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O conhecimento específico que as pessoas adquirem, constroem e socializam, contém suas concepções e crenças, seus percursos formativos, os avanços de sua profissionalidade e são considerados aspectos que necessitam ser investigados por meio de procedimentos etnográficos, considerando-se que em sua essência, é uma metodologia que põe ênfase ou valoriza a compreensão que o sujeito tem sobre o mundo, o que está relacionado com suas vivências e experiências que se manifestam e são caracterizadas através

de sua trajetória de vida pessoal e profissional, bem como de suas práticas e saberes profissionais.

Neste sentido, como já apresentamos anteriormente, o questionário, as entrevistas semi-estruturadas, os projetos de intervenção, os diários da prática e as observações, foram consignados como os instrumentos de recolha priorizados neste estudo.

x Questionário

Tendo em vista os objetivos do estudo, em primeiro lugar utilizou-se o questionário (Anexo B) com 19 questões (abertas e fechadas), aplicado de forma individual, com o objetivo de traçar o perfil profissional das docentes. A primeira parte deste trata de questões para a identificação, do perfil sócio-econômico e cultural. A segunda parte, trata da formação acadêmica e trajetória profissional e a terceira parte refere-se às condições profissionais, percepção da profissão e contribuições do curso.

Como um instrumento de coleta de dados, o questionário oportunizou as professoras expressar suas idéias pessoais traduzindo-as com suas próprias palavras, conforme as experiências vivenciadas e seu sistema de representações. As questões foram feitas envolvendo as seguintes informações: sexo, idade, religião, escolaridade, origem social, formação acadêmica, anos na docência, regime de trabalho, atividades de capacitação que participou nos últimos cinco anos, produção científica, atividades culturais, horas semanais dedicadas ao: preparo de aulas, ministrar aulas, corrigir trabalhos, participar de reuniões pedagógicas, lazer, realizar tarefas burocráticas, estudos, orientar alunos, realizar trabalhos domésticos e coordenação de projetos, os motivos que contribuem na escolha profissional, motivos que contribuíram para a permanência na profissão docente, percepção da profissão docente, motivos que contribuem para a satisfação com o trabalho docente, motivos que contribuem para a insatisfação com o trabalho docente, obstáculos pedagógicos que

dificultam à renovação didático-pedagógica da ação docente e contribuições que o curso proporcionou a formação e a profissionalização docente.

Ao ser entregue às professoras, o questionário foi lido pela pesquisadora em seguida proferidas as orientações necessárias para respondê-lo em um tempo de duas horas. As perguntas do questionário (Anexo B), sendo elaboradas validadas em discussão com a orientadora da tese.

As informações proporcionadas pelo questionário serviram de base para a escolha da etapa seguinte, a entrevista semi-estruturada, realizada de maneira flexível com o objetivo de colocar a professora em condições de se expressar, de acordo com seu modo de pensar, sobre o seu percurso de formação escolar e profissional evidenciado no questionário.

x Entrevista Semi-Estruturada

As entrevistas como elemento de natureza interativa, favorecem trabalharmos com temas complexos. No caso deste estudo, ao lado dos outros instrumentos como estratégia de recolha de dados, na modalidade semi-estruturada, vem sendo bastante utilizada nas pesquisas qualitativas e é considerada, neste estudo como entrevista semi-estruturada de formação, cujo procedimento pautou-se numa conversa informal entre a pesquisadora e as professoras.

A entrevista semi-estruturada, na forma empregada, caracteriza-se por conter uma série de questões abertas, dirigidas oralmente ao(a) interlocutor(a), seguindo uma seqüência lógica, na qual o entrevistador, caso considere necessário, pode acrescentar perguntas de esclarecimento (LAVILLE, 1999). Seu emprego como instrumento de recolha de dados colabora com o aprofundamento das questões, assim como, ajuda a esclarecer as questões observadas.

As entrevistas foram gravadas com a autorização das professoras e tiveram, uma duração de duas horas cada uma, obedecendo à disponibilidade de tempo da docente. Devido

ao tempo requerido, cada entrevista foi realizada no mesmo dia ou em dias diferentes, sempre em horário marcado pela docente. As respostas das professoras às questões foram transcritas e categorizadas com o objetivo de realizar um estudo profundo de seu conteúdo.

