3. LEGAL ANALYSIS
3.10 P RIVACY IN THE SMART METERING
«Todo discurso deve ser construído como uma criatura viva, dotado por assim
dizer do seu próprio corpo; não lhe podem faltar nem pés nem cabeça; tem de dispor de um meio e de extremidades compostas de modo tal que sejam compatíveis uns com os outros e com a obra como um todo»
(Fedro, 264C) Platão quando proferiu semelhante afirmação na voz de Sócrates não estaria a pensar no ensaio filosófico como o entendemos hoje, no entanto, não será nenhum erro se pudermos aplicar este pensamento ao serviço do presente trabalho. Daqui podemos concluir que todo o ensaio filosófico deve possuir um fio condutor que permita estabelecer uma linha orientadora na totalidade do discurso. É imprescindível que cada parte do ensaio remeta para a seguinte ao mesmo tempo que mantém a ligação com a parte anterior. Sendo assim, a estrutura do ensaio filosófico é um factor preponderante na elaboração de um ensaio. Segundo Martinich (2005), a estrutura de um ensaio pode dividir-se em cinco partes.
A primeira parte será a apresentação da tese a defender. Muitos autores, como por exemplo, Portmore (2001), defendem que esta tese deve aparecer logo no primeiro parágrafo ou até mesmo ser a primeira frase do trabalho. Isto é fundamental porque permite ao leitor identificar logo a partida qual a posição do autor sobre o tema abordado. Esta parte do ensaio também pode ser entendida como a introdução, uma vez que é parte preliminar de todo o ensaio. Muita da qualidade do ensaio pode depender desta parte introdutória, uma vez que irá funcionar como uma antevisão do futuro texto. É importante salientar que ao ser estabelecida a tese, esta será o ponto central do ensaio, por tal motivo é basilar que o autor não entre noutros assuntos ou conceitos que pouca relação têm com a tese central. Caso isto aconteça, o ensaio perde a sua unidade e fere a analogia inicial, pois o organismo passaria a ter mãos e pés a mais. A tese característica de um ensaio filosófico deve ser sucinta e explícita, de modo a que seja claro o objectivo do autor. Um perigo a evitar é a ambiguidade da tese, dado que se esta for muito vaga pode dar origem a sub-teses que variam de acordo com a interpretação do leitor e se tal acontecer. O ensaio, como já referido, perde a sua unidade. Por exemplo, se eu estiver a escrever um ensaio sobre a igualdade de género a minha tese nunca poderá ser: “Vou defender que a igualdade de género é certa.” Esta tese é demasiado vaga para ser considerada uma tese válida, ela deveria ser complementada com uma razão por que se considera a igualdade como um critério a seguir. Com este complemento o leitor já pode ter uma visão concreta da linha de pensamento que se vai seguir.
Para uma tese ser considerada digna de um ensaio filosófico deve suscitar divergência de opiniões, ou seja, um ensaio filosófico não pode abordar algo que já seja aceite pela comunidade sem sombra de dúvida. Se a tese estiver a abordar um tema que já foi resolvido
ou que pouca discussão mereça, o ensaio proveniente dessa tese perde o seu valor enquanto reflexão filosófica.
Outro aspecto importante que a tese deve conter é a relevância do tema. Para um ensaio ser considerado filosófico, este deve debruçar-se sobre assuntos que requeiram reflexão e respostas argumentativas. Se um autor estiver a escrever sobre a acção de enzimas, tal nunca poderá ser considerado como um ensaio filosófico porque é uma questão empírica e não reflexiva.
Uma tese filosófica tem de ir além da mera crença pessoal, deve ser uma posição passível de ser defendida com argumentos objectivos e válidos e não apenas com convicções pessoais.
A segunda parte da estrutura do ensaio filosófico é o “meio” do ensaio, segundo Martinich (2005), sendo que esta parte pode subdividir-se em três partes. A primeira destas subdivisões está relacionada com a apresentação dos argumentos a favor da tese, será o início da argumentação, as regras citadas a ter com a argumentação devem ser respeitadas nesta secção. No entanto, segundo Martinich (2005), esta parte deve estar mais indicada para a exposição das premissas, a parte subsequente do ensaio é que será a parte onde se faz a ligação entre as várias premissas, tendo sempre o cuidado de o fazer de modo válido. Nesta secção pode ser cedido lugar à outros pensadores, esta alusão pode ser feita por um critério relacionado com a história do problema ou por relevância das intervenções. Após a exposição das principais premissas, o objectivo da terceira parte da subdivisão exposta é o da dedução de uma conclusão de forma válida. Em ordem a assegurar a conclusão presumivelmente verdadeira dos argumentos que sustentam a tese há que provar a validade desses mesmos argumentos. Convém salientar que para que o ensaio filosófico seja mais credível, devem ser apresentadas objecções e consequentes resoluções. Isto faz que a tese passe por momentos de crise, e uma vez esses momentos resolvidos, a tese fica consolidada.
Por fim, aparece a parte final, que servirá como conclusão do ensaio. Nesta parte, Martinich (2010) refere que esta conclusão pode ser uma que resuma tudo o que foi dito até então, salientando os aspectos mais importantes e que devem ficar na memória. Também pode ser dado ênfase às implicações da aceitação da tese ou ainda podem ser acrescentados argumentos a favor da tese, mas isto não será recomendável porque estes argumentos serão entendidos como argumento de inferior qualidade, uma vez que distam dos principais argumentos que se encontram na parte de desenvolvimento.