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P OLITISK OPPOSISJONELL ELLER MARGINALISERT ?

8.   CANNABISBRUK OG POLITISK OPPOSISJON

8.4   P OLITISK OPPOSISJONELL ELLER MARGINALISERT ?

“Todo dia eu só penso em poder parar Meio-dia eu só penso em dizer não Depois penso na vida pra levar E me calo com a boca de feijão ... ... Tem que saber que o que eu quero É correr mundo, correr perigo, Eu quero é ir embora, Eu quero é dar o fora... ” (Cotidiano, Chico Buarque)

O enfoque a ser dado neste estudo, também deverá ser pautado no conceito de risco,

possibilitando uma maior compreensão de como ele se manifesta nas vidas dos jovens. A palavra risco vem de risicare, palavra de origem italiana renascentista e seu significado é

desafiar. O risco, enquanto construção social, peculiar na atualidade, desperta e envolve o jovem a desenvolver uma “paixão pelo perigo”, como designa Le Breton.

Este tema é intrigante, pois o risco suscita maneiras diferenciadas ao ser vivenciado, podendo ser, por escolhas ou por induções, possibilita às pessoas exercitarem-se, ora assumindo as situações de risco, ora tentando negá-las no não enfrentamento das suas especificidades. Na atual sociedade, os riscos são muitos e diferenciados e, são assumidas as conseqüências advindas, em ambas as situações.

Sennet (1999), quando fala sobre a “flexibilidade do trabalho” na contemporaneidade, aborda o “risco”. Diz, então, que tal flexibilidade propicia aos trabalhadores a sensação de “quem não tem âncora no mar” e se acham em situações fluidas e de que nada deve se grudar neles; além de se sentirem desorientados e confusos. A todo momento sentem-se testados, pois estão correndo riscos levando-os a atuarem e acharem que ao correr tais riscos, estão se comportando heroicamente, ou seja, quanto maior o risco, maior o ato de heroísmo.

A disposição em se arriscar apresenta-se, na atualidade, como uma necessidade humana, critica Sennet (1999, p.94) e faz a seguinte menção: “A teoria é que rejuvenescemos nossas energias correndo riscos, e nos recarregamos continuamente” [...] “o risco normal é comum”.

Beck (apud SENNET, 1999, p.94), menciona que “na modernidade avançada, a produção social de riqueza é sistematicamente acompanhada pelas produções sociais de riscos”. Isso mostra que essas organizações flexíveis, impõem aos trabalhadores, uma necessidade de troca, propiciando um estar sempre em situações de risco, devido à instabilidade que elas impõem.

Tversky (apud SENNET, 1999, p.94-97) mostra que na administração do risco, devem ser levados em conta não só os aspectos puramente matemáticos (perder ou ganhar)

e sim os aspectos psicológicos “[...] as pessoas se concentram emocionalmente, é na perda”. Conclui tal estudioso, que “[...] na vida diária as pessoas se interessam mais pelas perdas que pelos ganhos; quando assumem riscos em suas carreiras ou casamentos, assim como na mesa de jogo”, que [...] “as pessoas são muito mais sensíveis a estímulos negativos que positivos...” e que: “[...] a matemática do risco não oferece garantias, e a psicologia do correr risco, se concentra, muito razoavelmente no que se pode perder”.

Na pesquisa de Tversky & Kohneman, (apud SENNETT, 1999, p.97), os autores concluíram em seus estudos, que “estar em risco” sugere um fato “mais deprimente que promissor”.

Risco é uma questão de passar de uma posição para outra, na opinião de Sennet, as sociedades contemporâneas buscam romper com a regulamentação do tempo e espaço, e “estar continuamente exposto ao risco pode assim corroer nosso senso de caráter”. (TVERSKY; KOHNEMAN apud SENNETT, 1999, p. 98-99).

Outros sociólogos, a exemplo de Burt (apud SENNET, 1999, p. 99), dizem que: “[...] o risco envolve mais que simplesmente oportunidade”, ainda, “[...] aquele que gosta de arriscar tem de permanecer na ambigüidade e incerteza”.

“ – Assim a ciência nos mostra que os seres humanos são atraídos para o perigo, como a mariposa para a chama”, tais palavras foram ditas a Sennet, quando entrevistou Rodney Everts, um dos personagens do livro Corrosão do Caráter, nos fazendo lembrar que é desta maneira que o personagem pensa hoje, pois a modernidade nos faz pensar e agir assim.

