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4.2 - PAH i sedimentkjerner

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De acordo como Hammersley (1990), Fino (2008b, p. 7) refere que “a recolha de dados não é

estruturada, no sentido em que não decorre da execução de um plano detalhado e anterior ao seu início, nem são pré-estabelecidas as categorias que serão posteriormente usadas”, contudo, “ […] o investigador etnográfico não pode observar a menos que saiba o que é relevante e essencial e esteja, desse modo, capacitado a desprezar os acontecimentos estranhos e fortuitos” (Malinowski, 1975, p. 15).

Para compreender detalhadamente os comportamentos naturais das pessoas, o investigador, à medida que seleciona os dados, elege algumas questões específicas para investigação, as quais vão sendo colocadas ou observadas durante o tempo de observação. Da recolha de dados, brotam outras questões, um punhado de ideias e umas tantas pontes conceptuais entre os conhecimentos possuídos e as estruturas cognitivas, o que é absolutamente essencial quer à recolha de dados quer à definição de linhas estruturais e às interpretações do investigador. Segundo Fino (2008b, p. 6), “a caraterística do pensamento etnográfico é a conceção da investigação como um processo indutivo ou baseado na descoberta, em vez de ser limitado pela testagem de hipóteses explícitas”, e ainda Fino (2008b), citando André (1997), faz distinção entre “a descrição pormenorizada e o estudo etnográfico, adiantando que não se deve confundir a observação, como técnica de coleta de dados, com a observação participante, que busca descrever os significados de ações e interações, segundo o ponto de vista dos seus atores” (p. 7).

No campo de investigação, os dados gerados pela investigadora, sob diversas formas, são dados em bruto; estes foram organizados e trabalhados de forma a produzir narrativas completas, que foram armazenadas no processador de texto. Os dados qualitativos são ricos em detalhes descritivos relativamente a participantes, locais e conversas e foram sujeitos à análise, síntese e capacidade crítica subjetiva da investigadora. Bogdan e Biklen (1994) consideram, ainda, que as notas de campo devem ser descritivas e reflexivas, sendo que a primeira “representa o esforço do investigador para registar objectivamente os detalhes do que ocorreu no campo” e reflexivas, porque foca “ a parte que apreende mais o ponto de vista do observador, as suas ideias e preocupações” (p. 152). Assim, o estudo etnográfico foca a descrição de conjuntos de significados culturais dos indivíduos em estudo, o que significa que

não se fica pela mera descrição de ambientes, pessoas, situações ou dos depoimentos destas. De acordo com Erickson (1993), citado por (Monteiro, 2010):

“Enquanto a observação participativa progride, o pesquisador pode reler as notas de campo e ouvir as fitas de áudio enquanto as hipóteses interpretativas estão se desenvolvendo, sinalizando as decisões estratégicas sobre os próximos passos da coleta de dados […]. Após a fase da coleta de dados, o pesquisador revisa o corpo inteiro de notas de campo e os documentos locais. Os registos de entrevistas e das interacções que ocorrem normalmente podem ser revistos em sua totalidade ou podem ser revistos mais selectivamente, usando-se os índices disponíveis nas notas que foram tomadas na hora do registo” (p. 294).

Após a identificação de padrões nos dados recolhidos, a seleção e a procura de fios condutores com algumas perguntas problemáticas, e tendo em conta as questões de partida, foi possível formular as respetivas subcategorias pertinentes para a questão da Inovação Pedagógica:

Quadro 1 - Categorias e subcategorias

Categorias Conhecimento Competências sócio-afetivas Inovação Sub- categorias - Criatividade - Ensino e Aprendizagem - Atitudes - Valores - Comunidade de prática - Educador um agente transformador

Fonte: Elaboração própria

Se há momentos em que a investigadora é empática e empírica, outros há em que é interpretativa e holística e a necessidade de validar de imediato as observações e interpretações implica a triangulação dos dados, tornando-se necessário desconfiar das interpretações realizadas, fazendo destas um hábito da investigadora. Sousa (2009), citando Denzin (1970), refere a triangulação como “a combinação de metodologias diferentes no estudo de um mesmo fenómeno” (Sousa, 2009, p. 173). Ainda de acordo com Denzin (1989) e Flick (2002), Sousa (2009), refere que a triangulação foi inicialmente concebida para validar

resultados do método; foi evoluindo e hoje a “triangulação do método, do investigador, da teoria e dos dados continua a ser a mais sólida estratégia de construção da teoria” (p. 231). Dos quatro tipos de triangulação, segundo este autor, o fundamento da triangulação teórica passa pela abordagem dos dados munidos de diferentes pontos de vista teóricos, colocados lado a lado com hipóteses mentais, levando o investigador a aumentar as possibilidades de produzir saber. A triângulação de dados temporais consiste na recolha de dados em diferentes momentos para serem comparados entre si e “verificar a sua constância” (Sousa, 2009, p. 173). Após selecionar pequenos episódios de entrevistas etnográficas e de observações, fotografias, catálogos de exposições, notícias no facebook, classificação e iniciação das análises (interpretações) dos dados, fundamental à triangulação, foi necessário renegociar com o anfitrião e os atores, com vista à validação, o facto de manter ou não o nome próprio dos aprendizes para que a autoria dos trabalhos não fosse quebrada, bem como a relação com os cartazes da exposição. De acordo com Sousa (2009) a triangulação tem a virtude de “conferir um certo robustecimento à validade de uma investigação de caráter qualitativo” (p. 173). Posteriormente, o investigador privilegia a compreensão dos comportamentos dos pequenos grupos e do grupo, de acordo com a sua perspetiva, correlacionada ao contexto natural; sabemos que a interpretação dos comportamentos que são objeto do estudo são condicionadas ou contaminadas pelos valores e princípios do investigador (Fino, 2008b; Bogdan & Biklen, 1994). Ao recorrer a teorias metodológicas para realizar diversas perspectivas interpretativas, Bogdan e Biklen (1994) aludem à importância de evitar atribuir motivos aos comportamentos dos participantes.

Ainda, segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 280), “o investigador qualitativo que se vê mais como um artista do que como um técnico necessita de tempo para a inspiração e para a contemplação”; assim, o mês de maio foi o espaço temporal de distanciamento necessário ao presente estudo. Contudo, também nos diz que o investigador deve disponibilizar a informação rapidamente e que a investigação pode ser realizada com rapidez e apresentar-se de grande utilidade, bastando, para tal, que o investigador apresente os dados, no relatório, com honestidade e cuidado. No relatório, o contexto no âmbito do qual a atividade ocorreu deve ser descrito de forma minuciosa e intensiva e o relatório deve ser redigido como se de uma história se tratasse.

2. Análise de dados

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