CHAPTER 2 LITERATURE REVIEW
2.1 P ERFORMANCE A MBIGUITY
Inicialmente, tomando por base a metodologia da análise textual discursiva (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2011), conforme se argumentou na seção 2.3
do capítulo de metodologia, sendo que, à medida que se julgou necessário23, fez-se a delimitação dos dados coletados, na forma de registros textuais produzidos pelos alunos, expressos nos roteiros das atividades de simulação e modelagem computacionais da ação 2.2 (ASMC 2.2.1 e ASMC 2.2.2), bem como gravações em áudio e vídeo das falas do Professor-Pesquisador e dos alunos, registradas em interações desenvolvidas nas ações 2.2 (ASMC 2.2.1 e ASMC 2.2.2) e 2.3. A referida delimitação permitiu construir um corpus de análise dos dados coletados (MORAES, 2003; GOES, 2012).
Sem perda de generalidade, a partir da definição do corpus de análise (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2011), e subsequentes estágios de imersão, fragmentação, re-elaboração, momentos de incerteza e dúvidas, característicos do desenvolvimento do processo de análise textual discursiva, se elencaram as denominadas unidades de análise, sendo que as mesmas, posteriormente, foram re- significadas e agrupadas em categorias.
Contudo, os elementos obtidos dos processos de unitarização e categorização, podem sofrer sucessivos estados cíclicos de recombinação, o que demanda do pesquisador novas releituras e re-significações, a partir da re-análise dos textos do corpus de análise e assim por diante (MORAES, 2003), (MORAES; GALIAZZI, 2011).
Adianta-se que, na presente pesquisa, o desenvolvimento do processo de análise textual discursiva, que permitiu ao Professor-Pesquisador caracterizar as categorias representativas da mesma, se estabeleceu aproximadamente entre os meses de dezembro de 2011 a maio de 2012. Neste período, houve uma série de interações orientador-orientando, quando foram discutidas as ações realizadas durante os ciclos associados ao processo de obtenção das categorias. Complementa-se que a convalidação das categorias foi finalizada em novembro de 2012 e, re-enfatizando, realizada pela Profa. Doutora Maria José Costa dos Santos Barros. A realização do estágio de convalidação das categorias (GÓES, 2012; PRADO, 2003) se realizou com a submissão da documentação dos registros das categorias e do projeto de dissertação em andamento. Citada convalidadora realizou um ciclo de (re) leituras textuais e (re)
23
Moraes e Galiazzi (2011) argumentam que, à medida que o sujeito imerge em seu processo de constituição fragmentação, unitarização e categorização das unidades textuais do corpus de análise, eventualmente aumenta o grau de complexidade e subjetividade da análise, o que pode sinalizar para a eventual necessidade de delimitar o processo de unitarização e categorização, embora os autores considerem o desenvolvimento da análise como um processo sempre em construção.
análise das categorias, interagindo com o presente mestrando, até se atingir um consenso processual de convalidação.
Esclarece-se que não são apresentados, no texto da presente pesquisa, os sucessivos extratos gerados pelo presente Professor-Pesquisador, durante o processo de estabelecimento das unidades de análise e categorias e suas respectivas recombinações. Argumentando ainda que, segundo Moraes e Galiazzi (2011), sendo a análise textual discursiva um processo sempre em estado de construção, optou-se por apresentar na dissertação apenas a fase final considerada como de “caracterização das categorias”.
A obtenção de tais categorias, representadas nas tabelas 2 e 3 e nominadas, contendo siglas associadas do tipo ASxx e AExx24, foi realizada após decorrido um processo cíclico de análise textual discursiva e se baseou nos seguintes métodos (MORAES, 2003; MORAES; GALIAZZI, 2006; GÓES, 2012):
1) Método dedutivo - Tomando por referência conceitos e pressupostos relativos a Aprendizagem Significativa de Ausubel (2003), Novak (2010), a Aprendizagem Colaborativa, de acordo com Valente (2003) e Torres Alcantara e Irala (2004), Construcionismo, segundo Valente (2002), resultados e previsões de pesquisas relativas à experimentação de bancada e uso de softwares de simulação e modelagem computacional na aprendizagem de Física (DORNELES; ARAÚJO; VEIT, 2006; RIBEIRO et al. 2008a; RIBEIRO et al. 2011), elencaram-se categorias a priori, as quais encontram-se agrupadas na tabela 1:
Tabela 1: Categorias elencadas dedutivamente, obtidas a partir da análise dos registros de dados referentes as atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e prática experimental de bancada e seus respectivos descritores
Categorias elencadas dedutivamente a partir do
referencial teórico
Descritivo das Categorias Número de alunos relacionados
Desenvolvimento da
aprendizagem por meio das interações docente-discente em atividades de simulação computacional (AS04) Construção colaborativa de conhecimentos pelos alunos e Professor- Pesquisador, durante a realização de atividades de modelagem e simulação de circuitos elétricos de resistores, através da 08 24
Os códigos representativos de categoria do tipo AS se relacionam a atividades de simulação e modelagem computacional, AE, a experimentação de bancada e, xx, é um código numérico de 2 dígitos, identificador da categoria.
interação docente-aluno.
