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Pårørendesamarbeid, Tilknytningsprosessen og den integritetsbevarende pleien 11

2.3.1 Guerras Púnicas e o domínio do Mediterrâneo

Depois de uma primeira fase de conquista das prósperas cidades coloniais gregas e estender sua hegemonia por toda a Itália, Roma passou então a desempenhar um novo papel no cenário político mediterrânico e entrou em conflito com o expansionismo púnico dos cartagineses, da poderosa cidade fenícia e potência que dominava boa parte do Mediterrâneo, Cartago, então rival nas relações de comércio (BOVO, 2006b). Tal fator prenunciava uma época que ficaria marcada pelos acontecimentos bélicos que se sobreporiam a mudança social e cultural que afetavam a República romana e os povos peninsulares. E, consequentemente, desencadearia o processo de formação do Império romano através de sua expansão imperialista (PLÁCIDO, 2009).

Através de tratados firmados primeiramente com etruscos e posteriormente com romanos, Cartago respeitava a costa itálica. Os conflitos entre as duas potências começaram na Sicília, onde se encontravam as colônias gregas, rivais dos cartagineses e aliados de seus conterrâneos do sul da Itália, estes que já estavam sob influência romana. Assim, tornava-se inevitável o repúdio ao domínio cartaginês na região (LIBERATI; BOURBON, 2005).

As guerras púnicas se alastraram durante várias décadas, e culminaram com vitórias romanas em mar e terra firme. O primeiro conflito entre as duas cidades foi na Sicília, dividida entre colônias gregas e possessões cartaginesas, configurando a Primeira Guerra Púnica, entre 264 a.C. e 241 a.C., que culminaria com as vitórias navais de Roma e a anexação da Sicília, Córsega e Sardenha ao seu território e tornando-a uma grande potência (BOVO, 2006b).

A revanche cartaginesa nasceria com a exploração da Península Ibérica, com suas ricas minas de prata. A presença dinâmica dos cartagineses na Península Ibérica se tornava uma ameaça para Roma, até que um ataque cartaginês a cidade ibérica de Sagunto, aliada romana, junto ao fato de em 219 a.C. Aníbal ser acusado de ultrapassar os limites do tratado entre romanos e cartagineses, resultariam numa luta que os conduziram à Segunda Guerra Púnica, entre 218 a.C. a 201 a.C., assinalando a consolidação do imperialismo romano (Idem, 2006b; STIERLIN, 1997).

Figura 1. O romano Públio Cornélio Cipião, conhecido pelo seu título honorífico de o Africano, acabou com o domínio cartaginês na Península Ibérica ao longo da Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.). As conquistas das cidades na região peninsular lançariam as

bases da Hispânia romana (MORENO, 1988, p. 9).

Os cartagineses levaram a guerra para a Itália e infringiram aos romanos várias derrotas e destruição, com o brilhantismo de Aníbal, até quase ganharem a guerra em território italiano. Contudo, a intervenção de Públio Cornélio Cipião conseguiu fazer com que a guerra passasse a ser favorável a Roma, e os romanos venceram Asdrúbal na Hispânia. Cornélio Cipião acabou conseguindo transferir o último conflito para o território africano, e derrotar Aníbal no norte da África, em 202 a.C. Na Terceira Guerra Púnica a cidade de Cartago foi destruída pelos romanos, que obrigaram o inimigo a se render. Através de um tratado de paz, a cidade púnica saiu definitivamente do grupo das grandes potências mediterrâneas (BOVO, 2006b; LIBERATI; BOURBON, 2005).

Nota-se que Roma só conseguiu finalmente alcançar a vitória ao aproveitar todos os seus recursos. Durante estes conflitos, Roma investiu na definição de sua conquista pela Península Itálica e também de territórios além-peninsular. Após as

guerras púnicas, Roma continuou a política de fundar novas colônias no século II a.C. Muitas colônias foram fundadas na costa italiana para garantir a defesa do território contra alguma invasão. A colonização romana continuou e foi se estabilizando, em direção ao Ocidente; a necessidade estratégica obrigou à ocupação da Ligúria, Provença, Gália Cisalpina e, depois, da Hispânia (MARTÍN, 1992; STIERLIN, 1997). Ao fim de três guerras púnicas, Cartago, potência rival, foi vencida em 146 a.C., e este episódio permitiu que Roma explorasse a situação e anexasse à costa norte-africana, grandes territórios da Península Ibérica, somados aos da Sicília ocidental, Sardenha e Córsega, já incorporados ao território romano (HINTZEN-BOHLEN; SORGES, 2006).

A partir de então surgiu um novo sistema de equilíbrio no Mediterrâneo, uma vez que Roma assumiu o controle das novas regiões, principalmente da Península Ibérica. Paralelamente, a situação internacional do Oriente estava tomada por inquietações políticas. Este quadro oferecia grande oportunidade para intervenção e ampliação das fronteiras de Roma. Deste modo, os romanos se lançaram em uma série de iniciativas diplomáticas e militares que entre 201 a.C. e 133 a.C. os transformou em senhores de todo o Mediterrâneo (LIBERATI; BOURBON, 2005).

As guerras púnicas também ampliariam os contatos dos muitos centros do mundo helenístico (PLÁCIDO, 2009) e culminariam, no século II a.C., com a intervenção romana na Grécia, consolidando a influência da cultura helênica pelos territórios (MARTÍN, 1992). Esta evolução formidável tendente à unificação da região mediterrânea, mare nostrum, culminou com a conquista de outras províncias, tornando cada vez maior o apetite pelo domínio conforme a força de Roma se apresentava inexpugnável (STIERLIN, 1997). Após 168 a.C. Roma impunha sua soberania, adotava uma política de anexação de territórios, e exploração intensa dos territórios e povos conquistados (LIBERATI; BOURBON, 2005).

A sede de conquistas romanas seguiu até o fim do século I a.C., onde toda a região oriental do Mediterrâneo, desde a Grécia até à Ásia Menor, toda a Península Ibérica e a Itália setentrional foram submetidas à supremacia romana, elevando, neste período, Roma a categoria definitiva de potência mundial (HINTZEN-BOHLEN; SORGES, 2006). Até a época de Augusto, Roma desenvolveria uma política de imperialismo sem limites para suas pretensões (STIERLIN, 1997).

2.3.2 Crise da República

Por intermédio da Primeira e Segunda Guerras Púnicas, Roma começou seu domínio provincial com a conquista, anexação e ocupação das ilhas da Sicília, da Sardenha e da Córsega, logo se somou também à região ibérica, onde Roma herdava de Cartago alguns domínios na Hispânia, que logo se tornariam as províncias de Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior. A partir de então novos territórios foram entrando na órbita de influência de Roma e tornaram-se províncias (LIBERATI; BOURBON, 2005; CORNELL; MATTHEWS, 2008).

Deste modo, ao deixar de ser um pequeno Estado, Roma se transformou em uma potência mediterrânea e passou a não conseguiu solucionar a crescente desigualdade social produzida pelas conquistas (Idem, 2005). Neste quadro se inseriram graves crises internas que dilaceram Roma durante este período, e pouco a pouco destruíram a estrutura do Estado republicano. Revoltas de escravos, conjunturas e guerras civis abalaram Roma (HINTZEN-BOHLEN; SORGES, 2006).

As diferentes condições que se apresentavam no campo político, conforme a anexação de novos territórios mais distantes de Roma, exigiram uma modificação no aparato administrativo existente. Paralelamente, a situação política interna foi se deteriorando progressivamente e se anunciava uma possível ditadura, conforme o acúmulo de grandes poderes importantes, durante um prolongado período, por apenas uma pessoa. Neste quadro, Júlio César despontou-se ao conseguir muitas conquistas em diversas campanhas militares, que se traduziram em novas províncias (LIBERATI; BOURBON, 2005).

Concomitantemente, os conflitos civis estabeleceram transformações institucionais, levando ao primeiro triunvirato, seguido do assassinato de César no ano de 44 a.C., uma guerra civil, a formação do segundo triunvirato e, finalmente, no nascimento do Império (Idem, 2005).