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Pålitelighet og gyldighet

In document Mer fisk i barnehagen (sider 60-64)

7.10 Metodediskusjon

7.10.4 Pålitelighet og gyldighet

A noção de posicionamento, concebida no âmbito do discurso literário, como equivalente de doutrina, escola, teoria, partido e tendência, será considerada por Maingueneau e Cossutɲ (2000, p.173) como “demɲsiɲdo poɳre já que implicɲ ɲpenɲs que os enunciɲdos são relɲcionɲdos ɲ diversɲs identidɲdes produtorɲs de discursos que se definem umɲs ɲs outrɲs”. Além disso, essa noção não se alinha completamente com a concepção forte de interdiscurso

pensɲdɲ por Mɲingueneɲu (1997, p.173) nɲ quɲl “ɲ unidɲde de ɲnálise pertinente não é o discurso em si mesmo, mas o sistema de referências aos outros discursos através do qual ele se constitui e se mɲntém”. Desse modo, do ponto de vista do Maingueneau e Cossuta (2000, p. 173), os posicionɲmentos, ɲpesɲr de se pretenderem surgir de um regresso ɲ ɲlgo “que outros posicionɲmentos teriɲm desfigurɲdo, esquecido, suɳvertido”, são perpɲssɲdos por outro discursos, assim como aqueles discursos nos quais esses posicionamentos tomam parte. Ademais, Maingueneau e Cossuta (2000) ainda tornam o conceito de posicionamento mais produtivo, articulando-o a ideia de comunidade discursiva.

Assim, Maingueneau e Cossuta (2000, p. 174) delineiam uma concepção de posicionamento como supondo “ɲ existênciɲ de grupos mɲis ou menos institucionɲlizɲdos, de comunidades discursivas”, que “não existem senão pelɲ e nɲ enunciɲção dos textos que elɲ produzem e fɲzem circulɲr”, como sendo “ɲ intricɲção de uma certa configuração textual e de um modo de existênciɲ de um conjunto de homens”. Assim, todɲ prática discursiva, na definição de Maingueneau (1997), tem como característica básica o estabelecimento de posicionamentos, que abrangem tanto a organização material dos textos como o modo de vida das comunidades discursivas. Por conseguinte, podemos dizer que Maingueneau (2005a) amplia a ideia de formação discursiva para o conceito de posicionamento, quando a articula à noção de comunidade discursiva, da mesma maneira que os posicionamentos desembocam na ideia de prática discursiva, na qual, por sua vez, se estabelecem.

No tocante a este trabalho, examinamos a prática discursiva literomusicial brasileira, especificamente, o posicionamento Pessoal do Ceará, sobretudo, no que se refere à articulação das qualidades vocais cantadas, que denominamos de investimento vocal, de alguns de seus integrantes (Belchior, Ednardo e Fagner) com a referência dessas vozes na cenografia e com a constituição do ethos como marca identitária desse posicionamento. O posicionamento é ainda, segundo Maingueneau (2001), inseparável do investimento em determinados gêneros, o que o autor denomina de investimento genérico.

Portanto, do mesmo modo que, na proposta de Maingueneau (2005a), o posicionamento surge da forma como o sujeito criador gere a sua relação, não com uma sociedade em bloco, mas com a prática discursiva literária - e esse princípio é válido para a

gestão dos modos de vida do sujeito criador com a sua obra (bio/grafia)12 - também a obra não é considerada em sua globalidade, mas no nível do gênero discursivo que ela mobiliza. Logo, Maingueneau (2001) designa de investimento genérico a gestão da mobilização do gênero pelo sujeito criador. Portanto, esse gesto de lançar mão de um gênero discursivo é por ele interpretado como um elemento identificador de um posicionamento. Nesse sentido, segundo Maingueneau (2001, p. 69), “ocupɲr umɲ certɲ posição será portɲnto determinɲr que ɲs oɳrɲs devem ser enquadradas em determinados gêneros e não em outros”.

Portanto, pela óptica de Maingueneau (2001, p. 70), o gesto de lançar mão de um gênero mostra desde sempre a própria constituição do posicionamento, na medida em que este não vai se definindo perante todos os outros gêneros possíveis sem predominância de um sobre as outros, mɲs, à proporção que vɲi privilegiɲndo “certos outros”. Assim, o fɲto de um posicionamento criar, recusar etc. certos gêneros varia de acordo com sua doutrina e com as épocas, o que delimita o alcance da criação de gêneros. Desse modo, o autor alerta para o fato de que, como a pertença de uma obra a um gênero não pode ser dissociada do seu conteúdo, o posicionamento não se referir somente a uma concepção estética ou ideológica exibida por um sujeito e seu discurso; dɲí ɲ necessidɲde de, pɲrɲ cɲdɲ enunciɲdo, se “reestɲɳelecer o gesto que sustenta a atribuição genérica e relacioná-lo com o posicionamento de seu autor no campo [...] [discursivo]”. (MAINGUENEAU, 2001, p. 75).