Os resultados dos instrumentos aplicados (questionários, entrevistas, projetos de intervenção, diários do Estágio Supervisionado de Ensino e observações) formam um conjunto de instrumentos que possibilitou a inferência da pesquisadora sobre o Modelo Formativo em que as professoras estavam envolvidas e sobre as práticas desenvolvidas durante o processo de formação. A escolha da entrevista semi-estruturada visa captar em profundidade, o conteúdo cognitivo e, sobretudo, o afetivo da vida escolar e profissional das professoras. Objetivando perceber a construção das falas e contextos, vivenciados na prática pedagógica, neste estudo, procurou-se não só usar a entrevista, mas manter um convívio, com a escola, as professoras em formação como também, com as professoras formadoras da Prática de Ensino e do Estágio Supervisionado de Ensino da (UFPI). As entrevistas foram gravadas em fitas cassete, após a transcrição, conversamos com as entrevistadas para conferir e apreciar o conteúdo e autenticidade dos dados.

Nessa Pesquisa, trabalhamos seguindo as orientações Goodson (1995), oferecendo igualdade e estatuto plenos às professoras, dando prioridade ao exercício profissional a partir de sua perspectiva, ou seja, respeitando-as dando-lhes voz. A entrevista foi organizada procurando-se colher informações sobre a Prática de Ensino e do Estágio Supervisionado de Ensino, ou seja, sobre a formação prática recebida.

É importante ressaltar que a entrevista é uma das técnicas mais usadas para que se possa compreender o significado das ações dos indivíduos em seus contextos de atuação. Optou-se por esse tipo de instrumento, tendo em vista o favorecimento de uma situação onde a professora pudesse falar sobre as seguintes temáticas de estudo: concepção de prática formativa que sustenta a Prática de Ensino e do Estágio Supervisionado de Ensino,

importância dessa prática na formação e profissionalização docente, a inovação pedagógica que esta formação possibilitou no agir docente, forma de planejamento pedagógico e avaliação do processo de ensino-aprendizagem durante o estágio, para que emitissem um parecer e argumentações a favor ou contra sem que houvesse a interferência das idéias das outras professoras.

x Documentos Pessoais

Os documentos pessoais constaram de projeto de intervenção e diários do Estágio Supervisionado de Ensino. Estes objetos foram elaborados pelas professoras-alunas. Primeiramente foram elaborados os Projetos de Intervenção, posteriormente os diários da prática educativa, em que as professoras relataram suas práticas e experiências durante a implementação do projeto. O projeto de intervenção levou um mês para ser elaborado. Os diários, cerca de 4 meses, tendo em vista que foram elaborados durante a intervenção. Os saberes revelados nestes documentos foram organizados e explicitados no Capítulo 4, que trata dos dados da pesquisa.

O uso de documentos pessoais como instrumento de investigação nas ciências Sociais tem sido usado por diversos pesquisadores, desde a antiguidade. Portanto, os documentos considerados pessoais referem-se “a qualquer narrativa feita na 1ª pessoa que descreva experiências e(ou) crenças pessoais”. (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.177). No entanto, neste estudo, consideramos como documentos pessoais àqueles que são escritos pelo próprio professor (a): planos de ensino, semanários, diários, relatórios de acompanhamento e avaliação dos alunos, relatos de atividades, projetos, entre outros, servindo a diferentes finalidades, como estabelecimento de intenções e objetivos, comunicação e avaliação, divulgação de experiência retomada de um processo vivenciado, reflexão sobre a prática pedagógica.

Durante o processo de elaboração dos documentos pessoais os docentes dialogam consigo mesmas, interagem, analisam, refletem e vão além, buscando vencer os obstáculos, na tentativa de modificar a ação pedagógica, percebem os problemas e elaboram estratégias para superá-los.

x Diários do Estágio Supervisionado de Ensino

Os diários do Estágio Supervisionado de Ensino objetivam registrar os acontecimentos dessa formação. Trata-se de uma certa síntese da vida profissional e intelectual da professora-sujeito da pesquisa. Evidencia-se, principalmente, pelo traçado sintético das idéias e concepções que cada professora construiu, e vem construindo, o movimento dialético da vida profissional. Constitui-se em um olhar retrospectivo, movimento que consiste em contemplar o passado recente com a perspectiva de delinear o percurso da prática desenvolvida em sala de aula.

É um documento escrito, de natureza subjetiva, através do qual a história das práticas profissionais que são elaboradas e articuladas incluindo a síntese de princípios que sustentam a prática profissional. No caso particular do nosso estudo, define-se como uma narrativa de experiência pessoal e profissional, acompanhado de descrições e reflexões, sobre a prática docente.

