2. Teori
4.3 Opplevelser av lovverket
4.3.2 Påvirkningsfaktorer
Para a realização deste estudo, e tendo em conta quer os objectivos do mesmo, quer a natureza das amostras a inquirir, optámos por um método qualitativo e pelas técnicas da entrevista e da observação participante, que utilizámos da forma que descrevemos a seguir.
4.4.1. Entrevista semi-estruturada
Enquanto técnica de investigação científica,49 as entrevistas são geralmente estruturadas, quer dizer, com um guião predefinido que vai dirigir toda a entrevista, sem permitir que haja desvios em relação à informação que se pretende obter, ou semi-estruturadas. Esta segunda modalidade implica igualmente um guião, com perguntas sobre as principais informações que se quer obter, mas que não é fixo. Neste tipo de entrevistas pretende-se dar alguma liberdade de resposta ao entrevistado, permitindo-lhe explorar o assunto, o que permite também ao investigador aproveitar assuntos que sejam referidos durante a entrevista, mas nos quais ele não tinha pensado. Na entrevista semi-estruturada, apesar da existência de um guião, há uma liberdade na ordem de abordagem às questões, ou seja, a ordem pela qual as questões estão orientadas no guião não tem de ser exactamente igual à ordem de aplicação na entrevista. As entrevistas semi-estruturadas permitem ainda, no caso de o entrevistado dar uma resposta que não foi muito coerente com a questão que lhe foi colocada, recolocar a questão ou reformulá-la de forma a que o entrevistado a perceba melhor.
Para esta investigação optou-se por usar a entrevista semi-estruturada em ambas as amostras. Para cada uma das amostras foi elaborado um guião distinto (ver Anexos 1 e 2), mas ao longo das entrevistas, principalmente naquelas feitas aos profissionais da rádio, houve oportunidades de colocar questões que não tinham sido previamente pensadas. Isto aconteceu, sobretudo, com os animadores porque, com programas diferentes, onde a participação dos ouvintes é mais intensa e existe uma maior interactividade, havia questões que aqui tinham sentido e nas restantes entrevistas não.
As entrevistas junto dos membros das associações portuguesas foram realizadas ao longo do mês de Novembro de 2010. O primeiro contacto foi feito sempre via telefone, a fim de marcar uma data para a entrevista. Quanto às entrevistas aos profissionais da Rádio Alfa, foram realizadas no decorrer do mês de Dezembro de 2010.
Todas as entrevistas foram gravadas em suporte áudio. As perguntas foram sempre feitas em português e, do total dos entrevistados, 13 responderam em português, enquanto dois o fizeram em francês, devido à maior facilidade de expressão nessa língua.
Nas entrevistas destinadas às associações, a primeira pergunta visava perceber o funcionamento da associação, saber a que actividades se dedicava. Das sete associações com
que se trabalhou, três dirigem a sua atenção para o ensino do português, duas têm como actividade principal o rancho folclórico, enquanto as outras duas organizam festas e encontros, sendo que uma delas tem também uma equipa de futebol.
4.4.2. Observação participante
Num trabalho de investigação a técnica da observação participante permite recolher dados que de outra forma seriam impossíveis de obter. Esta técnica consiste na integração do investigador no meio no qual incide a sua investigação. Através da observação directa, o investigador tem acesso directo à informação de que necessita para a realização do seu estudo, seja o comportamento dos indivíduos, seja o concretizar de um ritual. Aqui, não há intermediação entre os dados e o investigador, o que não ocorre com outras técnicas, tais como a entrevista ou o questionário. Neste género de técnicas, a informação obtida pelo investigador provém daquilo que o sujeito lhe diz, o que pode sofrer alguma filtragem e pode não corresponder totalmente à realidade. Isto não quer dizer que na observação participante não se corra o mesmo risco, até porque, como diz Pina Cabral, “o investigador tem sempre de pôr em causa aquilo que se lhe diz” (Cabral, 1983, p. 333). Mas o facto é que, através desta técnica, o investigador consegue ter um acesso privilegiado, observar as rotinas dos indivíduos, ver como eles se comportam no seu dia-a-dia, e depois pode confrontar a informação obtida dessa forma com aquela que lhe é dada directamente pelo indivíduo. O estudo sobre o meio no qual o investigador está integrado é feito com base nas informações recolhidas através das “opiniões e acções dos indivíduos com quem convive e com quem, inevitavelmente, vai criar relações de real amizade e simpatia” (Cabral, 1983, p. 333). É aqui que pode surgir um dos principais problemas da observação participante. Se o investigador se integra de forma profunda no meio que é objecto de estudo, pode perder a objectividade no seu trabalho. É este tipo de dificuldade que pode surgir neste método. É sempre necessário manter um certo distanciamento em relação àquilo que se estuda, de forma a que a objectividade não se perca.
Nesta investigação a observação directa foi feita no local do estágio, durante três meses, ou seja, de Outubro a Dezembro de 2010. Através desta técnica foi possível recolher informações que não seria possível obter através das entrevistas. Desta forma pude perceber a interacção entre os diferentes funcionários da Rádio Alfa, estar presente quando ouvintes faziam telefonemas para falar com algum dos funcionários, ou mesmo perceber o porquê de muitos dos ouvintes ligarem para falarem apenas com a pessoa que está no atendimento.
A observação directa permitiu, também, fazer o cruzamento entre as informações recolhidas pessoalmente com as informações obtidas através das entrevistas feitas aos membros da rádio.
4.4.3. Análise de conteúdo
Como técnica de análise das informações obtidas na recolha de dados optou-se por utilizar a análise de conteúdo. Esta técnica funciona muito à base da inferência, uma vez que Bardin, citada por Nunes, considera que ela visa obter, “por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens” (Nunes, 2008, p. 7).
A análise de conteúdo tem como principal objecto de estudo o texto, a partir do qual, através da análise das palavras ou frases, o investigador deve conseguir deduzir a forma de pensar do autor da mensagem objecto de análise. Desta forma, será possível conhecer melhor o mundo no qual o autor está inserido, quer seja através da sua escolha dos termos, da frequência com que os utiliza e quando os utiliza, quer pela forma como constrói o seu texto (oral ou escrito) e pelo desenvolvimento que lhe dá (Quivy & Campenhoudt, 2005, p. 226). No entanto, o texto não é o único objecto de estudo da análise de conteúdo. Esta técnica permite também analisar mensagens icónicas, como sinais, fotografias ou imagens.
Esta técnica de tratamento de informação encontra-se dividida em três categorias, de que cada uma se adequa a um tipo de análise específica: as análises temáticas, as formais e as estruturais (Quivy & Campenhoudt, 2005, pp. 228-289). Para esta investigação optou-se por utilizar a análise temática, porque permite estudar a posição dos entrevistados em relação às questões que lhes foram colocadas.