A rede urbana de TC assenta sobretudo no Metropolitano de Lisboa, que transportou 180,2 milhões de passageiros em 2011, e nos autocarros e elétricos da Carris, responsáveis pelo transporte de 232,7 milhões de passageiros no mesmo ano (Metropolitano de Lisboa, 2012b, Carris, 2012b). A tendência foi de crescimento no metropolitano até 2005 – mais 6,7% de passageiros desde 2000 –, mas desde então tem‐se assistido a uma quebra destes valores com menos 4,7% até 2009. O aumento do preço dos combustíveis esteve por trás de nova subida no número de passageiros transportados em 2010, que evitaram recorrer aos seus carros, mas o agravar da crise voltou a fazer cair estes valores em 2011 (FIGURA 34). Em termos de quota de mercado, o Metropolitano de Lisboa tem vindo a conquistar um maior peso, desde os 23% em
98 Caso de estudo de Lisboa 1990 até aos 43,6% atuais, perto do pico de 43,9% atingido em 2006, facto que está associado ao crescimento e à estruturação da sua rede. Fonte: EMEL, 2012
FIGURA 33 – ZONAS DE ESTACIONAMENTO TARIFADO À SUPERFÍCIE NA CIDADE DE LISBOA
Fonte: Metropolitano de Lisboa, 2012b, Carris, 2012b
FIGURA 34 – EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE PASSAGEIROS NO METROPOLITANO DE LISBOA E CARRIS, 1997‐2011
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 0 100 200 300 400 500 600 Quota do Metropolitano N.º de passageiros (em milhares) Ano Metropolitano Carris
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As alterações no setor dos transportes decorrentes da aplicação do Programa de Assistência Financeira a Portugal por parte da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional em 2011, conduziram à fusão da Carris e do Metropolitano de Lisboa, dando lugar à Empresa de Transportes de Lisboa. As orientações do memorando decorrente deste programa levaram ainda ao aumento significativo do preço dos transportes, bem como uma diminuição da oferta, com impactes evidentes no número de carruagens em circulação e nos intervalos entre composições do Metropolitano de Lisboa (2012g).
A rede do Metropolitano de Lisboa (FIGURA 35) tem evoluído a partir do centro da cidade, zona que serviu quase em exclusivo até 1997. Com o aproximar da Expo 98, surgiram as expansões para a periferia da cidade, nomeadamente para Noroeste e para a zona oriental, para além da ligação ao Cais do Sodré, importante ponto intermodal. Mais recentemente acentuou‐se a aposta na ramificação da rede, no alastramento aos concelhos de Odivelas e Amadora. Dezembro de 2007 viu concluídas as obras de prolongamento da Linha Azul ao Terreiro do Paço e Santa Apolónia, dois importantes interfaces com os transportes fluviais e ferroviários, respetivamente, bem como com o terminal de cruzeiros de Santa Apolónia. O cruzamento das quatro linhas foi finalizado em agosto de 2009 com a extensão da Linha Vermelha ao Saldanha e S. Sebastião, uma importante obra para a mobilidade dos utilizadores por permitir um mais fácil transbordo entre linhas e pela sua localização no centro da cidade. Em julho de 2012 concluiu‐se uma das mais relevantes extensões da rede, essencialmente para o setor turístico, ao levar o metro ao Aeroporto de Lisboa. O passageiro do transporte aéreo pode assim chegar agora à Gare do Oriente em 5 min e em 15 ao centro da cidade. A rede conta atualmente com 55 estações repartidas por quatro linhas, totalizando 43,2 km de extensão. Apesar de ser uma rede pouco extensa, com uma densidade de 0,5 km de rede por km2 de área da cidade, este valor é semelhante ao de Madrid e superior ao de cidades como Berlim, Viena ou da maior cidade europeia, Londres, perdendo apenas para Paris e Barcelona com 2 e 1 km de rede/km2, respetivamente (Ajuntament de Barcelona, 2012; BVG, 2012;
Metro de Madrid, 2012; RATP, 2012; Transport for London, 2012a; Wiener Linien, 2012). O coeficiente de ocupação situava‐se em 2011 nos 25,7%, valor que foi dos mais elevados das duas últimas décadas, contrariando uma queda praticamente constante desde 2001. Contudo, este registo não deixa de estar associado à diminuição da oferta, patente no decréscimo de cerca de 900 milhões de lugares x km de 2009 para 2011, diferença que será ainda maior em
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2012 após as medidas decorrentes da aplicação do Programa de Assistência Financeira descrito atrás (Metropolitano de Lisboa, 2012b).
Fonte: Metropolitano de Lisboa, 2012c
FIGURA 35 – REDE DO METROPOLITANO DE LISBOA EM 2012
A evolução da rede contará em breve com o prolongamento da Linha Azul à Reboleira a partir de Amadora Este, fazendo a ligação à Linha de Sintra da CP. Em fase de projeto ou estudo encontram‐se ainda as extensões das linhas suburbanas do metro para Loures, Odivelas e Amadora, assim como uma segunda interligação da linha vermelha com as restantes linhas a norte da cidade, ligando o Aeroporto à Pontinha, com passagem no Campo Grande. Historicamente em estudo está o prolongamento a Campolide, Amoreiras, Campo de Ourique, Estrela e Alcântara, projeto de relevância para a atividade turística pelas áreas cobertas, tal como o é a ligação do Cais do Sodré ao Rato, com passagem em São Bento, transformando a
Caso de estudo de Lisboa 101 linha verde em circular, e a nova estação Alfândega na linha azul, servindo os passageiros dos cruzeiros que cheguem ao Terminal do Jardim do Tabaco (FIGURA 36). Fonte: Metropolitano de Lisboa, 2012d
FIGURA 36 – PROJETOS DE EXPANSÃO DA REDE DO METROPOLITANO DE LISBOA
Proposta entretanto abandonada é o da chamada ‘Linha das Colinas’, recuperada pelo estudo de mobilidade da CML (2005a), que se estendia entre Campo de Ourique e Santa Apolónia, atravessando a zona central antiga da cidade e passando em zonas de difícil acesso quer de TC quer de TI ou até mesmo para andar a pé com os acentuados declives presentes. Esta proposta já constava dos planos do Metropolitano de Lisboa desde o início da década de 90 do século passado, mas foi este estudo que lhe conferiu o cariz de essencial para a mobilidade em Lisboa, por permitir melhorar significativamente o acesso e potenciar a requalificação de uma série de áreas históricas da cidade.
Aproveitando a referência a propostas de desenvolvimentos futuros dos transportes em Lisboa, referem‐se aqui as sete linhas de TC em canal próprio contempladas no novo Plano Diretor Municipal de Lisboa (CML, 2012h). O formato de exploração tanto pode ser de elétrico rápido ou metro ligeiro de superfície, em corredores também passíveis de ser acedidos pelos
102 Caso de estudo de Lisboa autocarros. As linhas incidem sobre a metade norte da cidade e a frente ribeirinha da cidade (FIGURA 37). Fonte: CML, 2012h
FIGURA 37 – PROPOSTA DE TC EM SÍTIO PRÓPRIO NO PDM DE LISBOA
Em termos da mobilidade turística são particularmente relevantes as ligações do Parque das Nações a Sete Rios e ao Cais do Sodré pela frente ribeirinha, a linha Santa Apolónia‐Falagueira com passagem nas Avenidas Novas e Praça de Espanha e a conexão entre a Estrela, Alcântara e Algés.
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