4. AVINORS ØKONOMI
4.4 P OLARSIRKELEN LUFTHAVN – ØKONOMISKE BEREGNINGER
Durante o primeiro ano de vida, Marina conviveu com diversas pessoas que também participaram das gravações, as quais foram consideradas como parceiros de interação neste mapeamento. São elas: mãe, pai, avó materna e pesquisadora. Na tabela 7, é apresentada a quantidade de recortes que os diferentes parceiros interagiram com o bebê. Na tabela 6 (exibida no início desta sessão), também estão indicadas a participação dos parceiros em cada recorte específico. 0 5 10 15 20 25 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
Mov. Cabeça Desordenado Mov. Cabeça Ordenado
Mov. Cabeça Direcionado (alguém/algo) Mov. Corporal Desordenado
Mov. Corporal Ordenado Apontar
Mov. Corporal Direcionado de Aproximação (alguém/algo) Mov. Corporal Direcionado de Afastamento (alguém/algo) Balançar/ bater as mãos/ dançar Caminhar/ Engatinhar
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Tabela 7: Número de recortes que cada parceiro interagiu com Marina
Parceiro de Interação
Quantidade de recortes que houve interação do parceiro com o bebê
(nº total de recortes = 24)
Mãe 20
Avó materna 7
Pesquisadora 6
Pai 4
Dentre eles, a mãe é a que mais esteve com Marina durante as gravações e se relacionou com ela, como pode ser observado nas tabelas e no gráfico 19. Mesmo a mãe sendo a parceira mais frequente, decidiu-se manter os diversos parceiros na análise do mapeamento por dois motivos: 1º) porque houve gravações em que Marina esteve somente com a avó ou o pai, sem a presença da mãe, e foram episódios relevantes em termos da expressão emocional do bebê; e, 2º) porque nos momentos que Marina estava com parceiros de interação diferentes da mãe, outras formas de se relacionar com ela e responder às suas expressões emocionais foram construídas, o que pareceu importante de ser considerado neste estudo de caso. Restringir a análise somente à mãe, diminuiria a possibilidade de discutir a diferença da emergência das expressões emocionais de acordo com cada parceiro de interação. Além disso, considerando que o estudo refere-se a apenas um bebê, ter outros parceiros colabora para uma análise que extrapole um único tipo de vínculo e relação. Sendo assim, a possibilidade de observar diversas pessoas em interação com o bebê enriquece o trabalho pela diversidade de parceiros e particularidade de cada um deles.
Gráfico 19: Expressões emocionais e ações direcionadas ao bebê por parceiro de interação. 312 65 101 24 0 50 100 150 200 250 300 350 Mãe Pai Avó Pesquisadora
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No entanto, a distinção entre eles será mais discutida na análise por trimestre, na qual serão destacados os aspectos qualitativos das diferenças observadas na relação estabelecida por cada parceiro. Isso ajudará, inclusive, a compreender melhor os gráficos das expressões emocionais do bebê, que se modificam pela presença/ausência de determinados parceiros de interação. Nesta parte, a maioria dos gráficos irão apresentar os resultados gerais dos parceiros, levando em consideração todos eles, sem diferenciação.
O gráfico 20 apresenta as expressões emocionais manifestadas pelos parceiros e as ações deles ao longo do primeiro ano de vida. Observa-se que a expressão vocal é a mais manifestada, acompanhada das diversas ações direcionadas ao bebê, que serão detalhadas adiante. Pode-se questionar a que se deve tão baixa frequência da expressão facial, que é pouco manifesta durante todo o período. Neste ponto, devem-se considerar diversas questões, como: o fato de a mãe estar, muitas vezes, longe da filha, tendo a fala como principal recurso de comunicação; o recorte no momento da gravação que, em alguns vídeos, focalizou o bebê, não sendo possível visualizar a face do parceiro; e, ainda, o refinamento das expressões faciais do adulto (Ekman, 2011), tornando difícil a categorização das mesmas, como as expressões de ternura ou atenção. Sendo assim, a frequência da expressão facial ser muito baixa não significa que os parceiros tenham se mostrado impassíveis ou sem manifestação facial no contato com o bebê, mas que existiram diversos fatores que dificultaram a observação minuciosa e clara dessas expressões.
Gráfico 20: Expressões emocionais dos parceiros de interação e suas ações direcionadas ao bebê 0 5 10 15 20 25 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
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No gráfico 21, a seguir, observam-se as expressões faciais manifestadas pelos diversos parceiros de interação, sendo o sorriso a mais apresentada. Apareceram, ainda, as expressões de atenção/surpresa e seriedade; ressalta-se também que os parceiros estiveram, em diversos momentos, com uma expressão facial neutra.
Gráfico 21: Expressão facial dos parceiros de interação do bebê
Ainda assim, é relevante o dado de os parceiros utilizarem a fala como principal recurso comunicativo na relação com um bebê que está expressando incômodo ou irritação. As expressões vocais foram divididas em duas subcategorias: falar e vocalizar. No gráfico 22, observamos que a fala foi muito utilizada como recurso comunicativo em todo o primeiro ano de vida; e, no gráfico 23, identificamos o uso dessa expressão pelos diferentes parceiros.
