou sem a nossa ajuda. Neste extremo do espectro, a tradicional emissora, ‘emissora de monólogo’ vai transformar-se para o ‘espectador grato’, uma emissora de relacionamentos (p. 242, TN).
Os processos de Convergência ou Fusão resultam em muitas transformações como a ação de interagir, modificar e produzir conteúdo, o público agora opina, decide e faz. A TV digital possibilita uma programação não linear, com conteúdos que são compartilhados entre emissora e público e se estendem a outros canais, todos ligados pela Web. A programação continuada8,
torna o que é produzido pelas emissoras e produtoras de televisão também um bem do público, no sentido de terem acesso, poderem comentar, apropriarem-se, modificar e compartilhar o que desejam. Apesar de existir limites legais para o uso desses conteúdos, o fato do público ter acesso a eles, ao ponto de fazer intervenções diretas, não havia acontecido com tanto volume
8 NA: a programação continuada acontece quando uma emissora de TV se estende a canais da Internet como o programa
Filho da Pub da SIC, que tem um canal no YouTube (www.youtube.com/user/FilhodaPub), onde seus episódios ficam disponíveis para os utilizadores.
e facilidade, o receptor até então nunca foi tão influenciador da mensagem, a Convergência com a TV digital e a Web passou a estimular muito mais os processos colaborativos de produção de informação.
Com a expansão da Internet a audiência passa, cada vez mais, a ditar as regras, a ver o que deseja no momento que lhe for oportuno. A chegada da Internet Banda Larga dá velocidade os processos de Convergência ganham velocidade e a TV inicia um caminho que a leva a ser mais uma ferramenta de acesso, os conceitos de imagem em movimento ainda são os mesmos, mas a forma como é produzida e assistida é alterada. Chegamos ao ponto que não precisamos programar nosso dia para saber as notícias diárias, ou assistir a série que preferimos em nossa casa, nem mesmo temos mais a necessidade de um aparelho de TV, a Banda Larga entre outras coisas, nos deu liberdade de escolher o melhor horário e lugar para assistir o que preferimos.