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5. OPPSUMMERING OG DISKUSJON

5.5 P RAKTISKE IMPLIKASJONER

No deserto, á leste do centro da cidade, situava-se a aldeia dos trabalhadores, uma localização estranha para se desenvolver uma vila, afastado de qualquer abastecimento de água.

Graças á essa localização inusitada, os tanques e depósitos de água tinham que ser constantemente renovados, já que não existia nenhum poço ou canal que chegasse ao local.

A estrutura da aldeia é extremamente peculiar; havia 73 pequenas casas, todas do mesmo tamanho e de construção idêntica. As casas eram levantadas em terrenos divididos por cinco ruas estreitas, no ponto central dessa pequena estrutura urbana ficava uma casa maior, pertencente ao capataz que ali ficava para manter os trabalhadores em ordem e “incentivá-los” a cumprir todas suas funções.

Cada cabana tinha cinco metros de largura na sua extremidade voltada para a rua e dez metros de fundo, continha quatro ambientes – vestíbulo, sala de estar, quarto e cozinha. Geralmente no vestíbulo havia uma escada que levava ao teto, onde era montado um toldo, feito de esteira e de vigas, que proporcionava uma outra opção de cômodo, usado para descansar sobre a vista do deserto e como mais uma sala para recepção de visitas nos dias quentes.

O vestíbulo é onde se encontram os utensílios dos trabalhadores, o tear das mulheres e, freqüentemente, uma manjedoura para o animal de estimação da família; a sala de estar contém um pequeno estrado de tijolos coberto de esteiras e almofadas, um jarro redondo e fundo para armazenar a água e pequenos bancos para visitas, além de um fogão a carvão; na cozinha fica o forno de pão, em forma

de pote, arcas e pequenas cestas para guardar os alimentos, um almofariz para moer o trigo e uma infinidade de tigelas de todo os tamanhos e formatos.

De acordo com o que nos ficou dessas casas, os moradores da aldeia não tinham muita preocupação com a decoração externa de suas casas, já no interior dessas moradias encontrava-se uma grande variedade de detalhes decorativos. As paredes eram caiadas ou decoradas com afrescos de flores e de figuras humanas, pintados com materiais que os trabalhadores traziam das capelas tumulares que trabalhavam.

Na sua já citada obra, Unstead propõe a idéia de que esses trabalhadores eram escravizados pelo faraó, obrigados a morar em Akhetaton e a trabalhar nas obras em nome do Deus Solar e nos túmulos reais:

Essa espécie de prisão é cercada por uma muralha forte tendo apenas um portão na parte frontal.

É evidente que os habitantes dessa aldeia são prisioneiros, pois havia guardas patrulhando as estradas exteriores existentes nas colinas em volta. Por outro lado, amuralha não parece Ter sido construída para guardar a aldeia de algum inimigo,mas sim para proibir a saída dos habitantes. Estes são de fato trabalhadores de túmulos, recolhidos nesse lugar para escavar e decorar os sepulcros nos rochedos vizinhos - trabalho este que enche de receio os cidadãos vulgares-. O trabalho é por isso realizado por escravos, pelos criminosos e pelos marginalizados, isolados nesse recinto cercado de muralhas, longe da vida civilizada da cidade de Aton28.

Contrapondo essa visão, está a posição de Christian Jacq, em seu livro aqui previamente citado, que sustenta a teoria de que o faraó não impôs nada á população, sua religião e sua capital foram absorvidas de forma gradual e voluntária e que a coexistência da cultura tradicional e da cultura atoniana conviveram de forma não-conflituosa, extinguindo, assim, a possibilidade de ter existido uma política de escravização de suas classes operárias.

28

UNSTEAD, R.J. Veja por dentro: uma cidade egípcia, Amarna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

O bairro dos operários, uma aldeia dentro da cidade, apresentava-se como um conjunto de ruelas paralelas cortadas em ângulo reto. Na entrada da casa, o artesão armazenava os seus utensílios; depois havia uma sala de estar, uma cozinha, um ou vários quartos. Cada família possuía a sua capela, onde celebrava os banquetes sagrados, deuses como Amon, Ísis, Bés ou Tauret eram nela venerados29.

Em outra passagem de seu livro, usa achados arqueológicos para comprovar essa “dualidade” na religião da população durante a época de Amarna:

Os habitantes de Akhetaton usam divindades tradicionais na composição dos seus próprios nomes. O faraó nunca os obrigou a mudar. As escavações permitem trazer á luz do dia muitos amuletos e pequenos objetos de cultos prestados a divindades como Bés, Ísis, Tueris e mesmo Amon.Na casa de um homem chamado Ptahmosé encontrava-se, por exemplo, uma estela consagrada á devoção do deus Ptah. Entre as jóias de ouro encontradas em 1822, nos arredores do túmulo real, havia, num anel com um cabuchão, a representação de uma rã, a deusa Heuqet, sobre um escaravelho. No reverso, o nome “Mut, senhora dos céus”, esposa de Amon. É impossível acreditar que estes objetos foram levados para Akhetaton depois do abandono da cidade.Por conseqüência, existia ali uma religião “popular”, lado a lado com o culto oficial, prestado a Aton.

Ao que parece, a condição dos trabalhadores dentro da cidade de Aton e perante a nova religião ainda não nós é completamente esclarecida. São muitas as idéias e concepções que permeiam tal aspecto, por isso, como quase tudo que se refere ao período armaniano, ainda não temos condições de apontar uma única direção. Entretanto, um pensamento que se destaca entre os especialistas do período é esse, defendido por Christian Jacq, de que os trabalhadores não foram escravizados pelo faraó e que o culto a Aton foi absorvido pela população com “naturalidade”, já que Akhenaton não era um homem político, era o rei-deus, não podia nem deveria ser contestado.

As escavações feitas em Amarna vêm para ratificar essa idéia. Os amuletos, os pequenos templos domésticos e as inscrições nos túmulos demonstram que o culto a alguns deuses da tradição egípcia manteve-se presentes nas orações e

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UNSTEAD, R.J. Veja por dentro: uma cidade egípcia, Amarna. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.

crenças das pessoas de Akhenaton. Seu culto não desaparece completamente, apenas passa a conviver com um deus maior, com uma outra religiosidade, centrada na divindade de Aton.