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4. PRESENTASJON OG DRØFTING AV DATA

4.2 S ELVVURDERING SOM KILDE TIL PÅVIRKNING AV SELVOPPFATNINGEN

4.2.4 Påvirkning gjennom psykologisk sentralitet

Em 1988, firmou-se um convênio entre a Academia Brasileira de Cordel, a Universidade Regional do Cariri – URCA, a Prefeitura de Juazeiro do Norte e a Secretaria de Cultura Turismo e Desporto do Ceará, com a finalidade de criar um Centro de Literatura de Cordel (MELO, 2003, 188). A celebração desse convênio possibilitou outro deslocamento da gráfica, acomodando-se, agora, nas dependências do Centro de Tecnologia, Campus Pirajá.

[...] depois viemos pra cá, pra URCA... Aí foi aonde foi melhorar as coisa porque apareceu... até que enfim ... apareceu alguém que a gente poderia procurar, apesar de que, nessa época, a gente não tinha ainda um envolvimento total, porque Expedito Sebastião da Silva era quem fazia tudo... todo esse contato...

A gente não tinha muitos contatos... a gente só acompanhava ele. O que ele dizia que era pra gente fazer, a gente fazia...87

Durante oito anos, de 1988 a 1996, a gráfica ficou instalada na URCA. Em conversa com os colaboradores, a chegada à universidade, em 1988, foi marcada pela tensão de uma campanha política para prefeito em Juazeiro do Norte. Todos eles, os xilógrafos, foram detidos porque vazou a notícia de que seriam impressos 10.000 cordéis, atacando um dos

86 Gravação realizada na Lira Nordestina, dia 11 de maio de 2009. 87 idem

candidatos a prefeito. O candidato hostilizado chegou na hora da revisão do cordel, acompanhado de policiais que apreenderam os originais, a cópia, a chapa e o papel. Os funcionários foram liberados no dia seguinte.

Em 1994, outro episódio semelhante, envolvendo políticos culminou com a apreensão de um milheiro de cordéis já impressos e a tomada do restante do material.

Por necessidade da URCA, a gráfica foi deslocada para a estação ferroviária em 1996. A escolha do local justificou-se pela desativação das linhas de trem. Uma sala foi cedida para que ali se alojassem xilógrafos e equipamentos. A situação de esconderijo a que foram submetidos era indigna para artistas tão talentosos, cuidadosos na preservação do material que ainda restava, mas impotentes para promover uma restauração. Um deles me contou que, ao sair de casa, pedia a Deus para encontrar apenas urina nas calçadas e portas, porque eles faziam uma faxina diária para que tivessem condições higiênicas de trabalhar. Durante quase sete anos em que estiveram na estação, receberam a visita da reitora uma única vez que não foi tratar da Lira, mas adquirir umas peças para um amigo.

Aí a gente ficou nesse processo... voltamos lá pra estação, passamos na estação de 96 até 2003...

Figura 6: Lira Nordestina – Estação ferroviária Fonte: acervo Maria Ignez N. Ayala

No dia 23 de dezembro de 2003, realizou-se outra mudança. Desta vez, retornaram para a URCA onde se encontram até agora em 2012. Foram designados coordenadores para acompanhar os trabalhos que ali são realizados, ajudar na elaboração de projetos, intermediar o diálogo com a universidade, promover eventos, mas há desgastes, total desinteresse da universidade que não possui projetos para a gráfica, e eles, desmotivados, entregam a função ou são substituídos.

José Lourenço comenta a sucessão de deslocamentos.

Rosangela – Vocês voltaram para a URCA? Lira Nordestina

- Aí retornamos aqui pra URCA. Então todo esse processo de transição de gráfica,... de URCA, ... de ABC pra URCA e isso também foi desgastando um pouco a Lira, não é?

Foi equipamentos que foram se desgastando ... equipamentos que foram levados pra Fortaleza que até hoje... máquinas que levaram pra lá ... que até hoje não se sabe o que foi feito... tipos... matrizes de clichês ... então tudo isso aos poucos foram desgastando...

