Paralelamente à extração das unidades neológicas é preenchida uma ficha de identificação de neologismos para cada uma dessas unidades, para sua organização numa base de dados, em Excel, que permita a análise dos dados em termos quantitativos.
Nesta fase, os neologismos têm que ser classificados com base em critérios pré- definidos, que orientem o trabalho e assegurem coerência na avaliação. Neste âmbito de clarificação de critérios são também definidas as formas de preenchimento dos campos das fichas de identificação de neologismos.
Critérios para a classificação de neologismos Indicações genéricas
Para cada unidade neológica será preenchida uma ficha;
Não se considera neologismo, nem se regista em ficha de identificação: - O candidato que está registado no Dicionário da Língua Mirandesa;
- O candidato que está registado no Pequeno Vocabulário Mirandês-Português; - O candidato que se encontra documentado no corpus comparável;
- Os casos de variantes ortográficas de palavras já documentadas no Dicionário da Língua Mirandesa, por exemplo: acumparança/acumparáncia; flor/frol (Bautista (2013: 381) fala em casos de “vacilação gráfica”, para definir esta situação em que se encontra a mesma palavra escrita de formas diferentes.);
- De uma forma geral, todas as formas de palavras, ou seja, variações flexionais de um mesmo lexema, porque dos processos flexionais não resultam novas palavras, mas sim formas de palavras já existentes, pelo que a sua identificação não corresponde ao objetivo deste trabalho, como referido no capítulo 3.
Os nomes e adjetivos são registados no género e no grau em que aparecem no contexto.
Os verbos são registados conforme aparecem no contexto. Se se tratar de um verbo pronominal, será registado com o pronome.
Relativamente à seleção do contexto a transpor, cada ficha terá os contextos que se entendam necessários para clarificar as opções na classificação do neologismo ao preencher os restantes campos da ficha.
No caso das palavras importadas, será também identificada a sua língua de origem. Os textos do corpus de extração encontram-se em português, espanhol, francês, inglês, latim e italiano, mas, além destas línguas base, os tradutores encontram-se ainda sob a influência constante e dominante da sua língua materna, o português. Não nos sendo possível afirmar qual terá sido a principal influência idiomática sobre o tradutor, e uma vez que se observaram vários casos de empréstimos em que era difícil determinar a língua de onde foram importadas para
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o mirandês, reuniram-se os seguintes critérios para justificar a identificação da língua de importação:
1- Proximidade vocabular: Sempre que o termo em mirandês apresenta maior proximidade, em forma e fonologia, com uma das línguas base ou de apoio que deram origem à tradução, ou com a língua do tradutor. Como no caso do neologismo mirandês andígena, identificado na ficha n.º 21, cuja tradução, tendo sido baseada no correspondente do texto original em inglês22 -
indigeneous, apresenta maior semelhança em forma e fonologia ao seu equivalente português – indígena. O mesmo se verifica, por exemplo, na palavra Amaná, identificada na ficha n.º 6. Trata-se de uma palavra do texto “L Mais Alto Cantar de Salomon”, que Francisco Niebro, de língua materna portuguesa, traduziu com base numa versão em espanhol com apoio em versões portuguesas23. Esta palavra foi classificada como sendo importada do
português, pois é com esta língua que existe maior proximidade de forma. 2- Primazia da língua fonte sobre as línguas de apoio e sobre a língua do
tradutor: Nos casos em que a palavra mirandesa tenha tido base numa língua estrangeira e apoio em outras línguas, e se os equivalentes nestas línguas tiverem a mesma forma, dá-se primazia à língua que serviu de base à tradução, menorizando a influência das línguas de versões de apoio, ou da língua do próprio tradutor. Por exemplo, na ficha n.º 20 identificou-se o neologismo andalhuç, que apresenta a mesma forma em português e em castelhano – andaluz, como sendo originário do castelhano, por ser esta a língua base da tradução.
A determinação dos fatores que mais influenciam as opções do tradutor no momento da importação lexical não é objeto de estudo do presente trabalho, podendo constituir matéria para um projeto autónomo sobre influências idiomáticas e culturais no trabalho de tradução, pelo que não nos deteremos na investigação destes critérios. Deixamos, pois, em aberto a possibilidade de a língua de origem ser diferente daquela que nós identificámos, embora notando que, para efeitos de cálculo e análise de dados, serão tidas em conta as origens identificadas nas fichas, com base nos critérios anteriores. 4.6.1 Ficha de Identificação de Neologismos
Os 290 neologismos apurados na análise prática foram classificados em fichas individuais de acordo com o seguinte modelo:
22http://lhengua.blogspot.pt/2010_11_01_archive.html
23http://www.zefiro.pt/livro_lmaisaltocantardesalomon.htm; http://www.dn.pt/artes/livros/interior/canticos-eroticos-do-rei-salomao-
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Figura 7. Modelo de ficha de identificação de neologismos Ficha n.º
Termo neológico correspondente em
Português Fonte
Categoria lexical
Tipo de neologismo Processo de
Formação lexical
Tipo de
Importação Contexto
Notas
Esclarecemos de seguida os campos que constituem a ficha: Termo - Lexema que designa um determinado conceito
Fonte - Texto do corpus de extração de onde se recolheu o neologismo.
Categoria lexical - Classe de palavra a que pertence o termo, podendo ser nome, adjetivo, verbo, advérbio, etc.
Tipo de neologismo - Neste campo será indicada a origem do neologismo, quer tenha tido origem num processo de formação lexical autóctone ou numa importação. A classificação neste campo poderá dividir-se em:
a) Processo de Formação lexical – Sufixação; prefixação; circunfixação; infixação; reduplicação; composição; conversão; abreviação; supressão; acronímia; siglação.
b) Tipo de Importação – Indicação sobre se é um empréstimo, um empréstimo adaptado ou um decalque e a sua língua de origem.
Contexto - Parte do texto onde está incluída a unidade lexical considerada neologismo, com a função de contribuir para a determinação do seu significado. Esta é a prova textual que fornece informação sobre os traços semânticos e gramaticais de um termo.
Notas - Campo destinado a registar informações ou comentários considerados relevantes relativamente ao neologismo em questão e que será mantido em branco sempre que a informação das outras células da ficha for suficiente para caracterizar o neologismo.