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Hur påverkar sociala bakgrundsfaktorer sannolikheten att rekryteras till doktorsgradstudier?

O PAIES (Programa Alternativo de Ingresso ao Ensino Superior), de acordo com os documentos da Universidade Federal de Uberlândia, anteriormente analisados, foi criado para diminuir o impacto das formas tradicionais de avaliação, que apontam um caráter, extremamente, seletivo do Vestibular/UFU. O PAIES, ao ser ofertado ao candidato no final de cada série, do Ensino Médio, propiciaria ao estudante outra modalidade de acesso aos seus cursos. Segundo o Professor Henrique Santos, isso não ocorreu, pois:

O sistema do PAIES criou 3 pequenos vestibulares, que acontecem

ao final da 1ª, 2ª e 3ª série. A tensão no trabalho aumentou, por

exemplo, quando o aluno chega à 1ª série e eu tento trabalhar, fora

do conteúdo prescrito, fazendo uma abordagem de um processo,

ele questiona: se isso vai cair no PAIES:

A narrativa do Professor Henrique revela a configuração avaliativa e curricular desenvolvida a partir do PAIES. Entendemos que o professor deseja poder implementar um trabalho mais ampliado, voltado para o aprendizado do aluno. No entanto enfrenta dificuldades em trabalhar de forma autônoma os conteúdos, pois os próprios alunos já incorporaram o modelo. Por isso, resistem às práticas, aos saberes que fujam ao padrão do PAIES. Daí, a tensão, desde o 1º ano, percorrendo as demais séries.

No mesmo sentido, narra a Professora Maria Antônia:

Eu procuro trabalhar dentro do programa do PAIES. Busco os

assuntos sugeridos e trabalho em cima do programa. Todos os

Conteúdos Programáticos. O PAIES interfere porque eu pego o

programa e adapto a ele. Em vez de eu pegar o programa do

estado, eu faço o contrário.

O impacto do PAIES sobre os conteúdos a serem trabalhados pelo professor do ensino de História é evidente na narrativa da professora. Ela enfatiza que a adoção dos Conteúdos Programáticos como guia do seu trabalho ultrapassa a designação estabelecida pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais com os CBCs (Conteúdos Básicos Comuns)3.

O mesmo perfil de impacto do PAIES perpassa a narrativa da Professora Célia Maria:

O PAIES interfere na minha prática pedagógica e avaliativa. Só

interfere. Aliás, nós trabalhamos em função disso. (...) tenho que

planejar em função do programa (Conteúdos Programáticos). O

aluno precisa daquilo. Ele tem que saber o programa e, se você

3 Os Conteúdos Básicos Comuns (CBCs) é a proposta curricular obrigatória à todas escolas estaduais de

não o der, ele pode não conseguir. Com isso, conseguimos colocar

o aluno na Universidade.

Com respeito ao mesmo aspecto, a Professora Célia Maria ainda afirma:

O impacto do PAIES, assim como do Vestibular e do ENEM, sobre

o ensino de História, é o da cobrança. Cobrança do aluno/família.

Quando ele se inscreve no PAIES, ele pega o programa e cobra o

que não for dado.

O PAIES “determina” a forma dos Conteúdos Programáticos no trabalho pedagógico do professor de História, guiando e normatizando seu planejamento e sua prática. Neste aspecto, de acordo com Silva (1999), em “O currículo como fetiche”, os Conteúdos Programáticos do PAIES são como uma lista de tópicos , uma grade , um

guia e um livro (p. 101), que normatizam o ensino de História no Ensino Médio. É reveladora a preocupação assumida pelos professores quanto aos Conteúdos Programáticos a ser transmitidos aos estudantes, preparando-os para o Vestibular/UFU. Do mesmo modo, preocupação semelhante é dada à avaliação exercida em sala de aula pelo professor de História, pois a avaliação assume grande parte do tempo do trabalho. Como conseqüência do foco sobre a avaliação, ocorrem o desgaste de energia, o estabelecimento de competições entre os estudantes, o estresse geral e o sentimento de conquistas e derrotas. O Professor Ronaldo Luiz relata suas angústias:

(...) Temos que passar um monte de conteúdos, às vezes, não há

tempo em termos de grade e horário, porque precisamos cumprir o

ano letivo e a carga horária, precisamos dar a avaliação e a

revisão para que o aluno vá para o PAIES de uma forma mais

confiante.