Hoje a gente ainda tem alguma coisa porque a gente tinha o cuidado de guardar... Expedito mesmo ajudou muito nessa questão da gente preservar , né? principalmente as matrizes originais dos cordéis ... porque os cordéis... os textos é muito fácil da gente encontrar e é fácil de editar... agora as originais ... as gravuras que era feito em zincogravura que vinha de Recife ou de São Paulo, não tinha como a gente fazer... não tinha como a gente encontrar. Então a gente ainda teve esse cuidado de preservar esses... originais.

Rosangela – A morte de Expedito foi um abalo para vocês, não foi?

Expedito tinha falecido... então não só o material de tipos como também das pessoas... foram aos poucos se afastando ... procurando outros empregos... outras fontes de renda até porque a gráfica num tinha... num tinha ... essa segurança.... como hoje até hoje não tem ... até hoje a gráfica continua no mesmo processo de quando a gente iniciou...

Hoje a gente tem o trabalho da gente sai... viaja .. tudo... mas termina rodando em torno daquela insegurança do início da gráfica. Claro que hoje a gente já sabe .... de todo esse tempo que a gente trabalha aqui... a gente já sabe até como sobreviver ... não depende só da gráfica... porque se a gente fosse depender unicamente do processo da gráfica, dos serviço.. das encomendas, a gente... não dava, não conseguia sobreviver e nem manter a Lira funcionando...

Rosangela – A vida de você está ligada à gráfica

A minha história de vida eu devo muito a isso aqui... Eu não sei o que eu seria se não fosse esses tipos... essas máquina velha... essas coisa...

A Lira sempre foi e a gente sempre teve esse acolhimento; como a gente foi acolhido, quando criança, até hoje a gente procura manter essa coisa da Lira aberta, né? Como se ela fosse uma gráfica que num pertencesse a A nem B, nem a URCA nem governo, fosse uma gráfica aberta ao público... uma gráfica, uma tipografia como sempre foi, né? Na época de Dona Maria de Jesus... na época de José Bernardo... ela sempre foi uma gráfica acolhedora...

Sempre ela foi uma empresa que era à disposição do povo. Ela nunca foi uma empresa fechada, aqui é meu comércio, aqui só entra quem eu quero. Não... ela sempre teve essa função de acolhimento das pessoas.... (José Lourenço)88

A fala de José Lourenço ratifica os domicílios temporários da gráfica em instalações públicas e, ao mesmo tempo, retoma aspectos referentes ao desgaste físico e humano, a história pessoal vinculada à gráfica, a insegurança quanto à permanência num determinado local. Ao longo de quase trinta anos, o espólio tem resistido porque eles se empenharam em preservar.

No que se refere à Universidade, sua presença é marcada pelo alojamento visivelmente incômodo do material que ainda resta, demonstrando o descaso pela memória da gráfica traduzido na ausência de projetos para a Lira, no tratamento para com os xilógrafos.

Após três anos de reinstalação no campus universitário, a Lira Nordestina, em parceria com a Fundação de Desenvolvimento Tecnológico do Cariri - (FUNDETEC), Caixa Econômica Federal e Governo Federal, editou uma caixa com a “Coleção Clássicos da Lira Nordestina” para comemorar os vintes anos da Universidade Regional do Cariri. A coleção formada por dez folhetos contempla dois títulos de autoria de Expedito Sebastião da Silva: Retirada? E Em defesa do Padre Cícero. Os demais exemplares constam de A chegada de Lampião no inferno, As grandes aventuras de Armando e Rosa, conhecidos por Coco Verde e Melancia, A peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, As proezas de João Grilo, Historia de Juvenal e Leopoldina, O Cachorro dos mortos, Romance do Pavão Misterioso e Suspiros de um sertanejo.

Uma parceria com o SESC, Projeto SESCordel, novos talentos, viabilizou a impressão de trabalhos produzidos por novos autores de cordel. Esporadicamente se imprime cordel na Lira Nordestina, mas a produção de xilogravuras é muito frequente.

Na etapa seguinte, faremos um retrospecto das primeiras ilustrações dos folhetos na Tipografia São Francisco, na Lira Nordestina, a passagem da xilogravura para álbuns temáticos e outros suportes.

5.2 Xilogravura: da Tipografia São Francisco à Lira Nordestina

A xilografia, de acordo com Costella (1984, p. 35), fez sua aparição no mundo imprimindo panos: