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3. MATERIALS I MÈTODES

3.6 P ARÀMETRES DE QUALITAT

Esse subcapítulo corresponde à descrição dos campos estudados nesse trabalho. Estão aqui descritos as instituições, os sujeitos e os manuais analisados.

2.1.1 Instituições

Duas instituições serviram de campo de investigação: a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a School for International Training (SIT). Esta escolha se justifica pelo fato delas serem as únicas de nível superior a manterem regularmente cursos de PLE em Belém do Pará

A primeira delas existe desde 1957 e é hoje a maior e mais respeitada universidade do norte do país. Dentre os cursos de extensão por ela oferecidos estão os Cursos Livres de Línguas Estrangeiras (CLLE)28, nos quais podem ingressar não apenas a comunidade universitária, mas também o público em geral.

As aulas são ministradas por professores e alunos29 da instituição que cursam a graduação ou a pós-graduação em Letras. Os alunos (estagiários) são coordenados por uma equipe pedagógica específica composta por professores da Faculdade de Letras Estrangeiras Modernas (FALEM) que têm o papel de orientar e supervisionar as aulas, além de selecionar novos estagiários semestralmente.

28 Entre as línguas ofertadas estão o inglês, o francês, o espanhol e o português para estrangeiros, sendo que,

para os dois primeiros idiomas, além do curso regular, é ainda ofertado o instrumental online e presencial.

29 Por vezes, acontece que pessoas sem vínculo institucional aceitam ministrar aulas nos cursos mesmo sem

Desde 2006, a UFPA, como instituição credenciada no Programa de Estudantes- Convênio de Graduação (PEC-G)30, oferece o curso de PLE para alunos estrangeiros selecionados para estudar na universidade, uma vez que candidatos não-lusófonos somente podem participar mediante a apresentação do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (CELPE-Bras)31.

A segunda, a SIT, é uma instituição de ensino superior estadunidense que desenvolve semestralmente programas de intercâmbio cultural em 47 países, sendo três programas diferentes no Brasil, um deles voltado para jovens estudantes de universidades dos Estados Unidos que vêm para a Amazônia estudar Manejo Ambiental Amazônico e Ecologia Humana. A base do curso investigado fica na cidade de Belém, no Pará, o principal centro de pesquisa amazônica na atualidade. Os participantes também fazem excursões para diversos lugares como vilas ribeirinhas, acampamentos do Movimento Sem-Terra, laboratórios de pesquisa, indústrias extrativistas etc. Todos os estudantes têm a oportunidade de viver com três famílias brasileiras diferentes; uma na região metropolitana de Belém, uma família de ribeirinhos, em uma reserva florestal no Baixo-Amazonas e uma família filiada ao Movimento Sem-Terra, no sul do Pará.

Esse programa tem duração média de três meses e meio e nele os alunos fazem quatro cursos32, os quais devem completar com desempenho satisfatório a fim de que possam acumular pontos suficientes para creditar um semestre em suas universidades quando retornarem aos Estados Unidos.

Dentre os cursos oferecidos está o Intensive Language Study, um curso de 60 h/a de PLE intensivo, em que o aluno pode frequentar um dos três níveis (Básico, Intermediário ou Avançado), com possibilidades de programas de estudo independente para aqueles que não se encaixarem em nenhum dos níveis por estarem ou muito abaixo, ou muito acima deles.

30 O PEC-G é um dos instrumentos de cooperação educacional oferecido pelo governo brasileiro a outros países

em vias de desenvolvimento, especialmente da África e da América Latina. Ele permite que os participantes venham ao Brasil, estudem, graduem-se e retornem ao seu país logo em seguida.

31 O Celpe-Bras é o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros, outorgado pelo

Ministério da Educação (MEC) do Brasil. O Celpe-Bras é o único certificado de proficiência em português como língua estrangeira reconhecido oficialmente pelo governo brasileiro. No Brasil, é exigido pelas universidades para ingresso em cursos de graduação e em programas de pós-graduação, bem como para validação de diplomas de profissionais estrangeiros que pretendem trabalhar no país. (BRASIL, 2006, p. 3)

32 Intensive Language Study (com 60 h/a)

Amazon Resource Management and Human Ecology Seminar (com 60 h/a) Environmental Field Study Seminar (com 60 h/a)

Antes do início e ao final do curso, todos fazem um teste de nivelamento33. O primeiro teste ajuda a distribuí-los nos níveis que cursarão durante todo o período do intercâmbio. Já o último mostra o progresso do aluno ao final do programa.

Formam os contextos de investigação desta pesquisa os cursos de PLE de nível básico ofertados pelas duas instituições. A escolha desse nível justifica-se devido à dificuldade de equiparação de carga horária estudada e proficiência linguística e cultural dos alunos dos níveis subsequentes em se tratando de instituições diferentes. No caso da UFPA, a turma escolhida foi a do curso ofertado aos alunos do programa PEC-G, que também é frequentada por alguns alunos do curso livre de PLE.

2.1.2 Professoras e alunos

Participaram desta pesquisa 23 alunos (10 da UFPA e 13 da SIT) e cinco professoras (quatro da UFPA e uma da SIT). O número de alunos em cada turma é semelhante, mas a quantidade de professoras da UFPA é maior devido ao fato de, diferentemente da SIT, não haver uma por turma, mas uma para trabalhar a cada dia da semana com o mesmo grupo de alunos.

No total, cinco professoras ministram aula no curso de PLE para a turma da UFPA, contudo, durante a observação das aulas, apenas três delas utilizavam livro didático (alvo de investigação nessa pesquisa), as outras duas desenvolviam trabalho especificamente voltado para o exame CELPE-Bras. Entretanto, ainda assim, uma delas fez parte da população- amostra pelo fato de uma das aulas observadas ter sido ministrada por ela substituindo outra professora.

Dos alunos da UFPA, dois são vinculados à instituição através do curso livre de PLE e os outros oito fazem parte do PEC-G. Eles são todos do sexo masculino e a faixa etária varia de 19 a 35 anos. Seus países de origem, LM e áreas de interesse são diversas. Há um da Jamaica, um do Equador, um do Japão, um do Benim e seis da República Democrática do

33 Uma entrevista oral individual, com duração média de 20-30 minutos, elaborada pela American Council on

the Teaching of Foreign Languages (ACTFL) para avaliar proficiência linguística em mais de 60 línguas e é

mundialmente usada desde 1992. A utilização desse teste deve-se à necessidade de repassar à universidade dos alunos informações seu nível de proficiência na língua e somente o nivelamento correspondente a esse exame permite que eles possam transferir créditos; uma vez que foi desenvolvido de acordo com as ACTFL

Proficiency Guidelines, um método para medir competência linguística baseado nos descritores da U.S. Governments Interagency Language Roundtable (ILR) e adaptados para aplicabilidade no contexto acadêmico.

Congo. Consequentemente, seus idiomas maternos são os mais variados: inglês (Jamaica), espanhol (Equador), japonês (Japão), fon (Benim) e linguala, tshiluba, swahili e kikongo (Congo). Os alunos africanos têm línguas regionais como LM e o francês como L2, idioma cujo registro escrito eles dominam por terem sido escolarizados por meio dele. Quanto às áreas de interesse, se aprovados no CELPE-Bras, todos vão fazer graduação em cursos diferentes: letras, comunicação social, publicidade e propaganda, ciências contábeis, engenharia elétrica, arquitetura, farmácia e ciências econômicas.

Já os alunos da SIT são todos estadunidenses, estudantes universitários, têm entre 20 e 22 anos, o inglês é a sua língua materna e não têm experiência prévia com aprendizagem de LE. A turma é predominantemente feminina, com nove mulheres e somente quatro homens. O perfil do grupo é bastante homogêneo, incluindo os interesses, uma vez que todos fazem suas graduações em áreas afins34, mas em instituições diferentes35: apenas dois alunos estudam na mesma universidade nos Estados Unidos.

Alunos de ambas as instituições começaram a estudar a PLE pela primeira vez por volta de março de 2011, tendo chegado ao Brasil sem nenhum conhecimento da língua. Isto faz com que eles tenham nível de proficiência semelhante apesar de estarem estudando em cursos de duas instituições diversas.

As professoras da UFPA têm a formação descrita a seguir:

 Professora N → graduanda do 5º semestre da licenciatura em francês em seu 1º semestre de experiência com o PLE.

 Professora H → graduada em língua portuguesa, especialista em Português Língua Materna (PLM), graduanda do 5º semestre da licenciatura em francês em seu 1º semestre de experiência com o PLE e com experiência de 1 ano no ensino de PLM.  Professora L¹ → graduada em francês em seu 1º semestre de experiência com o PLE e

com experiência de 4 anos no ensino de francês LE.

 Professora E → graduada em língua portuguesa, mestranda em linguística, graduanda do 5º semestre da licenciatura em francês e com experiência de 5 anos no ensino de PLE.

34 Os alunos dessa turma concentram-se nos seguintes cursos: Ciência Política, Estudos Ambientais, História,

Estudos Globais e Educação Ambiental.

35 Eles vêm de doze universidades diversas: Tufts University, Ithaca College, University of Vermont, Macalester

College, Claremont McKenna College, New York University, University of Puget Sound, Scripps College, Gustavus Augustus College, University of California San Diego, Warren Wilson College e Oberlin College.

Já a professora da SIT:

 Professora L² → graduada em língua portuguesa e inglesa, com experiência de 4 anos no ensino de PLE e 12 anos no ensino de inglês.

2.1.3 Manuais

Cada uma das instituições investigadas faz uso de um manual didático diferente. A UFPA usa o Terra Brasil: curso de língua e cultura36. Já a SIT não utiliza um livro comercial e sim um material apostilado próprio37 preparado a cada semestre por quem ministrará o curso.

As autoras do Terra Brasil são Regina Dell’Isola e Maria José de Almeida, ambas professoras universitárias, pós-graduadas e com vasta experiência na área do PLE. Trata-se da primeira edição de um material publicado em 2008 pela editora UFMG.

A “autora” do manual da SIT já foi descrita na subseção anterior38, ela é a professora L². É importante enfatizar que, mesmo que na capa conste que ela seja a autora da versão atual do material, parte do que se encontra nele hoje foi elaborada pelo professor que trabalhava com a turma antes dela. Há também textos, imagens e atividades feitas por mim39 para o material utilizado com o nível avançado. A sua primeira edição data de 2006, quando a autoria ainda era atribuída ao professor anterior. Como se trata de um material reelaborado semestralmente, a versão analisada é a sua 11ª, a do primeiro semestre de 2011.

Ainda que os manuais sejam bastante diferentes, como se verá mais adiante no capítulo 3 (Leitura dos fatos e dados analisados), a sua escolha se justifica devido ao conceito de LD de Batista e Rojo (2005)40 adotado nessa pesquisa que é bastante abrangente e também consideraria o manual da SIT como LD, mesmo que ele tenha características tão diferentes de outros manuais comercializados hoje no mercado.

36 A capa do manual e as páginas que foram trabalhas nas aulas observadas encontram-se em anexo. São

respectivamente o anexo 01 e os anexos de 02 a 06.

37 A capa do manual e as páginas que foram trabalhas nas aulas observadas encontram-se em anexo. São

respectivamente o anexo 07 e os anexos de 08 a 10.

38 Ver seção 2.1.2 (Professoras e alunos).

39 Fui professora do nível avançado de PLE da instituição por quatro anos e coordenadora do curso por três. 40 Ver seção 1.2.4 (Leitura e Livro Didático).