E ainda declara:

(...) às vezes, perde-se muito tempo na avaliação e não na

formação. Isso é um problema. Obrigações de conteúdos, de

programação que a própria Universidade cria. O calendário das

da escola. Enrola a programação. Nós tivemos conteúdos que eram

para ser encerrados em novembro de 2005 e foram estendidos até o

dia 22 de dezembro do mesmo ano porque não se sabia quando a

UFU ia terminar a greve para ocorrer o Vestibular e o PAIES.

O desgaste provocado pela exigência do cumprimento de conteúdos e modelos de avaliação é evidente na voz do professor, bem como o desejo de um trabalho voltado para as aprendizagens, para a formação mais ampla do aluno. As mesmas dificuldades são encontradas e apresentadas pelo Professor Mauro Rodrigues:

O PAIES interfere na minha prática avaliativa/pedagógica. Como

temos, nesta escola, o regime trimestral, a prova tem uma parte

que é V ou F para preparar o aluno, que é a mesma coisa que é

dada no PAIES. A mesma coisa. O enunciado, quatro alternativas,

V ou F, todos sabem de antemão que são duas V e duas F. A

grande questão é saber onde está o V e o F.

O PAIES cobra o quê? O conteúdo do ano. Não é somente na

prática avaliativa que nós adotamos alguns critérios do PAIES, no

programa também. O programa do PAIES é o programa utilizado

por esta escola.

O Professor Mauro compartilha as mesmas experiências vivenciadas pelos outros colaboradores. Expressando, seriamente, sobre o impacto que o PAIES exerce sobre sua prática pedagógica, assegura que o programa faz com que a escola adote o currículo e o modelo de suas avaliações, influenciado, fortemente, no seu fazer diário em sala de aula.

As mesmas angústias perpassam a prática pedagógica e avaliativa do Professor Carlos Roberto. Os Conteúdos Programáticos estabelecidos pelo PAIES ditam e “normatizam” a sua aula de História. Há um desgaste para o atendimento das exigências da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, com relação ao Conteúdo Básico Comum, que é o guia curricular do professor da rede pública estadual, e aos conteúdos designados pelo PAIES, que é a grande demanda dos interessados em ingressar na Universidade Federal de Uberlândia. Segundo o professor:

Vem o programa e temos que procurar trabalhar, porque grande

parte da nossa clientela tem interesse no PAIES. Eu trabalho mais,

me desgasto mais em função disso. Eu tenho que trabalhar o

conteúdo do Estado (MG) CBC (Conteúdo Básico Comum) e

complementar com o programa do PAIES. Quando nós não

trabalhamos o conteúdo do PAIES o aluno cobra da gente e

comenta: a escola não oferece qualidade, não dá matéria

suficiente .

Em síntese, as narrativas revelam que o PAIES tem um impacto significativo e preocupante sobre o processo educativo dos jovens que freqüentam as escolas de Ensino Médio públicas e privadas de Uberlândia, especialmente, no ensino e na aprendizagem de História. Fica evidente que: o PAIES interfere na organização do tempo escolar, o calendário da Escola segue o calendário de realização das provas estabelecidos pela UFU. O currículo (conteúdos programáticos) de História é definido, em última instância, pelo PAIES. As práticas pedagógicas e até o modelo/instrumento de avaliação utilizado pelos professores de História são os mesmos empregados pelo PAIES. Os alunos são treinados para a realização das provas. As narrativas revelam tensões entre as demandas de saberes dos alunos/famílias, dos professores de História; entre as prescrições curriculares do Estado de Minas Gerais, do PAIES e dos professores. Portanto, podemos concluir que é necessário um repensar crítico dos sujeitos e das instituições envolvidas no processo, no sentido de reiterar o sentido educativo da escola de nível médio, dos princípios e objetivos da formação dos jovens brasileiros.

3. O Impacto do ENEM na Prática Pedagógica e Avaliativa do Professor