2 Summary of the papers
2.2 Paper 2 - Constructing a partially transparent computational boundary for UPPE using leaky modes
O estudo do pensamento desses autores possibilitou compreender as bases de uma educação centrada na criança em desenvolvimento. Suas idéias forneceram bases para a psicologia cognitiva do século XX, principalmente para o trabalho de Jean Piaget sobre o jogo e o desenvolvimento infantil (TAYLOR et al., 2005, p. 36).
Separamos os princípios destes autores em quatro grupos. No primeiro grupo situam-se os princípios filosóficos, como os conceitos de educação natural, aprendizagem pela experiência, ação, e movimento ou atividade. No segundo grupo, o jogo e o brinquedo. No terceiro, o papel do professor, e, por fim, a educação musical. Entretanto, alguns conceitos são imbricados a outros, o que dificulta uma efetiva separação entre eles.
O conceito de educação natural ou educação pela natureza é apresentado por Rousseau e ratificado pelos autores subseqüentes, como a forma de educação que respeita o desenvolvimento natural da criança. Nessa concepção está presente a idéia de que a criança deve aprender pelo “contato direto com as coisas” e pela “simplicidade”. Isto possibilitou que Pestalozzi, Froebel e Montessori identificassem dois mecanismos atuantes nessa relação da criança com o ambiente: um interno, relacionado àquilo que parte da mente e do corpo da criança, e outro externo, relacionado àquilo que a criança recebe do ambiente. Esses princípios contêm as primeiras noções de assimilação (o interno) e acomodação (o externo), conceitos
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posteriormente sistematizados por Jean Piaget que explicam a forma como as pessoas se adaptam ao ambiente e, conseqüentemente, se desenvolvem.
A visão da educação pelo contato direto proposta por Rousseau tanto pode ter inspirado Pestalozzi a considerar a ação sobre os objetos naturalmente dispostos no ambiente como mecanismo principal da aprendizagem, quanto Froebel e Montessori a idealizarem e construírem materiais manipuláveis específicos para a educação geral e musical. Ademais, a idéia de “aprender pela simplicidade” posicionou atividades naturalmente próprias da infância, como o jogo e o brinquedo, entre as principais atividades auxiliadoras do desenvolvimento infantil, em lugar do “ensino livresco” e abstrato. A proposta da educação natural disparou uma série de modificações na maneira de se educar as crianças, e influenciou notoriamente a formulação dos demais princípios que sustentam o pensamento desses autores.
A aprendizagem pela experiência, ação, movimento ou atividade é a iniciativa da própria criança para agir, escolher e questionar, e por isso, acreditamos que ela se relaciona diretamente com a proposta de educação natural, com o jogo e com o brinquedo. Em Rousseau e Pestalozzi, o direcionamento da ação é resultado sempre da iniciativa espontânea da criança. Para Montessori, é a Mente Absorvente a responsável pelo movimento ou ação da criança, que, tanto para ela quanto para Froebel, tem início de forma espontânea e não orientada e assume uma intenção com o amadurecimento da criança. Para Froebel, essa evolução da ação está diretamente relacionada à dinâmica dos processos internos e externos no desenvolvimento humano.
O jogo e o brinquedo, de Rousseau à Montessori, sofreram transformações, e as idéias a respeito deles apresentam algumas divergências. A concepção de Rousseau sobre o jogo é generalizada: qualquer ação que parte da criança é jogo, e pode ser utilizada como “mecanismo para a instrução”. Entendemos que Rousseau tanto pode estar considerando as ações físicas (corporais ou realizadas com objetos), como as mentais, uma vez que a literatura não especifica. Pestalozzi, embora não tenha sistematizado idéias sobre o jogo, atrela-o às ações que se realizam apenas com objetos táteis naturais. Mas foi Froebel quem se dedicou ao estudo mais aprofundado do jogo e do brinquedo. Ele elege o jogo e o brinquedo como os meios para exercitar o interno e o externo, enquanto Montessori entende o jogo como o próprio exercício desses processos. Froebel determinou não só as características do jogo em cada etapa da infância, mas especificou quais jogos eram
típicos dessas etapas. Quanto aos brinquedos, eles são organizados por ordem gradativa de complexidade e são confluentes com suas propostas sobre o jogo e o desenvolvimento infantil. Apesar de Montessori desenvolver suas idéias quase um século depois de Froebel, sua concepção de jogo assemelha-se à de Rousseau. Ao conceber o jogo como o mecanismo de absorção e elaboração das impressões do ambiente pela Mente Absorvente, ela generaliza o conceito. Entretanto, ao vincular este mecanismo aos materiais sensoriais, ela direciona e regula as impressões extraídas do ambiente, pois o Material Montessoriano destina-se a finalidades definidas e específicas, que muitas vezes isolam o foco perceptivo em detrimento de uma percepção global. O material passa a ser a “regra” do jogo, da qual a criança fica à mercê. Montessori também é contra o brinquedo, talvez porque o brinquedo, diferentemente do material que ela utiliza, deixe as regras à mercê da criança.
O papel do professor assume, em Rousseau, Pestalozzi e Montessori, posições semelhantes. Eles acreditam que o professor é aquele que orienta a criança, procurando sempre manter o curso natural do seu desenvolvimento. Montessori coloca o professor como unificador entre a criança, o material e o ambiente. Ela determina que a criança não deve sofrer interferência do professor no uso do material, mas estabelece que ele é quem escolhe os materiais apropriados, segundo as diretrizes dos Períodos Sensíveis. Froebel identifica no professor aquele que é responsável pela unificação entre o externo e o interno. Entendemos que essa responsabilidade coloca o professor como um agente atuante no processo de desenvolvimento da criança, não apenas no seu aprendizado.
A educação musical respeita o desenvolvimento da criança e assenta-se prioritariamente sobre a prática. Para Rousseau e Pestalozzi, seja com objetivos musicais ou sociais, o foco do ensino da música é sempre a canção, ou seja, o material utilizado é sempre musical. O diferencial de Froebel e Montessori é que eles incluem os jogos na educação musical, ampliando as possibilidades de atividades e de utilização da música no contexto educacional. Froebel não utiliza os seus brinquedos com objetivos musicais, pelo contrário, coloca a música a serviço deles e dos jogos. A criança pode estar brincando com um brinquedo e a música pode ajudá-la a coordenar seus movimentos, ou imprimir-lhe um ritmo, por exemplo. Montessori utiliza materiais sensoriais (produtores de som) e outros materiais (livros, cartões, quadros pautados) para ensinar música para as crianças, mas não o brinquedo. Isto significa que Montessori concebe o material como sendo algo
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diferente do brinquedo, o que foi identificado no Capítulo 1, com Kishimoto (2004/1994) e Oliveira (1989).
Concluindo, acreditamos que, tanto Montessori quanto Rousseau, integram escuta, composição e execução vocal e instrumental na educação musical infantil, seja através ou não do uso dos materiais, vislumbrando propostas que se concretizariam apenas no final do século XX.
Com o intuito de sintetizar e reunir os princípios educativos de Rousseau, Pestalozzi, Froebel e Montessori, elaboramos o Quadro 9, situado na página 59.
Educação
natural Simplicidade e contato direto com as coisas
Relação dialética de uma conexão consigo mesmo (interior) e com a realidade
(exterior)
Engloba os processos de exteriorização e interiorização, que se viabilizam pela ação e pela
atividade
Respeito ao curso natural do desenvolvimento infantil, ou seja, à relação entre a Mente Absorvente e
aos Períodos Sensíveis
Aprendizagem pela experimentação ou ação Parte da própria experiência da criança, ao invés da intervenção alheia Foco na concretude do conhecimento; sensações advêm do manuseio de objetos naturalmente disponíveis no ambiente
Os objetos reais são geradores de atividades. A ação e a atividade
permitem à criança “agir pensando” e “pensar agindo”
Foco no material sensorial, que produz reações espontâneas na criança e estimula a inteligência pelo trabalho da “mão”. O material
regula a absorção do ambiente
Jogo e brinquedo
O jogo é a ação direta da criança sobre o mundo. Parte da criança, por isso
a diverte
Atividade espontânea e auto- iniciada, que emprega objetos
tácteis naturais, ao invés de materiais confeccionados para
tal
Mediam o autoconhecimento e harmonizam o exterior e o interior da criança. Os brinquedos criados com finalidade educativa foram
chamados de “dons”, cujo direcionamento cabe ao professor
É a favor do jogo, mas não do brinquedo, cujo simbolismo desvia a
criança da realidade. Seu material
sensorial não é um brinquedo, pois
possui fins específicos e regula o comportamento da criança
Educação Musical
O foco é a canção, que deve ser ensinada como jogo. Importam a escuta, a
composição e a execução na formação da criança
A canção é o meio para se aprender os elementos musicais e socializar. Sons
são ensinados antes dos signos
A canção é a medida do movimento, delimita atividades e educa o senso artístico. A música serve às “ocupações” e aos “dons”
O material sensorial musical ensina os parâmetros do som e estimula a escuta, a composição e a execução (vocal e instrumental) da criança Fonte: Elaborado por: Daniela Vilela de Morais
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2.6 O JOGO E OS MATERIAIS NOS MÉTODOS ATIVOS DE ENSINO MUSICAL: