• No results found

P RODUKTEGENSKAPER / - FUNKSJONER

Historicamente, a mulher vem sendo definida como alguém dotada de saberes naturais para cuidar e educar crianças, ou seja, não necessita de fundamentos teóricos para exercer tais competências. Defendia-se a idéia de que a mãe enfrenta as piores condições possíveis, mas continua cuidando e educando seus filhos, portanto conhecer técnicas e métodos que embasem o trabalho não é preciso. As professoras de Educação Infantil, não eram vistas como profissionais, não se considerando aspectos referentes à formação, mas apenas aqueles relacionados ao ser mãe, ser do sexo feminino e gostar de crianças, e isto era suficiente para que uma pessoa fosse responsável (em parte) pela educação e cuidado de crianças de 0 a cinco anos de idade. Este tipo de trabalho não era considerado profissional, estava muito próximo do trabalho doméstico, das funções ligadas à casa e às mães, daí a presente indefinição e o fato de praticamente não contarmos com homens que estejam vinculados ao trabalho na Educação Infantil.

Pelo fato da profissionalidade constituir-se histórica e socialmente, tais concepções influenciam até hoje na concepção do “ser professora”, desencadeando o desafio de compreender o cotidiano dessa profissão e as características que permeiam este trabalho, culturalmente construído através de um conjunto de práticas feminizantes.

Entende-se o trabalho feminino como não-profissional, por não apresentar características predominantes no trabalho masculino, como explicita Cerisara (1996):

Uma concepção de trabalho profissional baseado na versão masculina de trabalho em que predominam a racionalidade, a objetividade e as relações

impessoais e a correspondente negação de um trabalho feminino. Além disso, evidencia que essas trabalhadoras não têm uma formação dirigida para esta atividade profissional, que as habilite para exercê-la. (p.104)

De modo geral, a formação das professoras da Educação Infantil não é vista e analisada como uma prioridade, pois existe a idéia inculcada de que qualquer pessoa é capaz de educar e cuidar de uma criança pequena, que isso não exige qualquer tipo de profissionalização por ser uma característica natural da mulher (ligada à questão do “ser mãe”). A formação das professoras da Educação Infantil tem, sim, por base a identidade pessoal dessas mulheres; identidade esta que vem sendo construída historicamente dentro de uma ocupação desvalorizada socialmente – ser professora de crianças pequenas e ser mulher.

Mesmo diante de tal desvalorização, o trabalho como professora conduziu historicamente a mulher a um avanço em suas perspectivas, pois muitas delas saíram de sua condição de “donas de casa” ou “domésticas” para se dedicarem ao trabalho de educar e cuidar de crianças pequenas. Nas instituições de Educação Infantil, essas mulheres sentem-se mais livres para expressar o que pensam, trocar idéias e informações, participando ativamente de tudo que permeia o trabalho realizado nas instituições.

Diante de toda a história das professoras de Educação Infantil, percebe-se que o que consistia em um avanço histórico para as mulheres, atualmente é motivo de desvalorização e desqualificação profissional, ligando intrinsecamente o trabalho de professora/educadora da Educação Infantil a aspectos familiares que conduzem ao não-profissionalismo ou até mesmo a uma crescente confusão de identidades entre o ser mãe e o ser profissional, negam sua real função, que é a do exercício da docência na Educação Infantil, como aborda Cerisara (2002):

... se em casa há mães que exercem a maternidade junto aos filhos, e se na escola de ensino fundamental há professoras que exercem o magistério com seus alunos, nas creches e pré-escolas deve haver professoras de educação infantil que atuem junto a crianças de 0 a 6 anos. (p.68)

O olhar voltado a essas professoras tem que ser construído levando-se em conta que se trata de sujeitos sociais e de relações estabelecidas por esses sujeitos. Relações essas que envolvem suas atividades profissionais e os projetos de formação em que estão inseridos.

A consolidação da importância do trabalho docente em instituições de Educação Infantil só pode ocorrer a partir do momento em que se reconhecer a qualidade deste nível de ensino, considerando as contradições entre o feminino e o profissional que tem permeado a profissionalização destas professoras:

Princípios como a maternagem, que acompanhou a história da educação infantil desde seus primórdios, segundo a qual bastava ser mulher para assumir a educação da criança pequena, e a socialização, apenas no âmbito doméstico, impediram a profissionalização da área. (KISHIMOTO apud CERISARA, 2002, p.7)

Ao reconhecer que aspectos pessoais das professoras interferem no trabalho cotidiano, implicitamente também se reconhece que o envolvimento emocional está diretamente ligado ao seu trabalho com as crianças e com os adultos. Para Ongari; Molina (2003), dois são os aspectos relacionados a esta concepção:

1. Relação entre o próprio trabalho e a experiência familiar: ser educadora de crianças pequenas é um trabalho que deve ser desenvolvido por mulheres; 2. Percepção do que significa, para a educadora, a dimensão afetiva. (p. 54)

Quando se estabelecem relações entre o ‘ser professora’ e o ‘ser mãe’, desenvolve-se a integração entre o educar e o cuidar, tarefas que não são passíveis de serem dissociadas e que causam certa duplicidade de funções para a professora, que se considera inferiorizada por apresentar uma base de formação que lhe permite educar, e ao mesmo tempo ter que exercer atividades ligadas ao cuidado das crianças com as quais atua.

Para grande parte das professoras de crianças pequenas, o cuidar está intrinsecamente relacionado aos cuidados físicos: à saúde, higiene, alimentação e segurança. Ao discutir a questão do cuidar, no prefácio do livro ‘O Cuidado e a Formação Moral na Educação Infantil’, de Thereza Montenegro (2001), Yves de La Taille considera:

Talvez não haja maiores problemas para pensar a formação deste profissional no que diz respeito ao educar. Mas, eles certamente existem em relação ao cuidar. O cuidar envolve a parte afetiva, componentes emocionais. O cuidar diz respeito às necessidades singulares de cada criança objeto deste tipo de atenção. O cuidar pressupõe certas atitudes, para não dizer certos “movimentos da alma”. (p. 12) O trabalho com crianças de 0 a cinco anos de idade envolve educação e cuidado, na perspectiva de que a criança é ser ativo, sujeito de direitos e acima de tudo isso, criança. Assim sendo, a pesquisa busca caracterizar essas professoras, tomando por base sua própria visão sobre o trabalho que exercem, quais as dificuldades de seu fazer pedagógico e o seu conhecimento em relação à sua atuação como professoras de Educação Infantil.

A construção das identidades das profissionais de Educação Infantil forma-se através de processos sociais, permeados por relações sociais que envolvem aspectos pessoais e profissionais. A identidade das profissionais envolve também elementos relativos à formação

e qualificação, objetivando que a atividade docente possa ser desenvolvida adequadamente. Para Silva (2001):

... a reflexão sobre a formação e a prática docente em geral nos dará condições de superar as desigualdades que marcam a creche de maneira geral e, em especial, as suas profissionais. (p. 22)

O processo de construção das identidades das professoras de Educação Infantil deve ser pensado e refletido a partir das relações em que ocorrem, levando em consideração as peculiaridades (especificidades) que envolvem toda a trajetória das professoras, além de ser essencial que se vincule realmente essas profissionais ao campo da educação, de uma educação relacionada ao cuidado, cuidado este que faz parte das relações específicas entre professoras e crianças.

Um trabalho pedagógico que integre cuidado e educação é importante para que a criança sinta-se segura, possa trabalhar suas emoções, construir e reformular hipóteses sobre o mundo e, sobretudo, elaborar sua identidade pessoal e social.

Investigar a construção da identidade das professoras de creche e a profissionalização do cuidar e do educar nos âmbitos sociais, históricos e da Universidade Pública, implica em analisar opções, motivações, expectativas e a satisfação daqueles que trabalham com crianças pequenas, em especial das professoras da Educação Infantil dos CCI’s/UNESP, sujeitos de nossa pesquisa, diante do atual processo de transição e definição da identidade profissional destas professoras, que pode hesitar entre os papéis de mãe ou de professora.

Atualmente, definir uma identidade profissional para as professoras de Educação Infantil implica em re(definir) o papel da instituição de Educação Infantil, mantidas por uma “multiplicidade de linhas diretrizes e de recomendações de método” (Ongari; Molina, p.22, 2003). A intenção é oferecer subsídios, nas instituições e através dos professores, para um trabalho de qualidade.

