1. INTRODUCTION
1.7. P LANT SECONDARY METABOLITES
O autoconceito profissional, especialmente entre os educadores de infância, está muito pouco estudado em Portugal. Conhecendo-se a importância da influência do educador no autoconceito das crianças, seria muito importante para a educação em geral, especificamente para a educação da criança, realizar estudos mais aprofundados sobre o seu impacto no desenvolvimento das crianças e da parentalidade bem como na própria pessoa do educador. Apesar das limitações, a presente investigação contribuiu para uma análise e maior conhecimento do autoconceito profissional dos educadores de infância e as suas atitudes, na atualidade, face à educação inclusiva em diferentes contextos de atendimento à infância. Este estudo demonstrou que no geral o autoconceito profissional dos educadores de infância é muito positivo, e, as atitudes face à educação inclusiva estão no caminho certo para a inclusão, sendo positivas e diferenciadas. A maior dificuldade apresentada nota-se em relação ao conhecimento e atuação perante a legislação existente, onde a formação inicial e contínua tem um papel preponderante. Apesar das adversidades em que vivemos atualmente, assumir-se como profissional de educação e, em especial como educadores de infância, é assumir um grande risco e desafio.
Mas o universo da educação é, e continua a ser, nos nossos dias, um dos mais motivadores e apaixonantes espaços de intervenção social e de reflexão científica. E, quando se pensa no "Universo da Educação", a creche e o jardim-de-infância surgem
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como um dos primeiros contextos mais importantes de transformação social, pois, embora não se aceite uma transformação radical da sociedade através das mesmas, pode- se admiti-la como um dos instrumentos da transformação social e pessoal do indivíduo pelas relações que se estabelecem e intervenções que se praticam (Nóvoa, 1991, pág. 63). De facto, para se ser educador é necessário ter desenvolvido em si muitas caraterísticas humanas de entendimento, respeito, solidariedade, tolerância, adaptação, resistência e inovação. Resumindo, é preciso que se tenha, capacidade de amar o outro em toda a sua diversidade e a si próprio, aceitando-se na sua condição humana, com muitos defeitos e imensas qualidades.
Educar crianças num mundo em constante mudança e transformação, onde o conhecimento aumenta e muda a cada instante, onde ao ser humano é exigido cada vez mais precocemente competências. Sejam, para solucionar problemas do dia-a-dia, lidar com as tecnologias, lidar com as diferenças culturais, económicas, linguísticas e sociais, cada vez mais demarcadas e consequência natural de uma Europa aberta e sem fronteiras. Ao mesmo tempo discute-se a ética e os direitos humanos, ambientais, de igualdade e equidade. Parece, um desafio quase utópico! Mas os educadores são os primeiros mestres da utopia e os principais atores da prática pedagógica, é importante que se conheçam estes profissionais; saber como pensam, agem, atuam e se diferenciam, sem esquecer a sua qualidade de simples ser humano, igual aos seus semelhantes.
Esta investigação é resultado do acreditar. Acreditar que a procura de respostas e projetos de qualidade para a educação da infância, passa pela conjugação e cruzamento de formas adequadas aos mais diversos contextos: individuais e sociais em que elas se desenvolvem. Não é desejável, contudo, que as perspetivas economicistas se sobreponham às necessidades das famílias e das crianças. Em especial, no que diz respeito à criação real da igualdade de oportunidades no acesso e ingresso à escola (entenda-se contextos relacionados com a infância) e à qualidade nos serviços de educação, a que todos têm direito, em especial as crianças mais pequenas. Cabe ao Estado e a toda a sociedade civil, (todos e cada um de nós), o entusiasmo das responsabilidades na procura de soluções, não enfeitando o sentido educativo das instituições, a par de uma política não economicista dos recursos humanos, parte
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indispensável, se não fundamental, para a criação de oportunidades de qualidade e sucesso para todos. Sempre com convicção de que outros contextos e caminhos se poderão ir construindo, fazendo valer que o mais importante é o respeito por cada ser humano na sua humanidade.
Como síntese, desta investigação, refere-se que todo o ser humano está em constante mudança, e todos são passíveis de mudar. Aquilo que somos e aquilo em que nos vamos tornando, as atitudes, e a sociedade em geral, são tão importantes para a forma como a inclusão acontece. Essa inclusão no seio natural da vida em sociedade tem de acontecer, todos temos de encontrar a melhor forma de A fazer acontecer. Caberá sem dúvida à educação e aos educadores em especial uma grande responsabilidade neste assunto. Conhecendo-nos melhor, melhor se pode lidar com o diferente.
“Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos, pelo Sonho é que vamos. Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo que talvez não teremos.
Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos” (Sebastião da Gama, 1953).
Limitações do Estudo
A presente investigação teve as suas limitações, que afetaram todo o desenvolvimento do processo de construção e desenvolvimento da mesma. Em primeiro lugar, destaco o factor tempo em que este estudo foi realizado e que se revelou reduzido para uma maior capacidade de reflexão sobre a temática. Por outro lado, o tamanho da amostra, caso tivesse sido maior, talvez pudesse ter sido mais heterogénea, e, dessa forma, ter contribuído para um alcance ainda maior dos resultados e da sua representatividade. A dificuldade em encontrar estudos relacionados com o autoconceito profissional dos educadores de infância dificultou, também, a pesquisa de elementos teóricos.
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Do mesmo modo, a comparação entre esta investigação e outras trouxe algumas divergências de abordagem, dado que a amostra e os instrumentos utilizados foram diferentes. Salienta-se o facto de que o estudo acerca dos conceitos autoconceito e educação inclusiva foram apoiados nas opiniões dos educadores de infância, que poderiam variar com a aplicação do inquérito por questionário em outra altura do ano, assim como podiam exprimir uma intenção – desejabilidade social, que não corresponde ao que verdadeiramente podem sentir / ser na realidade. Este tipo de investigação poderia, ainda, ser enriquecido através de uma triangulação com os dados observados em práticas de educadores de infância em contexto de sala. Nas respostas dos educadores em relação às suas atitudes face à educação inclusiva, no item 10 (“Estou confiante em informar outras pessoas que sabem muito pouco sobre leis e políticas relativas à inclusão de crianças com N.E.E.”), inserido no item da auto-eficácia na colaboração (AC), poderia ter sido traduzido de outra forma, para que sugerisse mais aos educadores ao lerem o item com base na colaboração, não ficando a sua análise entre itens.
Em futuras investigações seria, talvez, vantajosa uma análise longitudinal que acompanhasse os estudantes de educação de infância e os acompanhasse ao longo de um determinado período de tempo (pelo menos 5 anos – correspondendo ao estádio de desenvolvimento - maturidade) para que pudessem ser analisados os comportamentos e atitudes, bem como serem apoiados na sua auto formação e construção pessoal e profissional. A recolha da informação, enriquecida com a perspetiva dos pais e das próprias crianças, também poderia contribuir para uma caraterização mais profunda desta temática. Teria valor para as futuras investigações, aferir as mudanças do autoconceito profissional dos educadores de infância segundo a prática pedagógica, tendo em conta os modelos pedagógicos praticados por estes profissionais (modelo dos Jardins-escola João de Deus, Movimento da Escola Moderna, modelo High/Scope). Do mesmo modo, teria sido de mais-valia essa questão fazer parte do inquérito por questionário. O mesmo se pode dizer, em relação à variável trajeto percorrido pelos educadores de infância para a deslocação ao emprego, o mesmo é bastante diverso e abrangente. Seria interessante relacionar esta variável com o autoconceito profissional dos educadores de infância.
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