Desenvolvimento da
aprendizagem por meio das interações discente- discente em atividades de simulação computacional (AS05) Construção colaborativa de conhecimentos pelos alunos, durante a realização de atividades de modelagem e simulação de circuitos elétricos de resistores, através da interação aluno-aluno. 10 Desenvolvimento da
aprendizagem através das
interações docente-
discentes em atividades de prática de bancada (AE03)
Construção colaborativa de conhecimentos pelos alunos e professor- pesquisador, durante a realização de atividades de experimentação em bancada de circuitos elétricos de resistores, através da interação docente-discentes. 12
Somam-se a estas categorias as obtidas indutivamente, ou seja:
2) Método indutivo - Com base nos dados contidos no corpus de análise, constituídas pelas diversas falas transcritas de alunos e professor pesquisador, bem como registros textuais contidos nos roteiros das ASMC 2.2.1 e 2.2.2 e da prática de bancada, sem perda de generalidade, elencaram-se categorias de maneira indutiva, as quais se encontram discriminados na tabela 2, a seguir:
Tabela 2: Categorias emergidas indutivamente, obtidas a partir da análise dos registros de dados referentes às atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e prática experimental de bancada e seus respectivos descritores.
Categorias emergidas indutivamente a partir das atividades de simulação e modelagem computacional
(ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e experimentação em
bancada
Descritivo das categorias
Número de alunos relacionados Perceber alterações na intensidade da corrente elétrica em virtude de modificações na resistência equivalente em série (AS01) Identificar relações de causa e efeito entre resistência equivalente e intensidade da corrente
elétrica para uma
associação de resistores em série
Perceber alterações na tensão elétrica em virtude
de modificações na
resistência equivalente em série (AS02)
Identificar relações de causa e efeito entre resistência equivalente e tensão elétrica para uma associação de resistores em série
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Perceber que alterações na tensão elétrica em um trecho de circuito estão vinculadas a alterações na corrente e/ou na resistência elétricas neste mesmo trecho (AS03)
Identificar relações de causa e efeito entre resistência equivalente, intensidade de corrente elétrica e tensão elétrica em um determinado trecho de circuito
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Tabela 2: Categorias emergidas indutivamente, obtidas a partir da análise dos registros de dados referentes às atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e prática experimental de bancada e seus respectivos descritores (Continuação)
Categorias emergidas indutivamente a partir atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e experimentação em bancada
Descritivo das categorias
Número de alunos relacionados Aprendizagem por descoberta (AS06) Capacidade de dar significado a fenômenos observados tomando por base a teoria dos circuitos elétricos resistivos 02 Promover a medição e registro de grandezas físicas utilizando voltímetro e amperímetro (AS07) Realizar atividades de modelagem e simulação, utilizando o software
PhET, para realizar
medidas e registro de tensão e corrente elétricas, utilizando os instrumentos virtuais icônicos de medição voltímetro e amperímetro. 15 Identificar alterações na intensidade de corrente elétrica, utilizando o Utilizando o software PhET, identificar inter-
relações entre resistência
software PhET, a partir de
modificações na resistência equivalente em paralelo (AS08).
equivalente e intensidade de corrente elétrica, para
uma associação de
resistores em paralelo,
Verificar que a corrente elétrica passa por trechos com a menor resistência elétrica possível (AS09)
Discernir que entre 2 ramos de um circuito elétrico com resistências diferentes, a corrente elétrica flui pelo ramo com menor resistência
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Tabela 2: Categorias emergidas indutivamente, obtidas a partir da análise dos registros de dados referentes às atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e prática experimental de bancada e seus respectivos descritores (Continuação)
Categorias emergidas indutivamente a partir atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e experimentação em bancada
Descritivo das categorias
Número de alunos relacionados
Desenvolvimento de
habilidades para manusear aparelhos de medidas elétricas (AE01).
Desenvolver habilidades para o uso do multímetro, no intuito de realizar medidas de grandezas elétricas, nos kits de circuitos elétricos de bancada, como diferença de potencial e corrente.
09
Relacionar os esquemas impressos de conceitos teóricos com os circuitos de bancada (AE02).
Inter-relacionar diferentes formas de representação de conceitos de eletricidade, procurando
comparar a representação de circuitos de resistores elétricos em papel com circuitos
construídos em kits de bancada.
Interpretação,
ressignificação e
associação entre conceitos de tensão e corrente elétricas, partindo-se da comparação do brilho das lâmpadas (AE04).
Ser capaz de interpretar o fenômeno do brilho de lâmpadas elétricas, observando-se as mesmas, nos kits de circuitos elétricos de bancada, com base na teoria dos circuitos de resistores elétricos série e paralelo.
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Tabela 2: Categorias emergidas indutivamente, obtidas a partir da análise dos registros de dados referentes às atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e prática experimental de bancada e seus respectivos descritores (Continuação)
Categorias emergidas indutivamente a partir atividades de simulação e modelagem computacional (ASMC 2.2.1 e 2.2.2) e experimentação em bancada
Descritivo das categorias
Número de alunos relacionados
Despertar a necessidade de compreensão dos erros de medida (AE05)
Identificar e tentar compreender flutuações em medidas experimentais, realizadas nos kits de circuitos elétricos de bancada.
01
Ler e interpretar medidas elétricas (AE06).
Ser capaz de ler e interpretar fisicamente
medidas elétricas,
realizadas no kit
experimental de bancada obtidas e com o uso do multímetro.
Concluída a etapa de obtenção das categorias, a próxima subseção trata do desenvolvimento da análise qualitativa multidimensional utilizando o software de mapeamento cognitivo de dados multidimensionais CHIC (ALMEIDA, 2008; GOES, 2012; OKADA, 2008; PRADO, 2003; PRADO, 2008; RIBEIRO et al, 2008a).
3.3.2 Análise qualitativa de dados multidimensionais, inter-relacionado as