“Mas o impulso de correr risco, por mais cego, incerto ou perigoso que seja, fala a um conjunto mais cultural de motivações”, acrescenta que “Se todo risco é uma viagem pelo desconhecido, o viajante em geral tem em mente um destino” (SENNET, 1999, p. 102).

Percebe-se que, na atualidade, homens e mulheres, sendo adultos ou jovens, crianças ou na chamada terceira idade, se vêem enquanto humanos a tentarem se impor um desafio no intuito de se fazerem presentes enquanto seres sociais, pois, como diz Sennet (1999, p.102), “a moderna cultura do risco é peculiar naquilo que não se mexer é tomado como sinal de fracasso, parecendo a estabilidade quase uma morte em vida. O destino, portanto, conta menos que o ato de partir”.

Todos são empurrados e estimulados ao encontro do risco e não só os jovens, sobretudo, estes. Ao tentar entender o que os jovens sentem nesta sociedade instável que lhes dá um “empurrão”, para Sennet (1999, p. 103), “a uma partida que não se sabe aonde vai dar, tem-se de ater ao fato de que a sociedade produz uma lógica e uma retórica de que “não vale saber onde vai dar este caminho e sim, tentar sair do imobilismo e se lançar ao desconhecido”, pois o “barato” estimula quando decidem partir, sair, pois “ficar firme, é ser deixado de fora”. “Numa sociedade dinâmica, as pessoas passivas murcham”.

Lançar-se ao “risco é um teste de caráter; o importante é fazer o esforço, arriscar a sorte, mesmo se sabendo racionalmente (grifo do autor) que se está condenado a fracassar. Essa atitude é reforçada por um fenômeno psicológico comum” (SENETT, 1999, p.106).

O autor fala da Dissonância Cognitiva, pelo fato da pessoa mediante um conflito focar sua atenção no imediato e não numa visão de perspectiva futura. O momento é já. O futuro é a longo prazo (não resolve); mas isso não pode levá-lo a lugar algum, podendo possibilitar um imobilismo, tornando-o prisioneiro do presente.

“Flexibilidade equivale à juventude; rigidez, à idade”, pensa-se que quanto mais velhos, “os esquemas mentais são mais inflexíveis e são avessos aos riscos [...]” (SENNET, 1999, p.110).

Volta-se para a juventude a idéia deste romper com a imobilidade. Vê-se aí uma forte exigência de movimento e de imposição a riscos para os jovens e um preconceito com os

mais velhos e quase um determinismo em deixá-los de fora de um viver dinâmico, imposto pelo atual contexto econômico e social.

Le Breton (2000, p. 14), vê o “risco”, hoje também nesta perspectiva de inserção social , de construção social de uma “paixão pelo risco”, sendo a procura do risco, também uma busca de superação de limites. O enfrentamento e a superação do risco é o que atribui valor ao sujeito e lhe devolve a dignidade de existir. O autor analisa o risco hoje a partir do significado social da ordália da idade média. Conforme ele:

[...] a ordália é um rito judiciário que apela pelo julgamento de Deus (ou dos Deuses conforme as referências culturais ou religiosas) para evidenciar sem equívoco, a inocência ou a culpabilidade de um homem sobre o qual lhe pesa uma suspeita. A instância divina interrogada dá seu veredicto através de uma prova dolorosa e perigosa, na qual a sorte do homem suspeito (sua morte ou sua sobrevivência) funciona, aos olhos de uma comunidade unânime, como a prova decisiva de sua culpa ou inocência.

De forma semelhante, explica porque os jovens se jogam aos riscos e quando deles sobrevivem, acham-se julgados merecedores do prêmio, que é viver. São exemplos de ordálias: exposição a acidentes de carro, usos de drogas, overdoses.

O “ato ordálico”, esta suposta troca simbólica com a morte, para que seja garantido o fato de viver, torna-se presente, principalmente entre os jovens. Para Le Breton, (2000), a necessidade do indivíduo de provas ou sinais que lhe atribuam a dignidade de viver advém da incerteza quanto ao futuro, da falta de introdutores que os auxilie na entrada da vida ativa, fruto do individualismo, da falta de sentido de existir.