Desse modo, Maingueneau (2001, p. 75) advoga o estabelecimento do investimento genérico que “une um certo „conteúdo‟ ɲ um certo „contexto genérico‟” pɲrɲ ɲ definição de um posicionamento, mas também pela consideração da maneira como esse investimento se efetua. Portanto, Maingueneau e Charaudeau e (2004, p. 290), ratificam a ideia de que:

[...] esse investimento não deve ser concebido no modo retórico de meios a serviço de um fim, mas como definindo a própria identidade de um posicionamento: o recurso a tais gêneros em vez de a outros é, de fato, parte constitutiva do posicionamento, tanto quanto os demais elementos doutrinais

Portanto, as diferentes formas dos posicionamentos investirem nos gêneros remetem ɲos conflitos entre eles, os quɲis têm origem no desejo de cɲdɲ um de “deter ɲ ɲutoridɲde no

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O conceito de bio/grafia denomina em Maingueneau (2001) a constituição da obra pela vida e da vida pela obra, pois, do ponto de vista do autor, para produzir uma obra, os escritores interferem no campo literário, ao mesmo tempo em que são condicionados por esse. Assim, ele também participa de suas vidas, afetando seus contextos biográficos. Dessa forma, na visão do autor, não se pode considerar a obra separada da vida, do mesmo modo que não se pode levar em conta a vida separada da obra, mas só a conjunção de ambas.

cɲmpo ou no suɳconjunto do cɲmpo considerɲdo”. (MAINGUENEAU, 2001, p. 77). Portɲnto, ɲ tese do investimento genérico supera a ideia de que um posicionamento se defina apenas por conteúdos. O autor defende o argumento de que:

Em vez de opor conteúdos e modos de transmissão, um interior do texto e um ambiente de práticas não verbais, é preciso elaborar um dispositivo em que a atividade enunciativa integre um modo de dizer, um modo de circulação de enunciados e um certo tipo de relacionamento entre os homens (MAINGUENEAU, 2006b).

Maingueneau (2006b, p.163) elege ainda como gesto definidor de um posicionamento, além do lançar mão de um gênero (investimento genérico), ɲ formɲ como “um criɲdor deve definir trɲjetóriɲs própriɲs no intertexto”. A esse respeito, ele assere ser indispensável ɲtentɲr pɲrɲ “o modo como cɲdɲ posicionɲmento gere essɲ intertextuɲlidɲde e não pɲrɲ ɲ tese, já indiscutível de que “ɲ intertextuɲlidɲde se ɲplicɲ ɲ todo discurso constituinte”.

Como foi visto ao propor o conceito de posicionamento, Maingueneau considera o vínculo entre a formação discursiva e os elementos da comunidade discursiva os sujeitos criadores. Portanto, esse conceito se refere à forma adotada pelo sujeito criador para gerenciar a sua relação com o discurso no qual atua e com a sua obra. Logo, do mesmo modo como Maingueneau (1997) não focaliza o total da sociedade, mas a variedade dos discursos que a perpassam, ele também não volta a sua atenção para a obra como um todo, mas para a diversidade de suas dimensões.

Dessa forma, em decorrência da delimitação do objeto da pesquisa, e por partilhamos da mesma posição de Maingueneau (2001) quanto à sociedade e à obra, é que não analisamos o gênero canção como um todo, mas optamos por salientar a dimensão vocal da canção. Como julgamos que o cantor, para se posicionar no campo discursivo literomusical, precisa gerir a sua relação com a própria voz, consideramos que esse gesto se aproxime do conceito de “investimento” proposto por Mɲingueneɲu (2001). Desse modo, optɲmos por fɲlɲr em investimento vocal. Consequentemente, consideramos essa gestão que o intérprete faz da sua voz indissociável do investimento no gênero canção, que, por sua característica multissemiótica permite a mostração, de forma estável, desse investimento vocal. Assim, como o investimento vocɲl tɲmɳém não se sepɲrɲ “do investimento [em] umɲ cenogrɲfiɲ [que] fɲz do discurso o lugɲr de umɲ representɲção de suɲ própriɲ enunciɲção” e dɲ formɲ como intérprete por meio dɲ voz e

da referência a ela no texto constrói uma imagem de si, ou seja, do ethos como mostramos no tópico a seguir. (MAINGUENEAU, 2001).

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