Para Freire:

A qualidade da educação infantil requer a implementação de ações sistemáticas, que garantam que todas as relações construídas no interior da creche e da pré-escola sejam educativas. (p.79, 1999)

Assim, o adulto exerce um papel fundamental no que se refere a garantir a qualidade no atendimento; para isso, é necessário que a professora tenha uma intenção educativa e uma qualificação que o permita “refletir continuamente sobre seu trabalho, com base em uma formação permanente em serviço”. (FREIRE, p.79, 1999)

O que pode conferir o significado de profissionalidade à Educação Infantil são as reflexões a respeito dos conceitos de infância e educação, numa perspectiva de que a criança é ser ativo, e, portanto as professoras devem exercer uma prática inovadora, que só é possível quando as mesmas definirem a identidade de sua profissão, articulando prática e teoria, enfocando sempre as crianças de 0 a cinco anos de idade.

Para Cerisara (2002):

A defesa da profissionalização das professoras de educação infantil é tão urgente quanto à redefinição da função das instituições de educação infantil e está relacionada à concepção de que todas as crianças de 0 a 6 anos sejam elas pobres ou ricas, brancas, negras ou indígenas, estrangeiras ou brasileiras, entre outras, tem o direito a uma educação infantil que garanta uma infância digna e boas condições de vida. (p.108)

De acordo com a autora, a necessidade de definir a profissionalização das professoras é latente e tão necessária quanto definir o papel das instituições, que ainda vivem a dicotomia entre cuidado e educação, que acompanha o desenvolvimento da Educação Infantil desde seu surgimento. Sabemos que a Educação Infantil foi reconhecida como parte da educação somente com a promulgação da Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9394/1996), a partir daí, surgiu a necessidade de que as profissionais se enquadrassem como profissionais da Educação ou como “professoras”, ao mesmo tempo em que tiveram que construir referências a respeito do trabalho que realizavam, e ao mesmo tempo, as creches buscavam constituir-se como instituições educativas.

Enquanto não for possível delimitar melhor quais são as atividades e funções das professoras de Educação Infantil, realmente será difícil definir uma identidade para elas, ao mesmo tempo em que fica claro que a própria instituição de Educação Infantil é que vai delimitando e delineando quem são suas profissionais e reconstruindo-se histórica e socialmente.

A professora de Educação Infantil precisa ter em mente que não é apenas o fazer pedagógico cotidiano dentro das instituições que constitui sua função como profissional, mas também o fato de se preparar para ser uma pesquisadora capaz de avaliar sua prática, as interações construídas com as crianças e familiares e estabelecer relações entre as experiências vivenciadas e o conjunto de saberes que fazem parte de sua prática:

Ele é alguém cuja riqueza de experiências vividas deve ser integrada ao conjunto de saberes que elabora o seu fazer docente. Dele são exigidos investimento emocional, conhecimento técnico-pedagógico e compromisso com a promoção do desenvolvimento dos alunos. Ele precisa abrir-se a seus próprios modos de agir para enfrentar combinações que podem ser

criativamente estabelecidas entre diferentes coisas, lidar com os próprios desejos e com a imaginação, compreendendo a maneira como a criança constrói significados sobre o que a cerca e sobre si mesma. (OLIVEIRA; In: REVISTA PÁTIO EDUCAÇÃO INFANTIL, v.2, 2003, p. 8)

Para que seja possível ampliar as discussões a respeito da docência na Educação Infantil, é necessário que as competências das professoras sejam plenamente reconhecidas. Tais competências não podem ser desenvolvidas apenas através da formação inicial ou da formação continuada, precisam ser desenvolvidas com o decorrer de processos de formação, que envolvam desde a prática cotidiana, até mesmo as relações existentes entre as próprias crianças e suas famílias.

Para que tais objetivos sejam alcançados, embasado no que pedem as Diretrizes Nacionais para a Formação Docente (1998), é necessário partir do pressuposto de que um profissional de Educação Infantil interessado em realizar um trabalho adequado, seja capaz de:

• Compreender a primeira infância como uma fase de autocuidado, entendimento do valor das linguagens e aproximação com um grupo de referência sociocultural;

• Compreender que as crianças de 0 a 3 anos de idade são mais dependentes e necessitam de aprendizagens ligadas a relações corporais, afetivas e emocionais;

• Construir vínculos positivos com as crianças de 0 a 3 anos de idade, integrando os papéis relacionados às necessidades desta faixa etária (imitação, interação, brincadeira) aos cuidados (higiene e saúde);

• Organizar situações adequadas de aprendizagem para as crianças de 4 a 6 anos de idade, considerando que se encontram em um processo de ampliação de experiências, nos aspectos físico, afetivo, cognitivo, psicossocial e lingüístico;

• Planejar, elencar e didatizar os conteúdos, considerando o desenvolvimento infantil desta faixa etária;

• Trabalhar com crianças portadoras de necessidades especiais, na perspectiva de inclusão;

• Construir atitudes éticas quanto a sua função social, defendendo o direito de todos à educação, refletindo sobre as teorias e preconceitos elaborados pela própria profissional a respeito das crianças e de suas famílias, para que seja possível estabelecer uma relação educativa livre de pré-conceito e concepções que possam prejudicar sua atuação em sala de aula e fora dela. (DIRETRIZES NACIONAIS PARA FORMAÇÃO DOCENTE APUD REVISTA PÁTIO EDUCAÇÃO INFANTIL no 2, 2003, p.17)

O que já se pôde constatar é que as crianças se desenvolvem a partir de experiências educativas bem planejadas e organizadas, portanto a formação ética e a competência da professora de Educação Infantil em sua tarefa de cuidar e educar deve contar com a especificidade da faixa etária em que atua, além de garantir às crianças o direito à infância. Para Oliveira (2003):

Nas múltiplas situações criadas em creches e pré-escolas, a crianças tem no professor alguém qualificado para mediar seu desenvolvimento, auxiliando-a a ampliar linguagens que usa para representar e exprimir sua forma de compreender o mundo e a si mesma. (REVISTA PÁTIO EDUCAÇÃO INFANTIL, v.2, 2003, p. 7)

Como não existe um modelo único de formação voltada às professoras da Educação Infantil, a experiência particular pautada no trabalho é em grande parte o principal elemento através do qual pode ser definida essa profissão. Sabemos que as professoras embasam sua formação em currículos bastante diferenciados, com duração diversa e finalidades bem diferentes.

Diante de aspectos definidores dessa profissão, tais como: a formação inicial, a formação em serviço e a experiência adquirida pelo trabalho, Ongari; Molina (2003) destacam a importância de se considerar a experiência pessoal:

Além disso, o aspecto da própria experiência feminina, principalmente em relação à maternidade, também reaparece como elemento crucial, nem sempre reconhecido no percurso de construção da profissão. Por um lado, porque nos comparamos ou nos comparamos no passado, com um modelo de educadora que considera os ‘dotes femininos’ como único requisito exigido para desenvolver este trabalho. Por outro lado, porque a diferenciação entre o tipo de cuidados oferecidos, respectivamente, pelas educadoras e pelas mães não é tão fácil e óbvia assim. E ainda a ‘dupla experiência’ ligada à ‘dupla presença’ pode ser uma fonte profissional rica e qualitativamente importante, se adequadamente reconhecida. (p. 92)

Na relação da busca por definir a identidade das professoras de Educação Infantil, não é possível desconsiderar aspectos referentes à formação inicial, continuada e em serviço, além das características específicas desta modalidade de educação, que não pode ser vista como uma mera preparação ao ensino fundamental ou como uma alternativa para mães que não têm com quem ou onde deixar seus filhos para que possam trabalhar. A professora de Educação Infantil não pode ter como base para seu trabalho com crianças de 0 a cinco anos de idade a docência nas séries inicias do ensino fundamental.

A função de cuidar na Educação Infantil está intimamente relacionada à formação das professoras: o afeto que implica a questão do cuidado contrapõe-se à profissionalidade, voltada à concepção masculina de trabalho, em que o homem é aquele destinado a realizar trabalho remunerado, onde são exigidas racionalidade e objetividade, enquanto à mulher destina-se o trabalho relacionado à emoção, bem distante do que se convencionou o chamado trabalho profissional.

Atualmente, surgem estudos a respeito da profissionalidade das professoras de Educação Infantil que consideram implicações como relações afetivas e experiências pessoais, diante disso, insere-se também o aspecto da grande presença de mulheres na profissão do magistério. Aspecto este que contribui fortemente na construção da identidade profissional destas professoras, confirmando que a questão do gênero é um elemento presente nas relações sociais que definem o significado das relações estabelecidas entre professoras, crianças e demais profissionais.

Ao levantar a questão do gênero feminino como fator primordial na constituição da identidade profissional, envolvem-se também questões históricas relacionadas à mulher, tais como o trabalho doméstico, que conduz ao “ato de cuidar” das crianças, o que não é tido como atividade profissional. A relação das professoras que tiveram uma formação voltada para a prática docente de “educar” com essa duplicidade de funções, segundo Cerisara é a seguinte:

Principalmente as professoras, que passaram por uma formação específica para poder assumir uma vida profissional no universo público, têm suas expectativas de competência abaladas quanto mais constatam que desenvolvem um trabalho que se opõe ao que se convencionou chamar de profissional: há uma domesticidade nas relações com fortes traços de emotividade, as práticas junto às crianças parecem não guardar traços de racionalidade e objetividade, a não ser quando elaboram o planejamento ou participam de reuniões de estudo. (2002, p. 63)

Construir o sentido de profissionalidade das professoras da Educação Infantil, diante de todos os aspectos relacionados, não constitui tarefa fácil. É necessário que a base dessa construção seja a identidade pessoal das professoras, constituída historicamente e socialmente, tendo como parâmetro que o trabalho com crianças pequenas não é igual ao trabalho realizado com o ensino fundamental e também não é uma função que pode ser realizada por pessoas sem uma formação específica.

Quando se pretende falar a respeito das professoras de Educação Infantil, a diferença das professoras de séries iniciais é latente, e isso precisa ser explicitado para que as particularidades do trabalho das professoras com as crianças de 0 a 6 anos em instituições de educação e cuidado sejam respeitadas e garantidas, como define Arce (2001):

A ambigüidade entre o doméstico e o científico chega até os dias de hoje em que, no cotidiano da Educação Infantil, predomina a utilização de termos como “professorinha” ou “tia”, que configuram uma caracterização pouco definida da profissional, oscilando entre o papel doméstico de mulher/mãe e o trabalho de educar. (REVISTA EDUCAÇÃO E SOCIEDADE, 2001, p. 273)

Ao mesmo tempo em que se destaca a necessidade de não estabelecer separações entre a profissional que “educa” e a profissional que “cuida”, estabelece-se a prioridade de vincular a Educação Infantil como uma modalidade a ser trabalhada de forma unificada, no entanto isto demanda que suas professoras tenham formação adequada ao nível de ensino e às necessidades da Educação Infantil, por isso, é importante que se estabeleçam discussões cada vez mais fundamentadas a respeito da formação das professoras de Educação Infantil, de seus anseios profissionais, pessoais e das políticas que regem esta modalidade de ensino.

A Educação Infantil merece respeito e reconhecimento, assim como o trabalho que as professoras que atuam com este nível de educação vêm realizando: o que esperamos é que a Educação Infantil e suas professoras sejam reconhecidas e valorizadas perante a sociedade.

Assim, o objetivo da pesquisa requer conhecer quais fatores influenciam na formação de professores, quais as dificuldades de seu fazer pedagógico e o seu conhecimento em relação aos fundamentos básicos de sua atuação, que deve ser baseada em uma formação que articule a diversidade de conceitos trabalhados nos programas de capacitação inicial e continuada e sua prática profissional cotidiana, para que seja possível compreender seu papel, diante da necessidade de articular educação e cuidado na mesma instituição. Para Kramer (2003):

Nesse contexto, precisamos de professores dispostos a repensar a sua identidade e a história coletiva que vai sendo constituída. Refiro-me àqueles que, atuando na educação infantil, percebem-se como profissionais, entendendo ao mesmo tempo em que, se somos professores, as pessoas de pouca idade com as quais atuamos, muito mais que alunos, são crianças. (REVISTA PÁTIO EDUCAÇÃO INFANTIL, v. 2, p.11)

É notório que o desenvolvimento de uma profissional de Educação Infantil, tomando por base os sujeitos desta pesquisa, exige que passe por um processo contínuo de estudo,