O Cineduc – Cinema e Educação, entidade sem fins lucrativos, fundada em 1970 e declarada de utilidade pública por lei municipal do Rio de Janeiro em 17 de janeiro de 1984, foi uma das primeiras ações no país voltada à formação de plateia crítica e de produção com crianças e adolescentes. Criado a partir de uma experiência da central católica de Cinema da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tem personalidade jurídica, de caráter filantrópico e sem fins lucrativos. É uma organização não governamental com sede no Rio de Janeiro.95
Figura 28 – Imagem do site CINEDUC. Fonte:http://www.cineduc.org.br/
Com 40 anos de existência, o Cineduc desenvolveu trabalhos entre 1970 a 1980 basicamente dentro das escolas particulares. Os cursos duravam 3 anos e terminavam com a produção de um filme Super-8. Mais de 1500 alunos eram atendidos a cada ano e foram realizados 110 filmes. De 1980 a 1990 através de patrocínios estendeu o trabalho às escolas públicas e crio cursos livres. A partir de 1990 com a filiação ao CIFEJ (Centre International du Film pour l'Enfance et la Jeunesse), órgão da UNESCO, recebeu reconhecimento internacional e participa de festivais, seminários e mesas-redondas no Brasil e no exterior. Desta forma,
95 Os objetivos estão definidos no Estatuto : Art. 2º - O CINEDUC tem os seguintes objetivos: a) colocar a comunicação audiovisual a serviço da realização humana do indivíduo, na escola, na família e na sociedade; b) investigar a atitude do indivíduo diante da comunicação audiovisual; c) desenvolver as capacidades de atenção, percepção e retenção e a criatividade; d) estimular a consciência crítica; e) promover intercâmbio com instituições afins, públicas e privadas, de âmbito regional, nacional e internacional. Art. 3º - Para atingir tais objetivos, o CINEDUC propõe-se a realizar projeções, produções, publicações, cursos e outras atividades, inclusive através de entidades por ele mantidas. Art. 4º - Poderão associar-se ao CINEDUC todas as pessoas que pretendam e demonstrem sua disposição em contribuir para a consecução de seus objetivos, desde que admitidas por maioria simples de votos do Conselho Diretor, tendo o Presidente o voto de Minerva. (http://www.cineduc.org.br/arquivos-pdf/Estatutos_Cineduc.pdf) - Acesso em: nov. 2014.
colabora ativamente para a formulação de pontos de vista teóricos sobre imagem/educação e sobre a criança e os meios de comunicação.96
Outra referência é o programa Imagens em Movimento que atua na América Latina desde 2011, oferecendo oficinas de cinema para estudantes de escolas públicas, além de cursos de capacitação para educadores e eventos de exibição das obras realizadas nestes processos. Está vinculado ao programa internacional “Cinema, cem anos de juventude”, criado na Cinemateca Francesa em 1995, que hoje agrega diversas organizações dedicadas à pedagogia do cinema. Trata-se de uma ação em rede, na qual cineastas, professores e estudantes de diversos países se unem para vivenciar a aventura da (re)descoberta do cinema. Juntos, vimos, debatemos e realizamos filmes ao longo de cada ano letivo, a partir de propostas pedagógicas compartilhadas.
Os frutos deste processo (que chamamos de filmes-ensaio) são apresentados, a cada ano, em um Encontro Internacional na Cinemateca Francesa, do qual participam comitivas de todas as organizações parceiras do programa “Cinema, cem anos de juventude”.
Figura 29 – Imagem do site Imagens em Movimento. Fonte: http://imagensemmovimento.com.br/
Entre 2011 e 2013, realizou 30 oficinas de cinema, em escolas públicas do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. As oficinas oferecidas pelo projeto são gratuitas e
96 Informações disponíveis no site da entidade. http://www.cineduc.org.br/historia.html. Acesso em: nov. 2014.
acontecem sempre em horário extracurricular, ministradas por profissionais de cinema, em parceria com professores das escolas. Mais de 500 alunos já participaram das oficinas e 80 filmes foram produzidos por eles.97
No âmbito acadêmico podemos citar o Cinead - Cinema para Aprender e desaprender - programa de extensão da Faculdade de Educação da UFRJ, coordenado por Adriana Fresquet, que desenvolve nove projetos ligados à experiência de introdução ao cinema, com professores e alunos da educação básica, dentro e fora da escola, entre eles os realizados no ensino fundamental e médio (5ª e 6ª séries) do Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp-UFRJ), onde estudantes do ensino médio e fundamental estabelecem o primeiro contato com a teoria e a prática da sétima arte.
O primeiro e mais antigo dos projetos é o curso de extensão universitária de oito horas que reeditamos uma vez a cada dois meses. Fazemos uma introdução, ao cinema, pensando um pouco sobre o aprender em três tempos – aprender, desaprender e reaprender. Trabalhamos a ideia da hipótese de alteridade de Alain Bergala e, na segunda parte do curso, realizamos a prática de Minuto Lumière (…) A Escola de Cinema do CAp- UFRJ (Colégio de Aplicação da UFRJ) serviu como projeto piloto para a criação de mais quatro escolas de cinema em escolas públicas no Rio. Financiada pelo edital FINEP/SEBRAE/MCT. (Entrevista Adriana Fresquet Revista Poiesis - v.1, n.19, jul. 2012).
Figura 30 – Imagem do site CINEAD. Fonte: http://www.cinead.org/
No Rio Grande do Sul, o Programa de Alfabetização Audiovisual coordenado por Maria Angélica dos Santos realiza ações de formação docente e cursos de extensão universitária para professores da Rede Pública de Ensino e promove oficinas de introdução à realização audiovisual para alunos da Rede Municipal de Educação de Porto Alegre. É realizado através da parceria entre as Secretarias
Municipais de Cultura e de Educação, o Ministério da Educação/SEB e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Faculdade de Educação. Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica.
Figura 31 – Imagem do Blog Programa de Alfabetização Audiovisual. Fonte: http://alfabetizacaoaudiovisual.blogspot.com.br/
Na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) três projetos de extensão do Curso de Cinema e Vídeo da Faculdade de Artes do Paraná aproximaram cineastas, alunos de cinema e professores: Cinema Brasileiro na Escola, vinculado ao Programa de Extensão Universidade Sem Fronteiras, da SETI/PR em parceria com o Núcleo Regional de Educação, coordenado pela professora Salete Sirino98 e
voltado à formação de professores para análise fílmica; Cinema Nosso e Cinema na Lapa, que já detalhados anteriormente.
98 Doutora em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, Especialista em Cinema e Vídeo pela Faculdade de Artes do Paraná, Especialista em Tradução e Graduada em Letras. Docente da UNESPAR/FAP. Na área da educação atua nos seguintes temas: Produção Audiovisual, Administração Cultural, Leitura e Produção Textual, Literatura e Prática de Ensino, Literatura e Cinema. Na área do cinema atua em: roteiro, direção e produção de filmes em película 35mm, S16mm e na metodologia digital, nas categorias de curta, média e longa-metragem, tendo em seu currículo a participação em treze filmes, finalizados e lançados, dentre eles: A Tímida Luz de Vela das Últimas Esperanças, Carreras, Curitiba Zero Grau, Estrada do Colono e Operação Paraguai.
Figura 32 – Capa do livro “Cinema Brasileiro na Escola. Fonte: http://www.unespar.edu.br/?p=1060
Trazer a questão para o âmbito deste trabalho é destacar a importância da aproximação entre as áreas e os saberes especializados apontando para a contribuição de cada um deles no espaço da escola e para a necessidade de se pensar a aproximação do campo do cinema com o campo da educação.