Caillois (1986) acrescenta o fato deles gostarem da vertigem, palavra que tem origem da palavra grega ilinx. Ela está associada à procura por sensações extremas, por um certo descontrole e pela possibilidade (real ou não) do risco de vida. Desejo momentâneo de se deixar levar pelo prazer da destruição como ausência de desejo de ver restabelecida a ordem e a segurança, com a garantia que é apenas uma brincadeira (vôo livre, salto para o vazio etc.). Quando outra palavra grega, ilinix, que significa turbilhão de águas, se encontra

com a palavra grega alea, significando sorte, provoca “sensações vertiginosas” em quem pratica “esportes radicais”. Fala da vertigem de ordem moral, que está associada ao gosto (reprimido) pela desordem e pela destruição. Traduz formas frustrantes e brutais de

afirmação da personalidade.

Quando se fala em formas de afirmação do ser, é necessário abordar e pontuar que dentre tais formas de busca de sentido de existir para alguns e para muitos, inclusive os jovens, está o uso de drogas que retrata esse gosto pela vertigem moral, como também as buscas de diversões arriscadas como estratégias de defesa do mundo real que tanto propicia angústias e desânimos.

Isso pressupõe que se existissem mais espaços onde a energia da busca e das descobertas construtivas pudessem ser mais valorizadas e estimuladas, espaços de lazer onde os jovens pudessem sentir-se úteis desde seu planejamento até a sua utilização com a expansão de expressões culturais próprias, a quantidade de situações e comportamentos de risco aos quais eles estão sempre buscando, poderiam diminuir e tal panorama poderia ser revertido em prol de um desenvolvimento juvenil menos estigmatizado, mais saudável fortalecendo na construção de sentido e de projetos de vida e pela vida.

CAPÍTULO II

2 A PESQUISA DE CAMPO

2.1 Tipo

Esta pesquisa, de natureza qualitativa, devido à especificidade do objeto que se propôs conhecer, serviu para aprofundar os significados das ações e das relações humanas, quando foram trabalhadas as particularidades dos sujeitos em um universo de significados que não podem ser quantificados, segundo Minayo (1994).

O Estudo buscou os símbolos e significados das experiências de vida de jovens usuários de drogas da periferia de João Pessoa e suas relações com o lazer e a sociabilidade num contexto de risco.

Ao utilizar-se esta abordagem, adotou-se o pressuposto do qual ela parte:

As pessoas agem em função de suas crenças, percepções, sentimentos e valores e seu comportamento tem sempre um sentido, um significado que não se dá a conhecer de modo imediato, precisando ser desvelado” (ALVES-MAZZOTTI ; GEWANDSZNAJDER, 1999, p.131).

Segundo os citados autores, na pesquisa qualitativa, pode-se ter uma orientação multimetodológica, desde que haja uma combinação entre os métodos e os resultados apontem para uma visão de conjunto, abordando o caráter pluridimensional de uma realidade social.

O caminho metodológico trilhado ao longo deste percurso contemplou a pesquisa Etnográfica, que tem como pressuposto, o de que “um grupo de indivíduos produz uma cultura que direciona a visão de seus membros e a forma pela qual eles estruturam suas experiências” (POLIT; HUNGLER, 1995, apud DIAS, 2002, p.26). Muito embora, nesta

pesquisa os sujeitos pertençam a contextos comunitários distintos, sua condição social de pobreza, de uso de drogas, de idade de vida e o fato de freqüentarem espaços de lazer e socialização semelhantes, são aspectos que os unem, os tornam semelhantes enquanto grupo social.

A característica central do processo etnográfico é o Trabalho de Campo, cuja técnica utilizada é a Observação Participante, utilizando-se de um Diário de Campo. Tal prática volta-se para uma busca de significações, segundo Geertz (apud DIAS, 2002, p. 24), uma vez que a prática da etnografia é, essencialmente, interpretativa, necessitando de “[...] esforço intelectual do pesquisador na percepção, interpretação dos dados coletados... [...] na busca de conceituações concretas de uma determinada cultura”, segundo Cicourel (1990) e Haguete, (1995), (apud DIAS 2002, p.27).

2.2 O Espaço

O espaço escolhido pela pesquisadora foi o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS/Jovem Cidadão), devido a proximidade da mesma com o serviço, por já ter sido diretora por seis anos, como também pelo objetivo da Instituição que é o tratamento, recuperação e reinserção social de jovens usuários de drogas, tanto quanto dos seus familiares, assim sendo, mais fácil encontrá-los com mais freqüência e possibilidades de sistematização.