Gráfico 22: Expressões vocais dos parceiros de interação ao longo do primeiro ano de vida. 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre Sorriso Mãe Sorriso Pai Sorriso Avó Atenção/ Surpresa Mãe Seriedade Mãe
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
Falar
Vocalizar/ Cantarolar
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Gráfico 23: Fala dirigida ao bebê pelos diferentes parceiros de interação.
A responsividade materna é muito discutida entre os teóricos do desenvolvimento de bebês e em diversos estudos, inclusive transculturais. Esses indicam que a forma como as pessoas respondem aos bebês tem sinais evolutivos, principalmente nas respostas intuitivas das mães, que demoram menos de um segundo para responder aos sinais do filho (Keller et al., 2010). Mas esses trabalhos mostram, principalmente, a importância das práticas culturais nos modos dos adultos se comunicarem com os pequenos, indicando significativas variações culturais.
Keller (1998) e Keller, Kärtner & Yovsi (2010) apresentam estudos que evidenciam as diferenças encontradas entre contextos ocidentais e não ocidentais (também não urbanos), mostrando que as interações das crianças com seus cuidadores são permeadas por condições e manifestações afetivas muito distintas. No contexto ocidental, os pais respondem aos bebês mais verbal e visualmente, além dos bebês ficarem mais distantes dos cuidadores, permanecem em carrinhos ou berços, sem muito contato corporal. Por outro lado, nos contextos não ocidentais, respondem predominantemente de forma física (toque, cheiro, posição) aos bebês, uma vez que o contato corporal é praticamente constante.
Rogoff et al. (1990), nessa mesma linha transcultural, discute exatamente o que pode ser verificado nesse estudo, indicando que as diferentes formas de comunicação mãe-bebê possibilitam a emergência de determinadas expressões dos pequenos. As crianças que são separadas dos seus cuidadores, ficando mais distantes deles, necessitam usar uma forma de comunicação coerente com essa distância, como as vocalizações (choro, gemido). Enquanto
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
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que crianças que ficam constantemente na presença dos adultos, utilizam mais comunicações não verbais, como o olhar e as expressões faciais.
Além disso, essas práticas culturais delimitam até mesmo o olhar do pesquisador, que pode estar mais direcionado para a comunicação verbal, alterações posturais, olhares ou toques, de acordo com o viés cultural do seu estudo (Rogoff et al., 1990).
A mãe, como principal parceira de relação do bebê, utiliza muito a fala para responder às expressões de desprazer da filha, mas também tem outras formas de se comunicar com o bebê, no sentido de atendê-lo em suas demandas. No gráfico 24, que especifica as expressões e ações da mãe, observamos que mais se destacam as expressões vocais e as ações direcionadas ao bebê, seguidas pelo olhar e pelas expressões corporais; e, por fim, as expressões faciais, com as menores frequências.
Gráfico 24: Expressões emocionais da mãe e suas ações direcionadas ao bebê ao longo do primeiro ano de vida.
As expressões corporais dos parceiros dividem-se em três tipos: movimento de cabeça em direção ao bebê, aproximação e afastamento. No gráfico 25, é possível observar que os movimentos de aproximação são mais frequentes do que os de afastamento; e que o direcionamento da cabeça para o bebê atinge frequências maiores, mas acontece em menos recortes. Todos esses movimentos precisam ser analisados juntamente com as outras expressões, como o olhar, além da situação e contexto. O movimento de cabeça, por exemplo, muitas vezes não acontece porque o parceiro já está direcionado para o bebê. É a mesma
0 2 4 6 8 10 12 14 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
Expressão Facial Olhar Expressão Vocal
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situação que explica a ausência de movimentos corporais dos parceiros no primeiro trimestre de vida, pois são gravações em que a mãe permanece por mais tempo próxima ao bebê; ou, ainda, são episódios em que Marina está dormindo e não solicita a presença do outro.
As ações direcionadas ao bebê foram divididas em várias subcategorias, que foram surgindo, inclusive, no decorrer da análise dos vídeos. No gráfico 26 pode-se visualizar sua diversidade e frequência, observando-se que as mais utilizadas pelos parceiros de interação foram brincar ou tentar distrair o bebê e o toque carinhoso.
Gráfico 25: Movimentos corporais dos parceiros de interação do bebê ao longo do primeiro ano de vida.
Gráfico 26: Frequência das ações direcionadas ao bebê pelos parceiros de interação durante o primeiro ano de vida.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º
1º Trimestre 2º Trimestre 3º Trimestre 4º Trimestre
Mov. cabeça direcionado ao bebê Mov. corporal de aproximação Mov. corporal de afastamento 29 16 16 15 5 13 58 17 6 13 0 10 20 30 40 50 60 70
Toque Pegar no colo
Amamentar/dar comida Ajeitar/mudar a posição do bebê
Embalar Oferecer/ dar chupeta
Brincar/distrair Cuidados higiênicos
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Verificam-se as diversas ações que foram realizadas pelos parceiros, preferencialmente pela mãe, durante o primeiro ano. Estas serão mais detalhadas na análise dos trimestres, pois foram se modificando ao longo do tempo de acordo com a idade e as demandas do bebê, e pela relação que os parceiros foram construindo.
4.3 Análise do processo de transformação das expressões emocionais de desprazer