Para orientação da escrita das narrativas não organizamos um guia orientador, porque desejávamos não interferir no pensamento da professora. Cada professora teve liberdade para estruturar seu próprio diário, conforme feitio que melhor lhe conviesse, contanto que registrasse a sua prática cotidiana, o mais fiel possível.

Para a elaboração do projeto de intervenção seguimos a seguinte estrutura proposta por Lima (2001): Título, introdução, justificativa, formulação do problema, hipóteses,

objetivos geral e específicos, referencial teórico, conteúdos, metodologia, recursos, avaliação, cronograma e referências.

O trabalho com Projetos de Intervenção visava utilizá-lo de maneira contextualizada, interdisciplinar, tendo como foco a integralização do currículo. Assim, cada professora escolheu sua temática em função de suas dificuldades, necessidades de suas aprendizagens e da dos alunos.

Neste estudo, optamos pela concepção de diários, ou seja, os relatos do trabalho didático-pedagógico desenvolvido pelas professoras-alunas, em que descrevem os acontecimentos de sala de aula, comentários, justificativas, e análises sobre os mesmos. Dessa maneira procuramos caracterizar os diários como instrumentos de acompanhamento e avaliação crítica-reflexiva da prática pedagógica.

Durante o desenvolvimento do trabalho com os diários percebemos que as professoras/alunas realizaram reconstruções de suas ações, explicitando-as atribuindo-lhes um significado. Por meio deles consegue-se perceber os elementos significativos, os sucessos ou insucessos que vão sendo constituídos a cada aula.

Neste estudo, os diários foram usados objetivando a análise do pensamento das professoras-alunas uma vez que, através deles o pensamento se expressa e se elabora. Também possibilitou a exploração do desenvolvimento das atividades presentes nos planejamentos didáticos.

Através dos Diários, tivemos uma aproximação do conhecimento do pensamento das professoras-alunas e suas representações caracterizando a visão que possuem da realidade. Estas representações de alguma maneira são compartilhadas entre as professoras durante o exercício da profissão. Por meio dos Diários é possível termos acesso a essas representações pela autodescrição que as professoras fizeram de suas ações, mostrando a si mesmas. A

utilização de Diários possibilitou também às professoras-alunas a reflexão e investigação, ou seja, a pesquisa de sua própria ação docente.

x Observação Estruturada

Para coletar as informações acerca das ocorrências e do comportamento das docentes em sala de aula, optou-se pela observação estruturada. A observação revela-se em um instrumento que permitiu o contato direto com a realidade. É observando que o pesquisador(a) se situa, acerca das pessoas, emite julgamentos sobre elas em suas atividades cotidianas. A observação permite uma variedade de descobertas e de aprendizagens, através das quais os indivíduos pouco a pouco se apossam do contexto no qual encontram-se inseridos, capta atitudes, gestos, conhecimento da natureza do contexto e comportamentos assumidos pela docente.

A observação tem um papel importante na construção dos saberes. Para ser qualificada de científica, a observação deve respeitar alguns critérios e certas exigências como: “não deve ser uma busca ocasional, mas ser posta em serviço de um objeto de pesquisa, questão ou hipóteses, claramente explicitadas; esse serviço deve ser rigoroso em suas modalidades e submetido a críticas nos planos da confiabilidade e da validade”. (LAVILLE, 1999, p. 176).

Portanto, nesse estudo a observação é considerada como um instrumento de pesquisa que visa o registro do contexto da sala de aula e a captação dos comportamentos e dos saberes das docentes no exercício da profissão docente. Dessa maneira, seguimos esta perspectiva durante a análise dos dados referente aos diários da prática educativa das professoras/alunas neste estudo. No quadro seguinte apresentamos sucintamente os instrumentos usados na coleta de dados para esta pesquisa.

INSTRUMENTOS

DE PESQUISA OBJETIVO QUESTÕES

1. Projeto Político-Pedagógico 1. Conhecer o Modelo Formativo 2. Questionário 2. Identificar o perfil profissional

das docentes

De 1 a 19

3. Entrevista Semi-Estruturada x Prática de Ensino e Estágio Supervisionado de Ensino

3. Conhecer a concepção de prática pedagógica das docentes

De 1 a 05

4. Observação 4. Conhecer a prática educativa das docentes

5. Documentos Pessoais xProjeto de Intervenção xDiários do Estágio Supervisionado de Ensino

5. Conhecer os saberes docentes

Quadro 2 - Instrumentos de Pesquisa