O CAPS/ Jovem Cidadão, era chamado anteriormente por Centro de Prevenção, Tratamento e Recuperação de Crianças e Adolescentes Drogados (CEPRED), aberto, após a realizaçào dos Fóruns de Juventude em João Pessoa, ao serem discutidas as necessidades relacionadas aos jovens e a forma de tentar minimizá-las perante a sociedade; com isso, parcerias eram estabelecidas formalmente entre entidades públicas e não governamentais

para darem conta das carências detectadas. O objetivo do CEPRED, era tratar todo e qualquer jovem, estando na rua ou não, que fizesse uso de drogas. Em 1996, foi renomeado, reestruturado e reaberto, com a denominação de Centro de Atenção Psicossocial (CAPS/Jovem Cidadão), sob a gestão da Secretaria de Saúde do Estado da Paraíba, com o objetivo de gratuitamente, atender, tratar, recuperar e tentar a reinserção social de jovens com idades a partir de 13 anos que fizessem uso abusivo de drogas e que já tivessem comprometidos com a dependência química. Neste momento, estavam sendo criados no Brasil, serviços descentralizados nos municípios onde houvesse, a necessidade de assistência na área de saúde mental, só que, com uma visão de integralidade do sujeito, humanização da assistência e participação social, critérios preconizados na Reforma Psiquiátrica do país, para aqueles que necessitassem de tratamento, sem a obrigatoriedade de internamentos que só aumentam a exclusão social. O até então, CEPRED, foi denominado CAPS.

Como trabalhadora da Área de Saúde Mental e estando no momento como técnica do Núcleo de Saúde Mental, a pesquisadora foi convidada para assumir o CEPRED, futuro CAPS, como diretora e lá chegando, deparou-se com situações absurdas e impossíveis de serem resolvidas da forma como era proposta a dinâmica institucional.

Em discussões com a Equipe Técnica, resolveu-se modificar algumas questões, que terminaram por modificar também os objetivos e dinâmicas de trabalho do “novo” serviço. Surgiu, então, um CAPS com um projeto político-pedagógico, que vislumbrava o “tratar com cidadania”, onde a cobertura seria a usuários a partir dos 13 anos, que tivessem alguma referência familiar, institucional ou social para que houvesse mais êxito na reabilitação, os familiares ou responsáveis, recebiam orientação para saberem como ajudá- los e, a eles mesmos diante dos problemas enfrentados. Tal proposta se deu em função da experiência negativa do CEPRED, no atendimento a quem não tinha referência ou apoio

algum, que eram os adolescentes que viviam nas ruas e que ao saírem do CEPRED, passavam as noites se drogando ou presos e, quando voltavam no outro dia, alguns dias depois ou não mais voltavam o tratamento não surtia efeito, pois não havia aderência, freqüência, nem sistematização nos atendimentos, nem tão pouco havia os responsáveis para que fossem discutidas as condições básicas para a recuperação dos mesmos.

Os trabalhos eram realizados por equipe multiprofissional, sendo as atividades assim distribuídas: triagem, atendimentos individuais e em grupos, tanto terapêuticos como operativos aos pacientes e grupos de acompanhamentos a familiares.

Eram desenvolvidas Oficinas Terapêuticas de musicoterapia, teatro, pintura com confecção de telas, velas perfumadas decorativas, cerâmica, serigrafia, cartunagem, papel reciclado, bijouterias etc.

Seminários ocorriam semanalmente, sobre temas que se relacionavam diretamente com os jovens e visitas domiciliares eram realizadas sistematicamente e sempre que necessárias.

Aconteciam assembléias mensais com a participação dos usuários do Centro e seus familiares junto a toda a equipe, para discussão de problemas administrativos e outros que surgissem, como também eram comemorados os dias de aniversários e festas populares, tanto dos jovens quanto dos membros da equipe.

Eram realizados exercícios de Bioenergética e outros exercícios de Educação Física, além de passeios, que ocorriam nos Espaços onde aconteciam formas e expressões culturais diversas, sempre enfatizadas, como importantes no desenvolvimento de jovens e existiam as refeições nos dois turnos.

Procurou-se estar sempre presente nestas atividades desde o planejamento à execução, fazendo parte de uma equipe técnica, que no início era composta por uma Psiquiatra, uma Médica clínica, cinco Psicólogas (contando comigo), duas Assistentes

Sociais, (tendo uma delas iniciado como estagiária), uma Enfermeira e uma Auxiliar de Enfermagem, uma Pedagoga, um Professor de Educação Física, um Ceramista e um Técnico em Serigrafia. Na equipe administrativa, havia uma Tesoureira, uma Recepcionista e uma Secretária. No Apoio, contava-se com um Motorista, um Auxiliar de Serviços e uma Cozinheira. Existiam Vigilantes para segurança do Centro nos três turnos. Ao longo deste processo, foram vivenciadas novas necessidades do serviço de se adequar às demandas dos contextos comunitários, tanto daqueles de onde advinham os usuários do serviço, como também de outros espaços juvenis, a exemplo das escolas, nas quais foi planejado e implementado um projeto, chamado “Busca Ativa em Prevenção”.

O objetivo do referido projeto era, levar ao CAPS profissionais e jovens de diversas turmas e escolas, para além de orientá-los através de vídeos e oficinas voltadas para o tema, conhecer (através da aplicação de questionários, que subsidiava sobre o entendimento particular sobre as drogas), e identificar se, dentre eles, existia algum usuário de drogas que, de alguma maneira, gostaria de participar do CAPS. Essa vivência possibilitou um contato maior com diversas comunidades, evidenciando-se as maneiras pelas quais era vista tanto a droga como o seu uso e os locais de consumo, e as informações obtidas apontavam para uso em momentos de lazer.

Atualmente, o CAPS funciona, com alguns atendimentos individuais e alguns grupos de usuários, atendidos separadamente pelo tipo de drogas que usam: fumantes de cigarro, de crack e alcoolistas. Após a pesquisa, já não existem mais os grupos de jovens usuários de drogas mistas, por falta de aderência dos jovens ao tratamento, nem oficinas terapêuticas por falta de pagamento dos profissionais para desenvolvê-las; como também não existem mais as refeições para os usuários e técnicos, por falta de recursos financeiros.

2.3 Os sujeitos

Foram nove jovens, seis do sexo masculino com idades de 16, 18, 19, 22, 25 e 30

anos e três jovens do sexo feminino, com idades de 19, 22 e 25 anos, que estavam em tratamento no CAPS no momento, com exceção apenas de uma jovem de 25 anos que estava em abstinência após ter tido alta, quando eu era ainda a diretora do Centro.

A inserção de jovens de 25 e 30 anos, deveu-se ao entendimento de que a juventude como “categoria social” (GROPPO, 2000, p. 7), deve ser compreendida numa dimensão maior que simplesmente a faixa etária. Tais jovens ainda vivenciam dependências afetivas e econômicas em relação aos seus familiares.

Dispuseram-se a cooperar após reunião entre eles, a direção e a pesquisadora, para apresentação da proposta de estudo e negociação de como seriam feitos os contatos para entrevistas. Houve a inclusão de uma ex-usuária do CAPS, que se encontra em abstinência no momento e que me telefonou anteriormente, dizendo que sabia da pesquisa e que participaria.

A aceitação foi imediata, pois neste grupo, a princípio, existia ainda em tratamento um jovem que me conhecia do período em que eu era a diretora do Centro e ele mesmo, fez questão, após a apresentação do atual diretor, de “me apresentar” a sua maneira, pedindo aos colegas que participassem, pois seria importante me ajudar na pesquisa. Então, descontraidamente, conversavam sobre quem eram; eles mesmos tomaram a iniciativa de discorrer sobre o que gostavam e o que faziam; perguntaram quem eu era, onde eu estava trabalhando no momento, por que não voltava para o CAPS etc. Esse contato ocorreu na sala de refeições, onde todos estavam sentados à mesa. Após uns 30 minutos, falando das possibilidades de participarem e de como seria a participação. Marcou-se um primeiro encontro e estavam presentes todos que haviam combinado; porém não são todos os que

foram pesquisados, porque uns abandonaram o tratamento e outros não aderiram à pesquisa.

2.4 Procedimentos Metodológicos

O primeiro contato com a direção do CAPS, se deu por telefone, primeiro para saber da possibilidade da realização da mesma e segundo, para esclarecer o objetivo. Houve o aceite da instituição e marcou-se uma reunião, para oficializar e aprofundar o assunto. Nesta reunião, foram entregues dois ofícios de apresentação da pesquisadora, emitidos pela Coordenação do Mestrado, um para o Diretor Administrativo e outro para a Diretora Técnica da Instituição. Conversando sobre a proposta do referido estudo, houve pela pesquisadora a proposta de apresentar para todos os técnicos, o projeto, para esclarecimentos. Não aconteceu esse momento formalmente, mas, informalmente todos ficaram sabendo do objetivo e tudo transcorreu com muita tranqüilidade, deixando a pesquisadora à vontade para usar as dependências do serviço e, inclusive, retirar para a